Archive for março, 2011

catar-se

[qua] 30 de março de 2011

clareza. no quê? foco? prioridades? ir para aula? que aula? que textos? desleixo. como vc vai dar aula assim? tem horários. dias bons e dias ruins. blah. arruma ali. escreve lá. um mate. lê o jornal. e aqueles mais de cinqüenta não lidos? numa caixa. uma dia leva embora. outro mate. nem pense em queimar. talvez um por dia para a biblioteca. e a terra para composteira? e a roupa de molho. cuidado, olha a hora. pequenas pulsões… um caos sentimental. falta amor. sexo só não dá. viaja então. mas viajo já. e ‘tava tudo tão claro, tão certo, tudo no seu lugar só esperando para acontecer. e não acontece nada e tudo ao mesmo tempo pois a vida é mais ou menos como guimarães rosa disse:

«esquenta e esfria, aperta e ».

obsessões. não ceder tão facilmente ao desejo. esse desejo de dor e de morte – ah! lupicínio. exercitar-se no exercício de se dar a si mesmo e ao outro, seja este outro algum tempo ou alguém. quem? eu, tu, eles… nós. nós de todos nós. uma árvore ia dizer hoje cedo que era eu metaforicamente. e a cbn repete a notícia o dia inteiro. e durmo e acordo e fico com alguns trechos reverberando… tanta lágrima tanta lágrima e sou vaso vazio… e outros.

e cinco horas atrás… Atahualpa Yupanqui cantando e explicando a história de ‘Duerme negrito’ http://t.co/lZ3cask

tema para un tapiz

[seg] 28 de março de 2011

mas antes de ir voltei e deixo um abstrato presente [aleatório na escolha].

o texto é de julio. em seu livro histórias de cronópios e de famas. página 88 da editora punto de lectura.

“El general tiéne solo ochenta hombres, y el enemigo, cinco mil. En el su tienda el general blasfema y llora. Entoces escribe un proclama inspirada, que palomas mensajeras derraman sobre el campamento enemigo. Doiscientos infantes se passan al general. Sigue una escaramuza, que el general gana fácilmente, y dos regimentos se pasan a su bando. Tres días después el enemigo tiene sólo ochenta hombres y el general cinco mil. Entoces el general escribe otro proclama, y setenta y nueve hombres se pasan a su bando. Sólo queda un enemigo, rodeado por el ejército del general, que espera en silencio. Transcurre la noche y el enemigo no se ha pasado a su bando. El general blasfema y llora en su tienda. Al alba el enemigo desenvaina lentamente la espada y avanza havia la tienda del general. Entra y lo mira. Él ejército del general se desbanda. Sale el sol.”

porque gosto das letras femininas que me inspiram para além do meu mundo imediato. e de cortázar porque é genial.

 

o ácido café-tánico

[seg] 28 de março de 2011

“Não se move uma montanha / Por um pálido pedido / De alguém que não se ama / Todo ouro está contigo  / Para isso há muita chama / No coração do bandido // Mais uma vez o dia chega  / Em minha vida  / Como uma chama na selva  / O sol na cama da relva  / A tua boca e a lua / A minha boca e a tua  / Vão deixando pela rua  / Palavras e silêncios / Que jamais se encontrarão” /// PALAVRAS E SILÊNCIOS // Composição: Zeca Baleiro e Fausto Nilo.

***

Hoy yo no respeto nada!

Publicidad televisiva de la marca de Yerba Mate Canarias de Uruguay

“Está el que respeta la montañita y está el que no respeta nada”.

“Está la yerba que lo llena, la água que lo incha e el termo que lo espera. Está la que lo sopla y el que conversa. y el que lo mete los cambios. está lo que no recibi se no oír su ruido… Está el que respeta la montañita y está el que no respeta nada. está lo que desmonta y lo que la en silla. Está lo que nunca sape para donde vá la vuelta. están todos que andam en la vuelta. Canarias, el mate de mi país.” Publicidad televisiva de la marca de Yerba Mate Canarias de Uruguay [a transcrição foi feita por moi. corrijam-me, os que souberem castelhano, dos possíveis equívocos da tradução.]

La Ilex paraguariensis puede ser apreciada bajo el aspecto químico bromatológico, o como materia prima de varios subproductos. Como se sabe, los indígenas la utilizaban por conocer sus virtudes, como aumentar la resistencia a la fatiga y reducir la sed o el hambre.
Las investigaciones químicas relativas a la yerba mate se iniciaron en 1836, constatando la presencia de diversas sustancias resinosas, materia colorante amarilla, ácido tánico, etc. La identificación del principal alcaloide, la cafeína, ocurrió en 1843. En 1848 fue descubierto el ácido del mate – o ácido café-tánico, anteriormente conocido de las semillas del café.

