Archive for outubro, 2008

Canção do Amor Imprevisto

[qui] 30 de outubro de 2008

tantas coisas pra falar… pra pensar… dias exaustivos. dedico este poema do velho guri quintana… a todos nós, poetas e poesia.

CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos…

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita…

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

Mario Quintana

elogio da dialética

[qua] 29 de outubro de 2008

sentindo a poesia da vida em sintonia, para dar força neste dias nebulosos.

15 segundos.

—–

Elogio da Dialética

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o “hoje” nascerá do “jamais”.

escrever e a febre de sentir

[qua] 29 de outubro de 2008

Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.

num letreiro de tamanho maior que o mundo e este peito sinto tuas palavras, teu sentimento…

[ter] 28 de outubro de 2008

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?

pessoa…

um presente cheio de intensão

[dom] 26 de outubro de 2008

Aspiração

Tão imperfeitas, nossas maneiras
de amar.
Quando alcançaremos
o limite, o ápice
de perfeição,
que é nunca mais morrer,
nunca mais viver
duas vidas em uma,
e só o amor governe
todo além, todo fora de nós mesmos?
O absoluto amor,
revel à condição de carne e alma.

Drummond

Depoimento/mensagem de Gabriela Paz no orkut.

MUNDO GRANDE

[sex] 24 de outubro de 2008

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo.
Por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens.
as diferentes dores dos homens.
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem… sem que elo estale.

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar.
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
— Ó vida futura! nós te criaremos

MUNDO GRANDE (Carlos Drummond de Andrade)

Abri minha caixa de correio hoje e havia um recado que escrevi.

aula-linguagem

[sex] 10 de outubro de 2008

aula. linguagem

Quantas censuras há entre nós?
quantos “nós”…
AMARRADOS,
AMORDAÇADOS,
AMPUTADOS,
NÓS…

Te olho,
te vejo,
te sinto,
por inteiro, por parte,
antropofagicamente morro em tua boca
MUDA
e cheia de cicatrizes e gozos…

Sorrimos,
num desvairado êxtase,
de prazer
todo nosso
no outro,
nós.

10.10.2008
(sala 303, CFH)
Campus Universitário,
Floranópolis

~~

[qui] 9 de outubro de 2008

CADÊ TUA POESIA AQUI?
Por que te calas, poeta[?] social?
e deixas tua teoria[-,
tua ]prática,
teu trabalho,
ser-te fragmento,
coisa-pedaço de gente!
porque ainda te mente?

porque não rasgas teu corpo-cápsula
e grava tua garganta humana
no coração desta gente que age amputada da possibilidade de ser[-se] gente!
e todo dia processa ruído manipulado…

Vai, toma a coragem e abole as cotidianas mordaças
que vos mantém trancado e tranqüilo,
amputado, estorvo de ti mesmo,
como se fosse, tudo (dor, ânsia e medo),
assim pra sempre!

vê o precário em movimento, arregaça as mangas,
usa a cabeça e as mãos, apóia-te e torna
poesia concreta e real a ti,
que façamos nós juntos a arte-classe!
emancipada
dora.

exercícios sobre o vermelho

[sáb] 4 de outubro de 2008

PALAVRAS SOLTAS [sobre a poética melancolia e o vazio-ser deste espaço noturno semi-claro. fogo, raios ativos que se vê e não aquece. ah! da terra estranha a fogueira fria e o vinho vermelho que jorra pelas veias de fora? vem, vamos manchar a terra! sangrar o olhar – viva! e da melancolia enterre o vazio preenchido, noturno. e tu puro fogo incendeie este corpo que estranha esta fogueira fria.
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acabo de lavrar um poema salgado
que manchou a página
borrou a tinta vermelha.

—————
retrato de cá, fora
do pé de pêssego e
galhos soltos e folhas raras…
chuva constante.

na rosa aberta, encharcada,
tarde rubra conspirando
pela humana beleza revolucionária.
04.10.08 Carvoeira.

o ser social [a classe] e a consciência para si…

[sáb] 4 de outubro de 2008

“…o que se coloca para um jovem comunista é ser essencialmente humano, ser tão humano que se aproxime do melhor dos humanos. Purificar o melhor do homem através do trabalho, do estudo, da prática da solidariedade contínua com o povo e com todos os povos do mundo; desenvolver o máximo de sensibilidade, até o ponto de sentir-se angustiado quando em algum canto do mundo um homem é assassinado e até o ponto de sentir-se entusiasmado quando em algum canto do mundo se levanta uma nova bandeira de liberdade.” (Ernesto Guevara de la Serna)

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