Archive for fevereiro, 2006

dois exercícios: sobre os insetos, e sobre a morena.

[seg] 27 de fevereiro de 2006

Hoje, na madrugada, entre movimentos e pensamentos: dois exercícios (INSETOS¹ e MORENA)

insetos

Aos pequenos insetos
Voadores de meus dedos
Diamantes de meus olhos
Dos miúdos aos mais inquietos
Adoradores bioluminescentes
Sinto e sei que sentem
Amantes e belos
De tantas formas e tantos elos
Noturnos flutuam comigo
De luz, de umbigo
Voam-me…

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morena

É de noite, é de dia
Tu ri, eu faço folia
E esta aqui, morena,
É somente pra ti
Não sou tão bom assim, e é pena
Só posso te dar um pedaço
Só posso flertar sem laço
Só um pouco… Num triz
Só pra te deixar feliz
Um dia, um outro
Eu tu na folia
E no gozo
Tão próximos
Eu tão distante – É pena
Sou e já não sou, morena…
Teu eterno amante
De êfemero instante
Tu ri criatura
Eu faço folia
E é só carnaval…
Um dia há de acabar.
E só posso te dar
Só flertar
Só assim…
Um pedacim…

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¹ Referência a posteriori : Círculo Vicioso de Machado de Assis

É carnaval…

[dom] 26 de fevereiro de 2006

Afinal, folia nunca faz mal… Ao som de “Also Sprach Zarathustra”… Vamos lá. Domingo de carnaval, folia na rua, eu aqui, envolto e imerso em meus devaneios e absurdos, pensando… Quero algum ponto, um começo, e, bom, esse é um cara essencialmente bom, com vários defeitos e muitas qualidades, e é claro, que não vou revelar nada, e nenhum, aqui, pois nem há como. Sou único, no sentido de que, cada um de nós vê e sente de forma específica, e na minha órbita moral e social, especificamente, como todos os outros seres, e aqui não digo você, hipotético leitor, mesmo que eu esteja escrevendo de certa forma pra você, e o mais engraçado, que eu posso vir a ser, e serei, uns dos leitores, senão o único, o mais provável; que todos somos únicos… Me perdi [ônus pela digressão sem fim]. Mas você chegou até aqui então prossiga… Vivo e gosto de viver, escrevo e gosto de escrever… E sempre escrevi, sempre foi uma necessidade, ora latente, ora não, mas sempre presente no meu espírito. Quando comecei este blog, “a rã filosofia”, eu estava sem pc, no retorno ao semestre, após a greve da federal, utilizando os micros do lab.ufsc para acessar e postar, coisas que eu escrevia na sala, e/ou em dias anteriores. Pretendo aqui, e isto é um registro de intenção, postar tudo, que até então, escrevi e tenho registrado, em outro meios como blogs anteriores, material que deixei pela rede,  cadernos, poesias, no hd deste pc – que, como eu já disse, estava sem, mas consertei, depois de alguns anos. longa história para resumir aqui. – e na minha mente. Bah, ficou confuso e estranho…
Enfim quero com o tempo, agora com pc em casa melhor, mudar o layout, postar o material e continuar escrevendo, mais e mais… E p’rá que? Sei lá… Afinal… folia nunca faz mal.
Mas, num domingo de carnaval eu, aqui, em casa… Dedo machucado, remédio (droga) no corpo, e duas provas, uma de história [disciplina de HST5213 – História Econômica, Social, Política Geral e do Brasil], outra de sociologia [disciplina de SPO5127 – Introdução a Sociologia], um trabalho de geografia  [disciplina de GCN5184 – Geografia Humana], e um seminário de história por elaborar, além de ter que ler vários textos, e tudo isto para quinta e sexta… Acho que consigo… Consigo sim! É só não ficar aqui perdendo meu tempo escrevendo besteiras… 02min. para o fim, para o silêncio… Para o batuque do samba, para o café, para Comte… Ou Durkheim… fim.

poesias #3

[ter] 21 de fevereiro de 2006

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A ÉDRA

O PÁSSARO e A PEDRA

O HOMEM e A PEDRA

O POEMA e A PEDRA

O SER e A IDÉIA

A mesma édra.

