Archive for janeiro, 2008

A superação da propriedade privada é por conseguinte a emancipação completa de todas as propriedades e sentidos humanos..

[sex] 25 de janeiro de 2008

‘tô no estágio interdisciplinar de vivência em fraiburgo. retorno em março. saudações a todos.

“.. A superação da propriedade privada é por conseguinte a emancipação completa de todas as propriedades [.. no sentido de ‘próprio’ e/ou ‘atributos’, ‘qualidades’..] e sentidos humanos; mas ela é esta emancipação exatamente pelo fato de estes sentidos e propriedades terem se tornado humanos, tanto subjetiva quanto objetivamente. O olho se tornou olho humano, assim como o seu objeto se tornou um objeto social, humano, proveniente do homem para o homem. Por conseguinte, imediatamente em sua práxis os sentidos se tornaram teorizadores. Relacionando se com a coisa [em um sentido intermediário entre ‘coisa’, indiferente ao sujeito, neutro; e ‘objeto’, algo que já entrou em relação com o objeto] por amor à coisa, mas a coisa mesma é um comportamento humano objetivo perante si mesma e perante o homem [praticamente só posso me relacionar humanamente com a coisa se a coisa se relaciona humanamente com o homem.] e inversamente.
A necessidade [no sentido de ser uma necessidade imposta pelo imposta pela condição biológica do ser humano, sempre ligada a uma carência e a um desejo correspondente] ou fruição perderam por isso a sua natureza egoísta e a natureza a sua mera utilidade ao ter a utilidade se tornado utilidade humana.
Da mesma maneira os sentidos e a fruição dos outros homens se tornaram a minha própria apropriação. Afora estes órgãos imediatos formam-se por conseguinte órgãos sociais na forma da sociedade, logo, por exemplo, a atividade imediatamente em sociedade com outros etc. se tornou um órgão da minha manifestação de vida e um modo de apropriação da vida humana.”

marx e engels. história. coleção grandes cientistas sociais. org. florestan fernandes. pp. 174. editora atica. 1989.

recebi este antes…

[qui] 24 de janeiro de 2008
antes da viagem, faço uma pelo teu corpo. te descubro dos lençóis e dos segredos. te encontro e te perco, pra poder encontrar de novo, num vai e vem intenso de tua presença, num chega e vai incessante de tua ausência. mas se te vejo num retrato já te sinto perto. ao lado. se te tenho junto com a luz acesa, a janela e os braços abertos fingindo que o mundo é deserto, nada mais importa… te exploro como quem não quer mais nada.
sussurros
sem cessar
sem saber
sussurros
quem liga pro que eles pensam
só sussurro
teu ouvido estremece
sussurro
sobre sua pele
pêlos
pelo seu pensamento

sussurro

nossa poesia tem classe

[qui] 24 de janeiro de 2008

Nossa poesia tem classe (em homenagem ao MST)

Certa vez me disseram:
A poesia é para as coisas belas
não fala do sujo, do podre
do morto, do pobre,

do proletário com terra sob as unhas!

A poesia fala das flores
e dos vestidos rosados de delicadas donzelas
dos grandes campos verdes gramados
com vacas malhadas
dos grandes campos verdes,
da soja, do milho, da cana,
e bosques de pinheiros dos Alpes tropicais.

Fala das casas dos modernos senhores de engenho!

Mas eu, que nessa realidade não vejo beleza,
talvez não possa fazer poesia:
os senhores isso me disseram!
Eu, operário da favela e camponês sem terra,
não conheço a linguagem das gramáticas:
os senhores dizem que não sei falar

muito menos escrever com caneta tinteiro!

As vezes penso como eles,
os senhores dos grandes campos verdes.
O trabalho cotidiano me suga a alma!
Em alguns dias não há suficiente do alimento que eu mesmo plantei
para repor o suor roubado no canavial.
As vezes cansado, sugado, deixo o cotidiano seguir
E esqueço de criar com as palavras do povo,

dos heróis esquecidos de uma pátria explorada.

Levanto!
Lembro dos que vieram do mesmo povo que vim,
que com as marcas da chibata nas costas enfrentaram aos senhores
e aos generais.
Que levantaram colunas e marcharam contra as injustiças.
Que ergueram, com o rosto de graxa, o martelo operário

e usaram a mesma foice do canavial para romper as cercas do latifúndio.

Heróis que sentiram a dor de um povo
e pintaram de vermelho suas bandeiras
com o sangue dos que pela liberdade lutaram!
E se organizaram. Como se organizaram!
Com a coragem clandestina do partido comunista e das ligas camponesas
ergueram os sonhos de uma pátria livre
e do poder proletário e camponês:

Viva a revolução socialista!

Sequer a ditadura conteve o impulso voraz de uma classe.
Matou nossas mais belas flores, guerrilheiras,
mas esqueceu que elas tem sementes resistentes
e não param de germinar.
Talvez eu seja uma delas.

Sinto nas veias ainda o sangue dos Carlos: Prestes e Marighella!

Algumas sementes tornaram-se plantas fortes
e já floresceram.
Não temem os limites do latifúndio e a arma do capataz.
Ocupam as terras do povo, com cores alegres,
com a música que recorda nossos heróis esquecidos,
com a poesia feita com as mesmas mãos que seguram o facão.

Esperam a primavera gritando palavras de esperança:

Pátria Livre! Venceremos!

Otávio Dutra, Isla de la Juventud – Cuba
Janeiro de 2008.

o comunismo vivo.

[qua] 23 de janeiro de 2008

agora em diante acompanha-me um diário de campo, uma saudade gostosa da moça linda, um coração vasto de emoções e a mente cheia de pensamentos [in]perfeitos [como diria rubem]…

e palavras, pensamentos e gestos que me acompanham nos últimos dias:

sou homem [em essência e fenômeno], assim, igualzinho [relativizemos um pouco] a todo(s) o(s) homem(ns) [compreendendo como gênero humano, como ser humano] repleto(s) de vícios [ou modos de ser] de seu tempo específico, de seu espaço, de seu grupo [e com força cada vez maior o específico generaliza]… e diverso de qualquer outro até a última molécula orgânica existente [em processo metamofoseante constante e ininterrupto]. enfim, diverso [culturalmente], mas ainda humano, ainda buscando compreender ativamente e dentro da razão socialmente experimentada construir coletivamente a possibilidade real e existente de superação da contradição humana…

e que cada ser humano busque e descubra em si, enquanto ser socialmente ativo, [bem como, e desta forma, nas relações engendradas pelo trabalho humano no processo de produção e reprodução do gênero e da natureza] a possibilidade do comunismo.

lotar você

[seg] 21 de janeiro de 2008

lotar tua caixa com drummond. lotar você. te acordar com neruda e te sentir devorar todos os sonetos… que vontade.

como é bom morrer de amor e continuar vivendo. mario quintana.

enquanto durmo…

[qua] 16 de janeiro de 2008

vais passando os dedos pelas páginas, desenhando-me. rabiscas um girassol encabulado que reflete teu rosto.

queria tua voz aqui dentro do meu corpo. [sonho]
se pudesses estavas aqui…

autor desconhecido de um muro escondido

[ter] 15 de janeiro de 2008

você me cola escritos de um autor desconhecido de um muro escondido…

“depois de ter espiado naquele buraco, naquela fechadura, você entende que nada pode tirar a essência de você…”

um coração buscando uma música para uma dança!

[dom] 13 de janeiro de 2008

teu coração fora de ritmo procura minha música para uma dança no meio dessa madrugada…

***

e destas cousas que não se explicam… sentem-se mutuamente.

“que é que eu vou fazer pra te lembrar?  como tantos que eu conheço e esqueço de amar… em que espelho teu, sou eu que vou estar? a te ver sorrindo…” caetano veloso.

“… teus sinais me confundem da cabeça aos pés mas por dentro eu te devoro. teu olhar não me diz exato quem tu és mesmo assim eu te devoro. te devoraria a qualquer preço porque te ignoro ou te conheço quando chove ou quando faz frio…” djavan

O Nascimento do Prazer. Clarice Lispector

[dom] 13 de janeiro de 2008

O NASCIMENTO DO PRAZER

(trecho)

“.. O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida – e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom – como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos – pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.”
Clarice Lispector

G.

lendo

[qui] 10 de janeiro de 2008

ciúme do que fora grafado.

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