walter benjamin: para uma nova ética da memória

2010, fevereiro 5, sexta-feira

[…] nunca existiu um documento da cultura que não fosse ao mesmo tempo um [documento] da barbárie. W. Benjamin.

me caiu às mãos um compêndio sobre walter benjamin, alguns textos em forma de revista  –  revista educação da editora segmento. gostaria de citar algumas passagens interessantes, mas até agora não encontrei na internet os tais textos  e nem tenho tempo de digitar o que anotei [e ficará para um momento próximo a exposição das passagens].

o título acima é de um texto de Márcio Seligmann-Silva. “A ética da memória implica um duplo ato: por um lado a destruição da falsa ordem das coisas e, por outro, a construção de um novo espaço mnemônico.” – que ainda estou a ler.

Li, entre outros, “Educação a contrapelo” de Sônia Kramer; e “Walter Benjamin e a infância da linguagem” de Solange Jobim e Souza. [E assim que tiver um tempo, coloco aqui algumas passagens interessantes destes dois ou três artigos]

***

Segue abaixo a apresentação do livro “Política, cidade, educação: itinerários de Walter Benjamin” organizado por estas duas escritoras.

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JOBIM E SOUZA, Solange e KRAMER, Sonia. (Orgs.). Política, cidade, educação: itinerários de Walter Benjamin. Rio de Janeiro: Contraponto. Ed. PUC-Rio, 2009.

APRESENTAÇÃO [ Solange Jobim e Souza / Sonia Kramer ]

Tudo o que era guardado a chave permanecia novo por mais tempo… Mas meu propósito não era conservar o novo e sim renovar o velho.
Walter Benjamin

Qual o significado de Walter Benjamin nos nossos itinerários pessoais e intelectuais? Qual o significado de Walter Benjamin para o pensamento contemporâneo? O que tem atraído professores e pesquisadores, dos diversos campos do saber, para o estudo da sua obra? Benjamin constitui para muitos historiadores, filósofos, estudiosos da linguagem, da arte ou da educação, mais do que uma referência bibliográfica para pesquisas, teses, dissertações ou ensaios, uma referência de vida, pelos temas que analisa, pela ética explícita na sua obra. Itinerários sugere caminhos, percursos, andanças em uma dupla acepção, tanto corpórea como imaginária. Deixar o corpo e o pensamento buscarem seus próprios contornos na vida, no cotidiano das trocas sociais e, a partir desta experiência imediata com a realidade, dar forma e conteúdo aos acontecimentos que retratam uma época. Itinerários porque a pesquisa, objeto de nossa tarefa cotidiana na vida acadêmica, é permanente indagação e procura para transformar em matéria uma experiência inefável. Esforço de pensamento que quer fazer justiça à experiência sensível e racional e, para dar conta desta tarefa, precisa transpor os limites da linguagem em cada momento histórico. Re-criar novas formas de texto sempre, desencarcerar a palavra do seu destino de conceito, eis o desafio que se apresenta aos herdeiros do pensamento de Walter Benjamin.

