Archive for julho, 2004

só posso ser o poema que ainda não escrevi

[sex] 16 de julho de 2004
Que o sol sem fim
sai de um todo ali
a metade de um
mim
claro, boreo
como yasmin.

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no fim
ele finge
que finge
eou acredita,
no fim?

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terminei a gramatura
posso ser então acordes graves na compostura
posição suave e alegrotriste pois é de cada um
terminei a chuva que pintaria em tua face
com grandes olhos e pequenas gotas deslizando
tua boca dentes e dedos
só posso ser o poema que ainda não escrevi.

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dormem
as casa antigas
as fechadas janelas

a calçada, a rua…

os vadios cães
os carros abandonados
os bancos não sentados
a vazia praça

o pensamento

dormem
o balanço sem crianças
a praia sem distância

as estrelas mortas

as placas sem sentido
as folhas caídas
o mosaico sem olhar
o silêncio absorvente

o distante indecifrável

dormem,
o poeta, imune ao mar,
afogado,
dormem.
Praça macário rocha. Ponta sambaqui.

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fui tocar o silêncio
sobre a mesa
feito folha que era
evaporou…

.

fui tocar a folha
sobre a mesa
feito borboleta que era
voou

.

e neste instante
sobrepus as asas ao vento
e fui, em silêncio.

.

Perfeita flor de ipê
só a teus olhos meus olhos
podem, agora, ver.

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nas suas asas andor
inhas
voa ao silêncio este corpo
nas suas asas andor
inhas
flutua imenso este peito
em suas asas andor
inhas

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falar fundo
lábios relva
olhos sardos
grão nariz

.

nos rios alagoando
o ledo engano
destes fios-cor
colar cabelo
falar claro
rosa-cler
clor.

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somos outros
habitando outras
hipoteses
e vivos

.

diante de todo
amor
em quase nada.

da série de poemas o último número um (ou quando a canção terminar)

[qui] 15 de julho de 2004

“tenho a infelicidade de não compreender a felicidade. Sou um coração defeituoso, um espírito vesgo, uma alma insípida, incapaz de fidelidade, incapaz de constância” (Machado de Assis, 1969, p.42).

MACHADO DE ASSIS, J. M. Ressurreição . São Paulo: Editora Cultrix, 1969.
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Linguajares
desvairados
marchas, canções
captores, não raro
são ainda por cima, cria,
inventores, de palavras:
injusto seria deixar-te
quando se pensa abandonar

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polaron polca elípticamente
enquanto pôlderes invadem-se
por poldres d’polemarco ‘sta poesia.

malferindo polaron eternu
poema passacale efusivament’
hematopoético em passagem
e Todo cala…

polaron então polca’inda
pompamente.

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Apenas Mais Uma De Amor – Lulu Santos

três poemas

[sáb] 3 de julho de 2004
e seus olhares indiscretamente diretos
libeluloideos,
pleustonamente se seu corpo ficasse marcado
lábios e mãos
se tudo que dissesse
cada vez que penso, sentisse.
E se não falássemos mais sobre certas paisagens
e seus olhares calando-me ‘inda agora
quando passou
alguém
nesses olhares indiscretamente diretos
libeluloideos

………………………………………

um lugar
subindo a ladeira
cortando versos diversos
tão alheios
tão estranhos
tão teus
um dia seremos
dois outros
mesmo sem poder resistir
mesmo sem poder existir
chuvas e outras tardes.

………………………………………

amarelo pé
no inverno o ipê
sem florescer
belo ainda é
uns instantes
no pé
o ipê amarelo
três meses idos
tão diferente
e não difere em mim
a impressão
de ver então
como é belo ainda
o amarelo pé.

prá chuva

[sex] 2 de julho de 2004
mesmo sem poder existir
vou ser nós [e rescrever]
somos se pudermos ser ‘inda
[‘cê notou …………………………………… ]
[………………. somos se ……….. ……… ..]
[………….. ……………………. p.  …..  …….]
[……… …….. dizendo …………………….. ]
[……………….. …………… a dizer, oras…]
mesmo se agora as lágrimas que caem as intenções
as palavras escrevo
e se tudo mesmo assim é o mesmo
velho mesmo.

.

Um lugar numa outra estação…
subindo ladeiras cortanto versos diversos
mesmo sem poder res
istir
mesmo sem poder existir, eu, você, nós
somos se pudermos será ainda
mesmo se agora for:
escrevo só pra te convencer
tentar ser
começo.
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