Archive for agosto, 2007

Aos pares e aos parías.

[dom] 26 de agosto de 2007

Aos universitários,
Nós, estudantes, comprometidos com a luta pela universidade que seja pública, gratuita, crítica e criadora postos diante de um término de semestre extremamente precário e um reinicio semestral arbitrário e inconcebível, agimos realizando uma ocupação na Reitoria visando a denúncia desta situação de descaso com a educação e a luta por melhores condições de ensino, pesquisa e extensão tanto para estudantes quanto para professores. É caótica a situação da UFSC. O Magnífico(?!), bem como uma crescente parte dos professores, e demais autoridades incumbidas da administração do patrimônio público, escondem e/ou ignoram aos estudantes, e a população em geral –  e principalmente os que tem menos acesso a informação crítica, e que são verdadeiramente os que financiam com seu trabalho cotidiano este ninho da formação cultural e tecnológica deste país – a situação estrutural em que se encontra a universidade brasileira, de avassaladora privatização do patrimônio público nas áreas que lhes interessam e a descarada precarização, e desmantelamento, do que não útil aos setores dominante da sociedade tecnológica. E só posso crer que o fazem por clara opção política!

Hoje, faltam professores efetivos com dedicação exclusiva (o que implica a contratação provisória de professores que desta forma não tem direitos garantidos e estabilidade empregatícia; implica também menos pesquisa e extensão; implica em dezenas de turmas sem aula); faltam servidores para funções básicas (o que implica um processo de precarização, com a contratação provisória sem garantias e com superexploração da mão-de-obra; implica também, no mesmo sentido, uma terceirização forçada e a privatização de áreas importantes como alimentação e segurança, por exemplo); faltam laboratórios – e os poucos que existem, ainda não vendidos à iniciativa privada, estão sucateados; há falta de moradia e de lazer – componentes do processo educativo que potencializam o ensino-aprendizagem dos estudantes (permitindo que estudantes sem condições economicas permaneçam na escola pública em condições minimamente dignas) – É um absurdo de, por semestre, abrirem-se somente 4 vagas na moradia estudantil. É um absurdo ter somente 157 vagas para um numero total maior que 19000 estudantes, sendo a UFSC a unica universidade federal de todo o estado e com um contínuo deslocamento de pessoas do estado e do Brasil todo para cá – ; há falta de uma Biblioteca com livros atualizados e suficientes para atender a demanda, além da falta de mais e melhores bibliotecas setoriais; falta de um Restaurante Universitário noturno e da uma terceira ala (que já existiram e foram desativados) e que poderiam atender todo o público universitário e as comunidades próximas a UFSC (mas há uma cartel imobiliário assim como há um cartel de restaurantes); turmas inteiras nesta universidade sem aulas, perdendo o semestre por causa disto; Um número absurdo de professores assistentes em todos os departamentos; a sobrecarga dos departamentos; o imenso numero de bolsista, sem garantias trabalhista, fazendo serviço de técnicos administrativos e não trabalhando em suas áreas de estudo; o grande número de terceirizados que cada dia aumenta mais na universidade; A invasão da Educação a distância dentro do campus (não como um instrumento de potencialização do processo de ensino aprendizagem, mas claramente como mais um potencial campo de arrecação e mercantilização do conhecimento); as Fundações Estatais de caráter privado, que nada mais são do que a declarada privatização do patrimonio público (que deixa de ser administrado pelo agente público passando paras as mãos de grupos de poder locais, vejam as universidades do sistema acafe, muito mais interessados em ‘fazer dinheiro’ do que produzir conhecimento a serviço do povo, com o povo e para o povo), sugando o dinheiro publico e privatizando a universidade brasileira. A precarização dos espaços físicos da universidade, o sucateamentos dos equipamentos, dos prédios etc… A universidade pública sendo desmontada, o Reuni (padronização a la processo de bolonha) se aproximando e materializando-se como o fim do ensino público, gratuito e de qualidade.
Tudo isto e mais… São motivos mais que suficientes para nos mobilizarmos e debatermos sobre a educação da ufsc e no Brasil como um todo.

Nós estudantes da UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA ocupamos a Reitoria nesta quarta-feira com prazo indeterminado. O hall da Reitoria servirá de núcleo base de articulação para as intervenções e passagens em salas; assembléias (de estudantes e/ou gerais com as três categorias) por salas, cursos, centro. Aconteceram diariamente atividades diversas, de cunho práticas, políticas e culturais como show, teatro, mostra audiovisual, sarais, grupos de trabalhos permanentes, e o que mais for sugerido e construido coletivamente.

Se insistem em dar aula, nestas condições, promover a apatia intelectual e alienação política dos estudantes, dos professores, dos servidores, da população em geral, vamos, nós estudantes mobilizados levar o debate cidadão em defesa da educação que seja capaz de entender e buscar soluções para os problemas sociais brasileiros, e não de uma educação tratada como apenas mais um produto, uma mercadoria!

Acompanhe e apareça na ocupação.

http://ocupacaoufsc.livejournal.com/

b.

Carta de Princípios Provisória do Movimento por uma Universidade Popular

[qui] 9 de agosto de 2007

<!– –>

Carta de Princípios Provisória do MUP

Trabalhar a formação política constante dos seus militantes e dos novos integrantes do MUP, garantindo meios de informação e estudo sobre a realidade brasileira e sobre a proposta de uma Universidade Popular;
Estabelecer e ampliar as relações entre os Movimentos Sociais e a Universidade, abrindo caminhos para os movimentos sociais se expressarem da universidade e visando o crescimento do próprio MUP;
Construir o debate, em conjunto com os Movimentos Sociais, organizações políticas, professores e funcionários sobre o Projeto de Universidade Popular;
Concretizar, através da atuação do MUP e de projetos de extensão, atividades que despertem a consciência sobre a situação da Universidade e promovam ações de transformação social; Garantir a independência política na formação e atuação perante aos governos, partidos políticos e a instâncias institucionais da Universidade.

%d blogueiros gostam disto: