pedra do sono

2010, fevereiro 3, quarta-feira

***

e sobre o tumulto aqui de dentro e essa insatisfação não clara, mas que sei que nessa casa não consigo dormir, nem estudar, nem emagrecer, nem sentir-me bem mas talvez nem seja a casa nem as pessoas e sim outras coisas. estou pensando em passos maiores… quartos menores… lonjura. quem sabe assim arranque de mim esse medo danado de ser quem sou e vase despudoradamente com todos os pudores que forem necessários e os que não forem que fiquem por ai sem mim.

pensando também em enterrar esse blogue, criar outros projetos… começar a escrever cartas para o futuro, ensaios para o presente e poemas para outrora. mas vai saber né!

hoje a aurora parece que virá de rosa, novamente.

e alguma coisa tem me incomodado muito nestes dias, é uma certa ansiedade de algo que eu não sei ao certo o que é. o que é o que é o que é o que é o que é o que é o que é… “O fato dos americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano é por demais forte  simbolicamente  para eu não me abalar (…)”

zii e zie

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poucos minutos atrás vi no “Especial Cultura” o filme “Leituras Do Brasil – Duas Águas” sobre João Cabral de Melo Neto. [“não é preciso poetizar o poema”; diz o mestre].

Trecho do poema
ALGUNS TOUREIROS
(Paisagem com Figuras – 1954 – 1955)
Eu vi Manolo González
E Pepe Luís, de Sevilha:
precisão doce de flor,
graciosa, porém precisa.Vi também Julio Aparício,
de Madrid, como Parrita:
ciência fácil de flor,
espontânea, porém estrita.Vi Miguel Báez, Litri,
dos confins da Andaluzia,
que cultiva uma outra flor:
angustiosa de explosiva.

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra,
o de figura de lenha,
lenha seca de caatinga,
sim, eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete
, o mais asceta,
não só cultivar sua flor
mas demonstrar aos poetas:

como domar a explosão
com mão serena e contida,
sem deixar que se derrame
a flor que traz escondida,

e como, então, trabalhá-la
com mão certa, pouca e extrema:
sem perfumar sua flor,
sem poetizar seu poema.

Ouça o poema interpretado
por João Cabral
Como ouvir?

 

Uma resposta to “pedra do sono”

  1. cassiana Says:

    guapo guapo
    não deixa o tumulto tomar conta desse peito
    esperei
    esperarei de novo
    besos

    Curtir


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