Archive for outubro, 2009

tentei a tradução da tua nota

[qua] 21 de outubro de 2009

tentei a tradução da tua nota

talvez precisasse uma conversa aberta e honesta. destas de pai para filho, ou de amigo para amigo. onde não fossemos estranhos, alienigenas. este teu silêncio, rompido com gestos assim, a desmonstrar o que esta vida lhe cortou. tu não diz da dor que sentes, eu não ouso acessar a dor que levo – somos tão semelhantes. seguimos todos estranhos. tentando traduzir toscamente nossos dialetos comportamentais e afetivos.

ps: não fui me curar ainda. o que espero?

o poeta não pariu.

[ter] 20 de outubro de 2009

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

o poeta não pariu.
apenas estancou a dor
entre os ruídos do silêncio
[desta maioria].

eta gente GENTE BONITA
E INTELIGENTE TECENDO DESCASO
ESCARRO, ESCÁRNIO, POUCO CASO
PELO QUE É EVIDENTE…

o que é nítido aos olhos deste exausto poeta. que não pariu, e tão pouco partiu na empresa desta gente bonita e inteligente que cresce ao passo que apodrece tecendo descaso, escarro, escárnio, pouco caso, pelo que é povo.

O POETA NÃO PARIU. Engasgou. morreu.

———————-

não tenho podido sair de casa. ausenta-se alguma substância, que dá viço ao mouro e faz relampejar os olhos. o poeta jaz tímido e reservado. ansioso da ausência de gente e de que tudo terrivelmente termine logo. seu animo. sem saco.

“Digam-lhe que o tédio às vezes é mortal; respira-se com a mais extrema Dificuldade”

as vivências elementares

[ter] 13 de outubro de 2009

aqui, na estante saltando aos olhos agora… enquanto não é noite e nem dia.

palavra cortada ao meio
no meio a palavra cortada
a palavra sem meio
só corte
Lindolf Bell
As vivências Elementares
p. 101.

leia

[ter] 13 de outubro de 2009
resumo da reunião por zeca pilon
 
«Domingo, dia do Senhor.
Descanso do trabalhador,
Entre sábado e segunda.
Album de Gal e Caetano.
 
Presentes: eu, tu, ele, nós, vós, eles.

Decisões tomadas. Aaaaaaaaaeeeeeeeeeeee!!!!

Novo encontro ­

18 de outubro de 2009

A partir das 11:00

Atividades:

Ajustes do Blog [http://oficinacs.wordpress.com/],

Escolha de temas,

Planejar exposição,

Intervenção didática,

Participação na Semana da Sociais,

nos intervalos, os filmes: pro dia nascer feliz e persépolis.

Com pizza, bebida e um fuminho.

Valeu a companhia, Camila, Fukuta, Raul e Tixa.»

o mar pela janela

[seg] 12 de outubro de 2009

primeiro é um quadro próximo-distante. o tom varia de acordo com as lacunas entre as nuvens. de acordo com o deslocamente dá para intuir de onde vem e para onde vai o vento.. o mar escurece. e vem se chegando… misto de chuva e vento. o mar fica crespo. as árvores dançam intempestivamente… entrou janela a dentro, tocou minha pele… fui com o vento.

se eu não fosse um escritor

[qui] 8 de outubro de 2009

como não tenho tempo para desdobrar e tenho muitas idéias…

escrever sobre o descolorir dos sorrisos, dos amores, dos rostos que ficam no tempo, como fotografia de velhas gavetas. E como de repente o que era vivo surge assim, quase que do nada, como algo apagando-se. borrado. o borrar da vida, como goles.

escrever também sobre o corte, a cerca de arame farpado, a tua face rosada no meu sonho.

escrever também sobre a pesquisa da práxis revolucionária na práxis de resistência ao estado de exceção. ler mais.

e ouvir mais. todos os olhos, tom zé.

.

[seg] 5 de outubro de 2009

: Potlatch

talvez sim, talvez não.

[enquanto tento ler as entrelinhas, manter-se-á fechado este blog por um breve tempo indefinido. o conteúdo antes exposto segue guardado nas fibras e memórias destes mortais cambaleantes… seres de água e sal. boa leitura]

der zauberberg

[seg] 5 de outubro de 2009

não leu a obra. escreveu qualquer coisa no papel em branco.

créditos ao tradutor: “Gritou lá do fundo: Arghh! Levanta essa bunda e vai criar a vida! Um cortiço. Na escadaria, entre as casas não arquitetadas, cumprimentava esse tal povo que passava buscando festejo e alívio ao amargo do trabalho cotidiano tal qual de escravos do contemporâneo. Percorreu, quase que imovelmente, poucos metros, e se ateve demasiado ao ópio de não pensar e não escreveu mais. É, há alguns dias não tem encontrado o tal homem que escreve… Pensará. Pensará como se não houvera pensar. O tal homem, talvez um poeta, perambula viramundo enquanto ficavas trancado, entre o ópio e o tempo, entre as escadas e a mó. concluido não ia aquele homem, nem velho nem moço. Mudou, e dos lábios não houve som e nem sentido, apenas uma confusão de sentimentos inconfessados. preso e livre. Andou agitado e lhe faltava mundo. Passou o dia, e talvez o mês inteiro, amoldado ao ambiente como se fosse um sofá, um livro empoeirado,  baratas e restos de comida pelo chão, notas de dinheiro sem valor ou notas de roda-pé perdidas. teriam eles mais razão , ou mesmo razão, de estar ali naquela forma, naquele momento que não deveria ser razão e só ser o que se é. sentado, desconfortavelmente, indagava com olhos o mundaréu que trabalhava e apanhava, e sentia o sangue na garganta e olhos pesados, mais.  E já não lia, não falava, não escrevia. Lembrou de Kundera e das palavras-problemas.  O poeta não apareceu. E dos dias e dos livros, como estes últimos apenas decoravam as estantes tanto (…) Entre vários degraus viu apenas  olhos confusos e um misto de estranhamento: era ele um forasteiro entre pares, um forasteiro que não habla sua própria língua mineral?!. Não seriam dias da poesia. O Homem continuou ali sem camaradas, sem vontade de levantar, sem algum sentido razoavelmente claro – não que não houvesse sentidos razoáveis e claros a razão, mas tanto faz sentido quando se esta sentindo-o assim. Acumularam-se dez quilos e vários compromisso descumpridos sobre o esqueleto e amanhã é dia de concreto, de suor. Enquanto o poema não existe, escurece…  e a noite será longa e chuvosa (…)”.

leve / solto / fluido

[sex] 2 de outubro de 2009

leve / solto  / fluido

sinto-me leve por sentir
o sofrimento teu / lado
a lado o sofrer se mescla /
pesado, passado e hoje /
pesa-te a dor /
imploram-te os sonhos
por liberdade e prazer /
por criação /
toneladas de vidas simples
são leves quando tornam-se tornado /
sinto-me solto por viver
em tua mesma cela /
compartilhada por montes
de gentes e aspiração /
grades de aço, grades de ignorância /
cela sufocante que nos comprime /
somos muitos
envoltos em tanta opressão /
somos tantos /
gritando juntos somos livres
ainda na prisão /
sinto-me fluido contigo /
ao entrar, gota
a gota, nas fendas do concreto muro /
gotas de oxidante penetração /
as rachaduras se expandem
e o muro parou sua expansão /
seus limites o comprimem /
resta ao muro o movimento de cair
para qualquer dos lados /
resta às gotas a formação de um lago
para não sumir junto ao pó dos escombros /
vida dor, peso /
vida cela, preso /
vida muro, dura /
e lado a lado contigo, povo
sofrido e sufocado, sinto-me
leve, solto e fluido.

Otávio Dutra – 01.10.09
La Habana – Cuba.

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