En 1944, fueron identificados como constituyentes de la yerba mate los siguientes compuestos: agua, celulosa, gomas, dextrina, mucílago, glucosa, pentosa, sustancias grasas, resina aromática (formada por una mezcla de oleína, palmitina, lauro-estearina y un aceite cuyas características se aproximan mucho a la de la cumarina), legúmina, albúmina, cafeína, teofilina, cafearina, cafamarina, ácido matetánico, ácido fólico, ácido caféico, ácido virídico, clorofila, colesterina y aceite esencial. En las cenizas se encontraron grandes cantidades de potasio, litio, ácidos (fosfórico, sulfhídrico, carbónico, clorhídrico y cítrico), además de magnesio, manganeso, hierro, aluminio, y trazas de arsénico.

***

resumo:

tomo mate hoje. ouço zeca e fagner. descanso o corpo. penso que é hora de por as teias das aranhas para fora, lavar um pouco da roupa e estudar para não deixar tudo acumular demais – pois tendo passado já duas semanas do semestre letivo eu ainda estou em ritmo de férias. passei a última semana mais ou menos com a garganta levemente inflamada e envolvido com isto aqui –  www.bikenv.org – e com isto aqui – coletivo arterizar.

algumas palavras que passaram pela mente nesta última semana: ‘cirurgia ortognatica’, ‘cabo polonio’ ‘som e mudez’ ‘palavras e silêncios’ ‘de paso’. ‘ir embora’

alguns gestos que passaram pelo meu corpo nesta última semana: um banho de mar noturno, algumas horas de contemplação, algumas curtas pedaladas, uns momentos de criação . e eu me permitindo.

e a nota final neste meio-dia é… ler as mulheres me permite entender que há uma complexidade que minha poesia não atinge e que ao lê-las acesso um pouco deste encanto e tão pouco importa se entendo… importa que sinto o encantamento.

agora vou mudar tudo por aqui. ‘té.

 

 

 

todos os pássaros

[ter] 22 de março de 2011

Rouxinol tomou conta / Do meu viver / Chegou quando procurei / Razão pra poder seguir / Quando a música ia / E quase eu fiquei / Quando a vida chorava / Mais que eu gritei / Pássaro / Deu a volta ao mundo / E brincava / Rouxinol me ensinou / Que é só não temer / Cantou / Se hospedou em mim // Todos os pássaros / Anjos dentro de nós / Uma harmonia trazida / Dos rouxinóis /// O ROUXINOL /// Composição: Milton Nascimento

e câmera dispara…

[seg] 21 de março de 2011

“deixa eu engolir minha pretensão…”

6:30 café feito [e louça lavada].

7:32 ônibus perdido [e uma espera pelo sol na garoa].

7:52 uma carona, quando eu nem esperava [de nóe e isabel].

8:35 atrasado para a aula [que nem começou ainda].

antropologia visual – imagem e conhecimento.

unidade 1. bloco 1. primeiros contatos.

a etnografia ‘como descrição do universo do outro’.

imagem e conhecimento como uma relação antiga. e com a modernidade e o desenvolvimento tecnológico esta relação ganha especificidades na contemporaneidade.  [ver também ‘a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica’]

imagens pré-antropológicas

a câmera escura [antiguidade grega] – a fotografia [sec. xiv, renascentismo] – o cinema [idade moderna]

as ‘dudas’ barrocas (1600-1750)

“a lição de anatomia” de rembrandt

“as meninas” de velasquez

‘no ínicio [e até os anos 1950] a antropologia é muito antropomófica’ onde a ‘forma revelaria o caráter’ e principalmente o anormal.

e a imagem [fotografia com sua capacidade de copiar o real] é uma mecanismo de classificação dos tipos [grosso modo] [e dentro de um prisma evolucionista e de expansão colonial] cabendo numa antropometria [classificação dos tipos, antropologia fisica] ou nos retratos étnicos. [remeter as expedições pluridisciplinares francesas e outras. ex: Missão Dakar-Djibouti etc.{complementar}]

antropologia fisica [criminal] -> instituições da ordem [norma social] [séc. xx]

qual é a relação inicial entre conhecimento e imagem?

quais significados constrói esta relação?

que está em tensão entre ambas?

[rever marcel mauss { técnicas corporais}]

[instituição total -> onde o tempo e espaço são regulados. o exterior é neutralizado/negado. ex: prisão etc.]