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UM POEMA

QUE UM POEMA NÃO SE
FAZ, ASSIM, À FORÇA!
Respire!
Relaxe!

De leve… Que a onda vibrará
que a nuvem será
que o dia surgirá
e o sorriso, incrédulo, virá…
um poema.

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QUE SOIS?

Que sois enfim?
Que sois poetas
que sois nada
que sóis
pense.

um dia
tudo ao acaso
eu
poesia
me
faço.

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Num absoluto,
O silêncio de ruídos, gestos e murmúrios…
O degrau à máquina,
O cordão ao som disperso,
O poema ao gato ronronando
Ao chão restos de alegria,
E as paredes pintadas, de folia, desbotar
E a cama? E a lama? E o poema?
Descambou, tudo, poeta?
Para a máquina na razão vazia,
Um a de quase poesia.
Silêncio.

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QUEM SABE
Subverteu-se o efeito, a verdade é, como qualquer coisa,
tão vontade que não se sabe de onde vem…
Escrever lhe poesias todos os dias.
E pela rua coberta pela chuva pelos meus olhos
deixou-se… Sob esta árvore imensa e verde
indo, exato e distraído de, quase, tudo
Nas linhas riscando o azul, o branco,
o amarelo, invadindo o chão,
o céu, o ser e um se…

Se fôssemos além,
deste encanto instantâneo,
deste despertar efêmero
deste poema, deste dia,
desta verdade…

Mas, e aí, quem sabe?

Setembro, 2004
poesia publicada no ZINE coletivo Vomitemos do Centro Academico Livre de Ciências Sociais/UFSC 2005/2

poema à d.

[sex] 17 de fevereiro de 2006

Pensei que fosse sem querer
te ver brotar diante de mim
Mas percebo agora, e digo assim:
Perdoe-me se invento tal invasão,
se fores dizer um não,
não hei de ouvir, ouso ir além…

neste singelo poema dizer,
se ousas, este poeta, encantar,
e todo o resto do mundo…
há um preço, pequena, a pagar
e é neste segundo:
este poema ganhar.

E é ter-me aqui,
em palavras soltas, pra dizer
Que estar próximo de ti,
é sentir a poesia brotar
feito flor… feito ar,
feito passarim, feito fantasia
dá vontade de dizer oi,
dá vontade de toda a poesia.
E teu encanto é poesia
E minha poesia
É, só, pro teu encanto!

o vômito (um nó)

[sex] 17 de fevereiro de 2006

Conversas à parte. Como ninguém lerá isto aqui agora, não dirão que… E fora a possibilidade do dizer, sabe? O poder… Creio inútil, fútil, um sobrecarregar de informações que não dirão nada além do óbvio. O que inventas é do próprio invento e foge da noção de estar. Como ninguém lerá, não leio e sigo adiante, adiante, avante à maré. Eu estudava viu, não era tão… Ah, diz ele tantas coisas e vou, vou um dia encontrar o el dourado, a morte certa, e não sejas tão óbvio e imbecil, ao ponto de julgar. Não preste atenção. Fecha, saia, suma, nunca mais volte, não retorne. Torne-te outra coisa que não o que digo a ti e te tornes agora… viver é qualquer coisa como estar aqui, ouvindo conversas, inventando histórias, vendo o chão intacto, sentido dor e gozo e fome. Vamos ao próximo passo, e a porra da caneta vermelha, e a porra da próxima aula, e a porra do texto que tenho que produzir e… Vamos aos instantâneos. Voltemos. Sou o nada, o silêncio, a pedra e a parede, e no mais, ‘té já só p’á zoá. É poesia vertendo, viver é poeser. Saibas ou não, saibas ou não, ou não… E é tudo óbvio o tempo todo. É uma boca por um beijo, um corpo por um toque, um ar por atenção, um dedo por prosa. Voltar e não voltar, teus olhos uma fixação por ver, e é sobre outras coisas, sobre hinos e sentimentos patrióticos. Foda-se… Sempre tudo é um vômito, e/ou, uma convulsão,e/ou, vertigem. Minha esfera óbvia, minha essência mágica, meu passo morto. Dou risadas e cospes, cuspo e tu escandalizar-se-a. Pois mato e morro em palavras, lavras vãs. Não ir além de um além. Vou só ali, ver o mundo, como anda, o que fala… Ver qual é?

