pai?

2010, setembro 19, domingo

ontem às vinte horas e poucos minutos # estou me levando a sério demais, e isto é perigoso. [nota mental: é necessário rir um pouco disto tudo, e beber mais. sair mais. realizar mais. isto tudo do jeito que ‘tá meio compulsão meio vazio meio imediato não é interessante e prazeroso].

hoje, entre cinco e seis horas da manhã # e como troquei de endereço, já que no outro às vezes sentia-me meio embaraçado em escrever certas coisas [porque certas coisas para serem públicas precisam de anonimato, ou é essa neurose judaico-cristã encralacada nesta cuca cá]. essa semana, suspenso sobre o fio, fiz coisas boas e bonitas que tanto precisava, e outras coisas não tão boas e bonitas. fiz também porque às vezes sou apenas raiva e dor. e tem um bicho danado aqui me pegando nestes dias que é saber exatamente o que me é possível… na terapia ela diz que eu posso escolher, e aqui me pergunto… o que escolher? hoje é aniversário de maria izabel, e para mim é um como um teste [estou tentando construir isso ou outra coisa, mas é o que posso no momento. um teste], onde poderei medir social e psicologicamente qual de fato é o meu papel ou qual papel me torna mais feliz. dividir e/ou compartilhar a paternidade com outro pai de um mesmo filho é um troço complicado, ainda mais quando ‘cê não teve oportunidade de conhecer o bichinho antes [e andei sondando diversos pais novos que tiveram o privilégio de desejar e construir a paternidade] e ele lhe chega com um peso ruim, um ataque, uma violação… [foi assim que ele chegou para mim nos seus dois anos e pouco – não por ele em si, mas pelos outros que não tomaram ciência de mim e fizeram questão de limpar o meu terreno com uma bomba de hidrogênio, para plantar ali o bichinho]. não me sentia o pai, e muitas vezes não me sinto o pai. para mim ela tinha um pai, e era aquele cara que a amou desde o primeiro instante em que ela ainda gerava-se dentro de uma bolsa, e a desejou, e a recebeu e cuidou… pai para mim não é quem faz e sim quem cuida, e como eu poderia ser pai de alguém que eu não havia cuidado e tão pouco gestado.

o fato de olhar para ela a poucos meses (menos de 4 meses) com olhos de aceitação e de inquietação – no sentido de buscar saber que é aquele ser e como ela esta se formando – não me faz um pai [e me faz – que contradição], mas há toda uma carga social agora, ela morando aqui perto, convivendo diariamente com ela… saber que ela ama esse outro pai, que é de fato o pai e sempre fora o pai, e sente falta… diria não só dele, mas de uma figura paterna, ou mais… de uma estrutura familiar, que minha familia pode oferecer… ah… minha vontade é chegar para ele hoje e perguntar se ele quer ser o pai dela e falar tudo isto para ele. que se ele quer ser o pai dela, que seja, que visite, que esteja presente, que de mais carinho e atenção, que cuide dela, e que eu ajudarei do jeito que for, e não quero tomar este papel dele. e acho que tomei uma decisão agora… pensar nisto e no que me deixa mais leve e em paz comigo mesmo é isso… é ter coragem e dizer aos meus pais e irmão e outros que eu quero o papel. será que vou publicar isto?

agora, no horário deste post # vou descer agora e tentar algum tipo de conversar ou jogo de sinais com meu pai – o homem mudo. quem sabe no seu silêncio filosofal eu encontre paz para o meu caminho [e esse texto vai assim, sem revisão e aos pedaços para registrar todo o meu silêncio e angústia de dias] fim.

paifilho

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