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a que herança os comunistas devem renunciar?

[dom] 28 de fevereiro de 2010

PRESTES, Anita Leocádia. A que Herança os Comunistas devem renunciar? Oitenta, Porto Alegre: LP&M, nº 4, 1980.

Este texto de anita permite entender melhor este texto abaixo [leia também: A Carta Aos Comunistas – Luis Carlos Prestes]

Companheiros e amigos!

De regresso ao Brasil, pude nos meses já decorridos, entrar em contato direto com a realidade nacional e melhor avaliar os graves problemas que enfrenta o PCB, o que me leva ao dever de dirigir-me a todos os comunistas, a fim de levantar algumas questões que, em minha opinião, tornaram-se candentes para todos os que, em nosso País, de uma ou de outra forma, interessam-se pela vitória do socialismo em nossa Terra. E é baseado no meu passado de lutas e de reconhecida dedicação à causa revolucionária e ao PCB, que me sinto com a autoridade moral para dizer-lhes o que penso da situação que atravessamos.

Sinto-me no dever de alertar os companheiros e amigos para o real significado da vasta campanha anticomunista que vem sendo promovida nas páginas dá imprensa burguesa. Campanha esta visivelmente orquestrada pelo regime ditatorial, visando a desmoralização, a divisão e o aniquilamento do PCB. Fica cada vez mais evidente que, através de intrigas e calúnias, o inimigo de classe – após nos ter desferido violentos golpes nos últimos anos – pretende agora minar o PCB a partir de dentro, transformando-o num dócil instrumento dos planos de legitimação do regime. Este é o motivo pelo qual as páginas da grande imprensa foram colocadas à disposição de alguns dirigentes do PCB, enquanto em relação a outros o que se verifica é o boicote e a tergiversação de suas opiniões. Basta lembrar a matéria publicada no Jornal do Brasil de 3 de fevereiro último, quando esse jornal falseia a verdade ao dizer que me recusei a manifestar minha opinião e, ao mesmo tempo, serve de veículo a uma série de calúnias e acusações que lhe teriam sido fornecidas por algum dirigente que não teve a coragem de se identificar.

Seria de estranhar, se não estivesse claro o objetivo deliberado de liquidação do PCB, a preocupação, revelada insistentemente, pela imprensa burguesa com a democracia interna e a disciplina em nossas fileiras. Os repetidos editoriais e comentários que vem sendo publicados ultimamente a esse respeito são sintomáticos. Demonstram o propósito do regime de desarticular as forças de oposição e, em particular, os comunistas para melhor pôr em prática a estratégia de realizar mudanças em sua estrutura política visando preservar os interesses dos grupos monopolistas nacionais e estrangeiros que representa.

Diante de tal situação não posso calar por mais tempo. Tornou-se evidente que o PCB não está exercendo um papel de vanguarda e atravessa uma séria crise já flagrante e de conhecimento público, que está sendo habilmente aproveitada pela reação no sentido de tentar transformá-lo num partido reformista, desprovido do seu caráter revolucionário e dócil aos objetivos do regime ditatorial.

Devo destacar que, não obstante o heroísmo e abnegação dos militantes comunistas que sacrificaram suas vidas e dos demais que contribuíram ativamente na luta contra a ditadura e para as conquistas já alcançadas por nosso povo, e pelas causas justas por que tem combatido o PCB em sua longa existência, é necessário, agora, mais do que nunca, ter a coragem política de reconhecer que a orientação política do PCB está superada e não corresponde à realidade do movimento operário e popular do momento que hoje atravessamos. Estamos atrasados no que diz respeito à análise da realidade brasileira e não temos respostas para os novos e complexos problemas que nos são agora apresentados pela própria vida, o que vem sendo refletido na passividade, falta de iniciativa e, inclusive, ausência dos comunistas na vida política nacional de hoje.

A crise que atravessa o PCB expressa-se também na falência de sua direção que, entre outras graves deficiências, não foi capaz de preparar os comunistas para enfrentar os anos negros do fascismo, facilitando à reação obter êxito em seu propósito de atingir profundamente as fileiras do PCB, desarticulando-o em grande parte. Não foi a direção do PCB capaz nem ao menos de cumprir o preceito elementar de separar com o necessário rigor a atividade legal da ilegal. Inúmeros companheiros tombaram nas mãos da reação em conseqüência da incapacidade da direção, que não tomou as providências necessárias para evitar o rude golpe que atingiu nossas fileiras nos anos de 1974 e 1975.

Ao mesmo tempo, graves acontecimentos tiveram lugar na direção do PCB, que, devido à situação de clandestinidade em que nos encontramos, estou impossibilitado de revelar de público. Tais circunstâncias estão sendo utilizadas pela atual direção do PCB para desencadear uma onda de boatos e calúnias e para, numa tentativa desesperada de se manter no poder e conservar o status-quo, ocultar a verdade da maioria dos companheiros. Assim, vem sendo levantada a bandeira da unidade do PCB para na realidade encobrir uma atividade divisionista e de simples acobertamento de graves fatos ocorridos na direção. Na verdade, uma real unidade em torno de objetivos politicamente claros e definidos inexiste há muito tempo.

Nessas condições, sinto-me no dever de alertar os comunistas para a real situação da atual direção do PCB: uma direção que não funciona como tal e não é capaz de exercer o papel para o qual foi eleita, um Comitê Central em que não é exercido o princípio da direção coletiva – caracterizado pela planificação e o controle das resoluções tomadas pela maioria —, no qual reina a indisciplina e a confusão, em que cada dirigente se julga no direito de fazer o que entende. Na prática, inexiste uma direção do PCB. A situação chegou a tal ponto que fatos e, assuntos reservados, que eram de conhecimento exclusivo dos membros do CC, estão sendo revelados à polícia por intermédio das páginas da imprensa burguesa, causando a justa indignação da grande maioria de nossos companheiros e amigos.

Sem me propor, nesta carta, a analisar as causas profundas que determinaram a situação a que chegou o movimento comunista em nossa Terra, considero, no entanto, necessário tornar claros os meus pontos de vista sobre algumas questões fundamentais, de forma que os companheiros e amigos possam julgar sobre sua justeza. Ao mesmo tempo, quero deixar claro que não me eximo de minha parcela de responsabilidade e me considero o principal responsável pelos erros e deformações existentes no PCB. Minha atitude não é de fugir à necessária autocrítica – em palavras e na prática —, mas, ao contrário, de tomar a iniciativa de torná-la pública, procurando, assim, contribuir para o avanço da luta pelos ideais socialistas em nosso País e para a reorganização do movimento comunista do Partido Comunista.

Numa atitude diametralmente oposta, a atual direção do PCB – apesar dos graves acontecimentos ocorridos nos últimos anos – nega-se a uma séria e profunda autocrítica. Quando muito, satisfaz-se com a realização de repetidas e já desmoralizadas autocríticas formais, que, entretanto, nunca se tornam uma realidade palpável. Assim, nega-se a direção atual a reconhecer que a situação do País sofreu grandes transformações, tornando necessária uma ampla discussão democrática de todos os problemas, incluindo as resoluções do último Congresso do PCB. Recusa-se a analisar com espírito crítico se são de todo acertadas as resoluções desse Congresso e pretende ainda agora apresentá-las como um dogma indiscutível para, com base nelas, exigir uma suposta unidade partidária, que lhe permita encobrir e conservar por mais algum tempo a atual situação do Partido e de sua direção.

