Archive for novembro, 2010

talkin’ cure

[seg] 29 de novembro de 2010

«o inconsciente estruturado como uma linguagem…»

«tirar da pessoa a irresponsabilidade do que ela está dizendo. não há nada além da palavra… ‘o desabonamento do inconsciente’.»a pessoa é o seu sintoma. pessoa se dar conta de sua existência como sintoma indecifrável. ou seja, eu não sei o que é, mas terei que lidar com isto. devo inventar algo sobre isto, e me responsabilizar sobre o que inventei. mais ou menos lacan, na segunda clínica.

da aula de hoje.
***
abri minha casa. como é estranho isto. permitir um olhar outro que não este. mas que olhar, e olhar-outro, é (são) este(s)?

[sáb] 27 de novembro de 2010

A maior riqueza do homem é sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre as portas, que puxa as válvulas, que olha o relógio, que compra o pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta o lápis, que vê a uva etc etc.

Perdoai. Mas eu penso ser Outros.
Eu penso renovar o Homem usando borboletas.

Manoel de Barros

um mergulho

[qui] 25 de novembro de 2010

de ontem. lembrei disto hoje, pela tarde. e é mais ou menos assim: “o discípulo e o mestre caminhavam juntos. defronte ao rio, o discípulo pergunta ao mestre zen: qual a profundidade deste rio, mestre? e este… zap, tchibumm. empurra o discípulo”.

e de hoje. para refletir. ‘o outro não é um perigo’.

«acho que você não percebeu que o meu sorriso era sincero, sou tão cínico às vezes o tempo todo estou tentando me defender…» Esperando por mim, Legiao Urbana.

notas:

40 Koans

YU (METÁFORA)

_5ee7b430fbbc398e87e533b684850eb3c510fa96

o amor mais que discreto

[qua] 24 de novembro de 2010

teoria antropológica. passei. 7,5. [agora só falta sociologia da educação e ‘tô formado].
que prazer. que feito. que satisfação.

e caetano é bom demais. passei a tarde ouvindo. enquanto lava a roupa, iniciava a composteira, lava a calçada, plantava a mangueira, organizava a casa, enquanto sentia-me em paz.

leãozinho

[qua] 24 de novembro de 2010

e o que fica ecoando aqui é… como podemos ceder tanto. declinar da fantasia, da imaginação, em detrimento ao estabelecido, ao ordenado, ao dado, ao posto, ao imposto, ao status quo, ao stablishment, a essa racionalidade instrumental tão irracional, idiota e estúpida. como podemos ser tão bárbaros. em que momento abandonamos, ou somos forçosamente impelidos a, deixar de amar e mudar as coisas para competir com, e dilacerar o outro, e a, nós mesmos.
sou tão estúpido às vezes. e cometo ainda atos bárbaros, mas distante de meses atrás onde havia culpa desmensurada, hoje há uma moderada e sensível compreensão destes limites morais e éticos, que carregamos, seres humanos, e necessitamos superar. ou se busca atingir um capacidade ética humana, ou continuamos feito coisas nos agredindo e violentando cotidianamente. não quero isto de embrutecer, quero minha fantasia de volta. quero minha capacidade de sonhar.

olho para as meninas, e para os adultos daqui de casa – sem falar no telejornal, ou na rua, ou nos bares, ou mesmo nos bancos das faculdades – e isto do jeito que ‘té me incomoda muito. e tento fazer diferente.

fiz uma história mágica, com um imã, para luiza. e dancei, leãozinho, com izabel. talvez, realmente, aí haja esperança. ver que apesar de toda nossa estupidez humana, em geral, e esses bichinhos, contém, em certa medida, ainda, uma pequena dose, do antídoto, para este mudo caduco. não conseguimos ainda a plena barbarização destes bichinhos.

