Archive for abril, 2011

natty narwhal

[sex] 29 de abril de 2011

Jorge Drexler – I Don’t Worry About A Thing e Ubuntu 11.04 Natty Narwhal.

e um dia despretensioso.

westminster e o colchão

[sex] 29 de abril de 2011

para não me esquecer do teu gosto, registro que enquanto o casal real entrava na abadia de westminster… eu acordava, colado ao teu corpo, ambos gozados, no colchão surrado e estirado sobre o chão.

dropar

[qui] 28 de abril de 2011

«não tenho a força que tens e se me vejo infeliz quase sempre exijo um talvez…» e um abraço curou tudo. como é diferente esse tempo que faz um gritar, agredir e constranger, e o outro, apesar do mesmo sofrimento que recebe, ainda ter tempo para um abraço e para dizer «calma, tudo passa. tudo tem jeito nessa vida porque a vida é assim».

e a porrada de segunda me deixou tonto e com a moral baixa e eu fiquei por algumas horas sem saber onde era o chão e o que fazer – se tentava revidar ou se aceitava. Depois de algumas horas consegui levantar e pegar a estrada na terça e quando volto – após um pedal cheio de adrenalina, belas fotografias e com prazer –  levo outra porrada bem no ego.

na terça fui à lona e só percebi que perdi e o que perdi na quarta, depois deste abraço.

perdi o que ficou ali no tempo… perdi o que podia ter feito e não fiz. perdi meu tempo e o tempo de outros. perdi porque não sabia e não podia fazer diferente… mas o que virá não é perdido [todavia entendo que perder é da própria da condição do existente – tudo muda o tempo todo como um onda no mar já diz o zen]… ou para ser mais preciso… o que virá já [ou ainda] não foi perdido… o que virá está em aberto e neste devir que devo me concentrar… evitar o drama e esperar, mas não numa espera sem entrega… mas devo mergulhar nessa espera do momento certo de dropar a onda.

essa espera de hoje é parte do mergulho de amanhã, da remada de mais tarde, do prazer de estar sobre a onda e do sufoco de sequências de «vacas» na cabeça. ânimo, que os dias são longos e a vida vale a pena e o mergulho profundo.

uma linha que separa o mundo

[qua] 27 de abril de 2011

E deu erro aqui: o quer era certo há poucos dias virou e não há nada certo e aquele vazio por não ter nada para por no lugar. mas isto logo passa e planos e projetos virão. sentir-se uma bosta é tão mais comum e mais cotidiano do que eu queria admitir, mas até aí há um aprendizado. nada se perdeu, apenas a página virou e é preciso começar a ler esse novo capítulo. Agora vou trabalhar. ‘té.

Tienen miedo del amor y no saber amar / Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz / Tienen miedo de pedir y miedo de callar / Miedo que da miedo del miedo que da // Tienen miedo de subir y miedo de bajar / Tienen miedo de la noche y miedo del azul / Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar / Miedo que da miedo del miedo que da // El miedo es una sombra que el temor no esquiva / El miedo es una trampa que atrapó al amor / El miedo es la palanca que apagó la vida / El miedo es una grieta que agrandó el dolor // Tenho medo de gente e de solidão / Tenho medo da vida e medo de morrer / Tenho medo de ficar e medo de escapulir / Medo que dá medo do medo que dá // Tenho medo de acender e medo de apagar / Tenho medo de esperar e medo de partir / Tenho medo de correr e medo de cair / Medo que dá medo do medo que dá // O medo é uma linha que separa o mundo / O medo é uma casa aonde ninguém vai / O medo é como um laço que se aperta em nós / O medo é uma força que não me deixa andar // Tienen miedo de reir y miedo de llorar / Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser / Tienen miedo de decir y miedo de escuchar / Miedo que da miedo del miedo que da // Tenho medo de parar e medo de avançar / Tenho medo de amarrar e medo de quebrar / Tenho medo de exigir e medo de deixar / Medo que dá medo do medo que dá // O medo é uma sombra que o temor não desvia / O medo é uma armadilha que pegou o amor / O medo é uma chave, que apagou a vida / O medo é uma brecha que fez crescer a dor // El miedo es una raya que separa el mundo / El miedo es una casa donde nadie va / El miedo es como un lazo que se apierta en nudo / El miedo es una fuerza que me impide andar // Medo de olhar no fundo / Medo de dobrar a esquina  / Medo de ficar no escuro / De passar em branco, de cruzar a linha / Medo de se achar sozinho / De perder a rédea, a pose e o prumo / Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo // Medo estampado na cara ou escondido no porão / O medo circulando nas veias / Ou em rota de colisão / O medo é do Deus ou do demo / É ordem ou é confusão / O medo é medonho, o medo domina / O medo é a medida da indecisão // Medo de fechar a cara / Medo de encarar / Medo de calar a boca / Medo de escutar / Medo de passar a perna / Medo de cair / Medo de fazer de conta / Medo de dormir / Medo de se arrepender / Medo de deixar por fazer / Medo de se amargurar pelo que não se fez / Medo de perder a vez // Medo de fugir da raia na hora H / Medo de morrer na praia depois de beber o mar / Medo… que dá medo do medo que dá / Medo… que dá medo do medo que dá /// MIEDO / Pedro Guerra / Lenine/ Robney Assis

