cada vez mais nós mesmos e menos o acaso…

[ter] 18 de agosto de 2009

Lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem
hoje está mais além
das nuvens que escolhe
e mais além do trovão
e da terra firme
demorando-se vem
qual flor desconfiada
que vigia ao sol
sem perguntar-lhe nada
iluminando vem
as últimas janelas
lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem
já se vai aproximando
nunca tem pressa
vem com projetos
e sacos de sementes
com anjos maltratados
e fiéis andorinhas
devagar mas vem
sem fazer muito ruído
cuidando sobretudo
os sonhos proibidos
as recordações dormidas
e as recém-nascidas
lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem

já quase está chegando
com sua melhor notícia
com punhos com olheiras
com noites e com dias
com uma estrela pobre
sem nome ainda
lento mas vem
o futuro real
o mesmo que inventamos
nós mesmos e o acaso
cada vez mais nós mesmos
e menos o acaso

lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem
lento mas vem
lento mas vem
lento mas vem

Mario Benedetti (1920 – 2009)

 

O mundo explodiu
Como a casca do ovo
Uns choram pelo velho
Outros saúdam o novo

Mauro Iasi

——–

“Quanto mais o conceito de cidadania se estreita com a redefinição dos processos decisórios (mais centrais e mais restritos), mais distantes ficam as pessoas de qualquer decisão sobre suas vidas. Esse é o sentido mais devastador da intransparência da globalização: impossibilitar a consciência histórica”

Fernando Ponte de Sousa

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