boom boom… light my fire

[ter] 23 de novembro de 2010

o método: são raros os momentos em que não tenho comigo um papel e uma caneta, ou lápis. não porque eu sempre escreva, mas porque as vezes é de uma necessidade urgente, desesperadora, que me leva a inventar, os sentimentos, as sensações, as idéias, vivenciadas naquele instante em outras palavras, signos, sons. preciso compor, e não tomar nota, é ouvir e deixar a música virar nuvem, poeira, relâmpago… [isto tem qualquer coisa de uma dificuldade de desprender-se. necessito guardar. colher essas flores que estão por ai, entre um suspiro, um aceno, um piscar de olhos, e uma tarde de chuva – e é tudo inesperado]. e este espaço cá, o blog, serve, terapêutica e intelectualmente, para elaborá-los, desenha-los, ou apenas registrá-los tal como surgiram no instante qualquer.

a trilha sonora: the doors, rolling stones e mais blues.

o estalo inicial: john lee hooker.

a dor: na costela.

o torrent: olhos azuis, de jane elliot.

um dia: p’rá chuva. e entre uma página e outra da leitura. uma banho de chuva e uma enxurrada de memórias… hoje lembrei bastante. percorri-me, reconhecendo cada momento que vivi, as angústias, os medos, os prazeres, as vitórias, os saltos e os mergulhos. e senti saudade de tanta gente. e fica assim, como é bom olhar para trás e saber que a gente ama como pode, em cada momento, e como é bom amar e ser amado, independentemente das suas limitações passageiras ou duradouras. e toda essa nostalgia, porque não sei se é só saudade – saudade é diferente – é talvez porque eu saiba, já, que é hora de avançar e começar coisas novas. ou melhor, o momento é novo e olhar quer caledoscopicamente um mundo [interior e exterior] mais colorido. afinal não sou tão cinza quanto me pinto. sou sim da cor do sol

as pequenas necessidades: um cabo de mais ou menos trinta metros, um botijão de gás e um som mais potente. e ah, a grana p’ra pagar isto.

a percepção: após organizar os livros, e os poucos móveis da sala, e perceber que faltam tantas pequenas coisinhas, como uma vassoura, ou um sabonete no banheiro, ou o detergente ou o tempero ou… percebo que estou diante de algo palpável, e materialmente maior e experiencialmente mais desafiante… pela primeira vez na minha vida não sou apenas responsável por um quarto*. tenho o privilégio de ser inteiro. e fica aquele gostinho bom de ir aos poucos imprimindo meus sonhos pelas janelas, pelas paredes, no chão, porta à fora, na terra, ao meu redor, no mundo inteiro. [* e digo um quarto porque mesmo quando morei fora de sambaqui dividia a casa ou a quitenete].

os sonhos bestas: até os trinta encontra-me num lar. até os quarenta tornar-me um doutor. até os cinquenta, aprender a ser um educador. até os sessenta, viver de arte. depois… ser a arte.

o convite: me tira daqui, me leva pra passear, me embebede, me consuma, me devore, me arda, me coma e me vomite… vai, me deixa ver as cores diferentes disso aqui porque só existem, elas, quando você olha cá dentro e arranca essa cápsula protetora, essa casca, que levo pra lá e pra cá, escondendo assim o meu corpo bonito e meu potencial de gozar. vamos rir um bocado um dia desses? vamos ficar nús na rua? vamos falar das coisas mais profundas e bregas? vamos sentir vergonha de sentir vergonha? vamos levar um blues? vem pra minha casa.

a frase: «essa vida é uma viagem, pena eu estar só de passagem». paulo leminski

a idéia: eu queria ser mais interessante do que sou.


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