o elefante

[sex] 14 de dezembro de 2012

o eu lírico¹ não veio. ele ficou na porta vendo a festa passar… a banda passar… a passeata passar… o povo passar… as coisas passarem… sua coragem dissipar… o eu lírico definitivamente não veio. ele ficou submerso na montanha de papéis, na bagunça do quarto, na desorganização da casa e da cuca, nas desculpas inúteis, nos pensamentos não profundos… o eu lírico não veio. não sabe ele disto aqui. não sabe. e sufocaria-se… o eu lírico é elefante de circo. Vagner Boni

***

nota de rodapé

¹ O fato é que poetas conseguem escrever sobre sentimentos que nunca sentiram, ou que sentiram a muito. Isto porque, tendo um caráter de atemporalidade, a poesia não precisa corresponder a fatos temporais. A verdade ou sentimento que o poeta tenta passar não se restringe a um fato concreto. Antes, é um ideal eterno, que pode ser lido e compreendido em qualquer contexto. E para alcançar este grau de abstração, o poeta necessita de um “narrador” eterno e abstrato, que personifique uma pessoa ideal experimentando um sentimento ideal: o eu lírico por 

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