sobre as peras e a vida e o caminho..

[sáb] 13 de outubro de 2007

“caminante, no hay camino. Pero el camino se hace al andar”

«Sobre as peras e a vida

Haverá lugar para a poesia? Affonso Romano de Sant’Anna se pergunta em seu longo poema A Grande Fala do Índio Guarani: “Onde lerei eu os poemas do meu tempo?” Onde estarão os Maiakoviski, os Brecht? Em que viela do destino se esconde o Rilke de hoje? Ou, em nossa América, em qual ventre amadurece o novo Vallejo? Em que lugar Benedetti ainda se pergunta: por que cantamos? Os poetas são filhos do tempo e se constroem no difícil amálgama do mundo e das pessoas insatisfeitas com as formas dadas. Lukács teria dito que a arte é, em parte, fruto da inadequação entre a alma e a ação, acabando por “introduzir no universo das formas a incoerência estrutural do mundo”. Insatisfação que foi expressa, por exemplo, quando Maiakoviski acreditou que seu mais eloqüente epitáfio pudesse ser: “Dize aos séculos futuros pelo menos isto: que eu estou em chamas”. Insatisfação como aquela das peras de Ferreira Gullar que “gastaram-se no fulgor de estarem prontas para nada”, e seu galo canta, pois “cantando o galo é sem morte”. Por isso cantamos, porque como as peras sabemos que o melhor da vida é a mordida.

Sobre a vida das peras
Uma pera
pode passar a sua vida
sob o domínio das folhas
colhendo os carinhos do vento
até despencar na podridão do humus

O que
uma
pera
realmente
sabe
da
vida
é o prazer
da
mordida»

[Mauro Iasi]

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