Ao fixar nossa atenção ao tempo transcorrido desde as primeiras publicações em língua portuguesa da obra de Walter Benjamin1 até o ano de 2006, quando tivemos acesso à tradução de Das Passagen-Werk, publicado pela Editora da UFMG, percebemos que, nos últimos vinte anos dos itinerários de Walter Benjamin no Brasil, o legado deixado por este autor entre os leitores brasileiros possui uma expressividade digna de registro e celebração. Foi neste contexto que decidimos concretizar o desejo de realizar o “1o Colóquio Itinerários de Walter Benjamin no Brasil”, nos dias 19 e 20 de abril de 2007, no Auditório Padre Anchieta da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Nossa intenção, ao convidar os professores Willi Bolle e Olgária Matos, responsáveis pela publicação em português do “Trabalho das Passagens”, foi celebrar uma trajetória de estudos e pesquisas na PUC-Rio com as possibilidades que se ampliam com o acesso a esta obra em português. Há exatos vinte anos, nós – Solange Jobim e Sonia Kramer – iniciávamos nossos estudos de Benjamin na PUC-Rio com Leandro Konder e Katia Muricy. Outros convidados, interlocutores de diferentes gerações de pesquisadores, professores e alunos da PUC-Rio, que ali fizeram seu mestrado e doutorado e hoje atuam em diferentes universidades brasileiras, compuseram um mosaico de abordagens temáticas que convergem seus olhares para as questões humanas, sociais, políticas e culturais a partir das lentes teórico-metodológicas oferecidas por Benjamin ao longo de sua instigante produção. Com isto pretendemos desvelar os múltiplos sentidos e as apropriações político-sociais que reverberam dos seus escritos nos dias de hoje para se pensar e agir em um país com as características do Brasil, em diálogo com o mundo globalizado e a ordem econômica e política atuais.
Refletindo sobre as apropriações do pensamento de Benjamin em nosso contexto, não podemos deixar de mencionar algumas marcas que se apresentam fortes para quem estuda a sua trajetória – vida, prisão e morte em Port Bou – e o desdobramento de tais experiências de vida em sua obra. Particularidades relacionadas ao seu modo peculiar de perceber a materialidade do mundo que o cercava se fazem presentes na formulação do seu pensamento. Colecionador de miniaturas, de livros e de brinquedos infantis, era também amante do cinema e da fotografia, estudioso da estética (e defensor de uma politização da estética capaz de fazer frente à estetização da política então engendrada pelo nazismo), pensador crítico da cultura do seu tempo, filósofo marxista (preferia estudar Kant a Hegel), Benjamin, até o fim de sua vida, perseverou em suas atitudes. Por não querer interromper o seu trabalho de pesquisa e escrita da obra hoje intitulada Passagens – uma pesquisa sobre história e modernidade – negou-se a sair da França, colocando-se em risco frente ao avanço da dominação nazista na Europa. Vale destacar que o seu modo de pensar encontrou uma perfeita sintonia com a forma de seus escritos. O caminho teórico-metodológico que delineou – contra a visão desarmada e contra a visão filosófica – fez com que procurasse escrever seus textos em fragmentos que seriam como ruínas em permanente re-construção; uma obra, portanto, que sugere o inacabamento presente na própria vida e, com isto, a possibilidade de podermos interferir nos caminhos da história. Recuperar o universal, compreender a totalização manifesta no singular, este era o seu projeto. A totalidade se revela assim para ele na singularidade, no miúdo, no cotidiano, história ao vivo. Seu propósito, no que diz respeito à sua concepção de história, seria escovar a história a contrapelo, ou seja, se colocar em permanente alerta contra a continuidade e o evolucionismo da história oficial. Para Benjamin (1987a), o cronista é o narrador da história. Seu método vai implicar em uma busca da forma: Benjamin defende que a filosofia seja um comentar a realidade, e deste modo advoga para a filosofia a forma poética, artística capaz de – segundo ele – assegurar que o todo seja visto, compreendido, capturado na ínfima parte. Seu estilo de escrever se torna, portanto, inquietante e instigante, porque rompe com a hegemonia do tratado para aderir aos fragmentos e aos textos na forma dos ensaios.
A obra de Walter Benjamin – durante o século XX e ainda hoje – tem um importante papel na Universidade justamente pelo seu caráter antidogmático, pela sua capacidade de justapor áreas do conhecimento, enfoques e temáticas diversas, dialogando com posições divergentes, sem ter medo do embate ou da dúvida, mas também sem qualquer pretensão de unanimidade. Seu ensinamento pedagógico encontra-se aí: tal como as sementes – nas pirâmides – possuem ainda força germinativa, também na teoria de Benjamin encontramos formas de, ao escovar a realidade na direção contrária à esperada, compreender a contemporaneidade a partir da construção de novos conceitos. Sua proposta é a de levantar sempre perguntas e não deixar que o pensamento se imobilize nas explicações fáceis, e que o espanto frente aos fatos que nos cercam seja arrancado ao conformismo.
