Archive for maio, 2006

meus dedos pesam toneladas…

[qua] 31 de maio de 2006

‘tô um trapo, mas um trapo feliz!

beta, betinha… Debutei no RU, eta comida boa… preciso dormir.

hoje. outro dia, eu de vermelho escrevo…

[ter] 30 de maio de 2006

C. vou, como um, eterno, garoto… fazendo careta. Meu olhar sobre o mundo é, como o de todos, até dos que nem sabem, poético… Amo o viver, até quando morro de medo de viver! Como eu disse ontem… Eu falo, falo e não chego a lugar nenhum. Como se houvesse alguem lugar por chegar, ou ir… Vou como Quintana… “No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas / que o vento não conseguiu levar: // um estribilho antigo / um carinho no momento preciso / o folhear de um livro de poemas / o cheiro que tinha um dia o próprio vento…” // (Mario Quintana). E Don Diego…  POESIA EXPERIMENTAL DE BOLSO, OU POÉTICO-MANIFESTO, OU POEMA… Talvez sexta. todavia essa loucura de Eleição do DCE está me consumindo por inteiro, e eu ‘tô curtindo muito… ‘tô feliz. Mas talvez sexta… [“Tenho um sorriso bobo parecido com soluço, enquanto o caos segue em frente com toda a calma do mundo…” RR]

17:30 ARQUITETURA

[qui] 25 de maio de 2006

17:30 ARQUITETURA!

Não fui.

Uma folha de papel : Relatos amassados

[qua] 24 de maio de 2006

19.05 Mais político do que técnico. político? social?
20.05
12h00 O medo de ganhar…
13h00 Alguém, que é de algum lugar. Este por vivência, outro por origem e fim..
14h00 O novo propondo a nova idéia, a classe ignorando, o líder aceitando a nova idéia, a classe aceitando…
status? poder?
15h00 tudo que você fez antes torna o que é, ou está, agora!
17h00 Reação adqueada à condição humana
talvez seja pura bobagem…
24.05
13h07 dedos congelando, pessoas sorrindo, hipnose. um zine(?)… Nada de leitura ainda.

talvez eu não sei…

[qua] 24 de maio de 2006

Eu talvez eu não sei, talvez não pude, não fui, não vi, não estou:
― que é isto? E em que Junho, em que madeira
cresci até agora, continuarei crescendo?

Não cresci, não cresci, segui morrendo?

Eu repeti nas portas
o som do mar,
dos sinos,
eu perguntei por mim, com encantamento
(com ansiedade mais tarde),
com chocalho, com água,
com doçura,
sempre chegava tarde.
Já estava longe minha anterioridade,
já não me respondia eu a mim mesmo,
eu me havia ido muitas vezes.

Eu fui à próxima casa,
à próxima mulher,
a todas as partes
a perguntar por mim, por ti, por todos
e onde eu estava já não estavam,
tudo estava vazio
porque simplesmente não era hoje,
era amanhã.

Porque buscar em vão
em cada porta em que não existiremos
porque não chegamos ainda?

Assim foi como soube
que eu era exatamente como tu
e como todo mundo…
[neruda]

hypomnemata 73

[qua] 24 de maio de 2006

O texto abaixo não é meu, ele éum texto coletivo extraído Boletim eletrônico mensal do NU-SOL Núcleo de Sociabilidade Libertária do Programa de Estudos Pós-graduados em CS da PUC-SP
no. 73, maio de 2006

«Fronteiras invisíveis, massa e a iminente multidão.

Primeiro foi a massa da torcida uniformizada do Corinthians, que insatisfeita com a derrota iminente para um time argentino, tentou invadir o campo de futebol para interromper a partida. A massa da torcida, por meio de seus próprios intérpretes e líderes, não suportou mais uma derrota e decidiu pôr fim ao jogo, mandando às favas as regras, os demais torcedores e a festa que ela promovia até o início do segundo tempo.

Em instantes, derrubaram o portão de acesso ao gramado; imediatamente, alguns policiais se aproximaram distribuindo borrachadas e mantiveram a massa a uma certa distância, a cada ameaça de confronto físico. De repente a polícia estoura as repetitivas bombas, aciona os tiros com balas de borracha e a massa desgovernada sai do estádio e atira sua ira contra móveis e imóveis das redondezas. Helicópteros, carros de polícias, corre-corre, prisões e no meio da madrugada tudo havia cessado e um silêncio mortal caía sobre a cidade de São Paulo. Restavam ainda as lembranças dos pronunciamentos das mídias, durante aquele episódio elogiando a contundente ação da polícia. Restava, também, uma inquietação: por que a massa de torcedores que tão facilmente destruiu o portão que dá acesso ao gramado recuou diante de tão poucos policiais?

Desde o final do século XIX, as massas foram alvo de estudos de pensadores de direita e de esquerda. Eles mostraram os processos de anulação do indivíduo na sociedade industrial, a emergência do líder condutor destes seres abúlicos, a irrupção surpreendente da violência em certas massas que correspondia, na mesma velocidade, aos seus recuos diante de uma autoridade superior. Os estudiosos de direita falavam da massa como produto do socialismo e exigiam medidas de autoridade estatal para dissipá-las, e democracia política para evitar novas explosões. Os pensadores de esquerda pretendiam mostrar que faltava à massa uma direção política consciente que a levasse a ultrapassar a condição de alienação em que se encontrava; assim, pela revolução socialista, dirigida pelos verdadeiros condutores, o indivíduo viria a ser livre e autônomo.

As massas, entretanto, permanecem, com ou sem democracia e socialismo, com ou sem totalitarismo. Os escritos de Freud, Gabriel Tarde, Gustave Le Bon, Ortega y Gasset, Albert Camus, Hannah Arendt, Elias Canetti, Zygmund Bauman, entre tantos, permanecem atuais. As massas contemporâneas foram e são governadas em campos de concentração. Na primeira metade do século XX eram confinadas como rebanhos para o abate em espaços fechados como Clevelândia, no Amapá-Brasil, na década de 1920 para anarquistas, os Gulags revolucionários soviéticos que atualizavam os depósitos humanos czaristas, o terrível holocausto nazista… os campos de concentração para japoneses nos Estado Unidos durante a II Guerra Mundial, e os por japoneses no sudeste asiático no mesmo período…

Os campos de concentração sempre foram campos de extermínio. Apesar das pequenas sublevações que ali ocorreram, o que mais surpreendia era a maneira obediente como as pessoas na massa obedeciam às ordens de confinamento controlado por tão poucos carcereiros e policiais, muitas vezes esperando a morte chegar, com resignação. Ao final de cada um destes acontecimentos políticos trágicos restou a esperança de não haver repetições. Vã esperança. Não muito distante de cada um de nós, apareciam novos campos de concentração e extermínio, indignando humanistas e redesenhando osmeios justificando os fins.

As massas também não cessaram. As democracias não restauraram a liberdade do indivíduo; os socialismos não libertaram o indivíduo da massa. Mas as massas agora estão acomodadas em redimensionados campos de concentração, nas periferias, nas favelas, lugares onde muitas vezes a população local festeja seu próprio assujeitamento. É lá que as pessoas se matam, que policiais e bandidos se apartam por circunstâncias extraordinárias, que se acusam, guerreiam e glorificam instituições alheias, e piedosamente esperando pela morte.

Elas pagam suas penas e esperam que os demais delas tenham pena. Elas temem a autoridade superior, seus símbolos, uniformes, sua força e obedecem. Reconhecem que a autoridade superior castiga e mata, usa a lei e se esquece da lei, sentencia, aprisiona, escraviza e mata, mas obedecem. Quando explodem, mostram um fio de sua ira e quase instantaneamente interrompem suas tentativas de devastações, mediante a aparição da autoridade hierárquica. São pessoas na massa, que compõem diversas massas, que clamam por um condutor para levá-la adiante. Na sua ausência, explodem e recuam. Cessam diante da fronteira invisível construída pelas autoridades hierárquicas.

Uma semana depois do episódio no Estádio do Pacaembu, uma massa de prisioneiros é dirigida pelo PCC (Primeiro Comando da Capital ou Partido do Crime) para convulsionar prisões e executar o seu programa de ação na cidade, matando policiais e intimidando civis. A massa de encarcerados e dos asseclas obedece ao comando do PCC. Confrontos nos presídios, nas ruas e negociações com autoridades governamentais sucedem simultaneamente. A ordem de cessar a rebelião é emitida pela direção deste Estado PCC. Segundo tempo: hora da polícia procurar os culpados pelas ruas, porque os demais culpados já estão presos! Horas de indiscerníveis atuações. Ela responde à boa sociedade que se está limpando as ruas, as favelas, as periferias. Então, o campo de concentração mostra sua face de campo de extermínio e os suspeitos são executados rapidamente pelos policiais.

As autoridades governamentais justificam os excessos, os intelectuais protestam contra os excessos, até autoridades religiosas aparecem para dizer que nestas ocasiões o excesso policial é justificável. A sociedade aplaude e festeja a punição desses corpos-para-a-morte como pretensa afirmação de sua própria segurança. Tudo caminha para um final, cujo tema é a contenção de excessos, expressão-símbolo das negociações legais e ilegais, em nome da legitimidade. Tudo caminha para novas medidas punitivas, mais recrudescimento nos regimes disciplinares de encarceramentos, construções de mais prisões, e um tanto de programinhas sociais, aqui ou ali… e uma vontade incontrolável de matar.

