dublinenses

2011, agosto 30, terça-feira

1152217

(...) Gabriel esperou junto à porta do salão que a valsa terminasse, ouvindo vestidos roçarem contra ela e o rumor de pés que se arrastavam no assoalho. Estava ainda perturbado pela resposta brusca e rude da jovem. O incidente lançara um sombra sobre ele, que agora tentava dissipá-la ajustando os punhos da camisa e o nó da gravata. Tirou um pedaço de papel do bolso do colete e leu os tópicos que anotara para o discurso. Continuava indeciso quanto à citação dos versos de Robert Browning, pois temia que estivesse acima da compreensão dos ouvintes. Talvez fossem melhores alguns versos de Shakespeare ou das melodias de Thomas Moore. A forma grosseira como os homens batiam os pés e arrastavam os sapatos no chão recordou-lhe a diferença de cultura que os separava. Faria um papel ridículo, citando-lhes poesia que não podiam compreender. Pensariam que fazia alarde de sua superioridade. Erraria com eles como errara com a jovem lá embaixo. Escolhera um tom falso. O discurso todo era um equívoco, um completo fracasso. (…) Os Mortos. James Joice.

terminei nesse mês dublinenses de james joice, a normalista de adolfo caminha, e jorge um brasileiro de oswaldo frança júnior. e fui no cinema: assalto ao banco central.

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