Viver é conversa à parte, um dia vás me ouvir. As idéias são em movimento, tudo movimento. Viver é estar em evidente, e constante, contato com o óbvio, pessoas, seres constituídos de idéias alheias. São aqui, meu corpo lateja, meu corpo ri, rio, latejo, ouço, vivo. Cabe a ti mudar o mundo, cabe a ti transformar, formar de novo, novamente tudo, mais sempre, sempre. Neste caso o direito sempre violado de vocês esta sendo violado, usurpado, corrompido e por idéias obtusas e devassadoras… voltemos ao inicio e tomemos o básico, a base de toda, e qualquer ação… Ação? Ensejo? Emoção? Mente? Sangue e morte, ao Fernando, em referencia… Ventura. Sinto-me, e isto creio ser mais óbvio e comum, do que suponho imaginar, e imagino convulso. Um vômito, então alguma idéia lá, onde supões o começar, incorporada e assimilada, como tal em outra, e não incorporada, não assimilada em fato, é outra. É tu. O vomito de idéias, palavras suspensas de qualquer sentido, tudo óbvio e complexo demais para ser mais que fragmentos. Só.

Sabes, envolto, em demasia, de véus e grinaldas. Cegos e prontos a aceitar o óbvio que é estranho e nebular. O véu de ilusão. A ilusão agora, meia página de besteiras, vê, julgo e condenso hipóteses em meias palavras. Farsas e verdades são o que lês. Sentidos. Todas as frases deviam ser apagadas, não escritas, numa hipóteses de não haver, tal mania de estender-se ao outro em vômitos, vertigens e convulsões. E eu dançarino de cabaret, sonhador de nuvens, tomador de pseudocafeinstantaneo. Vomito instantâneo diz tu. E se não é Deus, se não é Dinheiro, se não é Droga o que te salva? Nada imbecil, nada imbecil somos. Eu faço de conta, e não conto, não desconto, não encontro já encontrei o refrão… vômito, mito e ‘tô.

Viva a essência que resume tudo a um nó. Viva a essência que resume tudo a um nó. Viva a essência que resume tudo a um nó. Viva a essência que resume tudo a um nó. Viva a essência que resume tudo a um nó. Viva a essência que resume tudo a um nó.

seminário de história

[sex] 17 de fevereiro de 2006

Seminário de História “Escravidão e cidadania no Brasil Monárquico”

 fichamento

O livro aborda as relações sobre identidade racial, escravidão e cidadania no Brasil de 1800.

Na primeira vez que se definiu uma cidadania brasileira e seus direitos vinculados, após a emancipação política do país em 1822, o Brasil possuía uma das maiores populações escravas das Américas juntamente com a maior população livre afro-descendente do continente.

Após a emancipação, o Brasil adotou a monarquia constitucional de base liberal (que considerava todos os homens cidadãos livres e iguais). Porém a escravidão permaneceu inalterada, garantida pelo direito de propriedade reconhecido na nova Constituição. Neste contexto, a manutenção da escravidão se tornaria o principal limite do pensamento liberal.

Este liberalismo e manutenção da escravidão, não foram específicos do Brasil de 1822, mas se desenrolaram por toda Afro-América.

A tendência geral dos novos países que se formavam sob o pilastre da ideologia liberal estava marcado de 3 situações:

1) manutenção da escravidão com base no direito de propriedade;
2) a proibição do tráfico africano;
3) a emancipação progressiva através de leis que libertavam os nascituros (ventre-livre), sempre com indenização aos proprietários.

As diversas sociedades do Antigo Regime, bem como o cristianismo católico ou protestante, não viam maiores problemas com a escravidão. Elas naturalizavam as desigualdades sociais como “algo divino”(escolhido por Deus). Certamente existiam as questões hierárquicas, mas elas não eram necessárias para justificar a escravidão. Portanto, o fato de ser índio ou africano por si só não os fazia passíveis de serem escravizados, mas sim o fato de serem bárbaros e ateus.

A noção de raça e desigualdade surgiu do pensamento científico europeu e norte-americano no séc. XIX, especialmente nos EUA.

Surge também nos EUA o POLIGENISMO, que era a origem comum da espécie sendo questionada e que foi superado pela perspectiva da seleção natural de Darwin. Americanos conciliam a idéia de uma origem comum com uma extrema e seletiva diferenciação natural.
Novamente a desigualdade é naturalizada justificando a restrição aos direitos civis de cidadania do liberalismo, bem como a nova expansão colonialista européia sobre a África e a Ásia.

A noção de raça é uma construção social do Séc. XIX, estreitamente ligado ao Continente Americano.

Ordenações: Afonsinas, Manuelinas e Filipinas de 1603 (esta acrescenta a lista de exclusão os negros e mulatros a cargos públicos, eclesiásticos e a títulos honoríficos)

Em 1776 Pombal revogas as restrições aos descendentes de judeus, mouros e indígenas. Os africanos só seriam rompidas no Brasil pela Constituição de 1824 (1ª vez definiu os direitos inerentes à cidadania brasileira).

O Brasil traz como herança da colonização portuguesa a noção de raça aliada ao interesse escravista existente e em grande parte compartilhados por boa parte da população “pardos livres”. Por este motivo a noção de raça se apresentou como problema e não como solução.

Movimento intitulado “Conjuração dos Alfaiates” de 1798 pregava igualdade entre pardos e brancos, identidade brasileira pelo povo nas ruas, discriminação do “partido português absolutista”, “branquinhos do reino” x “brasileiros pardos”. A Balaidada de 1838 no Maranhão que incitava a igualdade de direito entre cidadãos de todas as cores.

1831 até 1840 – período regencial com pasquins exaltados lutando pela igualdade entre cidadãos brasileiros independentemente da cor (garantida na Constituição). Ex: O Homem de Cor, O Brasileiro Pardo, O mulato…

A Constituição Imperial de 1824 revoga o dispositivo colonial da “mancha de sangue” (maiores informações na pág 7 do xérox e não do livro).

ESCRAVO AFRICANO COMPLETAMENTE ESQUECIDO NAS LUTAS.

Em Algum .

[ter] 14 de fevereiro de 2006

E o mundo!

a mente labirinto

[seg] 13 de fevereiro de 2006

Enquanto dormes, penso. Sobre tantas coisas, o pensar, a incoerência, se ter e ser, o mar, ir e voltar independente de onde se possa estar. Sempre se está em algum lugar. Sinto e isto já é razão de sofrer… ‘Tô te contando uma história ‘viu… Preste, só, atenção ao que não digo.

las brujas

[dom] 12 de fevereiro de 2006

 

Las brujas son
una noite nublada de lua cheia
e névoa, úmida, pele molhada…
em mim – águas da noite clara –
e corr
………‘enteza.

Sambaqui. 2005
poesia publicada no ZINE coletivo Vomitemos do Centro Academico Livre de Ciências Sociais/UFSC 2005/2

Insone

[sáb] 11 de fevereiro de 2006

Foi tão somente entrar, fechar a porta e deitar-se, algo mais que alguns instantes, como se houvesse meticulosamente calculado, fracionando o tempo em espaços de tempo determinados. Alguns instantes e os olhos já não viam mais um azul quase negro e sim um azul das cinco, quase dia, quase claro. Sempre quase. Um tom agradável, mas frío, de um frío que sentes vontade de se estar coberto. E dormir, e dormir infinito. Num desejo de não sonhos, signos, e, ou, imagens. Oco do som, do corpo e de toda hipotética paz, além de qualquer coisa que é viver.

Quando morre – no espaço tempo – cinco segundos ou quinze horas têm o mesmo tempo, o mesmo ar de quem se foi e ousou voltar… Só pra ver que o tempo não há, somente o ar, os olhos e uma ilusão unica a movimentar teu espaço em qualquer direção. Foi tão somente entrar, entreaberta a porta deixar-se. E não pensar mais que alguns instantes…
Foi dormir, que isto que é viver.

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