Archive for janeiro, 2007

poemas de criciúma

[qui] 4 de janeiro de 2007

E não importa tanto a valor estético contido na exposição poética. Importa mais o que ele fala/cala… O que o poema comunica.

Segue abaixo um destes momentos.

Exercício sobre A Janela

três prédios,
duas casas,
quatro coqueiros,
três árvores,

uma antena
e uma grade.

da outra metade
diagonal: é o céu

branco e azul encerrando a janela única.

e do que os olhos não vêem
cá dentro,
ouço alto e grave.

Criciúma. 04 jan. 2007

***

Exercício sobre o momento triste

Há quartos e cômodos outros,
entre paredes seminuas,
imensas e altas.

E algumas grades nas janelas…

No concreto, o sopro segue frio,
a substância mágica,
que à tudo dá sentido,
ausenta-se.

Entre as paredes retas o corpo, cálido, treme:
perambula pelos tetos, e grades, e chão…

O antes sentido
some, inexiste, carece.

E há cômodos e entradas,
e tantas,
e tantas faltas…

No claro-escuro
desdobra-se
em ecos e vãos.

Sê então só quartos,
cômodos,
sons externos
e silêncio-ruído
cá dentro
(deste poema livre).

Criciúma. 04 jan. 2007

***

Exercício sobre A Árvore

Se todas as folhas
desta árvore repleta
fossem livres para voar
aposto cá,
que algumas talvez ficassem…

para este finito canto
destes poucos pássaros
meu peito calar.

Criciúma. 04 jan. 2007

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