Archive for fevereiro, 2013

exercício sobre os versos [en]cadeados

[qua] 13 de fevereiro de 2013

Exercícios sobre os versos [en]cadeados

I

O verso encadeado é
sobre as coisas formadas
e disformes, sobre o movimento
inerente às coisas, no que vai
e vem, no que volta, no passar
das horas, dos hífens, das faltas

O verso encadeado é
sobre o fluir inesperado
e improvável dos latidos…

II
E das ausências, perdas
de ar, de tardes
deixadas, de reencontros jamais
tidos, de versos exatos
e indolores, das aberturas
incicatrizáveis, e pulsares,
e silêncios, e esperas…

III
No tempo que
borra, esquece assim
imperceptivelmente qual
as pedras inavistadas no
fundo do caminho.. O tempo
borra as formas, os odores,
a textura da derme, dos pelos
soltos, da superfície profunda das
coisas…

Janeiro 2013.

repetir repetir – até ficar diferente.

[ter] 12 de fevereiro de 2013

«Nullum est i a m dictum, quod non dictum sit prius. [Terêncio, Eunuchus, Prologus 41]» citação extraída de <Escrita em Espiral, de Ricardo Alexandre Rodrigues>

Mais sobre Eunuchus de Terêncio aqui <Eunuchus de Terêncio: estudo e tradução. Dissertação de Nahim Santos Carvalho Silva>

***

Tim Maia – Racional: Vol. 1 [1975]

Artista: Tim Maia Álbum: Racional: Vol. 1 Gêneros: Soul, Funk, MPB Lançamento: 1975 Qualidade: 160kbps Faixas: 1. “Imunização Racional (Que Beleza)” (0:005:11) 2. “O Grão Mestre Varonil” (5:115:35) 3. “Bom Senso” (5:3510:44) 4. “Energia Racional” (10:4410:58) 5. “Leia o Livro Universo em Desencanto” (10:5813:48) 6. “Contato com o Mundo Racional” (13:4816:54) 7. “Universo em Desencanto” (16:5420:40) 8. “You Don’t Know What I Know” (20:4021:18) 9. “Rational Culture” (21:1833:44) 10. “Ela Partiu” (bônus) (33:4438:24) 11. “Meus Inimigos” (bônus) (38:2442:12)

***

exercício sobre o não

Os traços se desmaterializam diante de mim.
A luz não mais incide e os olhos não mais brilham.
Os ângulos não estão ali.

É só um buraco na paisagem o que restou.

Janeiro, 2013

***

exercício sobre o jovem garapuvu

O jovem garapuvu me olha
trocamos signos – eu, poema
ele, poeta.

Janeiro, 2013

***

exercício sobre a brutalidade

Os pés brutos exibem
assim sem pudor, desnudos,
as rachaduras, os calos,
o descuido, a lida.

E as mãos brutas exibem,
também nuas,
os cortes, as marcas,
a aspereza, a lavra

E os olhos incrédulos,
observam a nudez das coisas,
das gentes, dessa vida
cravada de beleza crua

do próprio corpo forjado
feito de cotidiano operário

do bruto concreto
da poesia bruta

Exercícios incompletos

os olhos
suave
flutuam
os acordes
borbulham
o violão mergulha
a água desliza
e cada novo acorde
é um novo gole
um novo corte
um novo golpe

suave, as ondas flutuam.

***

A Carpa corta
a água que cai
N’água

***

A truta tritura
A água que cai.

25, Janeiro 2013.

olhando pr’ocê, pedindo outro “fernet”

[dom] 10 de fevereiro de 2013

mateando um tereré nesta tarde bonita e pensando se vou descer para dar sopa e acidentalmente encontrar alguém mais perdido do que eu neste dia – e isto, de descer é muito improvável – ou fico por cá mesmo tentando ler ou escrever alguma linha para os próximos dias. enquanto isso a deriva eu vou ficando mais um pouquinho e tulipa vai cantando ao meu ouvido coisas tão efêmeras e lindas demais.

bis später, max!

[sáb] 9 de fevereiro de 2013

BIS SPÄTER, MAX!, filme de Jan Schütte

Programação do dia: Cinema e talvez, só talvez, o carnaval, porque é caminho.