Na verdade, a justa preocupação da maioria dos comunistas com a unidade do PCB vem sendo utilizada pela atual direção como um biombo para tentar ocultar a falta de princípios reinante nessa direção, o apego aos cargos e postos, o oportunismo dos que mudam de posição política para atender a interesses pessoais, a tradicional conciliação em torno de formulações genéricas que nada definem e que visam apenas a manutenção do status-quo, deixando, ao mesmo tempo, as mãos livres para que cada dirigente faça o que bem entenda. Citarei apenas um exemplo: o mesmo Comitê Central que em outubro de 1978 aprovara e distribuíra ao Partido um documento político, contra o qual votaram apenas dois membros da direção, poucos meses depois, no começo de 1979, se propunha a aprovar um novo documento com orientação política oposta ao primeiro, sem antes ter feito um balanço da aplicação e dos resultados obtidos com a política apresentada em outubro de 78. O meu repúdio, na qualidade de Secretário Geral do PCB, a tal tipo de procedimento levou a que a maioria do CC, revelando mais uma vez sua verdadeira face oportunista e total falta de princípios, recuasse e se chegasse à aprovação de um documento de conciliação, anódino e inexpressivo, em maio do ano passado.

O oportunismo, o carreirismo e compadrismo, a falta de uma justa política de quadros, a falta de princípios e a total ausência de democracia interna no funcionamento da direção, os métodos errados de condução da luta interna, que é transformada em encarniçada luta pessoal, em que as intrigas e calúnias passam a ser prática corrente da vida partidária adquiriram tais proporções, que me obrigam a denunciar tal situação a todos os comunistas. Não posso admitir que meu nome continue a ser usado para dar cobertura a uma falsa unidade, há muito inexistente. Reconhecendo que sou o principal responsável pela atual situação a que chegaram o PCB e sua direção, assumo a responsabilidade de denunciá-la a todos os companheiros, apelando para que tomem os destinos do movimento comunista em suas mãos.

Quero lembrar ainda que, para cumprir o papel revolucionário de dirigir a classe operária e as massas trabalhadoras rumo ao socialismo, é necessário um partido revolucionário que baseado na luta pela aplicação de uma orientação política correta conquiste o lugar de vanguarda reconhecida da classe operária. Um partido operário pela sua composição e pela sua ideologia, em que a democracia interna, a direção coletiva e a unidade ideológica, política e orgânica seja uma realidade construída na luta. Somos obrigados a reconhecer que este não é o caso do PCB. Por isso mesmo, tornou-se imperioso para todos os comunistas tomar consciência da real situação existente e começar a reagir, formulando novos métodos de vida partidária realmente democráticos e efetivamente adequados às tarefas que a luta revolucionária coloca diante de nós; é necessário reagir às arbitrariedades e deformações que já atingem proporções alarmantes e dar início a um processo de discussão realmente democrático, que venha tornar possível a eleição, em todos os níveis partidários, de direções que realmente sejam a expressão democrática da vontade da maioria dos comunistas. É necessário lutar por um outro tipo de direção, inteiramente diferente da atual, com gente nova, com comunistas que efetivamente possuam as qualidades morais indispensáveis aos dirigentes de um partido revolucionário. Não é mais admissível a perpetuação da atual direção que está levando o PCB à falência em todos os terrenos.

A convocação do VII Congresso do PCB, dentro dessa perspectiva, deve ser transformada no início de um processo de ampla discussão, por parte de todos os comunistas, não só das linhas gerais de nossa política, como de uma série de aspectos da atividade da direção. Esta é a oportunidade de cobrar da direção tudo que aconteceu nos últimos anos: a falta de preparação para enfrentar a repressão fascista e o conseqüente desmantelamento de todo o aparelho partidário; as prisões e os desaparecimentos de tantos companheiros e amigos; a ausência de democracia interna, o arbítrio, a falta de planejamento e controle das tarefas decididas; o comportamento dos dirigentes diante do inimigo de classe; a execução prática do chamado “desafio histórico” aprovado no VI Congresso e a falta de empenho em organizar o partido na classe operária; a atividade política da direção nas diferentes frentes de trabalho; a orientação política seguida na Voz Operária; e muitos outros aspectos do trabalho de direção.

Considero imprescindível destacar que o VII Congresso só cumprirá um papel realmente renovador, tanto no que diz respeito à elaboração de uma orientação política correta e adequada às novas condições existentes no País e verdadeiramente representativa da vontade da maioria dos comunistas, como no que concerne à eleição de um novo tipo de direção à altura dessa nova orientação, se os debates preparatórios e todos os procedimentos de sua realização forem realmente democráticos. Não posso admitir, nem concordar com a volta ao “arrudismo”, à utilização de métodos discricionários e autoritários na condução da luta interna, à manipulação dos debates, à rotulação das pessoas com as mais variadas etiquetas do tipo “esquerdista”, “eurocomunista”, “ortodoxo”, “duro”, etc. Não é admissível que se continue a usar de expedientes, como a nomeação de delegados a conferências partidárias, para as quais deveriam ser democraticamente eleitos pelas organizações a que pertencem.

A democracia no processo de realização do VII Congresso precisa ser defendida com empenho por todos os comunistas. É necessário que todos – e em particular os dirigentes – falem abertamente o que pensam; devemos repudiar o comportamento dos que calam de público para falarem pelas costas ou transmitirem informações sigilosas à imprensa burguesa sem ter sequer a coragem de se identificar.

Quero ainda dizer que tenho conhecimento do quanto estou sendo caluniado e atacado pelas costas. Isso é mais uma prova dos métodos falsos a que me referi acima. Devo deixar claro que, não obstante ser o primeiro a achar que, inclusive pela minha idade já avançada, deveria deixar a direção do PCB, só poderei concordar com a minha substituição num Congresso realmente democrático. Não aceitarei meu afastamento decidido por algum tipo de Congresso-farsa, manipulado e antidemocrático, em que os próprios destinos do PCB e de nossa causa revolucionária corram perigo.

Sei que poderei vir a ser derrotado no Congresso; o importante, entretanto, é que este seja realmente democrático e verdadeiramente representativo da maioria dos comunistas. E para isso é necessário que sejam criadas as devidas condições, pois na situação atual, de virtual desmantelamento do PCB pela reação, de permanência da Lei de Segurança Nacional e de séria crise interna, são praticamente impossíveis um debate e uma participação realmente democráticos num Congresso realizado na clandestinidade. Temos que reconhecer que, nessas condições, o VII Congresso seria uma farsa, inaceitável para a grande maioria dos comunistas. Trata-se, portanto, de prioritariamente dar início a uma ampla campanha pela legalização do PCB, desmascarando o anticomunismo daqueles que a pretexto de defender uma suposta democracia pugnam pela manutenção dos odiosos preceitos da Lei de Segurança Nacional que proíbem a reorganização do Partido Comunista. É preciso esclarecer as amplas massas de nosso povo, mostrando-lhes que o PCB sempre esteve nas primeiras fileiras de todas as lutas democráticas em nosso País e sempre foi a principal vítima da repressão e do fascismo.

