Archive for janeiro, 2010

encontro

[dom] 31 de janeiro de 2010
Encontro - Maria Gadú

Sai de si / Vem curar teu mal / Te transbordo em som / Poe juizo em mim / Teu olhar me tirou daqui / Ampliou meu ser / Quero um pouco mais / Não tudo / Pra gente não perder a graça no escuro / No fundo / Pode ser até pouquinho / Sendo só pra mim sim // Olhe só / Como a noite cresce em glória / E a distância traz / Nosso amanhecer / Deixa estar que o que for pra ser vigora / Eu sou tão feliz / Vamos dividir // Os sonhos / Que podem transformar o rumo da história / Vem logo / Que o tempo voa como eu / Quando penso em você /// Encontro / Maria Gadú

[sáb] 30 de janeiro de 2010

porra, que dia pesado…

não quero me afogar. quero beber tua água. não te negues, minha sede é clara

[qua] 27 de janeiro de 2010
três dias (e que dias… lindos) visitando meus papéis guardados buscando organizar um pouco as palavras, selecionando poemas publicáveis, e corrigindo erros deste meu precário português aliado a minha mui atenta escrita. aproveito e publico também um pouco de papéis de 2003, 2004 e 2005, quando abandonei o computador e aderi a um mundo não tão virtual com muita experimentação poética e uma máquina de escrever. desfiz-me de mais de quilo de papel nessa revisão. e ao poucos vou anotando por cá, neste bloco de notas este passado não tão recente, pra mode d’eu não não esquece ô.
e a respeito desta lonjura… ligo assim que tiver linha ou alguma grana, assim saberemos endereços mútuos e ouvimos essas vozes ao pé do ouvido. por cá aproveitando as boas coisas da vida… experimentando-me vou.

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E por falar… Encontrei teu desenho laranja azul e grafite. E dizia assim, em cor azul: “não quero me afogar. Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara”. CFA.

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b. desculpa a impulsividade. Obrigado pela companhia. Deixo algum cheiro espalhado por aqui e levo um pouco deste cheiro comigo. Beijos. p.

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Houve esse também,

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Sou agora um cão sem dono
sem ninguém a procurar
ocupo minhas mãos
ora com as cinzas
ora com as palavras
de um desespero qualquer
ansiei por ti alguma das
muitas horas do meu dia
procurei-te como caço palavras
e tinta para pintá-las
e tudo que não consigo
é apagar-te de mim
somos sim suor e gozo
somos o acordar ao meio-dia
de um domingo
uma chamada à cobrar
sem sentido nem custo
de uma ligação incompleta.

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Sou destas sentada
numa praça cheia
a mesma que me lembra
teu gosto e teu cheiro
me disperso e quando volto à mim
quero dizer-te tudo novamente
embolo-me as letras
e os pensamentos e vos digo
sem exitar que quero deitar-me
IN-CON-SE-QUEN-TE-MEN-TE
no desconhecido que é você.
um poema de Parreiras Gomes, 2007.

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[ando me sentindo vivo e com uma vontade enorme de viver!]

um dia bonito

[ter] 26 de janeiro de 2010

porra! Que dia leve.

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“sentir o sentimento torna o sentimento sentido”.

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“Meu coração engoliu o sol, virou estrela. encontrei um amigo, ah! Como gosto de encontrar este amigo!”

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O que tanto o menino te cala!

O que sabe ele do amor e desse tesão todo pela vida ai fora? Será que sabe ele só dessa raiva e desse medrar? devemos ouvir mais o menino.

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dedicar-me-ei mais um dia a viva poesia.

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dia de terapia.

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o dia lançou-se nos meus olhos e fotografei as nuvens altas bem como as baixas, os urubus empoleirados e rosa vermelha, as ilhas do norte e as garças familiarmente na pedra redonda. Dia lindo.

um livro de poesia

[ter] 26 de janeiro de 2010

bela

essa

arte

http://www.michelle-martins.com

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e das coisas vistas… uma boa leitura andarilha, errante.

por aqui para um dia ser assim. e assim assim

fragmento sobre a dureza

[dom] 24 de janeiro de 2010
minhas mãos comidas, meus dedos lascivos.
ando duro, tu vês: nos olhos, nas mãos, nos bolsos, nos quadris.
minhas mãos comidas, meus dedos lascivos.
ando duro, tu vês: nos olhos, nas mãos, nos bolsos, nos quadris.
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minhas mãos comidas, meus dedos lascivos.
ando duro, tu vês: nos olhos, nas mãos, nos bolsos, nos quadris.

um dia longo (praia da solidão)

[sáb] 23 de janeiro de 2010

das coisas

[02:06] “saudade de você mofando do meu lado” dissera um texto antigo. se tivera grana, ligara. se tivera grana estivera ai. se tivera grana degustara caio fernando ao pé do ouvido. {cadê a carta deste aqui?}

e das horas aproximadas…

[07:00] anotações para realizar durante a semana, algo como finalizar um filme, ser pai, arrecadar fundos para um livro, trabalhar… (destas coisas enormes da vida!)

[07:35] aqui sentado. esperando o mundo, digo “é carlos, gauche“.é esse meu fatal peito esquerdo que cresce a cada dia quando leva um pedaço de alguém… e assim vai se partindo. chego a conclusão que, por hora, já há matéria para uma árvore, uma filha, um livro de poesia; eles crescem neste mineral.

[08:12] uma aula sobre a emocionalidade construída sobre as regras de uma língua… “café e pão café e pão café e pão café e pão” ou “muita força muita força muita força muita força” … ou a quinta de beethoven.

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda.
manuel bandeira, in: Estrela da Tarde (1963).

[08:30] sobre essa tal identidade. nesse exato instante meu pai faz casa, concreta a vida. e eu ainda experimentando as palavras… tingindo colores, gravando sons. há um certo amargo nesse fato de o que me sustenta não me alimenta e o que me alimenta não sustenta. levanta e vai!

[09:03] talvez seja um pouco disto, deste faça você mesmo porque aqui ninguém vai te ensinar. é tudo berro. que me faz querer diferente, ser diferente disto tudo.

[13:07] um outsider. ou não.

[13:31] na estrada. mente rápida demais para um livro ou para poesia. descanso das ideias em desenhos-exercícios feitos no caderno. rostos e mãos. e um corpo moreno. qual será teu nome?

[13:58] ainda no caminho; perco-me. admiro as nuvens. queria estes três mil e quatrocentos pés que me separam de ti. só assim mergulharia nesta nuvem imensa que descansa a face.

[14:40] estrada rozália paulina ferreira, ainda trago minha bicicleta aqui.

[19:00] um mergulho nas quedas da solidão. uma chuva fina em açores. amigos no caminho e aqui dentro, certa saudade.

[20:33] não quero assim, apenas estes dois olhos sobre mim. espreitando, cobiçando essa minha carne, o osso, ou talvez os poemas que transarei… pois nem sou belo tão pouco bruto. quereria só o corpo colado um riso aberto um outro olho que cobiça mas já cúmplice diz: vem, somos tudo. até o que nem sabemos.

[22:10] quase tudo anoto aqui. só ficou de fora por enquanto o poema que começa assim: ” quero tu em terreno neutro, nua, narrando em tua língua todas as estórias dos tempos futuros de guerra…”

bules, bílis e bolas

[sex] 22 de janeiro de 2010

Terminei (provisoriamente) o tal poema (abaixo) depois de reescreve-lo todos os dias desde terça. E vi ontem, ou já era hoje, Uma outra cidade, documentário de Ugo Giorgetti. É sempre bom ouvir Rodrigo de Haro, Antônio Fernando de Franceschi, Cláudio Willer, Jorge Mautner e Roberto Piva.

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bules, bílis e bolas

Nós convidamos todos a se entregarem à dissolução e ao desregramento. A Vida não pode sucumbir no torniquete da Consciência. A Vida explode sempre no mais além. Abaixo as Faculdades e que triunfem os maconheiros. É preciso não ter medo de deixar irromper a nossa Alma Fecal. Metodistas, psicólogos, advogados, engenheiros, estudantes, patrões, operários, químicos, cientistas, contra vós deve estar o espírito da juventude. Abaixo a Segurança Pública, quem precisa disso? Somos deliciosamente desorganizados e usualmente nos associamos com a Liberdade.

Roberto Piva

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intróito

antes do exercício exposto repenso aqui. como um surdo que não vê as cores presentes no relevo de cada pedra que lavra. escrevo porque só me é dado escrever, não sei nada. nada soube. sou o que não escrevo. escrevo para ser. e estou assim. sinto um certo tédio às vezes. e uma brasa intensa pronta para o fogo dentro do estômago. só vivo quando te como. degusto esse intenso e vazo por todos os furos desta carne que morre… e vivo na tua língua, no teu ouvido, no teu gozo, na tua memória humana. sou assim, não sendo, essa prosa.

***

o poema

exercício sobre a filosofia para a não-morte


à antonin artaud.

aos poeta-antropófago-fotógrafo raul felipe schmidt machado,  josé carlos pilon junior, ayrton de magalhães. pela companhia poética inspiradora, repleta de fotogramas anotados. estas palavras não são minhas, e por não serem minhas são tão minhas, assim.

I.

somos pedra. sorvemos assim como subvertem-se animais. a bruta beleza no meio do caminho, poeta! e transei este poema em várias pessoas e de tantas formas que foram horas afins de papéis, angústias e gostos mastigando palavras dançaram, as baratas dançaram, outros poetas berraram aos ouvidos. arquitetávamos juntos, bardos, o efeito de cada palavra navalha sangrando o papel de carta amarelo, a consciência dormente dos amoldados. pois querias aquilo, o poema fim, a poesia meio, o delírio do mundo que ainda move-se.

II.

entravam pelos olhos, na rua. esse desespero essa mudez não-silêncio essa polifonia de corpos conurbados essa covardia tão humana essa neurose de tijolos grades e dor. estupidez, ousam não ousar e sem sentir que somos um ininterrupto poema, um mó, um verbo-vômito de entranhas ao vórtice… engoli teus olhos e perdi-me. lhes falta porra, tão sóbrios demais estes bois.

