Archive for setembro, 2010

gosto de infância

[ter] 28 de setembro de 2010
bloco de notas da minha infância, randômico – se me permitem o anglicismo. isto tudo é mais ou menos final da década de 1980 e início da década de 1990. o youtube é fantástico. e senti-me, imerso naquela magia dos 7 anos novamente.
Macross TV – Opening by Nekki Basara
Robotech Macross: Invincible SDF-1
快傑ライオン丸 LION MARU OP FULL CHORUS
風雲ライオン丸 LION MARU 2 OP FULL CHORUS
Lion Man – Abertura
星雲仮面マシンマン Seiun Kamen Machine Man – Abertura Brasileira
Goggle Five Abertura Bandeirantes
O Fantástico Jaspion (1985) Em português
Akira Kushida – Jiraya, o Incrível Ninja
電撃戦隊チェンジマン Dengeki Sentai Changeman (Esquadrão Relâmpago Changeman)
Jaspion (1985) Tema final – Ending Theme
Kidou Keiji Jiban – Opening
Muppet Babies
Ursinhos Carinhosos
Caverna do Dragão
DuckTales – Os caçadores de aventuras
As Tartarugas Ninja (a april o’neil era uma gracinha)
Os Smurfs
Zé Colmeia
Pepe Legal
Zé Buscapé
Herculoides
Manda-Chuva
Os Flintstones
Os ursinhos gummy
Os Caça Fantasmas
ThunderCats – Episodio 01
A Formiga atômica – Abertura
Ligeirinho
Jonny Quest
Zé-Buscapé
Os Jetsons
Pole Position

na janela

[ter] 28 de setembro de 2010

vontade de ficar longe. fico na janela.

nantes

[seg] 27 de setembro de 2010

Este poema que colei na parede do quarto, para me lembrar de algo que às vezes esqueço, é o poema do dia. um dia onde o mar a perder-se de vista num horizonte branco sem fim dá o tom. dia leve, de arrumação interna, do quarto e da vida. dia para relaxar e aguardar.

O hábito de estar aqui agora / aos poucos substitui a compulsão / de ser o tempo todo alguém ou algo. // Um belo dia – por algum motivo / é sempre dia claro nesses casos – / você abre a janela, ou abre um pote / de pêssegos em calda, ou mesmo um livro / que nunca há de ser lido até o fim / e então a ideia irrompe, clara e nítida: / É necessário? Não. Será possível? / De modo algum. Ao menos dá prazer? / Será prazer essa exigência cega / a latejar na mente o tempo todo? / Então por quê? / E neste exato instante / você por fim entende, e refestela-se / a valer nessa poltrona, a mais cômoda / da casa, e pensa sem rancor: / Perdi o dia, mas ganhei o mundo. / (Mesmo que seja por um segundo.)// BRITO, Paulo Henriques. As três epifanias. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. p. 72 // …

hombre sin apellido

[sex] 24 de setembro de 2010
Homem!
Homem e amigo!
ainda tem de ser com você!

Hombre sin apellido,
un poco de piedad te pido:
hombre, ay, todavía,
que un tanto más allá está el día

hombre de buen destino,
y hay luces puestas en camino!

lembrei de você, querido camarada!

depoimento/recado de Mariana Oliveira Decarli

a dádiva

[qua] 22 de setembro de 2010

hoje a lua é rosa. e as pessoas são bem quistas. e sinto-me forte o suficiente para sorrir. minha inscrição foi deferida. o projeto de pesquisa volta a andar. pessoas novas surgem em minha vida. sinto-me em paz.

… e segunda-feira senti algo muito estranho, após dois anos senti-me feliz por estar novamente no cfh, e na universidade. com essa vontade de voltar a ser aquele cara que encanta outros e a si mesmo. saudade que eu ‘tava de sentir coragem…

tatoo

[ter] 21 de setembro de 2010

ana, ontem fiz uma tatoo na mão. e conversei pela tarde, com ele. isto, ontem. como foi bom jogar para fora isto tudo. é bom falar.

e não estranhe o horário que acordo e que escrevo, que garanto que é bom acordar nessa hora e ir dormir mais cedo. desafio de hoje é fichar um texto, ir ao laboratório e se der, arrumar os papéis que joguei no chão ontem, aqui. e constato, no meu humor e disposição, que romper certas molduras deixam o quadro mais iluminado e suspenso, e isto anima tudo.

e lá, enquanto ardia minha pele, eu pensava e meus olhos percorriam o ambiente. parei nisto aqui… “O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo. O que for o teu desejo, assim será tua vontade. O que for a tua vontade assim serão teus atos. O que forem teus atos, assim será teu destino.” – Brihadaranyaka Upanishad IV, 4.5

é só…

[seg] 20 de setembro de 2010

ontem cedo, após o texto, desci e das questões que coloquei ao meu pai recebi um silêncio todo seu, destes que não quer falar. ontem, após minha decisão expressa, e um certo alívio, mas também um incomodo, destes que vem quando nos colocamos contra vontades alheias. e, dele, neutro a tudo, após meu pedido de ajuda, ouvi um sábia resposta, toda sua, sobre tratar assuntos dolorosos… “é só não falar sobre isto”.

por que raios somos tão diferentes e tão iguais a isto tudo?!

***

e tudo é um misto de cinza e branco, e ao longe, um ponto flutua no meio do mar, é um barco só. e ao longe, um ponto plana no meio do ar, um pássaro só. e não estão só. no fundo estão todos cruzando caminhos inexistentes ao olho nu. vão todos envoltos por este verde olhar que dança descontrolado tal qual estas árvores ao meu redor sob o crespo vento. é tudo. é frio. é só.

e agora chove

[seg] 20 de setembro de 2010
e agora chove. acordo e ainda é noite. cadê aquela alegria que irrompia o peito e tomava conta de cada músculo da face e no corpo produzia vontade de abraço [e se nunca houve, quando ela existirá?]. agora só sinto cá dentro um nó, um aperto. te olho de longe circulando entre os teus e não me sinto teu, sou estranho e arredio. não sinto desejo de dar-te meu coração, infante izabel. e isto é triste. sinto-me triste.
uma hora após escrever o texto, sem nenhuma palavra a mais, e apenas a chuva parou, envio-me…

pai?

[dom] 19 de setembro de 2010

ontem às vinte horas e poucos minutos # estou me levando a sério demais, e isto é perigoso. [nota mental: é necessário rir um pouco disto tudo, e beber mais. sair mais. realizar mais. isto tudo do jeito que ‘tá meio compulsão meio vazio meio imediato não é interessante e prazeroso].

hoje, entre cinco e seis horas da manhã # e como troquei de endereço, já que no outro às vezes sentia-me meio embaraçado em escrever certas coisas [porque certas coisas para serem públicas precisam de anonimato, ou é essa neurose judaico-cristã encralacada nesta cuca cá]. essa semana, suspenso sobre o fio, fiz coisas boas e bonitas que tanto precisava, e outras coisas não tão boas e bonitas fiz também porque às vezes sou apenas raiva e dor. e tem um bicho danado aqui me pegando nestes dias que é saber exatamente o que me é possível… na terapia ela diz que eu posso escolher, e aqui me pergunto… o que escolher? hoje é aniversário de maria izabel, e para mim é um como um teste [estou tentando construir isso ou outra coisa, mas é o que posso no momento. um teste], onde poderei medir social e psicologicamente qual de fato é o meu papel ou qual papel me torna mais feliz. dividir e/ou compartilhar a paternidade com outro pai de um mesmo filho é um troço complicado, ainda mais quando ‘cê não teve oportunidade de conhecer o bichinho antes [e andei sondando diversos pais novos que tiveram o privilégio de desejar e construir a paternidade] e ele lhe chega com um peso ruim, um ataque, uma violação… [foi assim que ele chegou para mim nos seus dois anos e pouco – não por ele em si, mas pelos outros que não tomaram ciência de mim e fizeram questão de limpar o meu terreno com uma bomba de hidrogênio, para plantar ali o bichinho]. não me sentia o pai, e muitas vezes não me sinto o pai. para mim ela tinha um pai, e era aquele cara que a amou desde o primeiro instante em que ela ainda gerava-se dentro de uma bolsa, e a desejou, e a recebeu e cuidou… pai para mim não é quem faz e sim quem cuida, e como eu poderia ser pai de alguém que eu não havia cuidado e tão pouco desejado. e para ser mais fundo, sua concepção para mim era uma auto-violação, eu me violentava quando ela era concebida sem saber, eu e ela. isso aqui está e vai ser meio catártico. nisto tudo, uma pressão social externa e certos valores internos me fizeram aceitar, não aceitando, e pecha do outro pai que morava na casa da vó e que ela vinha visitar às vezes. na verdade neste momento o que mais me questiono até onde esse movimento que tenho feito é fruto de um sincero desejo, de uma imposição familiar e de outros elementos sociais. tem dois movimentos, um é: tanto fez e tanto faz a busca pelo registro legal e que o contato com ela já é o suficiente, e assim vamos nos conhecendo, e a ela e ela a mim, e vamos saber se desejamos ser pai e filha. e outro é que preciso encerrar esse movimento da busca pelo registro legal para afirmar certas coisas… “eu tentei” perante a família, a um futuro julgamento dela, e de outros. mas me pego pelo rabo, sentindo ciúme e um monte de outros sentimentos não tão bons com toda essa situação de ser um pai, não querendo ser pai. o que sei que isto não se impõe, se constrói. o fato de olhar para ela a poucos meses (menos de 4 meses) com olhos de aceitação e de inquietação – no sentido de buscar saber que é aquele ser e como ela esta se formando – não me faz um pai [e me faz], mas há toda uma carga social agora, ela morando aqui perto, convivendo diariamente com ela… saber que ela ama esse outro pai, que é de fato o pai e sempre fora o pai, e sente falta… diria não só dele, mas de uma figura paterna, ou mais… de uma estrutura familiar, que minha familia pode oferecer… ah… minha vontade é chegar para ele hoje e perguntar se ele quer ser o pai dela e falar tudo isto para ele. que se ele quer ser o pai dela, que seja, que visite, que esteja presente, que de mais carinho e atenção, que cuide dela, e que eu ajudarei do jeito que for, e não quero tomar este papel dele. e acho que tomei uma decisão agora… pensar nisto e no que me deixa mais leve e em paz comigo mesmo é isso… é ter coragem e dizer aos meus pais e irmão e outros que eu quero o papel de tio e não de pai. será que vou publicar isto?

agora, no horário deste post # vou descer agora e tentar algum tipo de conversar ou jogo de sinais com meu pai – o homem mudo. quem sabe no seu silêncio filosofal eu encontre paz para o meu caminho [e esse texto vai assim, sem revisão e aos pedaços para registrar todo o meu silêncio e angústia de dias] fim.

je ne sais pas si c’était en même temps ou avant la mort des…

[sex] 17 de setembro de 2010

acordei ontem as 18 e pouco – fiz isto a semana toda. é, tem algo incomodando e ‘tá difícil realizar as coisas básicas da vida. mas às vezes parece que preciso mergulhar fundo no vazio, ou na dor, para voltar a sentir um gostinho de vida. mas não sei… o que será que faz este ser amputar o que há de melhor para continuar alimentando esse corpo azedo e triste. numa besta autofagia.

escrevo mais uma carta. e não li texto nenhum para a aula de daqui a pouco. e encontrei no meio das anotações um monte de rabiscos, e isto aqui que logo escreverei da época que era bolsista do museu. penso ser um pedaço da tese do aldo, sobre os guarani. e que achei bonito e anotei para um dia usar. não usei. uso agora. je ne sais pas si c’était en même temps ou avant la mort des…  l’éclipse de la lune qui existe ajourd’hui, c’est parce que… […] desce diante do semblante […] e ali conversam. Entrementes, seu ornamento labial faísca continuamente. […]

***

e voltando para agora, os barcos, com seus motores a hélice saem a pescar na noite negra. ora são pontos de luz noutras ruídos no mar. logo amanhecerá. e alguém aí me acena, me escreva, me diga que assim não pode ser. e tudo começa a ficar azul – o céu, o mar logo ali, meu rosto no vidro-espelho da janela, e é tão azul que surge orquestrado por um bando de pássaros aqui no meio deste mato, e alguns galos lá longe, na civilização. ciao. tomar banho e ir para aula [estou matriculado em três disciplinas, futsal segunda e quarta pela tarde. teoria antropológica 2 nas quartas à noite. e sociologia da educação sexta cedo. estas duas últimas sãos as que impediram minha formatura já neste primeiro semestre que passou… e confesso que ‘tá dificil ir para qualquer aula. vontade de mandar tudo p’ro espaço, mas e daí? o que há no lugar?!]

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