Archive for setembro, 2005

nestes dias intermináveis de chuvas e mais chuvas, brotam flores.

[sex] 30 de setembro de 2005

uma bilhete:

oi gi, como estás? fui ontem assistir à peça que te convidei. e sabe… no meu peito de pedra, há algumas flores, que desavisadas, brotam, de vez em quando… aguardo resposta.

e um poema para inspirar a vida.

***

A Flor e A Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a  pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade

rosa negra: uma saga sertaneja

[sex] 16 de setembro de 2005

ACAP. 20h.

«o espetáculo conta, atráves de muita música, dança e textos curtos, a história de um adultério que gera uma sequencia de violência no interior do país… »

palco giratório.

companhia dos sonhos. texto carmem moretzsohn. direção hugo rodas.

o muro

[qui] 15 de setembro de 2005

21horas. teatro sesc prainha.

«uma metáfora criada para tratar de imagens e fatos sociais históricos, entre questões sociais e filosóficas.»

texto grupo pedras. direção adriana schneider.

restim

[seg] 12 de setembro de 2005

21 horas. teatro sesc prainha.

«o espetáculo surge da poesia para criar um universo lírico e engraçado, buscando novas formas de escuta poética. Os personagens inventados através da inspiração dos poemas, em especial o universo criado pelo poeta Manoel de Barros, nos aproximam de um cotidiano às avessas…»

texto grupo pedras. direção helena stewart e georgiana góes.

?

[sex] 9 de setembro de 2005

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Cadê o texto.

comoção

[qui] 8 de setembro de 2005

«o momento em que a voz ou a palavra não são as melhores expressões perante os acontecimentos da vida»

texto e direção ana kfouri. grupo alice 118. 21 horas. teatro sesc prainha.

potlatch

[ter] 6 de setembro de 2005

«a glória adquirida ao se perder alguma coisa, ao aniquilar-se» … «o poder de perder porque se tem coragem de jogar fora, de destruir-se»

grupo alice 118. texto hilda hilst. direção ana kfouri. 21 horas. teatro sesc prainha.

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