III.

ontem diríamos, bailarinos, exalando poesia, percorrendo a verdade da manhã, que somos deste modo como estes que não deixam alguém para trás porque o que mais queremos somos nós mesmos por inteiros. e entre goles pedimos mais porra, porralouquice, para fuder a terra nus descalços de pau p’ra fora, mais árvores, e pau para dentro, raízes, entranhas… essa é nossa poesia

IV.

porque assim somos. destes que não fazem idéia de quem somos, somos estes de passagem, somos assim porque o que mais queremos

V.

somos nós mesmos por inteiro. o coletivo. é não engasgar com o silêncio dos que ficam, este habitat de tantos animais. vem, vamos cuspir de sexo p’ra fora na cara dos caretas e dos sem caras, vamos cuspir no bom dia deles, no faz de conta deles, que morrem hora à hora pela ordem! vamos varrer o mundo, vamos morrer em gozo, vamos arrancar esse ar, essa derrota de tantas caras, erramos, erraríamos porque somos para fuder, porra!

VI.

e rir! gritemos porra! somos porralouquice!!!

VII.

não entendem. por que um homem chora? por que um homem escreve? por que homens não trabalham? tu vives, e queremos viver o mundo real, queremos viver o mundo, queremos viver, queremos toda a sarjeta, o chute no saco, o frio na barriga, a dor no cotovelo, o aperto, a morte-amor… e perdoa por não haver nunca nenhuma culpa lhe amamos como um homem pode amar um outro homem ou um animal qualquer outro animal assim!

trindade/sambaqui (florianópolis), 20/22 jan. 2010.

a teus pés

[qui] 21 de janeiro de 2010
Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor
[ (não ouças)
que se prepara para carpir tua vigília, e os
[ cantos que
esqueceram teus braços e tantos movimentos
que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela
e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.
Ana Cristina César

EXTERIOR. DIA. Trocando minha pura
indiscrição pela tua história bem datada. Meus
arroubos pela tua conjuntura. MAR, AZUL,
CAVERNAS, CAMPOS e TROVÕES. Me
encosto contra a mureta do bondinho e choro.
Pego um táxi que atravessa vários túneis da
cidade. Canto o motorista. Driblo a minha fé. Os
jornais não convocam para a guerra. Torça,
filho, torça, mesmo
longe, na distância de quem ama
e se sabe um traidor. Tome bitter no velho
pub da esquina, mas pensando em mim entre um
flash e outro de felicidade. Te amo estranha,
esquiva, com outras cenas mixadas ao sabor do
teu amor.
Ana Cristina César

***

arghh pensando em escrever mas sem computador estou então anoto tudo no caderno de campo para publicar aqui ou em algum livro futuro em outro tempo e nem leminski ou maiakovski ou ana cristina me sangram tanto como esta falta que faço e do meus vários poemas escrevo alguns porres um pouco de tédio uma vontade de “fuder” algumas poucas vinte e tantas gramas uns nacos de carne mastigadas compulsivamente que me fazem apodrecer talvez devesse comer gente vegetariana alguns cafés ora fracos ora amargos que nem me acordam nem me fazem dormir algumas venturas e uma pinta de solidão dessas minhas que me fazem querer devorar tudo e todos e eu mesmo e saco cheio pouco caso com qualquer plano falta grana sobra tempo e acho que é hoje talvez só hoje porque hoje não fiz nada assim dessas coisas bacaninhas que envolve gente e outros lugares coisas diferentes que aliviam essa não satisfação crônica entende e nem o poema que venho trabalhando desde ontem teima em terminar-se peço paciência de hora em hora para aguentar as próximas sem nada e ninguém e talvez nem a porra do poema travado mas disso disse antes que talvez seja só e só hoje amanhã não haverá vento nem chuva ou haverá tudo isso só que começará antes do sol raiar porque só assim tenho ficado mais calmo com esse mundo de coisas e ah antes que esqueça sua porra queria berrar na tua orelha odeio levar “toco” porque quero tudo para mim e assim isso fode meu saco o que quero é fazer o gol na tua cara quero gente sem vírgula ou ponto que vase pelas linhas e beba tanto a prosa quanto a noite mas para isto preciso parar de conjugar tanto e delirar mais esses verbos todos de aqui de dentro já que quero andar de pinto para fora cuspindo na cara dos caretas e dos sem cara engolir olhos varrer o mundo ser porra cheia de porralouquice metalíngua e línguas trocadas saca e para o inferno essa minha simpatia que chama atenção porque eu quero tudo agora volto dia desses escrever coisas aqui e vamos nos fuder dia desses com direito a café vinho e gente na rua agora vou comer fim

exercícios da tarde e da noite

[ter] 19 de janeiro de 2010

da tarde entre as árvores

“eu homem de quase trinta,
pareço mais de trinta,
brut

e suave, quereria
teus cinqüenta de mulher
suave”

da noite entre as palavras

como um tiro sem pensar
me atiro nesse desejo
de trocar palavras, goles e línguas

como um tiro, rasgo a carne e
deixo o vinho escorrer pelo peito…

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