leituras (se eu fosse eu)

[ter] 19 de outubro de 2010

estou vivo e devoro páginas. é o que digo…

e nos momentos de ficção:

6:36. leituras.

7:40. ele disse assim… ele estava fazendo assim. é isto que estou fazendo. querendo um pouco de você. será que está cedo? não é. ó! sabia? ele conversava. tocava com o sorriso – aquele que há dentro do olhar de certos sujeitos que penetra e pede, exige, descontrola o outro ser. e o sol sai. sustenta a manhã. bebemos então. usamos luvas e comemos mamões. ser só sem controle.

8:20. mulher. como lhe quero. agora. me engoles assim que mergulho mais para ai… nesse nosso limite de nós mesmos.

6:54. observações.

7:17 será que os que acordam cedo / flutuam no tecido sonoro / dos pássaros da manhã? / ou embriagam-se no ruído / deste vai e vem de autos // que não respeitam o raiar. // e é preciso desligar o piloto automático / mergulhar em todos os cantos possíveis / estes impossíveis / pulsar alucinadamente em todo o passo / sentir o tom de cada pássaro // e ouve ó… ô poema ó / ele há de estar por cá e aí / ouve, é ruído / ouve, é canto / ouve, ele é você.

7:25 e o sol tem poder? / tem de cura / tem de crescimento / tem poder de fogo / e o sal? / este é salgado / sem ele não há mar / sem eles não há como amar / não há / poder.

8:43 ai que vontade de dançar aqui no meio desta rua.

10:25 escrevo. [consegues ver a pontuação?!]

e em algum dia assim, exausto… oro:

«Meu Deus, me dê coragem… // Meu Deus, me dê a coragem / de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, / todos vazios da tua presença / Me dê a coragem de considerar esse vazio / como uma plenitude // Faça com que eu seja a tua amante humilde / entrelaçada a ti em êxtase / Faça com que eu possa falar / com este vazio tremendo / e receber como resposta / o amor materno que nutre e embala / Faça com que eu tenha a coragem de te amar, / sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo / Faça com que a solidão não me destrua / Faça com que minha solidão / me sirva de companhia // Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar / Faça com que eu saiba ficar com o nada / e mesmo assim me sentir como se estivesse / plena de tudo / Receba em teus braços o meu pecado de pensar» // Clarice Lispector

.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: