Archive for novembro, 2012

perder a chave por dentro

[qui] 29 de novembro de 2012

Agora eu vou fazer o seguinte: fechar a porta e as janelas e ficar bem quieto neste cômodo.

porque o clima anda tenso, e a vontade de esganar alguém é alta.

 

ou talvez eu chore sozinho um pouco…

e para qual surpresa… minha cabeça é maior que a do valdemar!

[dom] 25 de novembro de 2012

anotei (e vivi) muita coisa hoje. mas estou cansado e preciso estar vivo amanhã… lá por quarta ou quinta registro os ventos bons que vem lá…

rascunho

[dom] 25 de novembro de 2012

E a prova era cedo.

E eu mal dormi.

Acordava de hora em hora… era uma, era duas, eram três, eram quatro… lá pelas cinco levantei.

lá pelas sete já estava lá… e era um esperar a hora chegar… chegava nunca, e chegou. e pensei um bocado, rememorando o passado naquelas vias, bancos, praças, rótulas, braços, noites, dores, porres, amores, sonhos, vida vivida…

e senti vontade de verbalizar, rascunhei:

afrosambas…

[sáb] 24 de novembro de 2012

08:32 Berimbau. Baben Powel e Vinicius de Moraes

Quem é homem de bem não trai
O amor que lhe quer seu bem
Quem diz muito que vai, não vai
Assim como não vai, não vem
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem não tem

Capoeira que é bom não cai
Mas se um dia ele cai, cai bem
Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza, camará

Se não tivesse o amor
Se não tivesse essa dor
E se não tivesse o sofrer
E se não tivesse o chorar
Melhor era tudo se acabar

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu

Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza camará

8:42 “Escrever é fugir da emoção”. de T. S. Eliot, segundo Ferreira Gullar, no documentário Vinicius de Moraes.

8:53 sei lá... toquinho e vinicius

Tem dias que eu fico pensando na vida 
E sinceramente não vejo saída. 
Como é, por exemplo, que dá pra entender: 
A gente mal nasce, começa a morrer.

Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação. 
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão. 
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.

A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer 
Que nada renasce antes que se acabe, 
E o sol que desponta tem que anoitecer.

De nada adianta ficar-se de fora. 
A hora do sim é o descuido do não. 
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão. 
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.

9:30 Dona Izabel narrava seus amores, eu lhe contava dos meus.

9:50 (…) A la Molina no voy más porque echan azote’ sin cesar (…)

10:00 Mateava e proseava, descobria os primeiros amores de dona maria, a vó; e redescobria que a primeira garota, ela com 6 e eu com 4, a me namorar fora a sidania.

11:50 teve berinjela recheada no almoço

13:00 estudando

17:00 internet, fiquei em 7º classificação para ACT no ensino regular, 5º no ACT para CEJA, e entre os 30 melhores no Concurso público (apenas 7 vagas na primeira chamada).

17:34 editando este post aqui.

de vagar desde o dia da criação

[sáb] 24 de novembro de 2012

depois das 07:04 sinto como se precisasse me reinventar… recriar… fazer algo importante… fazer algo. [é que resolvi me guardar na estante nestes últimos anos como um livro velho e inacabado e esquecido, aguardando a hora de recomeçar a escrita… um limbo entre todas as projeções não realizadas e todas as precariedades cotidianas… um esconder a matéria atrás do véu da ilusão quando só há ideias… dualista, idealista, trágico, fugitivo da vida… mas é um vício tremendo  ao qual de tempos em tempos me rendo… me afastando… ficando distante… sem sal… sem poesia… e ai… como voltar?]

07:04. Acordo cedo. Tenho adormecido no sofá. E não quero mais ir à cama… Porque ontem foi um tédio, porque hoje tem muito trabalho necessário e acumulado sempre para a última hora do último dia possível, e porque amanhã é o futuro…

antes das 07:04 …

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

(…)

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

———————————————————————————–

ps: ao publicar isto, numa busca voltei por cá e aproveito e atualizo o link para o documentário de Miguel Faria Jr., do ano de 2005 sobre o Vinicius de Moraes. Lembro que a primeira vez que vi este documentário foi na ufsc, no auditório do ced, e se não falhe a memória no cine ced.

