Archive for janeiro, 2009

será que dói ou é só o poeta?

[sex] 30 de janeiro de 2009

nestes dias:

sol quente.
vivo gramado.
verde por todos os lados

cores, sons animais-vegetais
completam… o mosaico.

eu fujo do tom, atravessando…
Nestes dias encerro
uma fase.
e cada tarefa necessária se põe diante dos olhos e razão
todavia a imaginação

e os devaneios fragmentados me habitam teimosamente
e me perco imóvel sem escolher o que começar,

ando sem fé!

preciso desse próximo passo,

e da fé na potência contida…
preciso ordenar estes impulsos

que rasgam minha clareza, minha certeza…
preciso crer na força

e na criativa capacidade!
preciso, crente, profundamente

assumir a construção deste novo ser… preciso viver mais!

——–
traduzindo – Não tenha medo de ir devagar; só tenha medo de ficar parado, diz hoje.
——–

e rabiscado no guardanapo onde mal se distingue a caligrafia torta e os rabiscos desenhados dizendo da impossibilidade de retorno
ao que for, seja toda a dor já experimentada ou as agradáveis sensações retidas na memória

[o que é uma ilusão?]
[trecho suprimido na bula].

—-
mas é só ansiedade, e um certo pavor.

verde, anil, amarelo, cor-de-rosa e carvão

[sex] 30 de janeiro de 2009

«… e quando escondo a minha olheira [E7] é pra colher amor…»

«… [Bb] Ô chuva vem me dizer [Eb] se posso ir lá em [Bb] cima prá derramar você [Eb]… [Bb] Ô chuva preste atenção [Eb] Se o povo lá de [Bb] cima vive na solidão [Eb]… [Bb] Ô chuva vem me dizer… [Bb] Ô chuva vem me dizer…»

entre outros tantos versos deste belíssimo álbum que ouço compulsivamente ao volume máximo nas ultimas cem horas!

y de noche se llama jimmy coffles…

[ter] 27 de janeiro de 2009

y de noche se llama jimmy coffles.
—-
soy un jimmy coffles. minha venezuela é aqui. mi hermanos son parte de mi. soy el dolor del hombre. soy el sudor del mundo… soy el sueño de la possibilidad humana… soy gente, soy pueblo en lucha!

***

pano azul. letras tinta negra. cartão. papel amassado. como se tudo ao entorno fosse de outra cor roséa como as nuvens ou as manhãs. Este quarto, este corpo segue com seus papéis amontoados pelas estantes, pelas mesas, pelo chão… no centro, flanando sozinho pelas pedras, andando sob as velhas árvores e ao olhar do casario visitei o pintor em seus fragmentos e estudos. Escorreguamos pelo chão de grossas tábuas e nos aconcheguamos entre as grossas paredes de tijolo, pedra e oléo de baleia…  sua velha casa de quando ainda vivia. e ele apenas emoldurado e eu alimentando-me de seus traços. sonhei no traço de óleo ou grafite sobre cartão… daniel-senise-doou-a-obra-wl-140-e28093-setembro-08-e28093-0709

… Enquanto conversávamos me perguntava, ele, o que será dado? Que caminhos e pedras encontrará por esta jornada que sigo? Me pego só, rodeado por fragmentos de gente, conversando já calçada ou em pleno centro da rua movimentada com os devaneios de outros tempos, com seres futuros… com as hipóteses. Se por estes dias tenho me sentido levemente deprimido ou sufocado com a necessidade de ser outro que não este, a crise falava isto para mim, e quando sorrio com este que estou? Hoje sobrevivi,

vi por trás dos panos do teatro o teatro repleto de emoção… vi o cangaceiro, vi o pingo dágua na bacia, vi meu deslumbramento diante do sonho de viver, me vi ali em outros tempos e eu sonhava… me reencontrei com o sonho, essa poeira mágica que movimenta estes pés calejados de quando fora ao espetáculo por primeira vez.

