Archive for março, 2010

selvagem?

[dom] 28 de março de 2010

1. ALAGADOS / Todo dia o sol da manhã / Vem e lhes desafia / Traz do sonho pro mundo / Quem já não o queria / Palafitas, trapiches, farrapos / Filhos da mesma agonia / E a cidade que tem braços abertos / Num cartão postal / Com os punhos fechados na vida real / Lhe nega oportunidades / Mostra a face dura do mal // Alagados, Trenchtown, Favela da Maré / A esperança não vem do mar / Vem das antenas de TV / A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê / A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê // HERBERT VIANNA /// 2.  TEERÃ / Por quanto tempo ainda vamos ver / Fotografias pela manhã / Imagens de dor / Lições do passado / Recentes demais pra esquecer  / E o futuro o que trará  / Para as crianças em Teerã / Brincar de soldado por entre os escombros / Os corpos deitados não fingem mais / E as marcas de sangue no chão são lembranças difíceis de apagar / Será que ainda existe razão pra viver / Em Teerã // Por quanto tempo ainda vamos ter / Nas noites frias e nas manhãs / Imagens de dor / Em rostos marcados / Pequenos demais pra se defender // E o futuro o que trará / Se essas crianças vão sempre estar / Pedindo trocado pros vidros fechados / Sentando no asfalto sem perceber / Que as marcas de sangue no chão são lembranças difíceis de apagar / Será que ainda existe razão pra viver / Em Teerã /// 3. A NOVIDADE / A novidade veio dar a praia / Na qualidade rara de sereia / Metade o busto de uma deusa maia / Metade um grande rabo de baleia / A novidade era o máximo / Do paradoxo escondido na areia / Alguns a desejar seus beijos de deusa / Outros a desejar seu rabo pra ceia // O mundo tão desigual / Tudo é tão desigual / O, o, o, o… // De um lado esse carnaval / De outro a fome total / O, o, o, o… // E a novidade que seria um sonho / O milagre risonho da sereia / Virava um pesadelo tão medonho / Ali naquela praia, ali na areia / A novidade era a guerra / Entre o feliz poeta e o esfomeado / Estraçalhando uma sereia bonita / Despedaçando o sonho pra cada lado / Ô Mundo tão desigual… / A Novidade era o máximo… / Ô Mundo tão desigual… /// 4. MELÔ DO MARINHEIRO /Entrei de gaiato num navio / Entrei, entrei, entrei pelo cano / Entrei de gaiato / Entrei, entrei, entrei por engano // Aceitei, me engajei, fui conhecer a embarcação / A popa e o convés, a proa e o timão / Tudo bem bonito pra chamar a atenção / Foi quando eu recebi um balde d`água e sabão / “Tá vendo essa sujeira bem debaixo dos seus pés?  / Pois deixa de moleza e vai lavando esse convés!” // Entrei de gaiato num navio / Entrei, entrei, entrei pelo cano / Entrei de gaiato num navio / Entrei, entrei, entrei por engano // Quando eu dei por mim eu já estava em alto-mar / Sem a menor chance nem vontade de voltar / Pensei que era moleza mas foi pura ilusão / Conhecer o mundo inteiro sem gastar nenhum tostão // Liverpool, Baltimore, Bangkok e Japão / E eu aqui descascando batata no porão / Liverpool, Baltimore, Bangkok e Japão / E eu aqui descascando batata! // BI RIBEIRO E JOÃO BARONE /// 5. MARUJO DUB (instrumental) /// 6. SELVAGEM / A polícia apresenta suas armas / Escudos transparentes, cassetetes / Capacetes reluzentes / E a determinação de manter tudo / Em seu lugar  // O governo apresenta suas armas / Discurso reticente, novidade inconsistente / E a liberdade cai por terra / Aos pés de um filme de Godard // A cidade apresenta suas armas / Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos / E o espanto está nos olhos de quem vê / O grande monstro a se criar // Os negros apresentam suas armas / As costas marcadas, as mãos calejadas / E a esperteza que só tem que tá / Cansado de apanhar // BI RIBEIRO, JOÃO BARONE E HERBERT VIANNA /// 7. A DAMA E O VAGABUNDO / Eu fico sentado rindo / Te ouvindo reclamar / Meu bem há coisas mais importantes lá fora / Que os nossos quadros por pregar // Mas a gente combina o que for necessário / ‘Cê lava os pratos / Eu lavo o carro / Ou ao contrário / Tanto faz // Meu nome está no distrito / E o seu está nos jornais / E não me basta o que eu já sei / Eu ainda erro demais // A gente combina o que for mais seguro / ‘Cê fica em casa / Eu pulo o muro / Ou ao contrário / Tanto faz // Mas a gente combina o que for necessário / Eu lavo o carro / ‘Cê lava os pratos / Ou ao contrário / Tanto faz /// 8. THERE’S A PARTY / Phones are ring`s all around / But not here in my house / I can hear what people say / I know they`re goin’ out  // There`s a party  / In the World at night / There`s a party / And they feel so fine / There`s a party / And there`s no one by my side // I don`t think they care ‘bout me / When they`re havin’ fun / I sit and eat and watch TV  / The night has just begun // There`s a party  / In the World at night / There`s a party / And they feel so fine / There`s a party  / And there`s no one by my side / But I don`t mind // A man comes on the silver screen / He seems to know that I have no one else to talk to / To talk to // I don`t think they care ‘bout me / When they`re havin` fun / I sit and eat and watch TV / The night has just begun // There`s a party / In the World at night / There`s a party / And they feel so fine / There`s a party / And there`s no one by my side / I`ve said allright! /// 9. O HOMEM /O homem traz em si a santidade e o pecado / Lutando no seu íntimo / Sem que nenhum dos dois prevaleça // O homem tolo se põe a lutar por um lado / Até perceber / Que golpeia e sente a dor / Ele é o alvo da própria violência // Só então vê / Que às vezes o covarde é o que não mata / Que às vezes é o infiel que não trai / Às vezes benfeitor é quem maltrata / Nenhuma doutrina mais me satisfaz / Nenhuma mais /// 10. VOCÊ / Você / É algo assim / É tudo pra mim / É como eu sonhava, baby // Você / É mais do que sei / É mais que pensei / É mais que eu esperava, baby // Sou feliz  /Agora  / Não, não vá / Embora não // Vou morrer de saudade //. ALBUM SELVAGEM? 1986.

só porque a três dias ouço sem parar… e é bonito e forte.

Eu fico sentado rindo
Te ouvindo reclamar
Meu bem há coisas mais importantes lá fora
Que os nossos quadros por pregar

Mas a gente combina o que for necessário
‘Cê lava os pratos
Eu lavo o carro
Ou ao contrário
Tanto faz

Meu nome está no distrito
E o seu está nos jornais
E não me basta o que eu já sei
Eu ainda erro demais

A gente combina o que for mais seguro
‘Cê fica em casa
Eu pulo o muro
Ou ao contrário
Tanto faz

Mas a gente combina o que for necessário
Eu lavo o carro
‘Cê lava os pratos
Ou ao contrário
Tanto faz

exercícios de amar

[qua] 24 de março de 2010

hoje acordei cedo. milhões de planos… tarefas, encontros, reuniões… aff!

que bom que voltei, esse desejo de viver… de ser gente é muito bom. me faz amar mais as pessoas, me faz amar-me mais. e querer muito lutar por um mundo mais justo e humano. me faz querer ser essa solidariedade, essa gana… esse indignação contra toda estupidez.

hoje choveu o dia todo. sai cedo e voltei só agora, 23h30. pintei cartazes, fiz poesia, abracei esse meu povo, e sonhei realizando… porque Não Iremos Embora!

(tua carta, não passa de hoje. porque sou teu homem viu.)

e alguns fragmentos hoje, pela manhã, quando acompanhava o mar de sambaqui…

EXERCÍCIOS SOBRE AS MANHÃS DE CHUVA

ao passo que é triste
ao passo que é bonito
os barcos
ao mar
sob a chuva
e quedam-se.
ao passo que parto.

EXERCÍCIO SOBRE A POESIA DO MAR

Escrevo muito sobre o mar.
e este ser que parte.
São versos numa misturança de saudade
e desejos do cabo de boa esperança.
e talvez seja quem sabe
simples necessidade de amar
isto que é parte nau,
e parte faroleiro.

a poesia palestina de resistência: o cantar dos que não se rendem

[qui] 18 de março de 2010

Apesar da forte repressão à arte popular — “A democracia israelense não suporta que os palestinos cantem”, disse uma vez o poeta Tawfic Zayyad — a poesia daquele povo árabe não é “marginal”. Como disse o peruano Julio Carmona, “marginal é a poesia que a estética dominante pontifica ou institucionaliza; ao se tomar o povo como pedra de toque (e sempre o povo tem a última palavra em tudo) a única poesia que não se marginaliza é aquela que não se afasta de sua fonte, aquela que vinda do povo, a ele retorna.”

O poema é, de longe, o mais popular gênero da literatura palestina. Isto pode ser em parte atribuído à forte tradição oral da sua cultura. Houve, desde o início, uma vontade de simplicidade na poesia de resistência. Os artifícios de linguagem em favor da estética foram postos de lado. O poeta Mahmud Darwish expressou claramente isso num de seus primeiros versos:

Se os mais humildes não nos compreendem
será melhor jogar fora os poemas
e ficarmos calados.
O poeta diz:
se meus versos são bons para meus amigos
e enfurecem os meus inimigos
então é que sou mesmo poeta
e devo continuar cantando.

Fontes: Poesia Palestina da Resistência , edição OLP/Brasil, 1986 e Beleza Cruel (prólogo de Julio Carmona), edição Lira Popular, Peru, 1982.

Disponível em: <http://liberdadepalestina.blogspot.com/&gt;. Acesso em: 18 mar. 2010.

***

dia 15. hoje a mídia está anunciando o esforço do governo brasileiro em mediar o conflito entre o povo palestino e o governo de Israel. A nova ofensiva sionista é ocupar outra parte do território palestino com 1600 construções e moradias israelenses. Publicamente os EUA não aprovam a ação israelense, mas a medida foi aprovada enquanto o vice-presidente americano visitava Israel.

Lula – o grande conciliador – é o primeiro presidente brasileiro a “mediar” o conflito entre Israel e Palestina. Vejam abaixo a lista da comitiva brasileira que acompanha nosso presidente. Vale destacar a quantidade de mega construtoras brasileiras como Camargo correia, empresas de comunicação, laboratórios químicos e farmacêuticos, FIESC, sindicato da industria de explosivos de São Paulo e empresas “tecnologia em segurança” (Berkana), leia-se espionagem industrial.

DELEGAÇÃO BRASILEIRA QUE ACOMPANHA A VISITA DO PRESIDENTE LULA

Alcantaro Corrêa President of Sistema FIESC Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina
Ali El-Khatib Superintendent Instituto Jerusalém do Brasil
André Clark Juliano Director of Operational Support Camargo Côrrea SA
Anna Flavia Feldman Director Sabra Consultores Associados e Comércio Ltda
Anna Flávia Feldmann Director Sabra Consultores Associados e Comércio Ltda
Antonio Carlos Portugal Director of International Affairs Camargo Côrrea SA
Avi Meizler President Meizler Biopharma SA
Benedito Maciel Director of Engineering Flight Technologies Ltda
Benjamin Steinbruch President Companhia Siderúrgica Nacional
Beno Suchodolski Senior Partner Suchodolski Advogados Associados
Boris Tabacof Vice-President of the Council Suzano Holding SA
Brasil Geraldo Filho Head of the International Studies Centrais Elétricas Brasileiras S/A – Eletrobrás
Breno Abrão Consultant GB Realty Empreendimentos e Participações SA
Carlos A. Cavalcanti Director of Infrastructure Federação das Industrias do Estado de São Paulo
Chulamita D. Tabacof Advisor Suzano Holding SA
Ciro Mortella Director of Institutional Affairs Eurofarma Laboratórios Ltda
Claudio Luiz Lottenberg President Soc.Beneficente Israelita Bras. Albert Einstein
Daniel Feffer Corporate Vice-President Suzano Holding SA
Diomício Vidal Director of FIESC Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina
Djabra Harari Director Edalbras Ind e Com Ltda
Eduardo Artur Rodrigues Silva Director Martel Assessoria e Consultoria Aeronáutica
Elias Knobel VP Soc.Beneficente Israelita Bras. Albert Einstein
Erika Peters Ceremonial Federação das Industrias do Estado de São Paulo
Fabio Rocha Press Office Federação das Industrias do Estado de São Paulo
Fabio Wajngarten Consultant GB Realty Empreendimentos e Participações SA
Fernando de Arruda Botelho Shareholder Camargo Côrrea SA
Fernando Greiber Financial Director Federação das Industrias do Estado de São Paulo
Flavia Skrobot Barbosa Grosso Superintendent Suframa
Flavio Gomes Machado Filho Vice-President Andrade Gutierrez SA
Francisco Angelotto Neto Commercial Director Agorey Trading Coml Imp e Exp Ltda
Gabriel Klabin Manager Partner Santos Lab. Ind e Com Aeroespacial Ltda
Gilberto Buffara Manager Partner Santos Lab. Ind e Com Aeroespacial Ltda
Henry Reich President GB Realty Empreendimentos e Participações SA
Henry Uliano Quaresma Director of Industrial Relations Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina
Ildeu Santos Director Cibras Científica Brasileira Ltda
Ivan Luvisotto Alexandre Associated Suchodolski Advogados Associados
Ivo Rosset President Rosset Group
Ivoncy Brochmann President Iochpe-Maxion SA
Izabel Henriques de Mello Advisor to the Presidency Superintendência da Zona Franca de Manaus
Izak Shinfeld International Manager GB Realty Empreendimentos e Participações SA
Jack Terpins President Congresso Judaico Latino Americano
João Pinto Coral Neto Executive Manager of Energy Camargo Côrrea SA
Jorge Luiz de Souza Fortes Director of International Affairs Construtora OAS Ltda
José Fernandes Matera Dias International Business Manager Condor S.A. Indústria Química
Joseph Safra Banker Banco Safra S/A
Klaus Vilella Larsen New Business Director Cristalia Produtos Químicos Farmacêuticos Ltda
Luiz Ronaldo Cherulli International Relation Director Construtora Queiroz Galvão SA
Luiza Skaf Wife of President of FIESP Federação das Industrias do Estado de São Paulo
Mariano de Beer CEO Telesp – Telecomunicações de São Paulo SA
Mario Campos Partner Vinci Partners
Marlucia Martire Executive Director ALM Brazil International Ltda
Milton Donizete Heineke Executive Director Berkana Tecnologia em Segurança Ltda
Myriam Haber Director and Counselor Soc.Beneficente Israelita Bras. Albert Einstein
Nei Brasil Executive Director Flight Technologies Ltda
Nelson Naim Libbos President Teva Farmacêutica Ltda
Paulo Roberto Feldmann President Sabra Consultores Associados e Comércio Ltda
Paulo Skaf President Federação das Industrias do Estado de São Paulo
Persio Walter Bortolotto Director Eletrosinal Ltda
Regina Aniz Legal Director Agorey Trading Coml Imp e Exp Ltda
Rezkalla Tuma Director Rezk Empreendimentos Imobiliarios Ltda
Ricardo Lerner Security Director Federação das Industrias do Estado de São Paulo
Robert Frans Janssen Director Assoc. Promoção Excelência Software Brasileiro – SOFTEX
Roberto G. Cuschnir International Affairs Federação das Industrias do Estado de São Paulo
Silvio Loddi Advisor Federação das Industrias do Estado de Santa Catarina
Ubirajara D’Ambrosio President Sindicato da Indústria de Explosivos do Estado de São Paulo
Vandelis Teixeira Director Berkana Tecnologia em Segurança Ltda
Walter Cândido dos Santos President WSCOM Comunicações & Artes Ltda
Yaron Littan President Ituran Sistemas de Monitoramento Ltda

a tabela veio do: http://blogdofavre.ig.com.br/2010/03/lula-em-israel/

ilex paraguariensis

[qui] 18 de março de 2010

editando textos possíveis pela manhã. chego todo dia com certo cansaço de um dia cheio de gente e emoção. planejo e executo meio torto, às vezes demoram-se dias… mas tudo tem andado no seu ritmo possível. tenho três minutos para editar isto aqui e enviar… depois é rua, porque vou cuidar de mim.

e isto aqui faz sentido:

“Hoje eu acordei mais cedo / Tomei sozinho o chimarrão / Procurei a noite na memória /  procurei em vão / Hoje eu acordei mais leve / (nem li o jornal) /Tudo deve estar suspenso / nada deve pesar / Já vivi tanta coisa, tenho tantas a viver / Estou no meio da estrada e nenhuma derrota vai me vencer / Hoje eu acordei livre: não devo nada a ninguém / Não há nada que me prenda // Ainda era noite, esperei o dia amanhecer / Como quem aquece a água sem deixar ferver / Hoje eu acordei, agora eu sei viver no escuro / Até que a chama se acenda / Verde quente erva ventre dentro entranhas /Mate amargo noite adentro estrada estranha // Nunca me deram mole, não (melhor assim) / Não sou a fim de pactuar (sai pra lá) / Se pensam que tenho as mãos vazias e frias (melhor assim) / Se pensam que as minhas mãos estão presas (surpresa) // Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza / Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza // Humberto Gessinger / ilex paraguariensis”

pedagogia da praxis

[qua] 17 de março de 2010

(pág. 69-77 – “O educador precisa ser educado” e “Educação como espaço político de luta”).

Pedagogia da praxis de Moacir Gadotti.


não iremos embora

[ter] 16 de março de 2010

Não iremos embora

Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em vossas goelas
Como cacos de vidros
Imperturbáveis
E em vossos olhos
Como uma tempestade de fogo
Aqui
Sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Em lavar os pratos em vossas casas
Em encher os copos dos senhores
Em esfregar os ladrilhos das
cozinhas pretas
para arrancar
A comida de nossos filhos
De vossas presas azuis
Aqui sobre vossos peitos
Persistimos
Como uma muralha
Famintos
Nus

Provocadores
Declamando poemas
Somos os guardiões da sombra
Das laranjeiras e das oliveiras
Semeando as idéias como o
fermento na massa
Nossos nervos são de gelo
Mas nossos corações vomitam fogo
Quando tivermos sede
Espremeremos as pedras
E comeremos terra
Quando estivermos famintos
Mas não iremos embora
E não seremos avarentos com nosso
Sangue
Aqui
temos um passado
E um presente
Aqui
Está nosso futuro.

——

Houve a escolha do nome da chapa, a qual ficou como “Não iremos embora*. A ideia surgiu de uma poesia de Tawfic Zayyad, palestino de Nazaré, que e considerado um pioneiro da poesia de resistência.

depois da festa cubana

[seg] 15 de março de 2010

SUBVERTENDO.

educação para além do capital.

o desafio e o fardo do tempo histórico.

filosofia, ideologia e ciência social.

istván mészáros

e a memória coletiva de maurice halbwachs.

escrevi duas cartas e ainda não lhe enviei. enviarei… me sinto vivo.

eixos da luta unificada

[dom] 14 de março de 2010

Trabalhadores de diferentes segmentos do serviço público participaram da Plenária Nacional dos Servidores Públicos Federais, domingo (14/3), no Auditório do SENAC, em Brasília (DF), organizada pela CNESF para discutir os eixos da luta unificada das diferentes categorias para 2010, além de um calendário de atividades para deflagrar a Campanha Salarial.

Os presentes aprovaram cinco eixos centrais para a luta unificada dos servidores públicos federais: contra o PLP 549/09 (que limita os gastos com os servidores federais por dez anos); contra o PL 298/98 (que trata da avaliação de desempenho do servidor);  contra a regulamentação do direito de greve, contra a PEC 341 (que retira da Constituição Federal todos os direitos sociais) e pela paridade entre ativos e aposentados, com garantia de integralidade de vencimentos para os últimos.

A Plenária apontou o dia 1º de abril como data para realização de atos, protestos e mobilizações nos estados, incluindo aí conversas com parlamentares. Ficou definido também que, entre 12 e 18/4, os servidores públicos federais realizarão um grande ato nacional em Brasília, com a presença de caravanas vindas de todos os Estados.

Fonte: ANDES – SN

futuro da educação?

[qui] 11 de março de 2010
LEITURAS DE VEJA: Críticas a faculdades e sindicatos

Por José Alexandre em 3/11/2009.

Disponível em:<http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=562JDB005>. Acesso em 11 mar. 2010.

A entrevista das páginas amarelas de Veja (edição nº 2136, de 28/10/2009) é com o secretário da Educação do Estado de São Paulo, Paulo Renato de Souza, dono de uma ótica que se coaduna perfeitamente com o ideário ultraliberalizante do semanário. A entrevista possibilitou ao secretário esmiuçar sua política educacional e defenestrar as principais faculdades de Educação e sindicatos.Para o secretário, a Educação não tem como seu maior problema a falta de recursos. Estes são apenas mal gerenciados. O problema verdadeiro é o despreparo dos professores. Ora, estes são despreparados porque nas faculdades de Educação do país não aprendem a ensinar, perdem tempo no aprendizado de marxismo e ideologia ultrapassada. Nada que tenha relação com as atividades que os professores devem desempenhar em sala de aula. Didática é o que as faculdades deveriam ensinar, na visão do secretário, pois o conteúdo está nos livros didáticos distribuídos pelo governo federal através do MEC, poderíamos emendar. Assim, professores não precisam ter nenhuma base intelectual, não precisam construir nenhuma visão do mundo na sua formação, seja com base no materialismo histórico ou qualquer outra corrente de pensamento. O professor só precisa ensinar e para tanto precisa ser estimulado.

Concorrer para avançar

Neste sentido, entra o novo plano de carreira do estado de São Paulo que premia o mérito e o talento dos professores. O viés meritocrático preconizado pelo entrevistado é a solução também para a elevada média de ausência dos professores, 30 faltas para cada no ano de 2008. Se a lógica de premiar a assiduidade funcionar, para que desabarrotar as salas de aula que às vezes comportam até 50 alunos? Ou então para que diminuir a jornada dos professores em sala de aula? Elementos que nem são mencionados pelo secretário e na sua ótica não mereceram atenção. Detalhes que não precisam ser levados em conta para que esta profissão seja tornada mais atraente, a ponto de chamar para si os melhores alunos, e para que isto aconteça é necessário premiar talento e esforço.

Outro elemento que prejudica a Educação, de acordo com a pontificação do secretário, é a ação do sindicato da categoria, que se posicionou contra o referido plano de carreira. Uma instituição que não tem ninguém interessado num ensino melhor, mas pessoas ligadas a uma esquerda ortodoxa que não tem nenhuma relevância no país. Podemos inferir, seguindo este raciocínio, que os professores não precisam desta instituição corporativista que prega pela isonomia dos benefícios da categoria no plano de carreira. Precisam, sim, concorrer com seus colegas, alcançar melhores resultados para, por fim, avançar. Um avanço, aliás, que atingirá apenas 20% do contingente docente. Um percentual razoável e que não estrangulará o orçamento e estimulará a concorrência, burocraticamente falando.

Alguém tem que por a mão no bolso

É com gestão moderna e eficiente que os políticos e tecnocratas da estirpe do senhor Paulo Renato de Souza pretendem atacar os principais problemas do ensino público. É muito mais confortável para uma sociedade que nunca considerou importante a Educação, num sentido amplo, que seus dirigentes enveredem na política educacional por este caminho. Um sistema de ensino capaz de formar pessoas intelectualmente autônomas continua não sendo um motivo forte o bastante para uma mobilização de recursos financeiros. Constatação corroborada pela luta de alguns governadores (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará) em não aplicar a Lei 11738/2008, que estabelece um piso mínimo nacional de R$ 950,00 para professores.

A única coisa em que concordamos com o secretário Paulo Renato é que o magistério como profissão precisa ser tornado mais atraente. Situação que não vai se efetivar apenas com políticas meritocráticas de estímulo à competição entre os docentes. Preferimos nos afiliar às idéias de outro economista, Cristovam Buarque, que de certa feita disse: para haver um ensino de qualidade neste país, alguém vai ter que por a mão no bolso.

granito de arena

[qua] 10 de março de 2010

MUP Convida para reunião com filme e debate: Granito de Arena

O filme “Granito de Arena” (México, 2005) de Jill Freidberg retrata a história da organização e luta dos professores em defesa da escola pública, assim como por melhores condições de vida e preservação da identidade cultural das comunidades indígenas mexicanas, a partir da mobilização dos trabalhadores do ensino, dos estudantes e seus pais contra a destruição da Escola Normal Rural MACTUMACTZA – localizada em Tuxtia Gutierrez, CHIAPAS – MÉXICO.

QUANDO: SÁBADO, DIA 13 MARÇO 2010

HORAS: 14 HORAS

ONDE: AUDITÓRIO DA ARQUITETURA – UFSC

CONTATO: universidadepopular.mup@gmail.com

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