Archive for junho, 2008

exercício sobre o cotidiano

[seg] 30 de junho de 2008

exercício sobre o cotidiano

na clara noite escura de desterro,
aguardo a moça que vem ao meu encontro
em sua bicicleta.

no vai e vem de tantos carros
tento o poema e a flor
da tão sofrida terra
tão brutamente concretada!
e do poema ou da flor quase nada…

me perco nos sonhos inventados
pelo malabares-palhaço do outro lado
da imensa rua
que de tão elegante, gesticula por uns míseros
e imprescindíveis trocados que há de alimentar
a barriga, os sonhos, o meu aguardo

e do nosso combinado:
café com beijinhos e abraços
trago a busca da poesia da mulher amada
e me perco e me acho – e no silêncio das gargantas
e juras de amor do casal mudo que passou agora
e arrebentou-me o peito…

campus universitário.

não te julgues sem tempo

[qui] 26 de junho de 2008

Não fique sem lábios, não fique sem sonhos, não penses sem sangue, não te julgues sem tempo…” Mário Benedetti.

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[ter] 24 de junho de 2008

difícil encontrar o tom.
em que momento histórico nos encontramos?
quais os objetivos comuns? os que nos caracteriza como unidade? quais os objetivos?

diante de uma realidade apática, onde o imperativo é a amnésia política de uma cultura fragmentada e fragmentária… pensar em instrumentos de luta, pensar em luta é algo complexo e exige uma criatividade tanto na prática diária quanto na elaboração teórica sobre.

por que organizar-se? porque preocupar-se com o que é público? ou melhor, porque preocupar-se com o público se há uma apropriação privada generalizada

[…]

aos mesmo tempo que se evidência (essa  ausência generalizada da juventude dos espaços públicos)

preciso me encontrar

[dom] 22 de junho de 2008

me lembrou cartola:

“Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar…”

transgressões

[ter] 17 de junho de 2008

Transgressões

Todo mandato é minucioso
e cruel
eu gosto
das frugais transgressões

por exemplo inventar o bom
amor
aprender
nos corpos e em seu corpo

ouvir a noite e não dizer
amém
traçar
cada um o mapa de sua audácia

mesmo que nos esqueçamos
de esquecer
é certo que a recordação nos esquece
obedecer cegamente deixa
cego
crescemos
somente na ousadia

só quando transgrido alguma
ordem
o futuro
se torna respirável

todo mandato é minucioso
e cruel
das frugais transgressões

Mario Benedetti

“Acá hay tres clases de gente: la que se mata trabajando, las que deberían trabajar y las que tendrían que matarse.” Benedetti

registrando a exigência

[seg] 16 de junho de 2008

é tempo de escrever. e ah! como é doloroso esse labor. já as poesias, estas, ficarão por ai… enquanto o tempo me exigir. é tempo de escrever rapaz! exercitar o ofício… dizem os prazos na parede, na agenda, no bloco vazio de anotação, na mente… é, escrever!

É proibido pisar na grama, o jeito é deitar e rolar. Chacal.

fam

[sex] 13 de junho de 2008

Matar A Todos, de Estebán Schroeder.

Corpo, de Rossana Foglia e Rubens Rewald.

… gostei de doce (e do'cê)!

[sex] 13 de junho de 2008

Ah! das palavras de tua boca… sinto forte aqui no peito.

si vos, mengana dulce, osada, eterna, sos mi utopia

“(…)
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque…

(…)”

minha namorada

[qua] 11 de junho de 2008

Se você quer ser minha namorada,
Ah que linda namorada você poderia ser
Se quiser ser somente minha exatamente esta coisinha,
Esta coisa toda minha que ninguém mais pode ser,
Você tem que me fazer um juramento,
De só ter um pensamento,
Ser só minha até morrer,
E também de não perder esse jeitinho,
De falar devagarinho,
Estas histórias de você,
E de repente me fazer muito carinho,
E chorar bem de mansinho sem ninguém saber porque,
E se mais do que minha namorada,
Você quer ser,
Minha amada,
Minha amada mas amada pra valer,
Aquela amada pelo amor predestinada,
Sem a qual a vida é nada,
Sem a qual se quer morrer.
Você tem, que vir comigo em meu caminho,
E talvez o meu caminho, seja triste pra você,
Os teus olhos tem que ser, só dos meus olhos,
E os seus braços, o meu ninho,
No silêncio de depois,
E você tem, que ser a estrela derradeira,
Minha amiga e companheira,
No infinito de nós dois.

Minha Namorada
Carlo Lira e Vinicius de Morais

amor e seu tempo…

[seg] 9 de junho de 2008

AMOR E SEU TEMPO
Carlos Drummond de Andrade
Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.

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