[e chega deste cansaço e desta solidão].
….

no volume máximo para a minha garganta sentir arranhar o céu… ////// A boiada seca / Na enxurrada seca / A trovoada seca /Na enxada seca /// Segue o seco sem sacar que o caminho é seco/ Sem sacar que o espinho é seco / Sem sacar que seco é o Ser Sol / Sem sacar que algum espinho seco secará / E a água que sacar será um tiro seco / E secará o seu destino secará /// Ô chuva, vem me dizer / Se posso ir lá em cima prá derramar você / Ô chuva, preste atenção / Se o povo lá de cima vive na solidão /// Se acabar não acostumando / Se acabar parado calado / Se acabar baixinho chorando / Se acabar meio abandonado / Pode ser lágrimas de São Pedro / Ou talvez um grande amor chorando / Pode ser o desabotoado céu / Pode ser coco derramando /// Carlinhos Brown / Marisa Monte

…: 5mm no lóbulo direito e vejo o outro lado. respire fundo coração… o mundo é teu sebastião!

62. Modelo para Amar.

[seg] 26 de janeiro de 2009

Júlio Cortázar.
62/Modelo para amar.

“… só de uma coisa eu podia estar certo: daquele vazio no rumor gastronomico do restaurante Polidor em que espelho de espaço e um espelho de tempo tinham coincidido num ponto e insuportável e fugacíssima realidade antes de me deixar outra vez a sós com tanta inteligência, com tanto antes, atrás e adiante e depois...”  p. 26

… na poça suja onde tremula uma estrela de saliva.” p.32

… e calar então seria infame, tu e eu sabemos demais de alguma coisa que não é nós e joga essas cartas em que somos espadas ou copas mas não as mãos que as misturam e as armam, jogo vertiginoso de que só chegamos a conhecer a sorte que se trama e destrama a cada lançe, a figura que nos procede e nos segue, a sequência com que a mão nos propõe ao adversário, a batalha de acasos excludentes que decide as posições e as renúncias. Perdoa-me essa linguagem a única posssível. Se estiveres me ouvindo concordarias, com esse gesto grave que às vezes te aproxima da frivolidade do narrador.” p. 34

“… diz: eu não poderia impedi-lo, era cafona como um coração bordado. eu continuarei procurando…” p.34

… infelizmente muito em breve um dos três fará o convencional, dirá o que precisa ser dito, cometerá a bobagem estabelecida, partirá ou voltará ou se enganará ou chorará ou se matará ou se sacrificará ou aguentará ou se apaixonará por outra pessoa ou lhe darão uma bolsa Guggenheim, qualquer das dobras da grande rotina, e deixariamos de ser massa bem pensante e bem atuante.”  p.45

… aquela hora eu sentia com amarga clareza o erro da noite de natal, de ter ficado como que esperando dentro do tempo algo que no restuarante Polidor me caíra em cima para se esmigalhar instantaneamente, como que ofendiddo por minha indignidade, por minha incapacidade de me abrir a razão daqueles signos. Eu me esconderá em vez de ceder à distração, que teria sido sair de qualquer maneira do estúpido território da esperança, daquilo onde já não havia nada a esperar.
Mas agora, talvez porque eu estando tão cansado e úmido e sylvaner e noite de natal, deixar continuar esperando para sentir por um instante que a causa daqueles signos também não seria uma causa, um código qualquer; era antes um comportamento imposto cegamente, um valor que de reprente mostraria ou iluminaria alguma coisa, talvez uma queda. senti sobretudo que seria uma queda, mas tampouco teria podido perceber esse sentimento de que algo acabava fofamente, como que indo embora.
” P. 46/47

querendo não ser sou tão parecido.

[dom] 25 de janeiro de 2009

após uma temporada de pilha cheia…

me enchi de rascunhos ontem.
há papeis por todos os lados, cantos e bancadas…
o quarto é uma bagunça só… vou bagunçado.

queria dar uma volta e respirar outros ares –
ao ar anda tão rarefeito por estas bandas neste dias de cá.

O tamanho do espaço

[dom] 25 de janeiro de 2009

3:05

O tamanho do espaço

A medida do espaço somos nós, homens,
Baterias de cozinha e jazz-band,
Estrelas, pássaros, satélites perdidos,
Aquele cabide no recinto do meu quarto,
Com toda a minha preguiça dependurada nele…
O espaço, que seria dele sem nós?
Mas o que enche, mesmo, toda a sua infinitude
É o poema!
– por mais leve, mais breve, por mínimo que seja…

[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]

……..

