Archive for outubro, 2010

sitting, waiting, wishing

[qui] 28 de outubro de 2010

sitting, waiting, wishing... no sofá, aguardando a hora. terapia.

e tenho me sentindo tanto um homem de quase vinte e nove.

Não vou me deixar embrutecer, eu acredito nos meus ideais. Podem até maltratar meu coração, que meu espírito ninguém vai conseguir quebrar! Renato Russo.

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz

Hoje já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer
O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver um dia de cada vez

Só por hoje eu não vou me machucar
Só por hoje eu não quero me esquecer
Que há algumas pouco vinte quatro horas
Quase joguei a minha vida inteira fora

Não não não não
Viver é uma dádiva fatal!
No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas –
Vamos com calma !

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu não vou me destruir
Posso até ficar triste se eu quiser
É só por hoje, ao menos isso eu aprendi

Yeah!

Jack Johnson – Times Like These

 

oxóssi

[qua] 27 de outubro de 2010

Amanhecendo.

Domingo foi um dia importante para mim. O fato de estar confiante, mesmo não tendo me preparado, diante da prova que viria, e confirmar na segunda, meu sucesso no desafio [e como isto é gostoso]. Claro que isto não garante que eu tenha um emprego garantido na minha área de formação, mas isto ainda não me preocupa – não agora, tenho um milhão de coisas para resolver antes disto. Mas só o fato de estar avançando nesta jornada de descobertas e superação dos meus limites [dos aparentes e imaginários aos concretos e inconscientes] e descobrimento do me dá prazer, por si só me anima. Sei que estou afastado da ação política direta, dos espaços coletivos de reflexão, mas preciso, e sei que vivo neste momento um processo de recolhimento e cultivo das relações pessoais mais próximas. Busco, entre os meus, uma identificação que nem sempre foi clara, ou aceita. É, enfim, a necessária aceitação de que pertenço aos meus, com todas as minhas idiossincrasias, e que tudo que me foi dado viver e conhecer, pode e será importante como contribuição, como dádiva, ao que me foi dado até este momento. Apesar de ter perdido completamente a noção do tempo nesta segunda e terça, e ter faltado ao psiquiatra, sinto-me, como disse na última quinta-feira, com algo por dizer. sinto-me válido. sinto-me. Há tantas coisas que preciso resolver e viver ainda, mas isto não me castra, e muito pelo contrário, me alimenta a encarar o cotidiano, o meu dia-a-dia. Construir a minha própria casa com as mãos tem me ajudado. ter aceito este presente, esta dádiva, tem me ajudado. saber que sou querido e respeitado tem ajudado. buscar os desafios e gozar os êxitos tem ajudado. Sei que não evita que eu me comporte como uma criança triste e carente em certos momentos, mas tem alimentado o homem belo e imperfeito que sou. Nesta semana ouvindo umas canções, recordei-me de camila, aquela canção do nenhum de nós, que quando eu tinhas meus poucos anos aguardava quando teria os dezessete, e poderia cantar alto. e o tempo voou. bom, não foi bem assim. há muita vida vivida. muitos amores. muitas dores. e todo um processo de construção e descobrimento. e é aqui, no descobrimento do brasil, na canção vinte e nove, que queria chegar. e o pouco que tenho não é pouco. é muito. é tudo o que consegui conquistar. e se muitas vezes não sei amar, já que amar é deixar alguém te amar, como disse o herbert. outras sei. e tenho pensando muito em como tudo é bonito e imperfeito. sinto saudades. e amo – assim, do meu modo, meio distante. E já não peço tantas desculpas babe.

“O principal trabalho de um permacultor é sistematizar a água e alimentar o solo”. [e talvez aqui esteja minha medicina e minha religião. e a janela aberta para uma nova caminhada…]

 

e relendo tudo isto… há certas coisas que precisamos dizer e ouvir. ouço.

