Archive for fevereiro, 2008

numa paixão de tudo e de si mesmo…

2008, fevereiro 28, quinta-feira

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

Soneto de Maior Amor
Vinícius de Morais

crime e castigo

2008, fevereiro 24, domingo

“Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som”

EM VIAGEM, RECEBO CARTAS.

“Escrevo-te coisas… coisas que me passam voando pelos pensamentos, coisas que insistem em martelar… apenas coisas. (…) me liga quando chegar… preciso olhar teus olhos… até amanhã ou quando der… te espero, e te deixo com Neruda… (crime e castigo é um livro que exige poesia nos intervalos…)

Soneto XLVNo estés lejos de mí un solo día, porque cómo,
porque, no sé decirlo, es largo el día,
y te estaré esperando como en las estaciones
cuando en alguna parte se durmieron los trenes.
No te vayas por una hora porque entonces
en esa hora se juntan las gotas del desvelo
y tal vez todo el humo que anda buscando casa
venga a matar aún mi corazón perdido.
Ay que no se quebrante tu silueta en la arena,
ay que no vuelen tus párpados en la ausencia:
no te vayas por un minuto, bienamada,
porque en ese minuto te habrás ido tan lejos
que yo cruzaré toda la tierra preguntando
si volverás o si me dejarás muriendo.

cfjt do campo e da cidade

2008, fevereiro 21, quinta-feira