É necessário deixar claro que a legalização do PCB terá que ser uma conquista do movimento de massas e de todas as forças realmente democráticas em nosso País. Os trâmites legais junto ao Tribunal Superior Eleitoral estarão fadados ao fracasso, se a legalidade do PCB não se transformar numa exigência das massas, que, nas ruas, imponham sua vontade, como o fizeram em 45. A ditadura jamais nos concederá a legalidade sem luta; o que ela tenta, neste momento, é, aproveitando-se da crise interna do PCB, forçá-lo a um acordo. Acordo este que significaria um compromisso com a ditadura, incompatível com o caráter revolucionário e internacionalista do PCB, compromisso que colocaria o Partido a reboque da burguesia e a serviço da ditadura e inaceitável, portanto, à classe operária e a todos os verdadeiros revolucionários.

Empenhar-se numa intensa campanha pela legalização do PCB e pela conseqüente realização do VII Congresso na legalidade não deve, entretanto, servir de obstáculo ao início do debate preparatório para o Congresso, que poderá ir-se ampliando com o desenvolvimento da própria campanha pelo registro legal do PCB. A luta pela nossa legalidade é inseparável do empenho para que a democracia interna venha a ser uma realidade. Devemos ter claro que num país como o nosso, com a complexidade dos problemas que temos pela frente, é necessário um Partido Comunista de massas, o que só poderá se transformar em realidade se vier a ser um partido verdadeiramente democrático, não apenas em seu empenho na luta pela democracia em nossa Terra, como também em todos os aspectos de seu funcionamento.

A gravidade da crise que atravessa o PCB, a flagrante ausência de democracia interna e as profundas deformações no terreno da organização não estão dissociadas dos erros e desvios em nossa orientação política. Não se pode separar a elaboração de uma estratégia revolucionária da estratégia de construção de uma organização revolucionária. Ambas se condicionam reciprocamente. A estratégia revolucionária é a condição da eficiência da organização, e a organização é a condição da formulação de uma estratégia correta.

Sem pretender, nesta carta, uma análise aprofundada dos erros a meu ver cometidos na elaboração de nossa orientação política em diferentes períodos da história do PCB – tarefa que me proponho a realizar posteriormente —, quero apenas me referir a algumas questões que me parecem de maior atualidade e urgência, deixando clara minha posição.

Assim, considero importante destacar que, apesar do total arbítrio e do autoritarismo dominantes no País a partir do golpe reacionário de 1964, os governos que se sucederam em 16 anos não resolveram nem um só dos problemas fundamentais da Nação. Ao contrário, foram todos agravados. Aumentou a miséria dos trabalhadores, agravaram-se as desigualdades sociais, cresceu consideravelmente a dependência do País ao imperialismo, tornou-se mais crítica a situação do campo com as transformações capitalistas ocorridas na agricultura e as modificações introduzidas no sistema latifundiário que levaram, entre outras conseqüências, à proliferação do minifúndio e dos chamados “bóias-frías”. Simultaneamente, cresceu vertiginosamente a criminalidade e a violência nas grandes cidades, agravaram-se problemas antigos como o do menor abandonado, do desemprego, a falta de assistência médica, o analfabetismo e a prostituição de menores. Isto comprova, mais uma vez, que o desenvolvimento capitalista não é capaz de resolver os problemas do povo e nem sequer de amenizá-los.

A solução desses e demais problemas fundamentais exige transformações sociais profundas, que só poderão ser iniciadas por um poder que efetivamente represente as forças sociais interessadas na liquidação do domínio dos monopólios nacionais e estrangeiros e na limitação da propriedade da terra, com o fim do latifúndio. E é por isso que a luta atual pela derrota da ditadura e a conquista das liberdades democráticas é inseparável da luta por esse tipo de poder que, pelo seu próprio caráter, representará um passo considerável no caminho da revolução socialista no Brasil.

Vejo a luta pela democracia em nossa Terra como parte integrante da luta pelo socialismo. É no processo de mobilização pela conquista de objetivos democráticos parciais, incluindo as reivindicações não apenas políticas, mas também econômicas e sociais, que as massas tomam consciência dos limites do capitalismo e da necessidade de avançar para formas cada vez mais desenvolvidas de democracia, inclusive para a realização da revolução socialista.

É de acentuar que no Brasil sempre dominaram regimes políticos autoritários. Mesmo nos melhores períodos de vigência da Constituição de 1946, as liberdades sempre foram muito limitadas e, principalmente, os trabalhadores nunca tiveram seus direitos mais elementares respeitados e reconhecidos. Tivemos sempre democracia para as elites, enquanto, para as grandes massas de nosso povo, o que sempre existiu foram a violência policial, tanto dos chefes políticos e caciques do interior, como das autoridades nas grandes cidades, e o total desrespeito pela pessoa humana e pelos direitos do cidadão.

Justamente por isso, nós comunistas, ao lutarmos agora pela derrota da ditadura, devemos fazê-lo esclarecendo as massas e dirigindo-as rumo à conquista de um regime efetivamente democrático. Lutamos agora por um regime em que sejam assegurados os direitos políticos, econômicos e sociais dos trabalhadores. A derrota da ditadura deve levar a um regime em que os trabalhadores tenham o direito de participarem ativamente na solução de todos os problemas da Nação; que assegure o desmantelamento do atual aparelho repressivo, que dê fim ao velho “hábito” das torturas, inclusive para os presos comuns; que garanta o voto livre, universal e direto para todos os cidadãos, incluindo os analfabetos e militares dele ainda privados; que assegure o direito ao trabalho, à educação e saúde, férias remuneradas e aposentadoria para todos os trabalhadores; em que sejam respeitados todos os direitos dos trabalhadores, destacando-se a total independência do movimento sindical do Estado, dos patrões e dos partidos políticos.

Certamente, as características do regime democrático a ser instaurado no País com o fim da ditadura dependerão fundamentalmente do nível de unidade, organização e consciência alcançado pelo movimento operário e popular. Cabe aos comunistas empenhar-se no esforço de mobilização da classe operária e demais setores populares para alcançar formas cada vez mais avançadas de democracia e, nesse processo, chegar à conquista do poder pelo bloco de forças sociais e políticas interessadas em realizar as profundas transformações a que me referi acima, e que deverão constituir os primeiros passos rumo ao socialismo, e, portanto, à mais avançada democracia que a humanidade já conhece – a democracia socialista.

Nós, comunistas, não podemos abdicar de nossa condição de lutadores pelo socialismo, restringindo-nos à suposta “democracia” que nos querem impingir agora os governantes, nem às conquistas muito limitadas alcançadas pela atual “abertura”, que na prática exclui as grandes massas populares. Não podemos concordar com uma situação que assegure liberdades apenas para as elites, em que a grande maioria da sociedade continua na miséria e sem a garantia dos mais elementares direitos humanos.

Um partido comunista não pode, em nome de uma suposta democracia abstrata e acima das classes, abdicar do seu papel revolucionário e assumir a posição de freio dos movimentos populares, de fiador de um pacto com a burguesia, em que sejam sacrificados os interesses e as aspirações dos trabalhadores. Ao contrário, para os comunistas, a luta pelas liberdades políticas é inseparável da luta pelas reivindicações econômicas e sociais das massas trabalhadoras. E no Brasil atual, a classe operária está dando provas, cada vez mais evidentes, de que não está mais disposta a aceitar a “democracia” que sempre lhe foi imposta pelas elites e pelas classes dominantes. Os trabalhadores estão passando a exigir sua participação efetiva em um novo regime democrático a ser construído com o fim da ditadura, o que significa que lutarão por uma democracia em que tenham não apenas o direito de eleger representantes ao parlamento, mas lhes sejam assegurados melhores salários e condições mais dignas de vida, em que seus direitos sejam uma realidade e não apenas uma ficção. E o dever dos comunistas é dirigir essas lutas dos trabalhadores, contribuindo para sua unidade, organização e conscientização, mostrando-lhes que é necessário caminhar para o socialismo, única forma de assegurar sua real emancipação.

Simultaneamente, apresenta-se a questão da aliança dos comunistas com outras forças sociais e políticas. No momento atual, o objetivo mais importante a ser alcançado é a derrota da ditadura e, para isto, a conseqüente conquista de reivindicações políticas que ampliem cada vez mais a brecha já aberta no regime e levem ao estabelecimento de uma democracia no País. Não devemos, portanto, poupar esforços no sentido de aglutinar as mais amplas forças sociais e políticas, mesmo aquelas mais vacilantes e que sabemos que nos abandonarão em etapas ulteriores da luta. Seria, no entanto, abdicar de nosso papel revolucionário tratarmos apenas dos entendimentos “por cima”, com os dirigentes dos diversos partidos políticos ou correntes de opinião, com as personalidades políticas, esquecendo-nos que para os comunistas o fundamental é a organização, a unificação e a luta permanente pela elevação do nível político da classe operária e das massas populares. Só assim contribuiremos para fortalecer o movimento popular e a frente oposicionista de luta contra a ditadura, compelindo seus setores liberais burgueses mais vacilantes e se definirem com mais clareza, e contribuindo, também, fundamentalmente, para que os trabalhadores venham a ser a força dirigente do conjunto das forças heterogêneas unificadas em ampla frente única.

Só assim agindo, realizarão os comunistas uma política capaz de impulsionar o movimento de massas, uma política que não pode ser a de ficar a reboque dos aliados burgueses, mas, ao contrário, a de não poupar esforços para que as massas assumam a liderança do processo de luta contra a ditadura e pela conquista da democracia, assim como de sua ampliação e aprofundamento continuado.

Não podemos, pois, compactuar com aqueles que defendem “evitar tensões”, freando a luta dos trabalhadores em nome de salvaguardar supostas alianças com setores da burguesia. Ao contrário, sem cair em aventuras, é hoje, mais do que nunca, necessário contribuir para transformar as lutas de diferentes setores de nosso povo em um poderoso movimento popular, bem como é dever dos comunistas tomar a iniciativa da luta pelas reivindicações econômicas e políticas dos trabalhadores, visando sempre alcançar a derrota da ditadura e a conquista de uma democracia em que os trabalhadores comecem a impor sua vontade.

Com base na argumentação acima desenvolvida, não se pode deixar de chegar à conclusão lógica de que é totalmente infundada a contraposição, que vem sendo a mim atribuída, entre uma suposta “frente de esquerda” e uma “frente democrática” ou de oposição. Jamais coloquei o problema dessa maneira, o que não passa de mais uma deturpação do meu pensamento, útil àqueles que precisam tergiversar minhas idéias para poder combatê-las. Penso que, para chegarmos à construção de uma efetiva frente democrática de todas as forças que se opõem ao atual regime, é necessário que se unam as forças de “esquerda” – quer dizer, aquelas que lutam pelo socialismo – no trabalho decisivo de organização das massas “de baixo para cima”; que elas se aglutinem, sem excluir também entendimentos entre seus dirigentes, com base numa plataforma de unidade de ação, e que, dessa maneira, cheguem a reunir em torno de si os demais setores oposicionistas, tornando-se a força motriz da frente democrática. Esta é a perspectiva revolucionária de encaminhamento da luta contra a ditadura, a que mais interessa à classe operária e a todos os trabalhadores. Será a constituição em nosso País, pela primeira vez, da unidade de diversas forças que lutam pelo socialismo. Colocam-se contra essa possibilidade os que preferem ficar a reboque da burguesia e que buscam, com isto, mais uma vez, chegar em nosso País a uma democracia para as elites, da qual não participariam os trabalhadores.

Quando me referi à necessidade das diferentes forças de “esquerda” caminharem juntas, tenho em vista a nova situação que vem se formando no País. Estamos vivendo um período, quando a reanimação do movimento operário e popular vem revelando, por um lado, que todas as forças de “esquerda”, incluindo o PCB, tem cometido graves erros, tanto de avaliação da situação nacional, como de encaminhamento das soluções necessárias e possíveis e, consequentemente, de atuação. E, por outro lado, a necessidade de formação de uma liderança efetiva, capaz de dirigir as lutas de massas dentro de uma perspectiva revolucionária correia e adequada à situação brasileira. Está, portanto, na ordem do dia a questão da unidade de todos que se propõem a lutar efetivamente por uma perspectiva socialista para o Brasil.

No que diz respeito ao PCB, sou de opinião de que, tendo sido correto combater os desvios “esquerdistas” e “golpistas”, após o golpe de 1964, caímos do outro lado, em posições próximas do reboquismo e da passividade. Devemos reconhecer, inclusive, que o PCB não teve a capacidade de apresentar uma alternativa (principalmente uma estratégia) correta de luta contra a ditadura, contribuindo, assim, para que muitos revolucionários honestos, particularmente os jovens que não queriam-se conformar com o arbítrio instaurado no País, enveredassem pelo caminho de ações individuais ou desligadas das massas e que só poderiam conduzir a sucessivas derrotas.

É importante ainda chamar a atenção dos comunistas para o fato de nas fileiras do PCB ter-se convertido a luta justa contra os desvios “esquerdistas” e “golpistas” numa obsessão quase cega, que nos tem levado frequentemente a identificar qualquer atitude ou posição combativa pelas causas justas dos trabalhadores com um suposto “esquerdismo” ou “golpismo”.

Tudo isso torna imprescindível que se inicie entre os comunistas, tanto dentro, como fora do PCB, um amplo processo de análise autocrítica das posições das diferentes forças de “esquerda” e, em particular, do PCB. É necessário rever com espírito autocrítico a orientação política que mantivemos em diferentes períodos históricos e em especial, as resoluções aprovadas no VI Congresso e nos anos que se seguiram. Devemos examinar a que resultados concretos fomos levados pela aplicação de tais resoluções e fazer um esforço coletivo que conduza à elaboração de soluções adequadas à situação do Brasil de hoje, partindo do princípio de que nosso objetivo final, enquanto comunistas, só pode ser um: a construção da sociedade socialista e do comunismo em nossa Terra. E para isso, é imprescindível que todos aqueles que queiram contribuir para a vitória desses objetivos unam suas forças e procurem chegar a um programa comum, sem cair nem na cópia de modelos estrangeiros, nem na negação das leis gerais do desenvolvimento social.

Quando me referi à necessidade de formular o programa dos comunistas, tenho em vista chegarmos, através de um processo de discussão efetivamente livre, à elaboração do caminho para o socialismo nas condições brasileiras e à sua aprovação de forma democrática.

Como já tive ocasião de assinalar, a própria prática social vem mostrando o quanto as forças de “esquerda” estão atrasadas na realização desse objetivo. Não pretendo apresentar nesta carta uma proposta de programa. Sou de opinião que essa tarefa só poderá ser realizada com a colaboração de todos que, em nosso País, estão empenhados na luta pelo socialismo, comunistas ou não, membros do PCB, de outras organizações de “esquerda” ou “independentes”.