fissão-fusão-fissão

[ter] 26 de abril de 2011

«fiquei triste hoje… queria tanto apertar o reset e ir dormir tranquilo» «é? mas acho que tinha que ter mais botões» «quais?» «é, não precisa… um format c: em mim já bastava» «para mim bastava o reset para o dia de hoje» «eu utilizaria mais vezes. ‘tou tão sem energia. moral baixa e espiritualmente triste» «eu vou dormir. boa noite!» «noite! que tudo fique mais claro logo mais…»

descrição do vídeo: explosão da tsar bomba (em russo: Царь-бомба)

uma outra estação

[seg] 25 de abril de 2011

¿vamos nos concentrar num caminho fácil daqui para frente, certo?

«não me diga como devo ser» mas foi assim: os olhos quase marejaram. e na garganta ficou um engasgo por não poder dizer… poderia passar horas ali tentando encontrar alguma hipótese retórica que justificasse ou validasse ou o que fosse para tentar reconstruir o aparente ‘tudo vai bem, mais ou menos’. «não acredito, nem vou julgar […] porque mentir é fácil demais» mas não dá mais: acabou. «eu sou a pátria que lhe esqueceu… o carrasco que lhe torturou… o general que lhe arrancou os olhos… o sangue inocente de todos os desaparecidos… o choque elétrico… e os gritos… parem por favor… isso dói». sai de lá atordoado, meio sem chão. era um

pobre coitado com os olhos quase marejados porque hoje, enfim, publicamente, alguém, com todos verbos concretos e cortes simbólicos arrancou-me mais um pedaço. abriu a porta, que eu não fora até então capaz de cerrar e me pôs para fora. disse, ele, vai pois tu já não nos serve mais. e nesse movimento arrancou de minhas mãos, ou imaginação, algo que era tão meu, dizendo de forma clara: se continuar em tuas mãos, tudo continuará morto. vai. porque isto tudo já não importa mais, já passou. te ocupes de outra coisa. e não apareça mais.

«de saber que nada é justo e pouco é certo, e que estamos destruindo o futuro e a maldade anda sempre aqui por perto […] um mundo onde a verdade é o avesso e a alegria já não tem mais endereço […] eu sou um pássaro, me trancam na gaiola, mas um dia eu consigo resistir e vou voar pelo caminho mais bonito». e me pergunto agora, algumas horas depois de rabiscar estar palavras acima e ouvindo estas canções de renato… eu simplesmente sai de lá sem chão não pela aspereza de como fui tratado mas pelo teor de verdade contido naquela avaliação mas também sai de lá sem chão porque sei que se parte é a crua verdade – os atrasos, as faltas, os trabalhos inconclusos, a inconstância, os abandonos, a não prestação de contas, etc. – também há coisas não ditas… há todo um esforço e crescimento humano e um trabalho, mesmo mínimo e precário, feito. quem correu atrás de cada um dos entrevistados? quem estudou quase que sozinho a maior parte do tempo? quem esteve presente em todas as entrevistas? quem entrevistou sozinho parte daquelas pessoas? «¿será que eu sou capaz de enfrentar o teu amor que me traz insegurança e verdade demais?» «que tivessem dito para você […] e não há nada de errado comigo não» … «nossa senhora do cerrado, protetora dos pedestres que atravessam o eixão as seis horas da tarde, fazei com que eu chegue são e salvo na casa da n… »

estou me desvencilhando de tantas coisas e continuo buscando um mínimo necessário e possível. um possível reencontro com algo que ainda não existe, uma saudade de algo não feito, uma outra espécie de coragem. qual? saberei.

E lá se vai um anos desde isto aqui: «Preciso aceitar que, quando alguém me parece estar se movendo muito devagar em determinada direção, é porque esta é sua única maneira de percorrer aquele caminho» Gibran Khalil Gibran

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E lá se vão alguns anos desde o dia 26 de fevereiro de 1989. Eram dez horas da manhã, mais ou menos, quando cruzei a ponte. tinha seis anos.

virar a página

[seg] 25 de abril de 2011

virar a página. tudo over ontem. foi-se o trabalho de manuel e inicia-se agora o trabalho de intelecto. mas a barriga diz que é tudo mais ou menos igual e com café voltará tudo: a enjoada, o não caber nisto tudo que sai aos vômitos em tripas, tipos e jorros. mas o gozo disto tudo, diz a árvore, que ampara quando cais, é ficar assim sem casca, ferida, de pau de fora, dura, em praça pública, e ser pega pela olho de quem deveria estar distraído…

debaixo d’agua

[dom] 24 de abril de 2011

e os dias passam…

e por uns breves instantes penso em anotar algo neste emaranhado de notas da memória. mas todas as anotações se quedam aí ou aqui e ou o que sobra é o latido do peito por algum lugar… latido disperso em alguma transitiva realidade. e pensando sobre os discursos e as performances onde tudo é um pouco verdade e um pouco ilusão – caos, ruínas, exploração, atenção, aceitação, reconhecimento, transformação – e quebramos a cabeça nestas infindáveis peças do cotidiano. violá… não estamos sós.

e um último registro porque ouvi outro dia e anotei cá nos rascunhos:

Debaixo d’água 

Debaixo d’água tudo era mais bonito / Mais azul, mais colorido / Só faltava respirar / Mas tinha que respirar // Debaixo d’água se formando como um feto / Sereno, confortável, amado, completo / Sem / chão, sem teto, sem contato com o ar / Mas tinha que respirar / Todo dia / Todo dia, todo dia / Todo dia / Todo dia, todo dia // Debaixo d’água por encanto sem sorriso e sem pranto / Sem lamento e sem saber o quanto / Esse momento poderia durar // Mas tinha que respirar / Debaixo d’água ficaria para sempre, ficaria contente / Longe de toda gente, para sempre no fundo do mar / Mas tinha que respirar / Todo dia / Todo dia, todo dia / todo dia / Todo dia, todo dia // Debaixo d’água, protegido, salvo, fora de perigo / Aliviado, sem perdão e sem pecado / Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar / Mas tinha que respirar / Debaixo d’água tudo era mais bonito / Mais azul, mais colorido / Só faltava respirar / Mas tinha que respirar / Todo dia // Compositor: Arnaldo Antunes

Agora

Agora que agora é nunca / Agora posso recuar / Agora sinto minha tumba / Agora o peito a retumbar / Agora a última resposta / Agora quartos de hospitais / Agora abrem uma porta / Agora não se chora mais / Agora a chuva evapora / Agora ainda não choveu / Agora tenho mais memória / Agora tenho o que foi meu / Agora passa a paisagem / Agora não me despedi / Agora compro uma passagem / Agora ainda estou aqui / Agora sinto muita sede / Agora já é madrugada / Agora diante da parede / Agora falta uma palavra / Agora o vento no cabelo / Agora toda minha roupa / Agora volta pro novelo / Agora a língua em minha boca / Agora meu avô já vive / Agora meu filho nasceu / Agora o filho que não tive / Agora a criança sou eu / Agora sinto um gosto doce / Agora vejo a cor azul / Agora a mão de quem me trouxe / Agora é só meu corpo nu / Agora eu nasço lá de fora / Agora minha mãe é o ar / Agora eu vivo na barriga / Agora eu brigo pra voltar / Agora / Agora / Agora // Compositores: Branco Mello / Tonyo Bellotto / Charles Gavin / Marcelo Fromer / Nando Reis / Paulo Miklos / Sergio Britto / Arnaldo Antunes

Стачка

[ter] 19 de abril de 2011

à toa. aproveitando-me. e cá poderia bem por alguma brevíssima crônica sobre o luar cheio deste final de domingo passado ou sobre a rotina de viver no meio do mato e limpar peixes para o assado ou ainda sobre todas as canções de drexler que inspiram os dias… mas agora só posso fragmentos relacionados ao que tenho estudado por esses dias. estudos livres. sem pressa. sem data. O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente // E os que lêem o que escreve, / Na dor lida sentem bem, / Não as duas que ele teve, / Mas só a que eles não têm. // E assim nas calhas de roda / Gira, a entreter a razão, / Esse comboio de corda / Que se chama coração. // FERNANDO PESSOA / Autopsicografia.

e leio esse cara ai de baixo – fruto das poucas aulas que tenho acompanhado de antropologia visual.

vem, vambora.

[sex] 15 de abril de 2011

quero-me [ser forte] para o que é simples. e os passos diários naquela direção ali, para frente [neste redemoinho de horror]. quero conhecer-me [com ela], criança, sem pressa e sem planos. quero pouco posto que haverá [muito] tempo para o que importa. e não sei de amanhã de fato. sei que o confronto e contradição e luta se faz assim: construindo escadas e jardins [qual hoje] e pontes entre o passado e o futuro humano. sim, tenho saudades do futuro. sim, eu posso e estou indo.

tenho [tantos] planos.
tenho [tantos] dias.
tenho [tantas] tarefas.
tenho [boa] companhia.
tenho-me [no meio disto tudo].

e tudo é assim… muito lento: o cuidado, os descuidos, e nossas acuidades.

e que sea lo que sea.
e que venham mais vinte e poucos porque algo me diz que vai ser sempre assim: as vezes eu me preservo, e noutras me suicido.

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