Desde a leitura de “Documentos de Cultura, Documentos de Barbárie” (1986) aprendemos a indagar: como fazer educação onde a cultura não seja transmitida como barbárie? Fazer história dos destroços, do lixo, da mixórdia e estabelecer uma relação crítica com a tradição. Como deixar de lembrar disso num século que praticou e assistiu ao holocausto que aniquilou deficientes físicos, ciganos, judeus, homossexuais, comunistas, e que continua perpetrando genocídios na África e na Ásia, que continua praticando e assistindo a guerras de eliminação étnica ou religiosa, fraturando a experiência e a possibilidade da esperança? A concepção de história de Walter Benjamin ensina que o passado poderia ter sido diferente do que foi; o presente pode ser diferente do que é; o futuro pode ser diferente do fatalismo com que se o anuncia. Nesse contexto, o conceito de infância e a compreensão do papel da linguagem surgem como estratégias reflexivas que precisam ser compreendidas como categorias centrais para dar forma e conteúdo ao conceito de história que Benjamin delineia ao longo de sua obra.
Quanto ao papel da linguagem em tornar a história presente, ressignificando-a, Benjamin irá destacar a importância da rememoração, da reminiscência e do papel do historiador. A história é compreendida não como linearidade mecânica, mas no entrecruzamento de presente-passado-futuro; a história é entendida como narrativa. No centro da análise benjaminiana, portanto, não está o sujeito, mas a linguagem, linguagem que é produção humana acontecida na história. Compreende-se, a partir da leitura de sua obra, que o homem se faz fazendo o mundo, e se faz como homem se fazendo na linguagem, processo que só é possível graças à coletividade, ao nós; é no outro que a linguagem se enraíza; compreender a narrativa do outro requer experiência comum compartilhada, pois – como escreve em “O narrador” (1936) – “a narrativa[…] mergulha a coisa na vida do narrador, como a mão do oleiro na argila do vaso” (Benjamin, 1987a, p. 205).
Neste mesmo ensaio ele analisa que o cronista é o narrador da história (p. 209), tecendo interessantes considerações – como também em outros textos sobre memória e história. Sobre o conceito de história, ele dirá: “O cronista que narra os acontecimentos, sem distinguir entre os grandes e os pequenos, leva em conta a verdade de que nada do que um dia aconteceu pode ser considerado perdido para a história” (ibidem, Tese 3, p. 223).
Benjamin está preocupado, portanto, com uma “apreensão do tempo histórico em termos de intensidade e não de cronologia”, devendo ela servir “de base a uma historiografia regida por uma outra temporalidade que a de uma causalidade linear, exterior ao evento” (Gagnebin, 1994, p. 11). Assim, à representação abstrata e vazia do tempo histórico como uma sucessão infinita de pontos interligados por sua ordenação cronológica, Benjamin opõe o reconhecimento de que “a história é objeto de uma construção cujo lugar não é o tempo vazio e homogêneo, mas um tempo saturado de ‘agoras’” (Benjamin, 1987a, Tese 14, p. 229). Assim, a história não obedeceria ao desenvolvimento progressivo e contínuo do tempo, mas se daria a partir da emergência das origens, concebidas por Benjamin como saltos e recortes que quebram o movimento linear e rotineiro, evolucionista, progressivo, da história oficial.
O passado traz consigo um índice misterioso, que o impele à redenção. Pois não somos tocados por um sopro do ar que foi respirado antes? Não existem, nas vozes que escutamos, ecos de vozes que emudeceram? Não têm as mulheres que cortejamos irmãs que elas não chegaram a conhecer? Se assim é, existe um encontro secreto, marcado entre as gerações precedentes e a nossa. Alguém na terra está à nossa espera. Nesse caso, como a cada geração, foi-nos concedida uma frágil força messiânica para a qual o passado dirige um apelo. Esse apelo não pode ser rejeitado impunemente. O materialista histórico sabe disso (ibidem, Tese 2, p. 223). A rememoração do passado em Benjamin serve, assim, à desmistificação do historicismo que vê a história como um continuum, sendo o progresso algo que se relaciona com a capacidade de aperfeiçoamento inerente à humanidade. Romper com essa perspectiva supõe apresentar o passado na ótica dos vencidos. Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo como ele de fato foi. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de perigo… Em cada época é preciso arrancar a tradição ao conformismo, que quer apoderar-se dela… O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer (ibidem, Tese 6, pp. 224-225). Dessa forma, para Benjamin a volta ao passado não é feita para conhecê- lo, mas para, se apropriando dele, colocar o presente numa situação crítica. (Konder, 1988, p. 22). É possível mudar o passado, ressignificando-o na linguagem que o presentifica, e, deste modo, criar o compromisso com o futuro, ou seja, mudar o futuro. No contexto desta reflexão, a infância é analisada como categoria central no conceito benjaminiano de história.
Mas o conceito de memória não é simples nem imediato na teoria de Benjamin. E o próprio conceito de infância é tecido no entrecruzamento de perspectivas diversas: histórica, filosófica, psicológica, política, cultural, antropológica, artística, ética. E como esse entrecruzamento de perspectivas se dá? Na linguagem, condição de humanidade do homem, pois só o ser humano pode ser in-fans (etimologicamente em latim, aquele que não fala). Então, ao contrário dos animais, o homem – como tem uma infância, ou seja, não foi sempre falante – aparece como aquele que precisa, para falar, se constituir como sujeito da linguagem e deve dizer “eu”. Nessa descontinuidade é que se funda a historicidade do ser humano. Se há uma história, se o homem é um ser histórico é só porque existe uma infância do homem, é porque ele deve se apropriar da linguagem. Se assim não fosse, o homem seria natureza e não história. E aqui reside a possibilidade de saber, quer dizer, de vivendo a história e de recontando essa história construir um saber coletivo que extrapola a mera justaposição de informações.
Muitas são as possibilidades de leitura, estudo, debate e apropriação do pensamento de Walter Benjamin e dos conceitos com que opera. Este livro tem o objetivo de materializar os debates do Colóquio, as análises desenvolvidas e os itinerários traçados, a partir do pensamento de Walter Benjamin, na produção acadêmica no Brasil. Os textos aqui apresentados trazem ideias de Benjamin e dão continuidade, através de sua escrita, ao diálogo na grande temporalidade. Assumindo a arbitrariedade de toda organização e considerando o Colóquio que provocou a escrita, estruturamos Política, cidade, educação: Itinerários de Walter Benjamin em três partes: História, Política, Filosofia apresenta os textos: “As Passagens de Walter Benjamin: um ensaio imagético”, de Willi Bolle; “Walter Benjamin: pólis grega, metrópoles modernas”, de Olgária Matos; “Benjamin e o marxismo”, de Leandro Konder e “A alegoria e o inexpressável”, de Katia Muricy.  Literatura, Corpo, Cidade reúne os textos: “Cidade, memória e pesquisa – um percurso com Walter Benjamin”, de Maria Luiza Oswald; “Uma varanda na África: quando o corpo é também continente”, de Marcelo Santana Ferreira e “Manifesto 15 de agosto”, escrito por Gamba Jr. Infância, Linguagem, Educação traz os trabalhos: “Walter Benjamin e a infância da linguagem: uma teoria crítica da cultura e do conhecimento”, de Solange Jobim e Souza; “A arte de caçar borboletas”, de Cláudia Maria de Castro; “Infância e linguagem em Walter Benjamin: reflexões para a educação”, de Patrícia Corsino; “Infância: apontamentos sobre experiência e formação”, de Márcia Cabral; “A hora das crianças: narrativas radiofônicas de Walter Benjamin”, de Rita Marisa Ribes Pereira; “Linguagem da infância ou infância da linguagem: a história no pensamento de Walter Benjamin”, de Pedro Duarte de Andrade e “Educação a contrapelo”, de Sonia Kramer.
Agradecemos aos autores que deixaram aqui registradas suas contribuições, na certeza de que “cada época não somente sonha a seguinte, mas ao sonhá-la força-a a despertar”. Agradecemos aos alunos e funcionários que apoiaram o evento e garantiram a sua realização. Lemos as análises, nos apropriamos das ideias, concordamos ou discordamos, com a clareza de que é papel da vida acadêmica um estado de alerta em relação ao que é produzido, criado, vivido. O próprio Benjamin fala desta função do intelectual quando explicita – no fragmento “Posto de Gasolina”, que abre o livro Rua de Mão Única – o papel da teoria e do conhecimento, algo muito esquecido na vida da universidade: Só uma linguagem de prontidão mostra-se atuante à altura do momento. As opiniões, para o aparelho gigante da vida social, são o que é o óleo para as máquinas; ninguém se posta diante de uma turbina e a irriga com óleo de máquina. Borrifa-se um pouco em rebites e juntas ocultos, que é preciso conhecer (Benjamin, 1987b, p. 11).

1 A primeira edição do livro intitulado Walter Benjamin – Obras Escolhidas, volume 1, foi publicada pela Editora Brasiliense, São Paulo, em 1985.

Referências bibliográficas
BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas I. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1987a.
__________. Obras Escolhidas II. Rua de mão única. São Paulo: Brasiliense, 1987b.
__________. Obras Escolhidas III. Charles Baudelaire: um lírico no auge da modernidade. São Paulo: Brasiliense, 1989.
__________. Origem do drama barroco alemão. São Paulo: Brasiliense, 1984.
__________. Reflexões: a criança, o brinquedo, a educação. São Paulo: Summus, 1984b.
BOLLE, Willi (org.). Documentos de Cultura – documentos de barbárie. São Paulo: Cultrix-Edusp, 1986.
__________. L’homme, le langage et la culture. Paris: Denoël-Gonthier, 1971.
GAGNEBIN, Jeanne Marie. História e narrativa em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva; Campinas: Editora da UNICAMP, 1994.
KONDER, Leandro. Walter Benjamin: o marxismo da melancolia. São Paulo: Campus, 1988.
ROUANET, Sérgio Paulo. Édipo e o anjo: itinerários freudianos em Walter Benjamin. Rio de Janeiro: Tempo Universitário, 1981.

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