Archive for outubro, 2001

sobras cinzas-azuis na manhã de gagarin

[qua] 24 de outubro de 2001

Sobras da manhã como se flores caíssem do céu..
Este infinito espaço azul de Gagarin..

E destes lábios tão frios? tão invisíveis, tão cheios de cicatrizes.

E nunca; imenso este nunca tente me entender!
Nunca tente me tomar, sou duro, sou do tato o disfarce da loucura.

Devorar-te-ei, assim como a mim, até o último átomo e com os pés crus cruzarei a rua terrosa e as flores de pedra atingiram tua janela – estarei por inteiro -, aquela que guarda a lua (qual lua nova?).
E se decidires acordar, então… Verás teu mundo de ponta cabeça(?!)

Mas quem sou? perguntam-me as paredes surdas. Sou todos os afagos afogados em tristeza… e a delicadeza de todas as mágoas… – Estrelinhas – E você sorria… Ah! como lhe queria, cada verso, cada abraço e quem sou? Sou do verso amargo perdido nas linhas de um sorriso passado em algum rosto triste e se de mim nada existe, mentiras, na terra azul de gagarin? No teu quintal vasto de hortênsias e bromélias e girassóis? E sombra… E espera. Quem sou na tua vida, eu, a velha ferida? Que não cicatriza, nem cheira, nem fede! Sobras dispostas ordinariamente em sua mente, restos pelo chão? E não… Não… Me faça… Esperar. Porque irei brigar… Brigar desesperadamente… E as pazes farei… Dar-te-ei uma lágrima de despedida… – E na fúria ansiosa – Irei brigar novamente e novamente irei chorar… Porque sou imperfeito – estranho composto de sentimentos de absurda paura e enorme desvelo para contigo…

Mas quem sou?
Quem és tu menina?
Quem são vocês?
– Eu sou um tolo –
Uma criança…

E nisto tudo…
A falta da coerência
E a absurda esperança.
Da azul terra de Gagarin

[fragmentos]

24.10.01

sonetoretrato

[qui] 11 de outubro de 2001

Este é teu retrato.
Quase imperceptível,
Absurdamente intimorato.
E intransponível.

Como as paredes do teu quarto.
De cor azul-tristeza.
Osga, bela, de coração farto
‘cheinha de delicadeza!

Este é teu retrato
Grande cromo-crato
E vulgar.

Feito neste soneto-poema
Aparentemente sem tema
E sem ar.

11 out. 2001

o sol e as estrelas-mortas

[qua] 10 de outubro de 2001

O olhos que se confessam…
prefiro a luz das estrelas-mortas.
sua doce e sedutora ilusão
– tão belas-distantes –
abandonam suas vidas ao acaso…

nossa imensidão
10.10.01

exercício sobre o estrangeiro

[dom] 7 de outubro de 2001

A paz estranha
de ser estrangeiro
em sua própria terra
pela vastidão de um tarde

dos pés à taça,
da lavra à loucura,
um vinho branco seco,
e um sorriso, quiça melancólico,
sob um céu pardo,
um coração bardo
à sombra de uma amendoeira,

contempla o sol, quase encoberto,
e a algazarra dos ninhos alheios.

estrangeiro, pra ti uma porção
de grama e felicidade,
de passos e liberdade,
pés descalços e a eternidade
da ébria terra estranha…

07 out. 2001. Sambaqui

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