Irmãos Lumière: primeiros filmes (1895)

L’Arrivée d’un Train à La Ciotat

[irmãos lumière não inventam a reprodução {} da imagem, apenas adaptam-na e inventam o cinema quando diferente de edson {reprodução individual} reproduzem coletivizadamente.

12:06 “Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Carlos Drummond de Andrade

yo estoy aquí de paso…

[dom] 20 de março de 2011

das onze às dezoito, o dia foi… arrastando-se. e depois… depois como é bom sentir um corpo quente feminino ao seu lado e o sangue pulsar. a vida assim é tesão puro. e… cá, voltando para casa descubro que a aranha mudou-se, que paulo foi ao cinema e que só me restou uns goles de claudionor – que cachaça boa – e uns sonidos de drexler… tres mil millones de latidos / la trama y el desenlace / las transeúntes / la nieve en la bola de nieve / mundo abisal / toque de queda / una canción me trajo hasta aquí / aquiles, por su talón es aquiles / i don’t worry about a thing / noctiluca / todos a sus puestos / telón

e repleto de prazer vou dormir agora. a louça – e tudo mais – fica para amanhã…

cotidiano

[dom] 20 de março de 2011

lavo louça, lavo roupa, cruzo o labirinto das palavras destes últimos anos, ouço seu jorge, tomo um café… e há uma aranha teimosa tecendo teia entre o note, o som e os livros.

Todo dia ela faz tudo sempre igual: / Me sacode às seis horas da manhã, / Me sorri um sorriso pontual / E me beija com a boca de hortelã. // Todo dia ela diz que é pr’eu me cuidar / E essas coisas que diz toda mulher. / Diz que está me esperando pr’o jantar / E me beija com a boca de café. // Todo dia eu só penso em poder parar; / Meio-dia eu só penso em dizer não, / Depois penso na vida pra levar / E me calo com a boca de feijão. // Seis da tarde, como era de se esperar, / Ela pega e me espera no portão / Diz que está muito louca pra beijar / E me beija com a boca de paixão. / Toda noite ela diz pr’eu não me afastar; // Meia-noite ela jura eterno amor / E me aperta pr’eu quase sufocar / E me morde com a boca de pavor. // Todo dia ela faz tudo sempre igual: / Me sacode às seis horas da manhã, / Me sorri um sorriso pontual / E me beija com a boca de hortelã. // Todo dia ela diz que é pr’eu me cuidar / E essas coisas que diz toda mulher. / Diz que está me esperando pr’o jantar / E me beija com a boca de café. // Todo dia eu só penso em poder parar; / Meio-dia eu só penso em dizer não, / Depois penso na vida pra levar / E me calo com a boca de feijão. // Seis da tarde, como era de se esperar, / Ela pega e me espera no portão / Diz que está muito louca pra beijar / E me beija com a boca de paixão. // Toda noite ela diz pr’eu não me afastar; / Meia-noite ela jura eterno amor / E me aperta pr’eu quase sufocar / E me morde com a boca de pavor. // Todo dia ela faz tudo sempre igual: / Me sacode às seis horas da manhã, / Me sorri um sorriso pontual / E me beija com a boca de hortelã. /// COTIDIANO /// Composição: Chico Buarque

 

todos a sus puestos

[sáb] 19 de março de 2011

uma noite com jorgeclaudionor e paulo. é bom filosofar, contar histórias e curtir boa música. é bom não morar sozinho.

e a lua vai cheia e linda.

vai ser…

[sex] 18 de março de 2011
cedo, e o corpo pede descanso. tarde, o corpo pede rua.
Ilex Paraguariensis
Chão de Estrelas

traumas

[qui] 17 de março de 2011

13:43

– a couraça é tão espessa.

– como amar e sentir raiva é possível?!

– como é tão fácil fazer o outro sentir-se um nada ou um pedaço da dor e da raiva.

– como é complicado [e quase sempre improvável pela própria ausência de referências] olhar-se: e saber que há dor e ela é possível.

14:07

– nunca quis apenas isto… quero mais – algo que talvez nunca possam me dar.

– uma sensação de respeito e querer-bem.

– e o que mais perturba é que nem pode-se dialogar sobre.

– há que se calar ou ir à briga.

– mas porque brigar se isto só faz sofrer mais?

– mas porque calar se isto não é mudar o buraco que há?

14:56

– uma âncora. para zarpar. três meses e meio.

– ao menos isto é um horizonte [desconhecido] mas…

 

 

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