la niebla

2012, maio 17, quinta-feira

Pablo Hasél – Bastardos de la niebla (con Marc Hijo de Sam)

«Se, no início da civilização, os seres humanos subordinavam-se às forças da natureza, essa subordinação foi substituída pela subordinação de classe: dos seres humanos por seres humanos. A ciência econômica é a moral do capital: ela diz o padrão de conduta para essa sociedade.
Interiorizadas, as relações capitalistas formam a consciência do ser social. “As idéias dominantes de uma época sempre foram as idéias da classe dominante” (ENGELS e MARX, 2005: 57). E ser dominante significa, justamente, dominar: formar as mentes de seu tempo, o que se dá, justamente, por se ter o poder material dominante: a classe que é o poder material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante. “As idéias dominantes não são mais do que a expressão ideal das relações materiais dominantes, as relações materiais dominantes concebidas como idéias; portanto, das relações que precisamente tornam dominante uma classe, portanto as idéias do seu domínio” (ENGELS e MARX, 2002: 56). Mas ainda que sejam dominantes e formem a consciência, “as idéias” não são imutáveis.

O agir transformador: pensando a emancipação

Mesmo que os seres humanos reproduzam as estruturas sociais, estas conferem poderes às pessoas, habilitando os indivíduos, inclusive, a transformá-las. Os indivíduos pressupõem a sociedade – um conjunto de práticas posicionadas e relacionamentos interconectados – em suas atividades práticas e, assim procedendo, reproduzem e transformam. “Os realistas defendem uma compreensão da relação entre as estruturas sociais e o agir humano baseada em uma concepção transformacional da atividade social e que evita tanto o voluntarismo como a reificação” (BHASKAR, 1993: 2).

Carllinicos sustenta que são possíveis caminhos alternativos aos agentes, que podem tanto realizar as tarefas rotineiras como transformar as estruturas. Segundo o pensador, há três maneiras pelas quais as estruturas se conectam à ação transformadora: as capacidades exercidas pelos agentes quando ocupados com essa ação são estruturalmente determinadas; as estruturas não apenas permitem ou constrangem, elas influenciam a ação através do papel tomado pelas ideologias – um conjunto de crenças amplamente aceitas, cuja aceitação é causada socialmente e, neste sentido, conectada às estruturas – de motivar os agentes; tensões dentro das estruturas podem desestabilizar as relações sociais existentes e, diretamente, e/ou com resultado desta desestabilização, motivar os atores a buscar mudanças.

Cada ato humano, portanto, realiza ou nega os conjuntos de valores e, assim, os valores são modificados ou conservados. “A ação humana deve ser explicada não por sua subordinação a uma lei que a compreende, mas pela designação de crenças e desejos ao agente, proporcionando-lhe, então, um motivo para o ato em questão” (CARLLINICOS, 2006: 4).

O ato intencional, então, pode possuir diferentes motivações e a prática dos indivíduos depende da posição que eles ocupam na sociedade. A sociedade pré-existe, as transformações relacionam-se com sua base material, as “circunstâncias”. Daí a afirmação de Marx de que “os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha, mas sob aquelas circunstâncias com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado” (Marx, 2004: 15). E a existência da estrutura social é uma condição necessária para qualquer atividade humana, ou seja, a existência da sociedade é uma condição transcendentalmente necessária para qualquer ato intencional.»

extraído daqui ó: www.uff.br/iacr/ArtigosPDF/28T.pdf [não encontrei mais o link…]

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Publicado:
17/05/2012 23:15:24
editado:
23/12/2018 21:16
20/11/2018 01:31
18/05/2012 14:28

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