Penso que o eixo central desse programa deve ser tal que apresente, com a necessária clareza, qual o processo que, nas condições de nosso País, poderá e deverá ligar a luta atual pela derrota definitiva da ditadura e a conquista de um regime democrático com a luta pelo socialismo no Brasil.

Trata-se, portanto, de se enfrentar e dar solução a um conjunto de questões teóricas e práticas de grande complexidade. Questões que só poderão ser elaboradas através do estudo aprofundado das transformações econômicas, sociais, políticas e culturais que se vêm processando em nosso País, bem como das novas condições em que se encontra o mundo na atualidade.

Penso que, na elaboração do programa é necessário partir de algumas idéias básicas que pretendo desenvolver posteriormente, para os debates do VII Congresso. Em primeiro lugar, partir do pressuposto de que cabe aos comunistas, desde já, organizar e unir as massas trabalhadoras na luta pelas reivindicações econômicas e políticas que se apresentam no próprio processo de luta contra a ditadura. É partindo dessas lutas, da atividade cotidiana junto aos mais diferentes setores populares, principalmente junto à classe operária, que poderemos avançar no sentido do esclarecimento das massas para que cheguem à compreensão da necessidade das transformações radicais de cunho antimonopolista, antiimperialista e antilatifundiário. É necessário mostrar aos trabalhadores que os grandes problemas que afetam a vida de nosso povo só poderão ser solucionados com a liquidação do poder dos monopólios nacionais e estrangeiros e do latifúndio, e que isto só será conseguido com a formação de um bloco de forças antimonopolistas, antiimperialistas e antilatifundiárias, capaz de assumir o poder e de dar início a essas transformações. Poder que, pelo seu próprio caráter, significará um passo decisivo rumo ao socialismo. E para que esse processo tenha êxito, é indispensável que a classe operária – a única conseqiientemente revolucionária – seja capaz de exercer o papel dirigente do referido bloco de forças. Mas este papel dirigente só se conquista na luta. O dever dos comunistas é exatamente o de contribuir para que esse objetivo seja alcançado.

Companheiros e amigos!

Esta carta constitui como que a reafirmação da confiança que tenho nos comunistas e na classe operária, na sua capacidade de reflexão sobre a grave situação que atravessa o PCB. Chegou o momento em que é indispensável que os comunistas rompam com a passividade e tomem os destinos do PCB em suas mãos, rebelando-se contra as arbitrariedades e os métodos mandonistas de direção, e tratando de eleger, em todos os níveis partidários, direções que realmente sejam a expressão democrática da maioria dos comunistas. Penso ter evidenciado o quanto tem de excepcional a situação que me levou a formular este apelo a todos os comunistas para iniciar um processo de mudanças radicais que deverá ser coroado com a discussão e aprovação democráticas de uma orientação verdadeiramente revolucionária e a eleição também democrática de um novo tipo de direção à altura desta nova orientação.

Rio de Janeiro, março de 1980.

Luiz Carlos Prestes

Anita Leocádia Prestes, A que Herança os Comunistas devem renunciar?

de pé ó vítimas da fome

[sáb] 27 de fevereiro de 2010

“De pé ó vítimas da fome”: a reestruturação do Partido Comunista Brasileiro em Florianópolis nas palavras e ações de um militante

Maria Fernanda Araújo [1]

