tarde demais

[dom] 2 de setembro de 2001

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em magico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silencio, em volta, a escutar…

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que nao pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!

Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vao! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

E ha’ cem anos que eu era nova e linda!…
E a minha boca morta grita ainda:
Porque chegaste tarde, o’ meu Amor?!…

Soneto “Tarde Demais”…

Livro Livro de Sóror Saudade (1923)
Florbela Espanca

 

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