ao sol implacável

[ter] 10 de outubro de 2006

Ao sol implacável, um instante e teu corpo viraria pó. O pó à terra, poeira, poema, poesia arenosa e no meio de si sente-se.. que transcende um limite; ele, se houvera transcender, inventa tentativas.. Solta-se.
Como à Cortazar não posso com a teia, e o aracnídeo que dorme à sombra. E não é o luar – como diriam uns – nem o sol, é um dia todo deitado à toa, ao léu inventando sensações. E se o peão da dama avançasse à quarta casa – derreteria o sol à sombra.
O jogo iniciaria? Os números falam-me do tempo inexistente que vem vencer e ser toda e qualquer ilusão. Onde tu e tudo ilusão e água. Uma ponte, sobre o vazio, feita de tábuas assim na realidade, na fatalidade, na verdade, na ficção, na invenção, na dade, no não, no ão, na ilusão…
O jogo de palavras em friccão que nào esconde o sangue, a vertigem e a fome por demais palpáveis, sentíveis, crus. Se pudesse agora beijaria tua boca quente e úmida mas então agora não há tu quiça algo que não corpos de poeira. Ninguém e um outro eu. Vê, dizer a mesma coisa é possível? Miro-te grão de todos os ângulos ou lados aos quais meto-me.
Qualquer coisa entre o gozar e sentir morrer.. Qualquer sonho violeta em tarde ocre. E sabemos então que podemos mais.. Somos a tarde, se me cabe uma paisagem. E arde, arde uma coisa toda feita de gozos, suspensão e entranhas e ferrugem e vãos. É vazio vê!
Sugam o ar quente enquanto sufoco. Mudo em mim tal uma vertigem, uma viagem, uma noite fria – quente? -, e o vento, leve, quase torno-me palavra.
Abres a janela, tê medo e segues à frente. Corre o vento
por dentro do peito, e torna na mente a chuva dos ais pela ondulação da face… Ar e ar, Chuva e chuva… Onde se distingue o sentido é o sem sentido apelo.. cadê tu poeta? À porta? À ponte? É um já tão já que não é e fora. Foi frio, tédio… Zona morta. Não zona.
Dei vinte passos mal contados em direção ao mondaréu de seres, apitos, faixas.. Uma orquestra. E sobre o canal, a massa, o fluído de poeira e estranha sutileza tentou poesia crua.. – Adoro obviandaes gritam os pássaros! – como uma flecha que perpassa o corpo e sai sem nunca ter entrado. E só lá esteve.
Quatro meses e o sol ficou, a chuva veio… Imaginação. B.

2 Respostas to “ao sol implacável”


  1. […] [nota – quando conclui isto hoje pela tarde lembrei disto aqui] […]

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