Este artigo teve como ponto de partida verificar a atuação de um comunista – Manoel Alves Ribeiro – na Câmara de Vereadores de Florianópolis durante seu mandato, pelo Partido Social Progressista, de 1959 a 1963. Contudo, houve a impossibilidade de consultar as principais fontes a serem utilizadas neste trabalho: as Atas da Câmara de Vereadores de Florianópolis. Primeiramente, pelo fato da mudança do local do Arquivo da Câmara, e a impossibilidade temporária de acesso ao público. Segundo, por questões que permeiam toda pesquisa histórica referente ao Partido Comunista e seus militantes: a dificuldade de lidar com as fontes.
Como sabemos, as fontes sobre o Partido Comunista são relativamente escassas: é um partido que desde sua fundação até a Promulgação da “mais democrática das Constituições Brasileiras” – sessenta e seis anos – vive na legalidade apenas por dois anos – 1945-1947. Na constituição de sua história são vários os relatos da dificuldade de produção documental, por questões de segurança, e de destruição daqueles produzidos, seja pela apreensão da polícia, seja pela perseguição e morte dos militantes e das pessoas próximas ao partido durante o Regime Militar.
Mesmo o período da legalidade foram tempos difíceis: “a legalidade para um comunista no Brasil não passa de um período de identificação para eliminá-lo, quando a classe dominante achar necessário (…)”, já dizia Manoel Alves Ribeiro [2]. E assim acontece. É através das listas de candidatos às eleições de 1945 e 1947, que o Major Luiz Felipe da Gama Lobo D´Eça, responsável 14o Batalhão de Caçadores chega aos nomes dos militantes do PCB, em 1964[3].
A censura também permeia os escritos sobre o comunismo durante praticamente todo o século XX, desde que o “perigo vermelho” torna-se uma “ameaça à democracia no país”. A campanha anticomunista pode ser verificada tanto através de jornais [4] quanto da verificação da ação do Estado [5], sendo utilizado como plataforma política, e justificativa de políticas públicas e alianças internacionais[6]. As mesmas atas que constam na Câmara de Vereadores de Florianópolis, já citadas, passaram por censura do Quinto Distrito Naval de Curitiba [7].
Tal como as fontes, a produção bibliográfica sobre a atuação do PCB em Santa Catarina também é escassa, principalmente ao que se refere aos trabalhos ditos “historiográficos”. Muito do que foi escrito sobre o Partido e seus militantes constitui-se em memórias de militantes, ou foram produzidos por sociólogos ou jornalistas, que tratam exclusivamente do tema ou o abordam por se relacionar com seu objeto de estudo [8].
Destas a maioria se caracteriza por serem obras sobre a história dos partidos políticos no estado [9]. Uma atenção especial deve ser dada à obra de Carlos Lenzi, que trata de forma bastante positiva a história dos partidos políticos em Santa Catarina, do Império a 1979. Neste trabalho, Lenzi aborda não apenas a constituição do Partido Comunista, após o fim do estado Novo, como também sua atuação política (suas alianças políticas) em vários acontecimentos na história do país, como a Revolução de 30. Lenzi não discute suas fontes, baseando-se principalmente em documentos oficiais, sem questioná-los: segundo Ribeiro, as listas de filiados enviadas ao Tribunal Regional Eleitoral geralmente continham nomes falsos.
A única obra historiográfica sobre o Partido é a dissertação de mestrado de Jaci Guilherme Vieira, Historia do PCB em Santa Catarina – da sua gênese ate a operação Barriga Verde 1922 a 1975. Nela o autor também reclama da escassez de fontes e opta pela história oral como recurso metodológico. Entretanto, a literatura de referência quanto à história do PCB em Santa Catarina constitui-se de biografias.
Uma delas é a que o jornalista Celso Martins faz sobre Álvaro Ventura, catarinense que foi secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro [10], e outra é a autobiografia de Manoel Alves Ribeiro, “Seu Mimo” [11].
Ambas oferecem uma gama de informações sobre o PCB em Santa Catarina, principalmente sua participação em movimentos populares e ações sindicais, a partir do envolvimento dos biografados nestas atividades. Além disso, o que elas têm em comum é a constante análise conjuntural dos diferentes períodos vividos pelo partido em Santa Catarina. Contudo, elas se diferenciam, principalmente por dois motivos. Primeiramente, a pesquisa de Celso Martins contém um amplo levantamento de fontes a nível estadual, mesmo que em muitas passagens do livro as informações não tenham referência bibliográfica. Trata-se de uma biografia de um militante do PCB feita por outro militante do partido. O livro de Manoel Alves Ribeiro é livro de memórias deste comunista, principalmente de seu “Caminho” na militância.
A segunda diferença verificada é a relação que as duas obras estabelecem entre a militância e a classe. Se em Martins o privilégio à descrição da atuação do militante Álvaro Ventura vela a sua relação enquanto sujeito da e com a classe operária, em Ribeiro é evidente como a condição de operário influencia sua militância e o quanto esta está presente em todas as suas relações enquanto trabalhador: ou seja, mesmo que constituam caracterizações distintas [12], enquanto identificação do sujeito estas duas categorias de análise possuem uma estreita relação dialética.
Por estes motivos escolhemos a obra de Ribeiro como fonte para este trabalho. Sabemos da dificuldade de lidar com um livro de memórias como objeto de estudo: analisar memórias compreende a noção de que estas foram escritas a posteriori das experiências, consistindo numa imagem em que o sujeito se percebe, uma imagem que se deseja deixar para a História. Além, verifica-se inclusive a dificuldade de comparação destas memórias com outros tipo de fontes, tendo em vista o caráter inicial deste trabalho. Neste sentido, ler as entrelinhas torna-se primordial, assim como a consideração do momento histórico em que estas memórias foram escritas.
Manoel Alves Ribeiro, enquanto comunista que rompe com o PCB com a saída de Luís Carlos Prestes do partido, em 1982, deve ser compreendido também nesta amplitude. Deve ser considerado, também, que o livro foi escrito em 1988, quando se julgava fim do socialismo real. Construir uma memória comunista considerando as contradições do militante em relação ao partido do qual fez parte, e a convivência com a idéia de que aquilo pelo que lutou durante toda a sua vida perpassa questões que até hoje não foram resolvidas pela esquerda. Além disso, é certo que Manoel Alves Ribeiro faz uma série de considerações e interpretações acerca do período histórico o qual viveu considerando as leituras realizadas a posteriori quanto à história do Brasil.
O livro de memórias de Manoel Alves Ribeiro dá uma idéia diferente de organização política, e por este motivo serve de base para este artigo: todas as obras citadas, exceto a de Ribeiro, destacam as ações políticas do PCB, enquanto partido político, seja quanto a sua organização e atuação em eleições [13], seja a partir da ação de seus militantes [14]. Como se organização política significasse exclusivamente a idéia de formação partidária [15]. Neste sentido, nestas bibliografias é constante a relação feita entre a história local do partido e suas ações a nível nacional, que não comparam ou discutem as diferentes formas de organização nestes dois níveis, apenas expõe o que ocorre temporalmente num mesmo período [16].
A partir dele, verificamos que os comunistas se organizavam não apenas partidariamente, mas também em seus sindicatos, locais de trabalho e bairro. A condição de comunista é permanente em todos os espaços sociais, caracterizando uma identidade.
Os comunistas em Florianópolis tinham articulações nos Sindicatos da Estiva, da Construção Civil, dos Carroceiros; sendo referência, principalmente, no Sindicato da Construção Civil, um dos maiores da cidade, e na Sociedade Recreativa Beneficiente Operária. Promoviam greves e comícios, concentrando sua atuação
principalmente na execução das Leis Trabalhistas, e em ações que demonstrassem solidariedade internacional com seus camaradas, e que combatessem o imperialismo, a nível local – ajuda ao Socorro Vermelho, campanhas para envio de tropas à Segunda Guerra Mundial. Os comunistas tinham articulações ou influência em vários bairros da capital catarinense, executavam abaixo-assinados por toda a cidade, inclusive, em seus arredores – São José, Biguaçu, Palhoça – aonde também realizaram muitos comícios.
O maior núcleo e área de atuação do partido, contudo, não se localizava no meio sindical: o núcleo Luis Carlos Prestes, segundo Ribeiro, localizava-se no Morro do Céu. Tratava-se de um bairro operário, no qual predominavam os trabalhadores da construção civil. Neste núcleo, verificava-se a atuação não apenas dos comunistas, mas também suas esposas, filhos, e vizinhos. E é a partir deste meio que se articularão muitas das ações do PCB durante a Segunda Guerra Mundial.
Após a “Intentona” de 1935, a ilegalidade e a campanha anticomunista acirram-se, incluindo aí a morte e a prisão de muitos militantes. Neste sentido, até cerca de 1945 diminui a atuação sindical dos membros do partido, em relação à década de 1930, quando o movimento comunista se estruturou no Estado [17].