às vezes me chamam de negro

[sex] 23 de novembro de 2012

Às vezes me chamam de negro,
Pensando que vão me humilhar
Mas o que eles não sabem é que só me fazem lembrar
Que eu venho daquela raç, que lutou pra se libertar

Que criou o Maculelê
E acredita no camdomblé
E que tem um sorriso no rosto
A ginga no corpo
E o samba no pé

Que fez surgir de uma dança
Luta que pode matar
Capoeira, arma poderosa
Luta de libertação

Brancos e negros na roda se abraçam como irmãos
Perguntei ao camará, o que é meu?
O que é meu irmão?
Ô meu irmão do coração
O que é meu irmão?
Ô Camará o que é meu?

anajoaninhas da gramática expositiva do chão

[qui] 22 de novembro de 2012

e ela, no alto dos seus poucos anos, disse assim:

“não sou uma flor… sou um canteiro”.

e dos registros vespertinos:

ardo… e ainda fico bobo de como fico bobo ao teu lado (bem que sou capaz de ficar horas e horas mirando-te) – e é assim algo como “estás a un año luz de mí”sinto um contentamento danado por estar, por estares por cá, por existires¹… ó pequena flamboiaiã.

hoje o sol da tarde,ardentemente, irradiou uma tal vontade de lutar mais, hablar más, ouvir mais, ler mais, viver mais, tornar-me poesia novamente

e das palavras que deliram…

O homem (³)

é recolhido como destroços

de ostras, traços de pássaros

surdos, comidos de mar

O homem

se incrusta de árvore

na pedra

do mar.

(³) O NOSSO HOMEM – … Como Akaki Akakievitch, que amava só o seu capote, / ele bate continência para pedra! / Ele conhece o canto do mar grosso de pássaros, / a febre / que arde na boca da ostra / e a marca do lagarto na areia. / Esse homem / é matéria de caramujo.

O homem de lata

O homem de lata
arboriza por dois buracos
no rosto

O homem de lata
é armado de pregos
e tem natureza de enguia

O homem de lata
está na boca de espera
de enferrujar

O homem de lata
se relva nos cantos
e morre de não ter um pássaro
em seus joelhos

O homem de lata
traz para a terra
o que seu avô
era de lagarto

o que sua mãe
era de pedra
e o que sua casa
estava debaixo de uma pedra

O homem de lata
é uma condição de luta
e morre de lata

O homem de lata
tem beirais de rosa
e está todo remendado de sol

O homem de lata
é um iniciado em abrolhos
e usa desvio de pássaro
nos olhos

No homem de lata
amurou-se uma lesma
fria
que incide em luar

Para ouvir o sussurro
do mar
o homem de lata
se increve no mar

O homem de lata
se devora de pedra
e de árvore

O homem de lata
é um passarinho
de viseira:
não gorjeia

Caído na beira
do mar
é um tronco rugoso
e cria limo
na boca

O homem de lata
sofre de cactos
no quarto

O homem de lata
se alga
no Parque

O homem de lata
foi atacado de ter folhas
e se arrasta
em seus ruídos de relva

A rã prega sua boca
irrigada
no homem de lata

O homem de lata
infringe a lata
para poder colear
e ser viscoso

O homem de lata
empedra em si mesmo
o caramujo

O homem de lata
anda fardado de camaleão

O homem de lata
se faz um corte
na boca
para escorrer
todo o silêncio dele

O homem de lata
esta a fim
de árvore

O homem de lata
é uma caso
de lagartixa

O homem de lata
é rosto amoroso
de pessoa

O homem de lata
está todo estragado
de borboleta

O homem  de lata
foi marcado a ferro e fogo
pela água.

