Archive for novembro, 2008

voyage au bout de la nuit [p. 65]

[sex] 28 de novembro de 2008

o peito ensangüentado de verdades

rolo na rua esta cabeça calva e cega

não serve mais ao diabo que a carrega

la vie en close (fragmentos).

LEMINSKI, Paulo. la vie en close (fragmentos) São Paulo: Brasiliense, 1991.

LEMINSKI, Paulo. la vie en close (fragmentos) São Paulo: Brasiliense, 1991.

toda a seriedade, toda leveza, toda coragem, toda nudeza, com intensidade e com delicadeza

[qua] 26 de novembro de 2008

nossos tantos mares futuros, nossos ventos… e essa avassaladora saudade do que ainda não vivi… vou embriagado por Neruda

grita, geme o teu despertar.

[seg] 24 de novembro de 2008

não vejo mais que o relevo de seus pêlos e braços expostos. o cobertor cobre-lhe o corpo. quero tanto o aconchego.

encontro distraído no bolso o bilhete,
com carinho, amor e gotas…
de não sei quando e como te fizeste dentro de mim…

Não posso perder a poesia da hora do teu despertar.
O alarme, o alarme. Hora que não marcamos.
Hora que despertas e deita, exausto.
Grita, geme o teu despertar.
Radiante, goteja.
Sorrio
“.

Paz

poesias de novembro

[sáb] 22 de novembro de 2008

caminando cerro arriba
sentindo a enxurada
seguindo o fluxo
apaziguando este peito.

aos que me animam a libertar-me!

[qui] 20 de novembro de 2008

La razón obra con lentitud, y con tantas miras, sobre tantos principios, que a cada momento se adormece o extravía. La pasión obra en un instante.”
—– Blas Pascal

o ombro a ombro camarada!

[qua] 19 de novembro de 2008

nestes dias de aperto.
onde o novo sente necessidade de brotar
e a coisa moribunda teima em persistir…
te agradeço pelo corpo quente,
pelas horas de silêncio e compreensão
pelo abraço largo, pelo colo abrigo
e pelas horas de sono bom…

na luta do cotidiano, o ombro a ombro me anima, me alimenta, me aviva!!

te

[sex] 14 de novembro de 2008

quero nua quero tua quero com fome quero se me comes quero quando não quero quero aos berros quero calado quero colado quero amiga quero se te abrigas quero quando te aquece quero quando me esqueces quero hermana quero quando amas e desamas este que aprende que o amor nem sempre rima, que varia no ritmo e na cor, e que nos corações levamos a vida, tão alheia e tão amada.

eu não entendo nada…

[dom] 9 de novembro de 2008

Quando eu chego em casa nada me consola Você está sempre aflita Com lágrimas nos olhos de cortar cebola Você é tão bonita Você traz a coca-cola, eu tomo Você bota a mesa, eu como Eu como, eu como, eu como, eu como Você Não tá entendendo quase nada do que eu digo Eu quero é ir-me embora Eu quero dar o fora E quero que você venha comigo E quero que você venha comigo Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não agüento Você está tão curtida Eu quero tocar fogo neste apartamento Você não acredita Traz meu café com Suita, eu tomo Bota a sobremesa, eu como Eu como, eu como, eu como, eu como Você Tem que saber que eu quero é correr mundo, correr perigo Eu quero é ir-me embora Eu quero dar o fora E quero que você venha comigo E quero que você venha comigo você não entende nada… de chico, ou caetano, ou daniella, ou gal…

sartre e nossa herança política

[seg] 3 de novembro de 2008

“Eu resisto e sei que vou morrer na esperança, dentro da esperança: é preciso explicar porque o mundo de agora, que é horrível, não passa de um momento no longo desenvolvimento histórico. Ainda vivo profundamente a esperança como concepção do futuro.”
Jean-Paul Sartre: Testamento Político
24 de março de 1980

fragmentos de um ensaio sendo devorado… ou outro tema, ou eu mesmo sobre os estados

[dom] 2 de novembro de 2008

Fim. O verbo manifesta a necessidade objetiva.

