lunes, 25 de febrero o sabado, 1 de mayo.

[seg] 11 de abril de 2011

e é como uma necessidade ou um plano imperativo: não fixar-se ao passo que segue-se fixo. sacas?! é uma falta, uma desmemória. e tento hoje por em dia o que há dias venho abandonando ou penso que abandono quando de fato não abandono e permaneço no mesmo farol, mirando o mesmo mar e delirando como devera ser o embrulho do mar e o desconforto de cada porto. é. isto apenas. é como blanca que

[…] “A veces me siento desdichada, nada más que de no saber qué es lo que estoy echando de menos” murmuró Blanca, mientras repartía los duraznos en almícar. […] Mario Benedetti [La Tregua].

repasto meu café com pão. leio e escrevo por cá. junto fragmentos de toda a ruína e busco algum sentido ou encantamento destes que dizem que tudo há de melhorar – mas melhorar o quê, como e quando?! se há tanta desmemória que

[…] Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade, ao redor do edifício mais alto do mundo. Chicago está cheia de fábricas, Chicago está cheia de operários. Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio. – Deve ser por aqui – me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago nem na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada. O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos o primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo. Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema. O cartaz reproduz um provérbio da África:

Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador.

[…] Eduardo Galeano [O Livro dos Abraços]

Foi num Sábado o 1 de mayo de 1886.

 

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