la tregua

[ter] 26 de outubro de 2010

na margem esquerda a trégua…

[texto ficcional-fragmento feminino]
porque o amor é isto. um pão. tu vinhas de um casamento. irias embora. não eras dali. eu tinha hora marcada. queria futuro. e assim como chegastes, levantei, e desci da lotação. não sei seu nome. apenas alguns fragmentos, e delirios sobre o mundo. está ali. linha por linha dizendo o que a cabeça não consegue pensar. o entrecruzar de sentimentos. de pernas e olhos. fugimos então de novos reencontros pois o peito arde. eu mulher, e ela entrou. pedia informação e tentava orientar-se. era toda desorientação, suas mãos, seus olhos, sua mala, seu corpo. sabia eu o gosto das lágrimas dela. eramos dois velhos amigos, ou ex-futuros amantes. pensei em como te encaixarias no meu quadril, como enroscarias nas minhas pernas grossas, e como sorverias-me. qual gosto teriam teus lábios. mas eu gozava em todas suas entradas, eu dava o que podia dar. meu prazer de despedida. e saia de mim um jato de despedida, amargo, cruel. pagou o tiquete e rolou a catraca. com grande dificuldade pelo seu excesso de bagagem. o cobrador quis ajudar, e esbocei um gesto que interrompeu-se no ar, já que não foi preciso. mas ela notou-me. não que eu fizera isto buscando sua atenção, foi apenas um gesto involuntário, um daqueles tiques culturais de cortesia. gosto de ler o que escrevi há um certo tempo. tudo isto me diz o quanto já não sou mais o mesmo ao passo que sou o mesmo. e desde a ultima vez que passeis horas beijando no portão até amanhecer não devorava ninguém. e tua pele negra colada à minha, dava-me o ar, que gostaria de encontrar mais vezes, de domínio e sedução. o mesmo tolo. o mesmo garoto buscando o desconhecido. naquela noite meu peito ardia e eu não a queria, e ela ali, me pedia um pouco mais de alguém que eu já não era. acompanhei-na até sua casa, transamos como um rito de despedida. havia uma certa paz em nosso diálogo, e um tumulto em nossos corpos. ela entendia-me, não aceitava, mas queria-me mais. te recordas quando ficamos horas sobre o cais, ao balanço do mar e nossos olhos refletiam-se enquanto o mundo evaporava. o mar refletia as estrelas de uma noite sem lua. e ela não sossegou e sentou-se ao meu lado. tinha um livro na mão. logo, de canto de olho, identiquei que era algo sobre a educação. educação e arte. eu devora adorno. ouvi sua voz buscar-me. eu aguçava seu desejo. “não aguentaria viajar mais sem perguntar-te, como podes ler assim?”. fomos bons amigos, trocamos impressões. eu estava bebado. bem alto, eu lembro, ou melhor. lembro pouco. brincavamos, provocativamente, nos tocando, apalpando-nos. e tu, tão branca estavas de vestido preto. senti teu lábios lançados sobre os meus e quando pisquei os olhos, três horas depois, estava no teu quarto deliciosamente nu sobre tua cama sendo devorado por ti. como é dificil gostar de você, tão silênciosa. como é dificil não gostar de você. sempre tive um olhar limitado quando se trata de coisas reais, e contraditoriamente, um olhar vasto nas coisas da imaginação. solitário. te entregavas aos meus olhos. traias alguém – como outras trairam outros enroscadas em mim. eu te traia em cada estocada. eu me reconhecia, aprendiz, e te amava mais.

laranjas

[dom] 24 de outubro de 2010

manhã de sol e laranjas.

e prova [vou lá. aguarde-me.]

a contra-chave

[sex] 22 de outubro de 2010

engraçado como as vezes eu digo um monte de coisa para não dizer porra nenhuma [neste movimento de registrar o sentido aqui em mim, e anotar somente o código nesta página]. até mais.

arquivo-morto

[qui] 21 de outubro de 2010

e lá pelas dez e trinta e quatro, da manhã de quinta-feira, ninguém me encontrava. estava eu no arquivo morto, com outros papéis.

ou acorde!

[qui] 21 de outubro de 2010

porque gosto duma tragédia. a bateria se esvai. eu quase explodo. insisto nessa de 12/30. a lua cheia e tudo claro lá fora às três da manhã. as cãs estão soltas. estou cansado. estou mentindo. e eu nem deveria escrever isto. e abaixo o vômito de quarta-feira.

[das viagens, sozinhas e acompanhadas] […] hoje sentindo seu cabelo roçar minha coxa deixou meu pau mais duro ainda […] é, calor infernal. […] subir é descer, é ir ao sub… as profundezas de hades. […] me ignoras? ‘tô nem ai pra ti. passo sem te morder, enquanto guardas este canto de olho assim quase saindo… fui. […] é, tu ai e eu aqui, duas portas. estava eu tão perto que meu cheiro envolveu tuas narinas. […] espirrei direto. talvez seja aquele vento úmido durante a tarde toda direto na tua cara. é, pode ser. e como é barulhento tudo. mas a moça de branco falava e nós dois só a viamos no movimento dos lábios. é. não ouvi nada. só olhei. […] chega, cansei. boa aula. […] e você nem está lendo a revista. […] é, meu chapa. grave os trejeitos e as falas com fita magnética… e pode enrolar tudo depois que o rolo todo mundo vê. […] eu não entendi nada. nem eu. […] sirene apitou aqui. ora de voltar à aula. […] e as anotações feitas? esqueci. então suspende porra! [ontem, pela tarde.]

leituras (se eu fosse eu)

[ter] 19 de outubro de 2010

estou vivo e devoro páginas. é o que digo…

e nos momentos de ficção:

6:36. leituras.