Objetiva é a subjetiva necessidade do corpo (cheio e vazio de gente) em movimento

***

Sentiu a boca noite afora roçando o corpo. O sopro leve e a nuca – Atravessou a madrugada exalando o gosto da falta. Foi homem, quando já caía a noite e assim fez versos caminhando… Berrava outras coisas, em silêncio.

Entre o instante d’antes da chuva grossa e o desta janela de vidro, tu, criatura, secaste teus pêlos como se nada houvesse, como se o gotejo encharcante sobre o telhado não fosse evidente ou este o teor alcoólico em seus olhos não embaralhasse, e agora:

Um café? Um café! Pelo gosto das palavras. Tudo é frio e aquoso, pensamos. Teu corpo é branco e quente… E dentro da chuva, és sozinho… És a mão espalmada como anteparo às gotas que se coagulam, e deformam-se… Corpo afora tornam-se, tu e tudo, corredeiras no barro rente aos pés e o aroma airado impregna-se em suas cavidades num misto de umidade e gozo. É como o pó, o saibro, em dias terrosos engasgando na garganta, ou como agora – tudo é água, é a vida desaguando céu abaixo:  a terra, o ar são águas… O horizonte, o mar, a chuva… São tudo águas. Que vontade de ser água… A gota permanente dentro dos olhos.

A mesma mão à face, querendo enxergar um palmo à frente, desvencilha-se do que as pálpebras e as sobrancelhas já não podem, não podem contra o tempo – seu corpo vai encharcado. É dia claro neste momento, só lhe falta abrigo e um corpo quente onde depositar-se (na ante-sala não há vãos). Já não há os bancos das paradas de ônibus e nem o porta-mala de lata fria e de cortante conforto – seu corpo desfalecido acompanhou os caminhos dos seus, e mesmo lhe faltando espaço, o ventre nu do mundo lhe manteve vivo, lhe manteve dormente… Rastejou pela horas e invadiu a janela cerrada buscando o instante de apaziguar sua exaustão.

.

Aspirando alguma sensação de desconforto e ânsia. Das duas ultimas três horas foi-se assim – gente na calçada sem marquise, papelão molhado e corpos – mendicantes – nus num misto de prazer e pus dentro dos olhos – coisa humana, pedaço de gente, ou o presente ausência.

Para e observa, a mesma mão áspera do bruto humano, que mal resiste ao sono necessário e, rouco, pensa… “Ah!  Se tu soubesses como sou tão…”. Cantavam os homens e mulheres hoje em plena madrugada num coro emocionado… misturam-se imagens e gostos.

A pele e o quenturão distante… Latente, terrivelmente latente e não satisfeito… Lembra-te quando caminhavas e desgostoso de tua cintura seguir descadente no samba? teu passo quase duro na roda, o teu gosto de cana e a vontade quente de ser cintura e braços. Pensas na terra vermelha. Pensas… sente o café, a palavra e adormece.

Noite afora caminhaste conversando sobre besteiras com outros noturnos. Recebeste indicações de caminhos e sentimentos, te puseste no porta-mala a recordar todas as noites não sambadas, todas as noites onde o teu cheiro não foi outro, não foi mistura quente, não foi corpo exausto… sendo devorado pela loucura embriagante. Vai, vertigem.
Se seus olhos… como se o tempo ainda tivesse passando. Chove há dias lá fora e faltam-lhe bocas e saliva para dizer e pernas, ombros, sexo… Concha salgada sugando palavras. Só o estômago condensa num embrulho duro que nada deixa ficar ou numa fome compulsiva… A não-fome e tudo agora ao mesmo tempo.

Levantas da cama vazia cheia de corpos vestidos e nus. Secas seus pelos como se nada houvesse, como se o gotejar sobre as telhas ainda existisse… Só os pássaros denunciam o dia novo e a permanente condição: És sozinho, e tua complementariedade vai no movimento. As palavras ganham sentido quando habitam a vida. E ontem, quando domador do fogo foste ao meio do círculo com os palhaços, riste da condição, foste com todos, feliz. Homem enorme, braços abertos ao futuro. Começo.

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