Archive for agosto, 2011

dublinenses

[ter] 30 de agosto de 2011

(...) Gabriel esperou junto à porta do salão que a valsa terminasse, ouvindo vestidos roçarem contra ela e o rumor de pés que se arrastavam no assoalho. Estava ainda perturbado pela resposta brusca e rude da jovem. O incidente lançara um sombra sobre ele, que agora tentava dissipá-la ajustando os punhos da camisa e o nó da gravata. Tirou um pedaço de papel do bolso do colete e leu os tópicos que anotara para o discurso. Continuava indeciso quanto à citação dos versos de Robert Browning, pois temia que estivesse acima da compreensão dos ouvintes. Talvez fossem melhores alguns versos de Shakespeare ou das melodias de Thomas Moore. A forma grosseira como os homens batiam os pés e arrastavam os sapatos no chão recordou-lhe a diferença de cultura que os separava. Faria um papel ridículo, citando-lhes poesia que não podiam compreender. Pensariam que fazia alarde de sua superioridade. Erraria com eles como errara com a jovem lá embaixo. Escolhera um tom falso. O discurso todo era um equívoco, um completo fracasso. (…) Os Mortos. James Joice.

terminei nesse mês dublinenses de james joice, a normalista de adolfo caminha, e jorge um brasileiro de oswaldo frança júnior. e fui no cinema: assalto ao banco central.

bossa vinte… vinte e nove!

[qui] 25 de agosto de 2011

em certos dias tudo parece sem sentido e é como se estivéssemos suspensos ou submersos ou apenas perdidos no meio disto tudo. disto tudo. parece sem sentido.

mas agora não. hoje não. não sei o peso. mais ou menos o diâmetro e a idade… a idade é vinte e nove.

hoje há uma certeza que tudo vai melhorar e as poças, o atoleiro, as goteiras, as cadeiras, os cursos, os planos, os pesos, as metas, o amor, a poesia, a poesia vai ser melhor e que agora se faz o que se pode e se está bem na medida do possível. do possível.

quando tinha dezessete cantarolava outra, mas agora é mais ou menos assim:

Perdi vinte em vinte e nove amizades / Por conta de uma pedra em minhas mãos / Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes / Estou aprendendo a viver sem você / (Já que você não me quer mais) // Passei vinte e nove meses num navio / E vinte e nove dias na prisão / E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno / Decidi começar a viver. / Quando você deixou de me amar / Aprendi a perdoar / E a pedir perdão. / (E vinte e nove anjos me saudaram / E tive vinte e nove amigos outra vez) // renato russo.
 

penso que ainda não cheguei lá e apenas improviso. e sabe-se lá que já não é chegada a hora da morte, ó drão.

Drão! / O amor da gente / É como um grão / Uma semente de ilusão / Tem que morrer pra germinar / Plantar nalgum lugar / Ressuscitar no chão / Nossa semeadura / Quem poderá fazer / Aquele amor morrer / Nossa caminhadura / Dura caminhada / Pela estrada escura… // Drão! / Não pense na separação / Não despedace o coração / O verdadeiro amor é vão / Estende-se infinito / Imenso monolito / Nossa arquitetura / Quem poderá fazer / Aquele amor morrer / Nossa caminhadura / Cama de tatame / Pela vida afora // Drão! / Os meninos são todos sãos / Os pecados são todos meus / Deus sabe a minha confissão / Não há o que perdoar / Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão / Quem poderá fazer / Aquele amor morrer / Se o amor é como um grão / Morre, nasce trigo / Vive, morre pão / drão! / drão! // gilberto gil.

e fechando a página, não sou tão mal quanto a falta de amor faz crer.

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