Antes das duas…

WAVE

Niente di ciò che verrà domani
Sarà com’è già stato ieri
Tutto passa tutto sempre passerà
La vita, come un’onda come il mare
In un va e viene infinito
Quel che poi vedremo è
Diverso da ciò che abbiamo visto ieri
Tutto cambia, il tempo tutto nel mondo
Non serve a niente fuggire
Nè mentire a se stesso
Amore, se hai ancora un posto nel cuore
Mi ci tuffo dentro
Come fa un’onda nel mare

Wave/Come Fa Un’onda – Lulu Santos/Nelson Motta/Massimilliano de Tomassi
….

anotações soltas

[seg] 19 de janeiro de 2009

anotações diversas deste mês último.  estou a trabalhar como garçom. Ofício qual executei pelos quase seis anos antes da faculdade, não executava nos últimos três anos. aguardo e creio que este seja o último momento deste ofício. estou a trabalhar desde o dia dezessete de dezembro e seguirei até fevereiro, espero.  exaustivo é a rotina. anoto poesias e idéias quando posso. transcrevo, transfiro anotações que encontrei hoje: *** Dias longos estes pelos quais tenho passado. diferentemente de meses atrás onde o tempo e o fazer detinham outro sentido e outra satisfação. nestes dias quase automatizadamente o corpo dorme, levante, banha-se e vai… vai ser outra coisa. E o dia demora. E o dia desgasta. Não só estes músculos e nervos, mas o espírito. Consome vida, consome-se neste dias… Onde o custo é alto que mal sobrevive o sujeito, se aguenta. Equilibra-se entre ser gente e ser outra coisa… Horrível sentir-se assim, mais horrível é ser tratado assim por essa gentecoisa escrota… Os que não veem os invisíveis atuando, trabalhando…  *** A gaivota sola a pedra o mar planeia o horizonte se infinita o som envolve e tudo fica all right… one love… *** o vento verga a crista do galo, e os largos braços da figueira. esfumaça o mar… *** risoto de camarão. café com dulce de leche. strognoff de nozes. a lua. as nuvens. o mar. pequenos imensos prazeres. maior ainda é depois do exaustivo dia a liberdade de não servir a ninguém. *** grave é algazarra das gaivotas ave alga entrave grave é a algazarra das gaivotas ave e alga azar… *** reparar nas vestimentas, nos adereços, na manifestação.. nos gostos da moça. Dar-se.

estado de transe

[dom] 18 de janeiro de 2009

neste instante meu coração disparou e senti em meu corpo inteiro todo o teu impacto, tua impressão, teu estado dentro de mim… o mágico é como provocas isto? este descontrolamento, este estado eufórico, este transe… o tempo perde sentido assim nos lábios teus, na idéia tua.

sua montanha de neve …

[dom] 18 de janeiro de 2009

Nesse universo todo de brilhos e bolhas
Muitos beijinhos, muitas rolhas
Disparadas nos pescoços das Chandon
Não cabe um terço de meu berço de menino
Você se chama grã-fino e eu afino
Tanto quanto desafino do seu tom
Pois francamente meu amor
Meu ambiente é o que se instaura de repente
Onde quer que chegue, só por eu chegar
Como pessoa soberana nesse mundo
Eu vou fundo na existência
E para nossa convivência
Você também tem que saber se inventar
Pois todo toque do que você faz e diz
Só faz fazer de Nova Iorque algo assim como Paris
Enquanto eu invento e desinvento moda
Minha roupa, minha roda
Brinco entre o que deve e o que não deve ser
E pulo sobre as bolhas da champanhe que você bebe
E bailo pelo alto de sua montanha de neve
Eu sou primeiro, eu sou mais leve, eu sou mais eu
Do mesmo modo como é verdadeiro
O diamante que você me deu.

caetano.

presente de filha

[sex] 16 de janeiro de 2009

presente de filha.
e nossos, ainda, silêncios imensos.
começa um longo processo de consquistamento.

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