Archive for março, 2009

em laboratório.

[ter] 31 de março de 2009

teu joelho, nesta cruzada de pernas, me chamou atenção.

e esse povo que me liga tanto!
e essa transcrição que não anda.
e eu que me disperso tanto.

e teu desenho que me provoca, parado.
e essa vontade danada de não sei bem o quê, sacas?

o meu samba!

[dom] 29 de março de 2009

o meu samba brota / e escorre neste rosto alegre / o meu samba encharca-se / e desliza sobre este chão / o meu samba pulsa / e quer avançar para além deste peito / o meu samba ri,  / meu samba canta, / meu samba chora / o meu samba dança / colado no teu corpo morena //o meu samba vai rodado /  junto com este povo quente / o meu samba, morena, / vai enlevado na alegria de ser gente / no seio desta gente, morena, / desta gente sem medo / a sambar livre / pela noite madrugada a fora… //o meu samba no teu samba… // o meu samba na tua voz, / no teu gingado,  / no teu seio… / no teu embolado… // o meu samba vai… / ser feliz!

***

—-

(e entre a viola e a gente):

É água no mar, é maré cheia ô, mareia ô, mareia,  É água no mar, É água no mar é maré cheia ô mareia ô, mareia, Contam que toda tristeza que tem na Bahia, Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar, Não sei se é conto de areia ou se é fantasia, Que a luz da candeia alumia pra gente contar, Um dia a morena enfeitada de rosas e rendas, Abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar, A noite emprestou as estrelas bordadas de prata, E as águas de Amaralina eram gotas de luar, Era um peito só cheio de promessa era só, Era um peito só cheio de promessa era só, Era um peito só cheio de promessa era só, Era um peito só cheio de promessa era só, Quem foi que mandou o seu amor se fazer de canoeiro, O vento que rola nas palmas arrasta o veleiro, E leva pro meio das águas de Iemanjá, E o mestre valente vagueia olhando pra areia sem poder chegar, Adeus amor, Adeus meu amor não me espera porque eu já vou me embora, Pro reino que esconde os tesouros de minha senhora, Desfia colares de conchas pra vida passar, E deixa de olhar pro veleiro, Adeus meu amor eu não vou mais voltar, Foi beira-mar, foi beira-mar quem chamou, Foi beira-mar ê, foi beira-mar…. Foi beira-mar, foi beira-mar quem chamou, Foi beira-mar ê, foi beira-mar…. É Água no mar É maré cheia ô É Água no mar Mareia ô É Água no mar É maré cheia ô É Água no mar Mareia ô

(1974) Música: Conto de Areia de Autoria: Romildo S. Bastos e Toninho Nascimento

sobre coisas de paula z.

[qui] 26 de março de 2009

exercício [quase] descritivo sobre a tua substância [neste poema] toda e mínima.

este
teu tenis color sujo quase
branco, abandonado, desleixado sob teus pés

nestas
tuas mãos agitadas que repousam o corpo indomável

neste
teu estado que provocativo contempla

estas
tuas expressões que concentram [me]
na superfície de movimentos intensos

destes
teus grandes olhos de óculos mirando fundo…

ah! esta
tua posse assim, toda
retorcida
querendo
entrar
confundir-se
com os objetos
com os corpos
com o texto
com a língua
sendo deste poema
a substância toda

e mínima.

piedritas en la ventana nos cochilos do caminho…

[qua] 25 de março de 2009

dormindo no onibus todos os dias…

[escrevendo/desenhando bastante também. É como se me voltasse um espírito agitador e ando tão entusiasmado… quando me sobrar tempo publico aqui os rascunhos, os rabiscos, os risos, os punhos e os riscos…]

ah!.. E DIALOGANDO BASTANTE COM O CAMARADA BENEDETTI!

Piedritas en la ventana

De vez en cuando la alegría
tira piedritas contra mi ventana
quiere avisarme que esta ahí esperando
pero me siento calmo
casi diría ecuánime
voy a guardar la angustia en un escondite
y luego a tenderme la cara al techo
que es una posición gallarda y cómoda
para filtrar noticias y creerlas
quien sabe donde quedan mis próximas huellas
ni cuando mi historia va a ser computada
quien sabe que consejos voy a inventar aun
y que atajo hallare para no seguirlos
esta bien no jugare al desahucio
no tatuare el recuerdo con olvidos
mucho queda por decir y callar
y también quedan uvas para llenar la boca
esta bien me doy por persuadido
que la alegría no tire mas piedras
abriré la ventana.