Há pensadores que falam hoje em dia da multidão, estes arranjos descentralizados de pessoas e grupos que protestam contra centralidades de poder e que aparecem, de tempos em tempos, sinalizando outras maneiras de existir fora das massas e do regime das autoridades superiores. Recusam as melhores intenções, a pletora de direitos e políticas afirmativas com seus ongueiros de ocasião administrando os campos de concentração. A multidãopoderá surpreender não por ser o povo desgovernado, mas por estar composta por pessoas autogovernadas. Para estas, a democracia não é um regime político salvador, como o é nesta globalização que uniformiza conservadores e sociais-democratas, mas um meio para liberdades.»

www.nu-sol.org

O Balão Branco

[qua] 24 de maio de 2006

dvd_10320 na véspera do Ano Novo iraniano, a menina Razieh sonha em comprar um peixinho dourado. Depois de implorar muito, consegue convencer a mãe a lhe dar o dinheiro. Porém, acaba perdendo a quantia no percurso até a loja, e o que seria uma simples compra torna-se uma viagem repleta de obstáculos.

teus olhos incrédulos

[qui] 18 de maio de 2006

Sabe quando você no último instante muda tudo e faz o caminho, outro, e vê a coisa mais linda girando… girando diante dos teus olhos incrédulos… Gira gira mundo…

Ora um tanto tonto ora lúcido como um anel de fumaça [nuvem] repleto no ar, indo / Pensei em tantas coisas, em dizer-te tantas coisas, mas enfim, como sempre [pairo no ar] – e há um “sempre”? – toque esta superfície imersa no pensamento solto e repleto de fragmentos de sol.

Ontem vi Júpiter, o corpo celeste… Duas manchas, nubladas em sua cor clara e indo embora do campo de visão…

E os futuros antropólogos? E os futuros? e nós? como unidade, como diversidade, com nossas especificidades – e é mágica e bela tal palavra – nossa idiossincracia. Hoje, e me sinto sóbrio o suficiente para cogitar qualquer esboço de objetividade, ou é o contrário, o inverso / algum verso. Insisto em subverter toda subversão, [discurso barato] insisto na incoerência-coerente, no falar bobagens bonitas… No enrolar-me no ar, no ar, e no ar sem fim.

Se somos construções e construtores contínuos, se processamos e somos o processo, ou mais precisamente mediamos, e sei que estou concordado com alguém. Alguém já disse isto. Você não existe, e porque ouso dizer isto, não sei ao certo, nunca sei ao certo se há algo que possa ser certo, se há um certo… E havemos de concordar na existencialidade contínua que vige em cada palavra disposta em cada vão. Te recordas de ontem? Do levar um susto no vão improviso? E descobres que hoje o vão não é vão, é outro lugar “lá”, em outro lugar / Cuidado com o texto “pois a teoria reflete a biografia” como esta está diretamente interagindo com todos os elementos da cultura vigente em dada sociedade em um dado momento histórico. Enfim, tudo muda e nós na nossa ilusão somos o máximo fragmento, UMA PORÇÃO da cristalização… E o texto ficou imcompleto. Ah! É quase quase sempre que sempre estou. Quase, de uma definição qualquer…

gato siamês

[seg] 15 de maio de 2006

Lições de um gato siamês
Só agora sei
que existe a eternidade:
é a duração
finita
da minha precariedade
O tempo fora
de mim
é relativo
mas não o tempo vivo:
esse é eterno
porque afetivo
— dura eternamente
enquanto vivo

E como não vivo
além do que vivo
não é
tempo relativo:
dura em si mesmo
eterno (e transitivo)

Ferreira Gullar

citações

[sáb] 13 de maio de 2006

[‘bora citar que ontem foi extasiante… e hoje apenas contemplo: o ontem, o amanhã… e já.

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis…ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

DA CONDIÇÃO HUMANA

Se variam na casca, idêntico é o miolo,
Julguem-se embora de diversa trama:
Ninguém mais se parece a um verdadeiro tolo
Que o mais sutil dos sábios quando ama.

Mario Quintana
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“Se sentes a dor dos demais como tua mesma dor, se a injustiça no corpo do oprimido for a injustiça que fere tua própria pele, se a lágrima que cai do rosto desesperado for a lágrima que tu também derramas, se o sonho dos deserdados desta sociedade cruel e sem piedade for teu sonho de uma terra prometida, então será um revolucionário, terás vivido a solidariedade essencial”.

Ernesto Guevara, "Che" [li por aí, vagando no pensamento alheio...]
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“Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor, chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado, mas é exatamente o oposto. Para mim, que o amor se manifesta, a virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado, o amor está em movimento eterno, em velocidade infinita, o amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido. A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com inicio, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo. O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha, como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo. O amor, eu não conheço, e é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita, ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto”.

Paulinho Moska.
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Teus sinais me confundem da cabeça aos pés
Mas por dentro eu te devoro
Teu olhar não me diz exato quem tu és
Mesmo assim eu te devoro, te devoraria…
A qualquer preço porque te ignoro ou te conheço
quando chove ou quando faz frio
Noutro plano te devoraria tal Caetano
A Leonardo di Caprio
É um milagre… Tudo que Deus criou pensando em você
Fez a Via-Láctea, fez os dinossauros
Sem pensar em nada fez a minha vida e te deu
Sem contar os dias que me faz morrer
Sem saber de ti, jogado à solidão
Mas se quer saber se eu quero outra vida… Não…não
Eu quero mesmo é viver, pra esperar, esperar… devorar você
devorar você…. devorar você….

Djavan

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