terra

[sex] 8 de outubro de 2010

terra¹.

vamos lá. tomei uma porção de decisões. e me sinto forte e desperto. fiz um plano de navegação, ou simplesmente uns planos. e estou cá diante do mar [dos sentimentos] amanhecendo para este sol que chegará. a casa chegou. e joguei o projeto complicado e distante fora. e vai ser tudo simples e bacana. bonito é ver o contentamento do pai. e algo me diz que, ou sinto que, preciso organizar o povo aqui antes de partir, e se der tudo certo começo o ano que vem aberto, profissional e poético. o plano é mais ou menos algo assim como tirá-los, e dessa forma, arrancar-me, desse movimento familiar de “prá que mexer na dor. se podemos passar a vida nos lamentando nessa nossa escuridão“. para mim sempre foi, e ainda é em certa medida, difícil de lidar com essa incapacidade de abraçar e dizer que ama que ambos tem [pai e mãe], manifestando apenas ressentimento e dor. penso que isto influenciou e ainda influência muito meu comportamente social e meu aprendizado emocional. esse isolamento, esse silêncio [que diz tantas coisas], essa dificuldade de estabelecer [abrir-se] ao contato, ao diálogo, ao que é sentido pelo peito e permitir-se… essa sensação, quase sempre presente, de dualidade e de não-pertencimento ao meio é cruel. enfim. desde que me conheço por gente sempre manifestei que não importava o dinheiro, o conforto etc. e sim o carinho, a aceitação – eu necessitava era disto. e hoje entendo esse caminho que ambos fizeram, de enfiar a cara no trabalho, era muito mais pelas limitações que ambos detinham em manifestar seus sentimentos, dores, frustrações e contentamentos, do que qualquer outra coisa. e engraçado, hoje percebo que isto, o carinho e a auto-aceitação, é o que mais preciso, mas que carrego a dificuldade que ambos manifestaram de demonstrar amor, admiração, carinho, respeito etc. mas chega de falar nisto [tenho que estudar e é hora de parar de escrever aqui um pouco]… vou fazer meu caminho e ele será luminoso como um poema da manhã, vou rir de mim meu bem. e quem sabe me permita amar-te, como te amei hoje, e ontem, e antes de ontem… o amor não é algo pronto e dado, é um movimento de permitir-se mergulhar na terra, no mar. no mundo.

Maestro Frank Fernandez – “La Comparsa” Ernesto Lecuona

nota de rodapé: 1. Terra, de Caetano Veloso – 

«De onde nem tempo, nem espaço / Que a força mãe dê coragem / Prá gente te dar carinho / Durante toda a viagem / Que realizas do nada / Através do qual carregas / O nome da tua carne… / Terra! Terra! / Por mais distante / O errante navegante / Quem jamais te esqueceria?»

 

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