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o sol implacável

[seg] 19 de dezembro de 2005

O sol implacável, um instante e teu corpo viraria pó. O pó à terra. No meio, ele, sente que transcende um limite – se houvera transcender limites. E inventas tentativas novas. Alternativas inventadas, inventivas, ele se solta… Não é o luar, nem o sol, é um dia todo deitado à toa, ao léu, inventando sensações. E se o peão da dama avançasse até a quarta casa… O jogo iniciaria? Os números falam-me do tempo, e ele existe, e vem vencer qualquer ilusão – e tudo é ilusão: A realidade, a fatalidade, a verdade, a ficção, a invenção, a dade, o não, o ão, a própria ilusão. Se eu pudesse agora beijaria tua boca, mas então, agora, não há tu e nem ninguém além de um outro eu. Miro-te de todos os ângulos possíveis nos quais me meto te miro. E sei que sabes que sei que sabes que sei que sabes que sei que sabes, onde? Qualquer coisa, quero, entre gozar e sangrar, ver qualquer sonho violeta em tarde ocre.

Sabemos então que podemos mais. E mais, és uma ilusão da tarde, uma coisa toda feita em gozos e não gozos, algo pra sugar o ar enquanto sufoco… Mudo em mim. Uma vertigem, uma viagem, uma noite fria, vento, leve, gozo. E é o sol inclemente na mente desta gente demente, nesta tarde de carne e deuses covardes, o sol. Abre a janela, corre o vento por dentro do peito, e torna na mente a chuva dos canais pela ondulação da face… Ar e ar, Chuva e chuva… Onde se distingue o sentido é sem sentido, é um já tão já que já não é, fora, foi… Frio… Tédio… Zona morta. Não zona.
Dei vinte passos mal contados em direção ao mundaréu de seres, apitos, faixas… Uma orquestra. E sobre o canal, a massa, o fluxo flui – Adoro obviandades! – como uma flecha que perpassa o corpo e sai sem nunca ter entrado. Entrou, passou, e não percebemos. Flui alheio ao que fomos no que somos, e ao que seremos. Nada é em vão, nem o vão. Se abres a porta. a porta se abriu, abriram-na para abril. faltavam quatro meses e o sol ficou, a chuva veio… Na minha imaginação.

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