Manoel de Barros
(1916)

Mais sobre Manoel de Barros em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros

nota de rodapé

¹ «Me haces bien – Jorge Drexler»

»

subi na árvore

[dom] 18 de novembro de 2012

resumo:

erva-mate e brasil no sofá da manhã;

garapuvus e jabuticabas no passeio da tarde;

pitanga (é pitanga?) no meu portão, na noite;

..:{)

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e pensando na segunda-feira me dá aquela vontade danada de dizer: quero férias [e terminar tudo isto… para começar tudo novamente: novos projetos, novas pesquisas, novos saltos]. esse ano foi exaustivo por um lado, mas mágico por outro. aprendi a cuidar um pouco…

1989

[sáb] 17 de novembro de 2012

Tinha água de bica, sem caixa e torneira
Desagua rica, lá da cachoeira, límpida
E os paralelepípedo a trepidar
Na madeira da roda das carroça,
Barulheira (nossa)
Sombra de laranjeira’qui
Mangueira pé de caqui,
Caixa de feira e mulequi
Coro de lavadeira, na trilha
Mulher’qui, é pilar da família
Sem pé de bréqui
Beira de brejo, rego, tinha
Nego quietim pescando manjubinha
Criame de porco, matadô de galinha
Caçador de preá, teú, ranzinha
Todo dia paz, gritaria, caminhão do gás
Pré escola, meu bom, crepom e tenaz,
Máquinas de costura, chita e zaz-tráz
Puramente, pura gente, jura, quente, ai, ai, ai,

Hoje veio progresso, pode olhar
Asfalto e som alto, pode olhar
Fumaça e concreto, pode olhar
Antena e contrato, pode olhar

As Kombi trocava garrafa por doce
Qualquer que fosse, é, gibi de amendoim, oxi!
Paçoca, quindim
Imagina o enxame de vasilhame ao toque das buzina
Catequese, comunhão, salve Cosme e Damião
Oxalá, Jesus, despacho, oração
Sonho era pião, bola de capotão
E nóis barrigudim, atrás dos caminhão
Arame farpado, caco de vidro no muro
Colocado, deixava seguro
Colchas de fuxico, flores, muito rico
Cores e o sonho: descer de barco o velho chico
Home, conheço todo mundo de nome
São leis de onde crime era roubar frutas lá no japonês
Te falar rapaz
Chamam de cidade grande, mas antes parecia mais…

Hoje veio progresso, pode olhar
Asfalto e som alto, pode olhar
Fumaça e concreto, pode olhar
Antena e contrato, pode olhar

Eles me oferecem contratos de milhão
Pra mim, sozinho
Eu penso e digo não
Porque meu sonho é tudo baratinho…

milonga

[qua] 14 de novembro de 2012

9:18 (…) Yo miro a mi guitarra, busco en las grietas del corazón. Como estaré de solo que estoy hablándole a una canción. (…) Pasa un segundo, como pasa una página en blanco que no estrené. Paso la vida buscando un verso que nunca encontraré. (…) Cuando me quede solo varado y lejos del mar, yo sé, que aunque no tenga nada, tendré a esta copla esperándome. (…) Abre tus brazos y suéltate el pelo que vengo buscándote, milonga paraguaya prima lejana de Mangoré. Jorge Drexler. [E  a mania agora é ficar ouvindo uma canção repetindo infinitamente… essa tem me acompanhado desde segunda-feira.

e na segunda o cronograma feito foi até o momento do sono… e acordei aos gritos de todas as marias em desespero buscando socorro ao meu irmão que caíra e não respirava… susto danado, sensação horrível, uma angústia, uma impotência… uma pancada na cabeça, uns minutos sem respirar e acabou tudo, como pode, e somos assim… tão frágeis… quase tão voláteis quanto os gases. meu irmão está bem, não foi desta vez.

faltei a aula segunda-feira à noite. e em compensação terça-feira o dia foi longo…

e hoje.. vou trabalhar.

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