Mario Benedetti

talvez um horizonte

[qua] 25 de março de 2009

neste papel novo
onde tua cara é borrada
borrachita, cor cinza,
algo grafite gasto
desenha-se um papel velho
um gesto amassado
um gosto não claro
um rosto:

borrão escurecido
noite,
não tinha tu linha limite,
apenas, tão somente,
em doses
este passado
pré-poético.

vasilha e vago
cheio de tinta
e forma indefinida.
(titri, FLN 25.03.2009)

esboço as 6 da matina!

[qua] 25 de março de 2009

teu corpo camarada / pesa sobre este meu / essa tua forma poética-politica / que engasga indignado com o não entranhamento / e vaza garganta mundo a dentro / vasto, integro, inteiro / e toma conta e é mais / do que só este eu / é teu peso poeta / é teu guia vermelho // e o que é isto …

casa amarilla

[sáb] 21 de março de 2009

– na casa amarela!
– é bárbara a fuzi!?
– pensei que fosses ficar?
– se quedome tengo que hacer otra orbita y entoces…
!?.

que golpee y golpee hasta que nadie pueda ya hacerse el sordo!

[sex] 20 de março de 2009

Agendarme!
primeiro ler e montar apresentação: a cercar-se das 100 páginas para terça cedo e falar epistemologicamente de Boaventura. e nos próximos oito dias transcrever as 10 horas de vozes, dor e sorrisos da resistência.

ontem
entender que é necessário tempo.
amanhã

ler algumas páginas de 20 livros e fichar muito… hasta ayer ou antes e depois.

e descansar? quando? Apontar o cronograma da pesquisa – agendar as entrevistas… organizar o projeto, os núcleos, a juventude… a extensão política, a base popular. y palestrar sobre o py. sobre los derechos humanos, sobre o amor. estudar teses. cantar victor jara e conversar com benedetti [

Arte Poética
Mario Benedetti

Que golpee y golpee
hasta que nadie
pueda ya hacerse el sordo
que golpee y golpee
hasta que el poeta
sepa
o por lo menos crea
que es a él a quien llaman.

]
—-
e um pouco de exercício:

Sobre o sabor de subir e outras coisas.

Saberás daquele longo sabor de subir
o caminho de pó e a pé,
e perceber
entre
a superficie e o ambiente
a gota escorrer e feito
segunda derme
terra
olhos
carne
gente
vivo
bailando…

***

estes dedos tão
abstratos deslizam
sob teus duros pés
de concreto
armado e arte

***

sabor
palavra vai
desagua ai
a profundeza
da garganta

dentro
deste
ouvido
de gente e coisa
feita… de um gosto
estranho de carne, ferro, algodão
polpa, vapor, utopia e trigo
consciência em movimentação

tu, a quem foras, em movimento…

passar…. pa s s a n d o. . . p a  s     s      amo     s

árvores, pedregulhos, criaturas, dias, canções, territórios secretos…
corações, carne, ferro, polpa, algodão, vapor, utopia, consciência, trigo, gozo, movimento…

punho e vida!
e tu, a quem foras, em movimento.

me leva, irmão de luta e cumplice de dor.

mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver

[ter] 17 de março de 2009

Nesses mundos paralelos me perco e me acho há um bom tempo. Um copicola para registrar um momento dentre tantos deste meu momento agitado e agitador… de corações, de forças, de vidas. Um beijo à luisa, tão conhecida e tão desconhecida pela poesia vivida e pelas palavras destes quase dez anos.

[Uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço….

[…]

Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender.
Para uma avenca partindo – Caio Fernando Abreu

ainda não lido na sua integra.

ônibus laboratório

[ter] 17 de março de 2009

ônibus, ontem, entre os passageiros parados
um mote para um poema futuro…

Não sei
se
não gosto
dele
como ele
não gosta
de
mim.

….
laboratório, hoje, entre o tempo escorregadio
um mote para um ato presente…

é no meio dessa gente,
que apanha e que levanta
e que vai em frente

que eu me sinto gente
esse nós tão severino que avança
na luta pela vida presente…

LASTRO. UFSC.

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