Archive for dezembro, 2008

ao mar um poetema!

2008, dezembro 31, quarta-feira

as vezes falta sentido.
as palavras simplesmente não dizem
não dizem o que sinto
então, me calo,
apenas sinto…

com estes olhos cerrados e bem abertos
com este pele em neve e ardendo em fogo
com estes dentes cravados e rindo-se..
com este corpo de leve, ao cair do sol, e firme, em pé, ao nascer do dia…

as vezes falta sentido,
e zarpo às ondas,
ao azul
e me levo,
faço-me da poesia sentida,

cheia de azul.

Sambaqui (Florianópolis), 31.12.2008.

o todo/as partes disto vivido.

2008, dezembro 31, quarta-feira


partir.
re-partir.
partir o repartir
indelevelmente partir.

do que é composto cada ser?
por onde partem suas direções?
qual o propulsor disto que somos e já éramos?

se tu desperta teu olhar de atenção nesta direção que caminho e por um instante entrecruza, e caminhamos os dois juntos, por entre infinitas possibilidades de passado e futuro. é isto que te leva ao novo horizonte… a outra paisagem (nova ou não, dialeticamente sempre nova! sempre outra).

tudo se parte.
há partidas.
partirei isto que agora
um passo e dele virão outros pensados
e impensáveis até então,
más de cá,
assim como cheguei de outros
momentos, que parto para
lá, sejá lá onde isso for…
partiremos por um tempo
e quando regressarmos aos outros
horizontes, aos outros
humanos, aos outros

fragmentos de meio dia. (17:00)

2008, dezembro 30, terça-feira

fragmentos de meio dia. (17:00)

agora: nublado, suado e vento sul.
com sono e cansado.

Na cama

8h 29′ 28″Acorda menino! bom dia! te amo!
neste interim: acordo, te amo.
8h 30′ Despertador toca.

Nesta rua

9h 10′ Rasgo na terra, restos de pedras e poeira. Uma rua, a que cruzo.
16h 16′ As três senhoras sentadas na varanda. Uma que chega, uma que começa e outra que segue sua sina.
16: 20′ Sobre o que digo. Por vezes essa minha “direção” é tão “indireção”.
16: 25′ Casa 247 – O canto do pássaro perdido na imensa árvore. Nos fitamos no vazio e na cheiúra deste som. Só silêncio quando paro!

No caminho de volta

16h 06′ A lavadeira que olha, após o meu passo.
16h 08′ O vento que me leva enquanto atravesso.

Na metropole de gente e concreto

9h 56′ O mendigo dormindo na rua. E as coisas evidentes tão escondidas ao olhar do transeunte.
10h 08′ Na fila do banco privado os pássaros vermelhos, os revoltados gritando e os conformados conchichando para que ninguém ouça.
10h 15′ Grande vão, pé direito alto e concreto armado! o traço da madeira e da carne em cada viga deste concreto humano.
11h 04′ Menos de 20 minutos em coisas que levarei mais 20 horas de trabalho suado.
11h 45′ A senhora revirando o lixo alheio, só para sobreviver.