A ilegalidade condiciona as formas de atuação, que passam a articular-se principalmente nos meios sociais mais próximos, ou mais intimamente ligados aos militantes. A situação da cidade, a conjuntura nacional e o posicionamento do PCB durante a Segunda Guerra Mundial contribuem para a articulação nestes espaços, nos quais permeiam algumas contradições: a relação dos comunistas com os integralistas e os imigrantes alemães numa conjuntura de Guerra; a defesa de um movimento e prol da paz mundial junto ao acirramento das contradições capital X trabalho.
Em Ribeiro fica evidente a luta contra o integralismo, principalmente por sua postura anticomunista. Entretanto, são constantes as comparações entre os trabalhadores alemães (imigrantes) e os camponeses brasileiros: Ouvi muita gente dizer que os alemães prosperavam porque eram trabalhadores e nossos caipiras eram preguiçosos. Mas, a verdade é outra.
Enquanto os imigrantes ganhavam terra, casa para morar, sementes, assistência médica e salário, nossos irmãos não tinham nada. (…) Os alemães aproveitavam-se da miséria e do abandono dos nossos camponeses e os contratavam como mão-deobra barata. (…) Quase todos eles eram defensores ardorosos do nazi-fascismo [18].
Neste período, ao mesmo tempo que a população da capital aumenta devido ao crescimento da indústria da construção civil nos anos anteriores à guerra, a cidade passa por uma crise de emprego, assim como o racionamento de comida, verificada não apenas pela crise no sistema portuário da cidade, mas também pela contenção de gastos estatais com importação, e o estocamento de produtos por comerciantes devido à Guerra:
“Agravou-se para nós brasileiros e, particularmente, para os trabalhadores, a situação, pois, com a deflagração da guerra os comerciantes começaram a esconder mercadorias e, principalmente os gêneros alimentícios. Esperavam que o Brasil ficasse neutro (…) e poderiam então ganhar muito dinheiro vendendo para os dois lados. (…) esconderam o açúcar, a carne, e até o sal. Quando, por acaso, apareciam, era no câmbio negro e eram muito caros.” [19]
Paralelamente, os fatos políticos decorridos da Segunda Guerra Mundial contribuem para a articulação popular: realiza-se uma imensa campanha pelo envio de tropas à Europa, e de arrecadação de ferro-velho para transformar em utilidades para a guerra. Posteriormente, observa-se uma intensa campanha de luta pela paz, realizavam-se pichações, passeatas, e abaixo-assinados pelo fim da guerra; e após o “Dia D” as comemorações enfeitam a cidade com bandeiras soviéticas de por todos os lados [20].
Desenvolveu-se uma série de movimentos populares, como movimento pela paz e outros. Nossa organização de base do PCB, situados no Morro do Céu, fez um grande trabalho de coleta de assinaturas. (…) Saíamos pela manhã e levávamos churrasco para almoçarmos pelo caminho, e tornar mais alegre nossa tarefa, pois levava-se o dia inteiro para fazer o trajeto. De casa em casa, de venda em venda, íamos colhendo assinaturas. De vez em quando esbarrávamos em casas de famílias muito ligadas à Igreja, que ameaçavam chamar a polícia, pois o padre da paróquia lhes havia dito que aquilo era comunismo, e quem assinasse seria excomungado [21].
Segundo Ribeiro o abaixo assinado pela paz percorreu toda a cidade, mesmo com uma intensa campanha anticomunista: as contradições com os populares eram muitas: passavam pela reação da Igreja e a ação integralista na cidade: se todos desejam a paz, os integralistas pedem aos praças que sua última bala sejam reservadas aos comunistas; e apenas estes e seus simpatizantes reconhecem a ação da União Soviética na Guerra [22].
É importante notar que durante a leitura da obra de Ribeiro, verifica-se a descrição da ação comunista em atividades desvinculada da idéia de partido até a Segunda Guerra Mundial. A partir da caracterização dos fatos referentes à Guerra que “Seu Mimo” passa a tratar dessas ações enquanto organizadas pelo PCB ou por suas bases. Isso poderia ser explicado pela reestruturação do Partido a nível estadual, a partir de 1939. Contudo, é complexo analisar esta relação que Ribeiro estabelece com sua base, uma vez que envolve não apenas relações de camaradagem, mas também de amizade. É notável como a identidade de operário permeia toda e qualquer frase sobre seus companheiros, seja ao referir-se a eles, reconhecendo-os principalmente por suas profissões e sua importância na militância, seja referindo-se a si mesmo. É notável também que toda e qualquer análise ou discussão que faz referente à Segunda Guerra Mundial, coloca-se não
apenas numa posição de militante, mas também de operário, e é a partir das lembranças de seus colegas operários que remete aos fatos referentes à Guerra.
Neste sentido, é necessário observar que tais memórias quanto a influencia da Segunda Guerra Mundial em Florianópolis perpassam não apenas a visão de um militante, mas também de um operário, e devem ser entendidas, também na amplitude em que estas identidades se relacionam. Além disso, é importante compreender a noção que estas memórias foram escritas a posteriori das experiências, consistindo numa imagem em que o sujeito se percebe, uma imagem que se deseja deixar para a História.
Entretanto, esta memória em relação à Segunda Guerra Mundial, tem sua materialidade a medida em que percebemos seu campo de influência na constituição da história local, verificando principalmente as ações populares dos quais fazia parte.

1 Graduanda em História pela Universidade Federal de Santa Catarina. [hoje graduada em história pela ufsc]
2 RIBEIRO, Manoel Alves. Caminho. Florianópolis: EDEME, 1990. p. 86.
3 Ofício 1168/64, de 20 de maio de 2004, Encaminhado pelo Presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina ao 14o Batalhão de Caçadores. Arquivo do TER/SC .
4 Ver: RANGEL, Simone Aparecida. “O partido Comunista não pode substituir o Brasil” – Campanha Anticomunista no Diário da Tarde e o Estado na curta legalidade do PCB (1945-1947). In: SOUZA, Rogério Luiz de & Klanovitz, Jô (orgs.). História: Trabalho, Cultura e Poder – Anais do X Encontro Estadual de História – ANPUH/SC, II Reunião Nacional do GT Estudos de Gênero e II Jornada nacional de História do Trabalho . Florianópolis: UFSC, 2004. p. 221 a 224.
5 Manoel Alves Ribeiro relata uma tentativa da polícia de prendê-lo durante uma Reunião da União Beneficente Recreativa Operária – UBRO, por ser comunista . (Op. Cit. P. 89).
6 Para referências quanto à campanha anticomunista como plataforma política ver: HOBSBAWN, Eric. Guerra Fria. In: A era dos extremos: o breve século XX – 1914-1991. Tradução de Marcos Santarrita. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 223 252. Para verificar políticas públicas e alianças internacionais ver: GERMANO, José Wellington. Estado Militar e Educação no Brasil (1964-1985). São Paulo: Cortez, 1992.
7 RIBEIRO, Op. Cit. P. 112.
8 Como em LENZI, Carlos Alberto Silveira. Partidos e políticos de Santa Catarina. Florianópolis: Ed. da UFSC: Lunardelli, 1983.
9 LENZI, Op. Cit. E CARREIRÃO, Yan de Souza. Eleições e Sistema Partidário em Santa Catarina 1945-1979. Florianópolis: Editora da UFSC, 1990.
10 MARTINS, Celso. Os comunas: Álvaro Ventura e o PCB catarinense. Florianópolis: Paralelo 27 / Fundação Franklin Cascaes, 1995.
11 RIBEIRO, Op. Cit.
12 Ver BATALHA, Cláudio H. M. A historiografia da classe operária no Brasil: trajetória e tendências. In: Historiografia brasileira em perspectiva. FREITAS, Marcos César (org). Ed. Contexto.
13 Como em LENZI, Op. Cit.e VIEIRA, Op. Cit.
14 Como em MARTINS, Op. Cit.
15 LENZI, Op. Cit. P. 15.
16 Idem.
17 A década de trinta foi marcada por greves em todo o estado, articuladas com o movimento nacional. Em 1934 estouram greves nos mais variados sindicatos: construção civil, estiva, carroceiros, leiteiros, garçons, e sapateiros. Em todos eles haviam lideranças comunistas (MARTINS, Op. Cit).
18 RIBEIRO,Op. Cit. P. 41-42.
19 RIBEIRO, Op. Cit. P. 44.
20 Ibidem. P. 54 a 63.
21 Ibidem. p.56-57
22 Idem.

caloi

[qui] 25 de fevereiro de 2010

E mais ou menos foram 83 minutos (entre retas, cerros e descidas). Algo em torno de 19,4 Km. E foi uma tarde-noite boa. Saudade que eu estava de dar umas voltas com esta minha Caloi.

é essa vontade de ficar nú

[qua] 24 de fevereiro de 2010

meio dia. mudei os planos e resolvi colocar para amanhã alguns pontos que não fiz ontem [dessas coisas práticas que nos colocam em filas e cheios de papéis burocráticos]. e farei hoje o que é de hoje, e só de hoje. e no meio do dia e das coisas tantas tocar o que é prioritário… desdobrar neste mar qual vento soprará mais forte na minha direção, e quando for da noite qual estrela orientará até o nascer do sol e da lua… consciência hoje, terapia ontem, coragem sempre!

andei tão sem poesia, receoso de partir os gravetos enquanto caminhava… mas sabe?! chega de peso aqui nestas costelas, nesta serra. pois basta prestar atenção no movimento da terra e do céu, das imensas nuvens de chumbo que vem, e só chovem forte… e após é calmaria, é vento menor. e o corpo é assim, ora encharcado, ora seco. e o que eu quero é gente aqui por dentro e por fora de mim [até mesmo quando me retorno ao silêncio].