7:40. ele disse assim… ele estava fazendo assim. é isto que estou fazendo. querendo um pouco de você. será que está cedo? não é. ó! sabia? ele conversava. tocava com o sorriso – aquele que há dentro do olhar de certos sujeitos que penetra e pede, exige, descontrola o outro ser. e o sol sai. sustenta a manhã. bebemos então. usamos luvas e comemos mamões. ser só sem controle.

8:20. mulher. como lhe quero. agora. me engoles assim que mergulho mais para ai… nesse nosso limite de nós mesmos.

6:54. observações.

7:17 será que os que acordam cedo / flutuam no tecido sonoro / dos pássaros da manhã? / ou embriagam-se no ruído / deste vai e vem de autos // que não respeitam o raiar. // e é preciso desligar o piloto automático / mergulhar em todos os cantos possíveis / estes impossíveis / pulsar alucinadamente em todo o passo / sentir o tom de cada pássaro // e ouve ó… ô poema ó / ele há de estar por cá e aí / ouve, é ruído / ouve, é canto / ouve, ele é você.

7:25 e o sol tem poder? / tem de cura / tem de crescimento / tem poder de fogo / e o sal? / este é salgado / sem ele não há mar / sem eles não há como amar / não há / poder.

8:43 ai que vontade de dançar aqui no meio desta rua.

10:25 escrevo. [consegues ver a pontuação?!]

e em algum dia assim, exausto… oro:

«Meu Deus, me dê coragem… // Meu Deus, me dê a coragem / de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, / todos vazios da tua presença / Me dê a coragem de considerar esse vazio / como uma plenitude // Faça com que eu seja a tua amante humilde / entrelaçada a ti em êxtase / Faça com que eu possa falar / com este vazio tremendo / e receber como resposta / o amor materno que nutre e embala / Faça com que eu tenha a coragem de te amar, / sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo / Faça com que a solidão não me destrua / Faça com que minha solidão / me sirva de companhia // Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar / Faça com que eu saiba ficar com o nada / e mesmo assim me sentir como se estivesse / plena de tudo / Receba em teus braços o meu pecado de pensar» // Clarice Lispector

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a vida interior

[seg] 18 de outubro de 2010

hoje amanheci com uma certeza. e dormi até mais tarde para curar esse cansaço. e comi bananas, queijos, laranjas, leite, granola, vagem, alface, mandioca, alho e cebola. bebi pouca água e uns litros de café. passei pela tarde ouvindo ‘like a rolling stone’ e levantei tijolo por tijolo e tábuas. ajudei, com mãos e braços e pernas, um pouco, na construção da minha futura casa enquanto esvaia-me no rubro poente. e adiava, adio, o encontro com o trabalho. um monte de atividades acadêmicas avizinhando-se… dois meses de aula e eu numa espécie de ausência. ando sem vontade nenhuma de ir para a universidade e a unica coisa que me anima é o fato de faltar tão pouco para concluir a licenciatura. é, são só dois seminários, nos próximos quinze dias, três fichamentos nos próximos trinta dias e um artigo até o final de novembro. e há o projeto de pesquisa… sinto que voltarei em breve, ao projeto e as necessidades acadêmicas. mas honestamente queria tirar férias da universidade por um tempo, um dúzia de livros bacanas queria ler, beber mais vinho, passear mais e acompanhar-me bem. e dedicar-me atividades outras, sem a pressão disto tudo. e domingo próximo tem prova para act e estou um pouco ansioso – pois representa a possibilidade de um novo começo. e no mais… curto “glenn gould: a vida interior“. e isto me leva a isto: 

não: não digas nada / supor o que dirá / tua boca velada / é ouvi-lo já // é ouvi-lo melhor / do que o dirias / o que és não vem à flor / das frases e dos dias // és melhor do que tu / não digas nada, sê / graça no corpo nu / que invisível se vê / não: não digas nada // não: não digas nada / fernando pessoa.

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e sinto realmente que tenho alguma coisa importante a dizer.

posso ler nos aeroplanos

[dom] 17 de outubro de 2010

e em minha cabeça há mil pessoas e estão gritando enquanto carrego esse olhar – ora perdido, ora encantado – silencioso. e ao passo que não sei ao certo o que escrever aqui – contraditoriamente, sinto como se o tempo voasse, e ao mesmo tempo não passasse. sinto que preciso de tanto e ao mesmo tempo de tão pouco. esse ano aconteceram tantas coisas, profundas. tanta terapia, tantas descobertas e quantos reencontros, algumas despedidas. e guardo-os, todos, com carinho. e assim vou, cubro a casa minha e aguardo a hora de colori-la.

e porque pensei em caetano…

Caetano Veloso – Mimar Você

Caetano Veloso – Você não me ensinou a te esquecer

e ouço essa aqui,

Regina Spektor – Folding Chair (Album Version)

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