Gosto muito de te ver, leãozinho / Caminhando sob o sol / Gosto muito de você, leãozinho / Para desentristecer, leãozinho / O meu coração tão só / Basta eu encontrar você no caminho / Um filhote de leão raio da manhã; / Arrastando o meu olhar como um ímã… / O meu coração é o sol, pai de toda cor; / Quando ele lhe doura a pele ao léu… / Gosto de te ver ao sol, leãozinho / De te ver entrar no mar / Tua pele, tua luz, tua juba / Gosto de ficar ao sol, leãozinho / De molhar minha juba / De estar perto de você e entrar no mar / Caetano Veloso

e izabel, será, no dia em que souberes ler, para que leíamos juntos, aquela história em quadrinhos que te mostrei hoje, lerás também isto aqui, e saberás, não só através dos gestos, que te quero.

boom boom… light my fire

[ter] 23 de novembro de 2010

o método: são raros os momentos em que não tenho comigo um papel e uma caneta, ou lápis. não porque eu sempre escreva, mas porque as vezes é de uma necessidade urgente, desesperadora, que me leva a inventar, os sentimentos, as sensações, as idéias, vivenciadas naquele instante em outras palavras, signos, sons. preciso compor, e não tomar nota, é ouvir e deixar a música virar nuvem, poeira, relâmpago… [isto tem qualquer coisa de uma dificuldade de desprender-se. necessito guardar. colher essas flores que estão por ai, entre um suspiro, um aceno, um piscar de olhos, e uma tarde de chuva – e é tudo inesperado]. e este espaço cá, o blog, serve, terapêutica e intelectualmente, para elaborá-los, desenha-los, ou apenas registrá-los tal como surgiram no instante qualquer.

a trilha sonora: the doors, rolling stones e mais blues.

o estalo inicial: john lee hooker.

a dor: na costela.

o torrent: olhos azuis, de jane elliot.

um dia: p’rá chuva. e entre uma página e outra da leitura. uma banho de chuva e uma enxurrada de memórias… hoje lembrei bastante. percorri-me, reconhecendo cada momento que vivi, as angústias, os medos, os prazeres, as vitórias, os saltos e os mergulhos. e senti saudade de tanta gente. e fica assim, como é bom olhar para trás e saber que a gente ama como pode, em cada momento, e como é bom amar e ser amado, independentemente das suas limitações passageiras ou duradouras. e toda essa nostalgia, porque não sei se é só saudade – saudade é diferente – é talvez porque eu saiba, já, que é hora de avançar e começar coisas novas. ou melhor, o momento é novo e olhar quer caledoscopicamente um mundo [interior e exterior] mais colorido. afinal não sou tão cinza quanto me pinto. sou sim da cor do sol

as pequenas necessidades: um cabo de mais ou menos trinta metros, um botijão de gás e um som mais potente. e ah, a grana p’ra pagar isto.

a percepção: após organizar os livros, e os poucos móveis da sala, e perceber que faltam tantas pequenas coisinhas, como uma vassoura, ou um sabonete no banheiro, ou o detergente ou o tempero ou… percebo que estou diante de algo palpável, e materialmente maior e experiencialmente mais desafiante… pela primeira vez na minha vida não sou apenas responsável por um quarto*. tenho o privilégio de ser inteiro. e fica aquele gostinho bom de ir aos poucos imprimindo meus sonhos pelas janelas, pelas paredes, no chão, porta à fora, na terra, ao meu redor, no mundo inteiro. [* e digo um quarto porque mesmo quando morei fora de sambaqui dividia a casa ou a quitenete].

os sonhos bestas: até os trinta encontra-me num lar. até os quarenta tornar-me um doutor. até os cinquenta, aprender a ser um educador. até os sessenta, viver de arte. depois… ser a arte.

o convite: me tira daqui, me leva pra passear, me embebede, me consuma, me devore, me arda, me coma e me vomite… vai, me deixa ver as cores diferentes disso aqui porque só existem, elas, quando você olha cá dentro e arranca essa cápsula protetora, essa casca, que levo pra lá e pra cá, escondendo assim o meu corpo bonito e meu potencial de gozar. vamos rir um bocado um dia desses? vamos ficar nús na rua? vamos falar das coisas mais profundas e bregas? vamos sentir vergonha de sentir vergonha? vamos levar um blues? vem pra minha casa.

a frase: «essa vida é uma viagem, pena eu estar só de passagem». paulo leminski

a idéia: eu queria ser mais interessante do que sou.