***

pois é essa vontade de ficar nú. de rir meu riso e soltar meu pranto e alegar que não sei tanto e conhecer que sei outros tantos… assim de peito aberto em ti [que são tantos e de tantas formas]. e não esquecer de lembrar que posso celebrar cada passo como um criança que vai descobrir o mundo passeando e que preciso desdobrar neste mar o que é necessário, não para chegar e nem para partir, mas para estar nau…

é hora de acordar e começar a remar. sigo sonhando.

[ter] 23 de fevereiro de 2010

fora de foco. os óculos não cabe entre os olhos miúdos.

como encontrar quem se perdeu por aí e não sabe voltar se só ele pode se achar? como errar se só há um quarto. vê o grau de realidade diante da realidade de fato e pergunta:  …

موسم

[ter] 23 de fevereiro de 2010

segue o seco
موسم.

***

não falarei dos poemas que recebi. dos convites e das tarefas assumidas. não falarei desta vontade que toma-me e que  as vezes nem parece vontade. aguardarei o momento oportuno da fala e do manifesto. este momento é de ficar quieto, vazar esse silêncio fundo.

***

mas porque há milhões de palavras que não direi e desejos que não confesso [mesmo sabendo do peso do verbo] que deixo assim para o futuro verso impresso palavras como esta que diz que são cento e trinta e cinco dias corridos, ou cento e sete dias letivos, para formar-me em algo que não sei ao certo o que será. e um dia antes de ontem foi exato um quarto de década antes de dois mil e doze – e isto de tal forma que os número agigantam-se sem sabermos ao certo porque disto. e as palavras vazam buscando não fixar-se no ar ou qualquer outra superfície que as dêem substância. hora de dormir para um dia acordar mesmo sendo seu inverso. segue o seco… sem sacar que o caminho é seco. terás-me com quase trinta talvez. e eu quando terei-me liberto destas nuvens imensas que carrego?!

quando o carnaval chegar

[ter] 16 de fevereiro de 2010

sem poesia. sem satisfação. sem saco… segunda foi assim. e terça ainda faltará no peito ‘sim?! [preciso de gente perto!!]

na legenda dos últimos dias: “… Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar… ‘Tou me guardando pra quando o carnaval chegar” [será o deste que pulo ou do próximo ano?! o certo é…. pra quando o carnaval chegar!]

daniela

[dom] 14 de fevereiro de 2010

em daniela compartilhando o ar, sentindo nossos risos, nossos acordes, nossos banhos de mar, nossa pelada na areia… nosso sal e nosso sol. ao gosto da pitanga, do limão e da água de cana. ouvindo sobre reich, e cuba, e o amor livre… e a nota dez coletiva no quesito revelação bloco dos sujos. é, foi isto, apenas um breve relato destes de todos nós.

e no fim do dia choveu muito… e sentiu-se a falta de alguns.

Se você vier me perguntar por onde andei no tempo em que você sonhava. De olhos abertos, lhe direi: amigo, eu me desesperava. Sei que, assim falando, pensas que esse desespero é moda em 73. Mas ando mesmo descontente. Desesperadamente eu grito em português: tenho vinte e cinco anos de sonho e de sangue e de América do Sul. Por força deste destino, um tango argentino me vai bem melhor que um blues. Sei, que assim falando, pensas que esse desespero é moda em 73. E eu quero é que esse canto torto, feito faca, corte a carne de vocês. Belchior. À Palo Seco.

Tu subias desde el cono sur y venias desde antes con el amor al mundo bien adentro. Fue una estrella quien te puso aqui y te hizo de este pueblo de gratitud nacieron muchos hombres que igual que tu no querian que te fueras y son otros desde entonces… Despues de tanto tiempo y tanta tempestad seguimos para siempre este camino largo, largo por donde tu vas, por donde tu vas. El fin de siglo anuncia una vieja verdad los buenos y los malos tiempos hacen una parte de la realidad, de la realidad,ohohohohoh… Yo sabia bien , que ivas a volver, que ivas a volver de cualquier lugar porque el dolor no ha matado la utopia porque el amor es eterno y la gente que te ama no te olvida… Yo sabia bien ,desde aquella vez que ivas a crecer, que ivas a quedar porque la fe clara limpia las heridas porque tu espiritu es humilde y reencarnas en los pobres y en sus vidas… Son los sueños todavia, los que tiran de la gente como un iman que los une cada dia no se trata de molinos, no se trata de quijotes algo se templa en el alma de los hombres una virtud que se eleva por encima de los titulos y nombres. Gerardo Alfonso. Son los Sueños todavia.

antes do bloco dos sujos

[sáb] 13 de fevereiro de 2010

antes do bloco dos sujos que sai hoje, pela tarde. acordei sedento de água… e escrevendo esses fragmentos abaixo (faíscas desta manhã):

***

em toda fala enunciamos coisas visíveis ao mesmo passo que escondemos outras… o que será que há em cada verbo exposto para além do que vejo?! que coisas invisíveis estou dizendo por aí…

***

no ato de escrever salvo uma idéia (ou seu fragmento mais ou menos elaborado) enquanto mato outras várias (antes mesmo de ganharem forma clara).
***

o corpo pede água. o copo perde água.
***

boca que beija a boca
a boca outra não beija
falta boca sobra beijo
que porra de desejo.
***

é mais ou menos assim sabe… um caroço no pulso, um buraco no dente, um olho torto, um vontade danada.
***

quase sempre sou altamente influenciado pelas coisas que leio, e me tocam.
***

no folhetim teen da tarde um pouco de psicologia: “os que mais tem para dar aos outros, geralmente, são os que menos acreditam”
***

não compare (porque é só dor)
não compre (porque é só fetiche)
pegue sem pagar (porque não há preço, somente experiências.)
***
o seu maior desafio é tu mesmo, rapaz!
***
meu traço hoje, não é exatamente um traço, é um borrão.
***
e tenho um certo fascínio por coisas velhas e usadas.
***
essa dieta de cachaça todo dia vai me deixar mais macio que um pudim.

provocativamente 'tô vivo

[qui] 11 de fevereiro de 2010

e hoje que acordei cedo, e meio sonolento, anotei um monte de coisas [no caderno de campo, na memória, na vontade] para colocar aqui assim que tivesse um tempo [virtual], mas contento-me com esse pensamento que veio a mente agora quando entrei na página principal deste bloco: “honestamente não sou nada do que está – ou da forma como está – escrito aqui [nestes textos todos até hoje]  e assombrosamente sou sim cada intenção e todos os verbos nisto tudo que é dito e que é silenciado por cá diante dos olhos de vocês [e mais um monte de incertezas, porque a vida é assim. e concordando com bruno [aquele rapaz que cantava que o “elefante não é branco não…”] que é necessário ter certa certeza da incerteza, ao menos, e de tal forma por vezes não forçar tanto já que não é tão necessário arregimentar a inconstância de sermos… posto que só estamos, e isto é um barato… ou não é?

 esta vida é uma viagem
	pena eu estar
	  só de passagem

]”. terapia. e simbolicamente [ou mais que simbólico – concreto] depois de cinco meses tenho novamente um celular para que o povo possa me achar onde quer que eu me meta. saludos rojos.

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