Archive for dezembro, 2009

lágrimas negras

2009, dezembro 28, segunda-feira

raiou o dia, no rádio otto e julieta cantam jorge mautner e nelson jacobina, e nossos corpos ainda vivos, rosa morena, não pararam de sambar.

dormiremos o dia, à noite vamos passear pela freguesia.

e tu, iaia, encontrou ioio no caminho.

moreno samba

2009, dezembro 28, segunda-feira

meu amor voltando do samba, meio bêbado, fez alarde no portão, me arrancou o pijama, e beijou meu coração.

memórias do esquecimento

2009, dezembro 27, domingo

Vamos ser francos? Isto aqui ‘tá quente demais! Suor em demasia… Encharcado mesmo diante do mar negro. São 01 h 55 min., apenas começo um texto que não sei bem ao certo onde irá parar e, de fato, conterá [mas preciso escrever, me sinto só, destes momentos de solidão escolhida, própria, cultivada etc]. Os livros ainda permanecem bagunçados sobre a mesa ou estante ou cama, igual algumas peças de roupa e outras coisas tantas… Tudo ao avesso. Não sou fiel, não posso ser fiel ao ponte de lhe contar como vai a vida nestes últimos meses e porque tudo anda há tempos desta forma, como se estivesse à moscas ou ao limbo. Apenas, mediocre e melancolicamente, tento uma razoável descrição do absurdo ou de uma certa dor recorrida [buscada e achada]. Continuo suando, como se houverá me banhado em instantes; e de fato, precisarei antes de adormecer um banho. Pensei em compor uma lista, mas adio dia pós dia, adio agora. Mas se fosse seria talvez algo como… – me canso rápido destas coisas.

Capitulo VII

Descalço no Banquete

Quem quer passar além do bojador tem que passar além da dor. Fernando Pessoa

1.

Como naqueles acessos de fúria, em que o louco esperneia e berra, mas oculta as loucuras mais profundas, subitamente o quartel tem um acesso de legalidade e descobrem que, pela lei, eu tenho direito a prisão especial. Voltam a me aplicar o “Doutor Volts”, mas – “por ser advogado, jornalista e professor universitário” – no 20º dia sou transferido para uma cela ampla no piso superior, com cama e banheiro com chuveiro elétrico. Para quem dispõe apenas de um colchão de palha no cimento e um buraco no chão como sanitário, um progresso. O major tem um olhar voluptuoso quando me dá a notícia: “Você vai se deitar nos lençóis perfurmados pela Frida e pela Dulce e vai sonhar com as mulheres”.

f[altou digitar o resto e por o número da página]