gomos da árvore

[sex] 28 de setembro de 2007

Ontem

Do desejo de escrever aos saborear dos gomos sob à árvore.

Ah! Que curva! Se não me seguro caio bonito. E os olhos, derreto-me, em infinitas partículas de suor e vou-me assim embora para algum lugar longe deste sol que ferve os meus miolos. Ao lado, uma maça, assim do nada como um mágico que arranca de si e do ar um objeto encantado – fascina. A maça é real, objetiva. Lateja aos olhos de tão crua e viva. Cem ou cento e vinte centímetros, saliva na boca e o impulso contido de come-la. E ela come, sinto a saliva ao sol sobre a pele rosicler os dentes cravando na carne exposta e engolindo a maça, eu e todos que neste instante vivem… Alheios ao gosto dela. E levantamo-nos, descemos degraus e magneticamente o poema me solta e prende em seu contorno sem nome e sem rosto (que será esquecido até amanhã e…).

Adentro outro carro, outro absurdo coletivo. Ah! Falas e gestos e seres ignorantes de nossa condição – ignoro o que bate no coração de cada um, pra onde vão, o que fazem e o que pensam que são. Só as curvas me fazem pensar, este vento, este povo dormindo, este sonho besta. Essa crença férrea, este poema vermelho… essas palavras expostas. E são teus meus olhos fugidos. E são meus teus pelos e cabelos soltos e essa ânsia sem fim de um nascer gente: que nasçam os poetas, os revolucionários, os humanos… Que esse mundo dói demais.

Meu pé incomoda-se com o passo. Queima meu estômago e meu coração a fome, o alimento é mais fogo. Sou um destes homens quietos que não sossegam. Quase lá! Embora o ir embora… foi há tantos instantes atrás, quase trinta quilômetros, instantes dedicados. Foi a contemplação dela, do ato, do poema, o homem, de si, de ti. Nas curvas linhas que cortam o céu, é a terra, é a crosta, é o morro, é árvore, é a gente. Vê poeta! Que não há em ti – mente verso. Mente sobre o fim que sempre chega. Sobre o horizonte que… cá e ahora sê claro.

Outra estação, outro coletivo, tontura e vertigem. O escrito não rende.

Para-se. Mesmo que a vertigem do poema não cesse o horizonte enquanto o sol sobre o mar arde, arde dentro do estômago, uma sensação de miudeza toma. De como todo microcosmo e de cá, tão dentro e tão perto toma que já não sei se sou barquinho ancorado ou se sou pedra dentro d’água. Ou vento nessa nossa árvore.

Ah! que solidão é o poe(ta)ma na tua solidão e não. E todo verso objetivado… Só assim na tua outra face, faces mil… que se faça o que se fez até então: a objetivação subjetivada, a subjetivação objetivada… o humano trabalho. A poesia.

Por enquanto e sempre fim.

Ou os gomos de laranja saboreados sobre a sombra de um rabisco feito a lápis de nuvem ou árvore enquanto…

E como a vida nestas flores estamos morrendo todo o instante.

E nascendo flores vermelhas, vivas… despertas.

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