despedida

[sáb] 20 de novembro de 2010

o quarto está vazio. é a última vez que observo este mar defronte, assim, se quisesse, deitado na cama. mas já não há cama. o quarto está vazio. restaram apenas uma caneca com café frio abandonada, este ponto de conexão com a internet, alguns cartazes dos momentos de luta colados da parede azul, e um guarda-roupa velho, que é uma obra de arte [e síntese destes últimos dez anos]. e no fim esta casa já não é a minha casa. e eu já não sou o garoto de dez anos atrás que planejava até os trinta ter sua casa.

hoje é noite de lua cheia. é noite de casa nova.

#399

[qui] 18 de novembro de 2010

que lua. que sol. que tarde, que dia. deslizei gostosamente por este maravilhoso dia. só não foi perfeito porque faltou a companhia. e desfilei um sorriso contínuo e incontido pela tarde – peguei a lista de documentos que faltam para colação de grau; falta tão pouco.

e comecei a mudança de casa – agora só falta o botijão do gás, o sofá, a geladeira, a cama, a estante, o armário, as roupas e os livros. e se tudo der certo, sexta-feira, durmo na casa nova.

e por alguns momentos nem acredito… tanta coisa se acertando, eu entendendo tantas outras – principalmente os sentimentos e as estruturas de comportamento [não só no plano político-histórico-sócio-antropológico, mas sobretudo no plano psíquico; e não só dos outros, mas os meus e as minhas]. e assim, neste momento, parte de mim está muito feliz. outra parte te aguarda – porque quero mais.

vez e voz

[qui] 18 de novembro de 2010

Ontem, tantos momentos voltaram à minha mente. É esse agito de uma eleição para o DCE, e as conversas com compas. Momentos, pessoas… Tantas coisas que senti, que compartilhei, que aprendi. O tanto que cresci quando fui capaz de me entregar e mergulhar nesta compreensão de que não é apenas o conflito [tão em voga hoje], mas sim a contradição [germinando a síntese, a utopia, a revolução!] que sustenta nossa existência.

Senti saudades dos amigos, e do movimento. Mas no momento, admito, não tenho aquele animo essencial de juntar o povo, de fazer acontecer, de criar conexões, de mergulhar profundamente na luta. vontade sim de ficar só, e avançar com as pequenas coisas – e isto, neste momento, é uma grande luta, e de uma imensa profundidade. As poucos vou abrindo essa couraça e vazando – como os raios de sol entre as nuvens – amor.

E hoje, enquanto me distraia chupando uma laranja longe da tela, ganhei um oi.

primo movimento, allegro con brio

[qua] 17 de novembro de 2010

DA OBSESSÃO RACIONAL SOBRE UM TEMA

***

A Língua tem som / e sentido… Gosto / e gasto o sal / na sua língua // A mesma, e distinta, língua. / A tua língua que te faz humana // E antes da língua / Seríamos música? / Seríamos, sem tradução, / expressão pré-verbal, / de nós, animais sem coda.

DESTE TRABALHO DE [IN]VENTAR-SE

***
“reconheçamos que o estudo dos mitos nos conduz a constatações contraditórias. Tudo pode acontecer dentro de um mito; dir-se-ia que a sucessão dos acontecimentos não está subordinada a nenhuma regra lógica ou de continuidade. Entretanto, esses mitos, arbitrários na aparência, se reproduzem com os mesmos caracteres, e frequentemente com os mesmos detalhes, nas diversas regiões do globo. Daí o problema: se o contéudo do mito é inteiramente contigente, como explicar que, de uma extremidade à outra da Terra, os mitos se assemelhem de tal forma? […]” Antropologia Estrutural. Claude Lévi-Strauss.

DE L-S
***

“A antropologia como um lastro para reflexão sobre as variações culturais e a invariância.”

“Não se enganem, a antropologia é pretensiosa. Ela pretende falar do humano.”

“Campo é improviso. É trabalhar loucamente, é tocar loucamente [como o faz um jazzista].

DAS AULAS DE TEORIA ANTROPOLÓGICA

%d blogueiros gostam disto: