notas sobre a ascensão do fascismo nos estados unidos

2008, julho 19, sábado

Notas sobre a Ascensão do Fascismo nos Estados Unidos*

Este texto de Miguel Urbano Rodrigues foi a sua comunicação ao Fórum Unidade dos Comunistas, apresentada sábado, 19 de Julho, em Florianópolis, Brasil

A direita europeia, com destaque para os chamados atlantistas, defensores inflamados da OTAN e da presença das tropas dos EUA na Europa, insiste em atribuir a um sentimento de «anti americanismo» a vaga de protestos contra a estratégia de dominação mundial daquele país.

A acusação não tem fundamento. A condenação da política imperial dos EUA não envolve o seu povo.

Em Setembro e Outubro de 2001, durante a agressão norte-americana contra o povo do Afeganistão publiquei em Portugal e na América Latina uma série de artigos em que, reflectindo sobre a chacina de Mazar-i–Charif e o saque de Kandahar, alertava para uma ameaça à humanidade que principiava a esboçar-se: a possibilidade da emergência nos EUA de um fascismo de novo tipo. Os seus contornos, ainda mal definidos, eram identificáveis na componente militar do sistema de poder da grande República e na sua ambição de impor um projecto de dominação planetária e perpétuo.

Em comunicações apresentadas no II e III Fóruns Sociais Mundiais, em Porto Alegre, retomei o tema, chamado a atenção para uma crise global de civilização, política, económica, militar, cultural e ambiental.

O perigo do neofascismo nos EUA crescia. No corpo de oficiais das suas Forças Armadas tomava forma um fascismo castrense, que se expressava através da participação de estruturas de comando em crimes contra a humanidade, missões genocidas da Força Aérea, no discurso messiânico e racista de generais e almirantes.

A velha tese da nação predestinada, a única capaz de salvar a humanidade, foi assumida pelo Presidente Bush, que dela fez coluna mestra da Nova Ordem Mundial, cujos princípios foram reformulados após o 11 de Setembro. Uma concepção maniqueísta da vida foi posta a serviço da estratégia imperial de «retaliação». A luta contra o terrorismo passou a servir de suporte a uma política de terrorismo de estado. O presidente informou o mundo de que o Senhor não era neutral e apoiava a sua política. E advertiu: quem não concordasse com ela seria considerado inimigo e como tal tratado. Esse discurso trouxe à memória arengas de Hitler nas vésperas da invasão da Polónia. A sua agressividade e a irracionalidade configuraram um assalto à razão.

Terei sido um dos primeiros escritores a utilizar a expressão IV Reich para denunciar a ameaça ao conjunto da humanidade e à própria continuidade da vida no planeta que a estratégia da Casa Branca carregava.

Permito-me transcrever alguns parágrafos do que afirmei então no II Fórum Social Mundial, em Porto Alegre:

«As sementes do fascismo já contaminaram, é inegável, muitos pilotos e oficiais da US Army presentes no cenário de horrores do Afeganistão (…) O perigo de um fascismo de novo tipo torna-se difícil de identificar porque apresenta características inéditas.

1. Não se enquadra nas definições clássicas do fascismo.
2. Surge como inseparável da dinâmica agressiva de um poder imperial e como efeito da própria lógica da violência desencadeada pelas forças armadas desse sistema.
3. Sendo um fenómeno que se enraíza no corpo de oficiais, apresenta a peculiaridade de, ao estruturar-se e fortalecer-se, alastra de fora para dentro, ou seja da periferia para os EUA, coração do sistema.

A dificuldade em admitir que a actual política de terrorismo de estado dos EUA ameaça desembocar no neofascismo reside no carácter e tradição das instituições norte-americanas e na atipicidade da ideologia subjacente às acções de genocídio praticadas com frequência cada vez maior por um poder militar hegemónico. O hábito de associar o fascismo quase mecanicamente, como modelo de Estado, à Alemanha de Hitler e à Itália de Mussolini, leva a esquecer que a sua implantação assumiu formas muito diferenciadas e que, tanto o assalto ao poder como o funcionamento do sistema, não cabem em definições rígidas.

O fascismo, tanto na Europa como fora dela, não obedeceu a um modelo único. Se no III Reich e na Itália (aí somente no inicio) contou com forte apoio de massas e teve como instrumento partidos que seguiam cegamente os líderes carismáticos, isso não ocorreu na Espanha de Franco, nem no Portugal de Salazar. Nem na Hungria de Horthy, na Roménia de Antonescu, na Croácia de Ante Pavelich, onde foram sobretudo aspectos básicos da organização do Estado que tomaram como fonte de inspiração os modelos alemão e italiano. O denominador comum a todos os fascismos identificamo-lo no nacionalismo irracional e agressivo, com uma componente racista, na tentativa de impor uma contracultura e na criação de aparelhos repressivos do tipo Gestapo. Na ordem económica as diferenças foram transparentes (…)”

O caso do Chile, por exemplo, é um tema de reflexão inesgotável tanto pelo que nele houve de especifico no terreno político, económico e militar, como pelas suas contradições. Aqueles que definem a ditadura terrorista de Pinochet, na teoria e na prática, como fascista sustentam – na minha opinião com fundamento – que as forças armadas desempenharam ali o papel que no Reich alemão foi assumido pelo partido nazi e pelos aparelhos policiais por ele criados.

O fenómeno chileno ajuda a compreender, num contexto diferente e noutra dimensão, a ameaça neofascista que o terrorismo de estado estadounidense carregava no ventre. O perigo agora é planetário e, repito, nasce em certa medida longe da sociedade cujo sistema de poder o gerou. As expedições punitivas não tomam como alvo minorias, nem partidos de esquerda ou organizações sindicais. O inimigo, imaginário, fabricado, é agora outro: indivíduos transformados em gigantes demoníacos e sobretudo povos paupérrimos, distantes e desarmados».

A transcrição foi longa, mas útil.

Transcorreram quase sete anos desde que escrevi essas linhas.

O desenvolvimento da História confirmou as apreensões que então manifestava. A crise de civilização agravou-se muito.

O Afeganistão foi transformado num protectorado com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Os EUA transferiram para a NATO as responsabilidades da ocupação militar do país e 60.000 homens daquela organização encontram-se ali envolvidos numa guerra perdida.

Osama bin Laden e o mollah Muhamad Omar – apontados como objectivo prioritário da invasão, não foram encontrados e encontram-se em paradeiro desconhecido.

A produção de ópio aumentou e a soldadesca norte-americana é responsabilizada pelo próprio governo do presidente fantoche Hamid Karzai – ex -funcionário subalterno de uma companhia petrolífera estadounidense – de massacrar civis em operações de rotina. Em alguns casos, oficiais dos EUA nas ordens de combate desaconselham a captura de prisioneiros. Não querem sobreviventes. Em Seberghan foram cortadas as línguas a mujahedines que se tinham rendido.

No Iraque, a indignação mundial suscitada pelas revelações das torturas infligidas a resistentes iraquianos em Abu Grahib não se traduziu na condenação de qualquer oficial superior. O presídio foi fechado, mas os responsáveis pelos crimes abjectos ali cometidos ficaram impunes, a principiar pelo ex secretario da Defesa, Donald Rumsfeld, que tinha – ficou provado – conhecimento minucioso do que se passava em Abu Grahib.

Muçulmanos capturados no Iraque e no Afeganistão e acusados de «terroristas» foram transportados em voos clandestinos da CIA para campos de concentração instalados em países africanos e do Leste da Europa. O governo português foi cúmplice desse crime. Não obstante os voos da CIA terem sido confirmados por governos da União Europeia, Washington abafou o escândalo.

Mais grave ainda: Bush conseguiu que o Congresso, agora com maioria Democrata, aprovasse legislação que na prática permite a tortura.

A guerra no Iraque está também irremediavelmente perdida não obstante o aumento para 160.000 homens do exército de ocupação. Um exército paralelo de mercenários altamente remunerados está assumindo um papel cada vez mais importante nas operações militares.

A situação existente é caótica. O presidente Bush foi finalmente obrigado a reconhecer que, afinal, o Iraque não dispunha de armas de extinção maciça – pretexto para a agressão – mas insiste em defender a ocupação do país por tempo ilimitado.

O balanço da agressão é terrível. O Iraque é hoje um país arruinado e famélico. As suas cidades foram semi destruídas, saqueados museus maravilhosos que guardavam a memória das milenárias civilizações da Mesopotâmia. A barbárie imperialista não respeita a cultura: blindados estadounidenses estacionam na área das ruínas da Babilónia.

Não há estatísticas confiáveis sobre o custo em vidas humanas da guerra genocida. Mas a própria media dos EUA admite que mais de 100.000 civis iraquianos morreram em consequência dela até final de 2007.

O tumor fascista dissemina-se

As «guerras preventivas» lembram certas epidemias. Não é fácil avaliar os efeitos da contaminação, mas, como era inevitável, as metástases do tumor fascista disseminam-se no corpo da nação.

A defesa e execução de uma estratégia planetária perigosamente agressiva e irracional exigiram no plano interno mudanças na acção governativa que abalaram fortemente a estrutura institucional do país, abrindo nela fissuras pelas quais avança o fascismo.

Imediatamente após o 11 de Setembro, a maioria da população não se apercebeu de que o discurso bushiano contra o terrorismo funcionava como anestésico para golpes cirúrgicos que feriam garantias constitucionais e liberdades constitucionais. A destruição das torres de Manhattan foi invocada a despropósito para justificar uma feroz vaga de xenofobia que levou, por exemplo, à criação de tribunais militares para julgamento de estrangeiros suspeitos, a perseguições e humilhações infligidas a imigrantes muçulmanos, caça às bruxas nas universidades, ao desaparecimento de clássicos da literatura nas bibliotecas públicas, a gestos tão simbólicos como a proibição da canção de John Lennon em defesa da paz.

O Patriot Act, a lei ultra-reaccionária promulgada por George Bush, é um diploma que teria merecido a aprovação do III Reich de Hitler.

Gente íntima do Presidente, como o vice-presidente Cheeney, Rumsfeld, Condoleeza Rice, Paul Wolfowits, Perle, deram uma contribuição significativa para a radicalização de um discurso oficial de matizes fascizantes, não obstante alguns dos que o cultivam não se aperceberem, por indigência cultural. Muitos generais do Pentágono já se tinham antecipado.

A engrenagem que abre caminho ao neofascismo não poderia no entanto servir com eficácia a estratégia de dominação se não dispusesse como formidável e decisivo instrumento para manipular as consciências de um sistema mediático que exerce hoje um controle hegemónico dos grandes órgãos de comunicação social.

O tema tem sido tratado exaustivamente por autores como Chomsky e Chossudovsky, mas a complexidade e a gravidade dos estragos produzidos pelo funcionamento dessa máquina diabólica tornam indispensável a retomada permanente do assunto.

O discurso clássico sobre os EUA como pátria da liberdade de expressão foi sempre construído a partir de inverdades. Hoje é ridículo.

As três grandes cadeias de televisão que emitem notícias durante 24 horas – a NBC, a FOX e a CNN – mantêm laços íntimos com o Poder. A grande maioria das notícias que difundem provem de fontes do governo ou corporativas. A manutenção dos índices de audiência exige não apenas um bom relacionamento com essas fontes como a inclusão maciça de notícias sobre assuntos divertidos, histórias sobre guerras que façam a apologia do heroísmo norte-americano, a eliminação de temas considerados incómodos, um grande volume de informações ligadas a negócios, desporto, sexo, situação das grandes transnacionais, comentários superficiais sobre ciência, ambiente e arte.

Os jornalistas que não se submetem e recusam colaborar com o Poder são punidos, directa ou indirectamente, ou despedidos pelos grandes media, mesmo quando são celebridades, como aconteceu com o neozelandês Peter Arnett, da NBC. Num país onde um abismo cultural separa as elites do cidadão comum, a militarização da sociedade civil, em desenvolvimento, assume proporções inquietantes.

Segundo John Gilis – um conceituado analista militar – a militarização das consciências tornou-se imprescindível ao bom funcionamento do sistema. O establishment está empenhado em preparar a sociedade civil para a aceitação da violência como fenómeno natural. Enquanto o militarismo era tradicionalmente encarado «como uma série de crenças circunscritas a grupos sociais específicos, a militarização abrange uma série de mecanismos que envolvem todo o edifício social».

Nas escolas o avanço da militarização é alarmante. Contamina a juventude. Uma publicidade chocante na televisão, na imprensa, na rádio, em cartazes afixados nas paredes, apresenta as Forças Armadas como escola de virtudes. O Corpo de Marines cultiva o auto-elogio, apresentando-se como uma tropa de super-homens.

A militarização da sociedade é acompanhada de um discurso político que transforma a dureza, a insensibilidade e um conceito prussiano da disciplina em virtudes. A tese do «letal e solidário» ilumina bem uma mentalidade patológica.

Peter Mass, em artigo publicado pelo The New York Times, conta que perto de Bagdad, o comandante de um esquadrão de blindados, quando os seus soldados dispararam contra veículos civis, bradou: «Os meus homens não tiveram clemência. Formidável!»

Nas grandes cidades, entre a juventude dos bairros da classe média, um divertimento na moda é o painball – um jogo durante o qual os participantes lutam com selvajaria. Do choque faz parte a morte simulada.

O Presidente Bush considera «viris» esses jogos violentos. Para estimular o espírito marcial gosta muito de discursar em bases militares, em fábricas de armas e em porta-aviões.

Nesta atmosfera de apologia da violência como virtude patriótica a critica à ideologia do poder somente é assumida permanentemente por uma minoria de intelectuais corajosos. Mas a contribuição de estadounidenses progressistas como Ramsey Clark, Noam Chomsky e James Petras tem sido muito importante para a compreensão do perigo fascista e o funcionamento de um sistema de poder que não hesita em tripudiar sobre a Constituição para limitar ou suprimir direitos e liberdades.

Raízes do fascismo nos EUA

A influência exercida pela extrema-direita estadounidense no pensamento fascista continua a ser muito mal conhecida. Mas foi importante.

Ho Chi Minh terá sido um dos primeiros comunistas a identificar o parentesco ideológico existente entre ambos.

Quando era um jovem marinheiro presenciou no Sul dos EUA o linchamento de um negro. O ritual sinistro do crime, tolerado pelas autoridades, impressionou-o tanto que num artigo publicado em 1924 no órgão francês da Internacional Comunista afirmou que a Ku Klux Klan assumia toda «a brutalidade do fascismo».

Uma abundante documentação demonstra aliás com clareza que o partido nazi alemão, nos anos em que Hitler preparava o assalto ao poder, teve como fonte permanente de inspiração os movimentos reaccionários e racistas dos EUA.

Rosenberg, um dos ideólogos do nazismo, definia os EUA como «um esplêndido país do futuro» que tinha o mérito de formular «a nova ideia de um Estado Racial».

O genocídio dos índios era apresentado no III Reich como uma epopeia civilizatória e o projecto de germanização de parte da Europa Oriental como uma cruzada que tinha o seu precedente na conquista americana do Far-West. Hitler, em 1939, nas vésperas da guerra, enalteceu «a inaudita força interior» do modelo americano de civilização.

Um livro do escritor racista estadounidense Lothrop Stoddard – The Menace of de Under Man – foi traduzido para o alemão e suscitou tamanho entusiasmo nos meios nazis que o autor foi convidado a visitar o Reich onde foi recebido por Hitler.

Cabe recordar que o referido livro foi também elogiado por dois presidentes dos EUA, Harding e Hoover.

O filósofo marxista italiano Domenico Losurdo desenvolve o tema das origens americanas do fascismo numa comunicação que apresentou em Maio de 2003 ,em Florença. Nesse trabalho (ver em odiario.info em 24.06.08) cita textos de Theodore Roosevelt nos quais aquele ex-presidente dos EUA faz a apologia das «raças superiores» e sugere soluções radicais para defender a civilização do perigo representado pelas «raças inferiores».

Losurdo dedica especial atenção ao papel desempenhado por Henri Ford nas campanhas anti-semitas. O magnata da indústria automobilística foi então muito elogiado na Alemanha nazi. Hitler, o cérebro da «solução final» afirmou que para ele a leitura de um livro de Ford foi uma «revelação para os nacionais socialistas» porque os ajudou a compreender «o perigo do judaísmo».

Um sistema mediático perverso falsifica a História tão amplamente que centenas de milhões de pessoas continuam a ver nos EUA um Estado democrático, respeitador das liberdades e dos direitos humanos.

Os fundadores da nação são apresentados como heróis da humanidade. A mentira foi erigida em verdade. Creio que poucos brasileiros sabem que os autores da Declaração de Independência e da Constituição dos EUA eram todos proprietários de escravos. E proprietários de escravos foram quase todos os presidentes da União nos primeiros 36 anos de existência dos EUA.

Um comunista americano, James West, escreveu em 1977 um ensaio que, pelo seu significado, julgo oportuno relembrar neste Fórum. Nele chamou a atenção para uma realidade também esquecida: as origens do euro comunismo são também norte-americanas. James West demonstra nesse ensaio que o Browderismo, a doutrina de um ex secretario-geral do Partido Comunista dos EUA, não somente teve um efeito devastador na América Latina, ao condenar como supostamente de direita o combate ao imperialismo, como funcionou como fonte de inspiração ideológica para o movimento que na Europa contribuiu decisivamente para a destruição ou para a social democratização de muitos partidos comunistas, entre os quais o Italiano, o Francês e o Espanhol.

Camaradas:

Perigos enormes anunciam-se num horizonte de lutas. Mas o gigante americano tem pés de barro. Os mecanismos predatórios da globalização neo-liberal não bastam para resolver a crise estrutural de um capitalismo senil.

Entretanto, a tarefa prioritária e permanente para as forças progressistas, e em primeiro lugar para os comunistas, é fazer frente, em todo o mundo, com firmeza e lucidez, à ameaça que representa para a humanidade a estratégia neo-fascista de um sistema de poder que aspira a militarizar a Terra. O processo de militarização e fascização da sociedade norte-americana prossegue. E essa realidade não pode ser ignorada.

O combate torna mais necessária do que nunca a unidade dos comunistas.

Serpa, Julho de 2008
Miguel Urbano Rodrigues

* Intervenção na mesa 4 do Fórum Unidade dos Comunistas em Florianopolis a 19 de Julho

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: