Archive for maio, 2008

atalhos da vida

[sáb] 24 de maio de 2008

“Quem sabe que conselhos vou inventar…
e que atalho acharei para não segui-los”
……………………….Mario Benedetti

que te quero de corpo inteiro

[sex] 23 de maio de 2008

ontem à noite
sonhei de corpo inteiro
– acordei com teu cheiro

Alonso Alvarez

[ http://www.pensador.info/autor/Alonso_Alvarez/ ]

—-

dia acordou preguiçoso. mas sem teu abraço aconchegante.

exagerado

[qui] 15 de maio de 2008

estou a morrer de dores… em infinitos aís…
muito tarde ontem. receio de retirar-te dos sonhos bonitos… e, confesso, medo do frio horrível das ruas da cidade madrugada… dormi em qualquer lugar em um colchão pequeno e sozinho.

vou com este corpo exausto pela vida, sentindo pulsar deste cuore que não vê hora de poder estar…

tática e estratégia. Benedetti

[dom] 11 de maio de 2008

De ti.

Mario Benedetti
Tática e estratégia

Minha tática é
olhar-te
aprender como tu és
querer-te como tu és

minha tática é
falar-te
e escutar-te
construir com palavras
uma ponte indestrutível

minha tática é
ficar em tua lembrança
não sei como nem sei
com que pretexto
porém ficar em ti

minha tática é
ser franco
e saber que tu és franca
e que não nos vendemos
simulados
para que entre os dois

não haja cortinas
nem abismos

minha estratégia é
em outras palavras
mais profunda e mais
simples
minha estratégia é
que um dia qualquer
não sei como nem sei
com que pretexto
por fim me necessites.

fiz falta no samba

[sex] 9 de maio de 2008

fiz falta no samba.

reflexões quase soltas!

[ter] 6 de maio de 2008

Reflexões quase soltas!

Estudar é um ato sistemático.
Dias atrás. Onibus.

Estado gostoso. Poesia azul.
14:30. Imerso na água.

Sou tão amargo.
15:30. Voltando da aula de natação.

Domar ânsias e medos, meus.
Disciplinar-me.
19:40. Fuga para adquirir café.

Fazer tudo sozinho é anti-pedagógico!
20:00. Abrançando amigos.

Vida-Pedagógica?
Agora. Anotando tudo isto.

você e eu!

brecht, romano, gullar…

[qui] 1 de maio de 2008

Meus senhores, é mesmo um problema / Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos / Toda oportunidade / De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo / Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável / Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável / Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade / Dizer que é inexplicável / Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer / A confiança das massas / Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer / Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer / Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber / Com esse desemprego! / Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir / Esta opinião: o problema / Assim como veio, deve sumir.
Mas a questão é: nosso desemprego /Não será solucionado
Enquanto os senhores não / Ficarem desempregados!
” Bertold Brecht

—-

Eppur si muove

Não se pode calar um homem.
Tirem-lhe a voz, restará o nome.
Tiram-lhe o nome / e em nossa boca restará / a sua antiga fome…

Mente quem fala que quem cala consente.
Quem cala, às vezes, re-sente,
Por trás dos muros dos dentes,
edifica-se um discurso transparente…

A ausência da voz / é, mesmo assim, um discurso…
Ah, o silêncio é um discurso invertido / modo de falar alto / -proibido.

Se um silencio é demais,
quando é de dois, geminado,
mais que silêncio / -é perigo,
é uma forma de ruido.

Por isso que o silêncio / da consciência,
quando passa a ser ouvido / não é silêncio / -é estampido.

Affonso Romano de Sant’ Anna

Poema Obsceno

Façam a festa
cantem e dancem
que eu faço o poema duro
o poema-murro
sujo
como a miséria brasileira
Não se detenham:
façam a festa
Bethânia Martinho
Clementina
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
gente da Vila Isabel e Madureira
todos
façam
a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
este surdo
poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)
Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do país
– e espreitam

(Na vertigem do dia)

Ferreira Gullar [ http://www.scipione.com.br/educa/oficinas/literatura/gullar/poesia.htm ]

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