Tem sido um hábito ir ao cinema sozinho. Tem sido um hábito estar sozinho. É um momento interessante. É um recuo para um zona emocional mais tranquila, ao menos na superfície. É recuo, porque lidar com as emoções é sempre algo muito difícil. Uma bolha, uma capsula, neste momento ajuda a cumprir certas metas … Mas é tolice pensar que é algo momentâneo apenas já que convivo comigo há trinta anos e sei bem todos os transtornos e neuroses que carrego. Talvez eu morra só. Talvez uma capsula, talvez um mergulho do vigésimo quinto andar… Talvez eu viva até os 82 e tenha ainda amores. Talvez amanhã eu resolva sair do luto do último amor partido ou que parti e abra as portas deste coração para o povo fazer ninho e voltarmos a sorrir. Mas hoje não, mesmo que lágrimas no espelho venham me avisar que ainda vivo… Hoje não, mesmo que haja uma vontade danada de ir sem saber quando e como e onde chegar… Hoje não. Vou ficar aqui, só, deste lado da rua, sem ir ai te abraçar, esperei o próximo carnaval dobrar a esquina… e se eu ainda estiver por cá, ai sim… o bloco sambará.

Cinco días sin nora

Trailer de “Cinco días sin Nora”. Dirigida por Mariana Chenillo y estelarizada por Fernando Luján, Ari Brickman, Cecilia Suárez, Enrique Arreola, Angelina Peláez, Verónica Langer, Max Kerlow, Juan Carlos Colombo, Juan Pablo Medina y Marina de Tavira

Viudas

Viudas” Trailer. Dirigida por Marcos Carnevale y estelarizada por Graciela Borges e Valeria Bertuccelli, con la participación especial de Rita Cortese Y el debut cinematográfico de Martín Bossi

«Tú no podrás faltarme cuando falte todo a mi alrededor / Tú, aire que respiro en aquel paisaje donde vivo yo / Tú, tú me das la fuerza que se necesita para no marcharse / Tú me das amor, amor (…)» Paisaje, por Vicentico. Compositores: Francesco Franco Simone e Giorgio Di Lorenzo

 

E NO FUNDO MUSICAL UM ANTI-TEMA PARA ESTES DIAS

«Clipe Felicidade – Marcelo Jeneci»

Direção:Lucas Cirillo … 

assinado eu

[sex] 8 de fevereiro de 2013

duas horas escrevendo isto cá…

okei, primeira semana passando… um turbilhão de coisas acontecendo e uma leve expectativa pela próxima quinta, o primeiro dia de aula. das 16 aulas de então aumentei mais cinco sendo agora 21. 9 no paulo fontes (segundas e quintas pela noite) e mais 12 no jurema (quinta pela manhã e tarde, e mais uma noite ainda não definida). vai sobrar um tempinho bacana para o planejamento detalhado de cada aula, coisa que não tive tanto ano passado naquele turbilhão de tudo novo e carga lotada com 40 aulas em sala… coisa insana. este ano vou mais de  leve…

e bateu um solidão funda hoje. mas fazer o que… enquanto eu deixar as janelas fechadas o sol não vai entrar. e quando será a hora?! quando a lista de cuidados se encerrará? quantos dias e meses ainda vou ter que me esperar? será que vale? o que fazer? para onde ir?

as vezes fico tão perdido… as vezes sinto falta de casa (esse lugar que eu ainda não encontrei… já que por cá, tudo é tão frio). mas vamos lá, quando os trinta e um chegarem eu abro tudo e tudo vai ser melhor, mais alegre… mais claro, sem isto de ficar guardando os nós lá dentro para ninguém perceber que por trás dessa indiferença toda… há alguém que as vezes tem medo e outras não. faltou ar. faltou ar. faltou ar… e foi pra lá.

trilha de fundo. tiê.

depois que eu me encontrar…

[qui] 7 de fevereiro de 2013

Deixe me ir preciso andar. Vou por ai a procurar. Rir para não chorar (…)
Quero assistir ao sol nascer. Ver as águas dos rios correr. Ouvir os pássaros cantar. Eu quero nascer, quero viver
Se alguém por mim preguntar. Diga que eu só vou voltar quando eu me encontrar

Depois que eu me encontrar …

Preciso me Encontrar
Letra: Candeia
Música: Cartola
Album: Cartola (1976)

Se eu pudesse ficar em casa. Só. Mas lá vou eu trabalhar… E um tanto atrasado na vida. Há um nó aqui (canoas ficando para trás… e rumos novos pela frente).

instruções para chorar

[sex] 1 de fevereiro de 2013

Não terminei o cubo mágico. Há uns cinco posts aguardado serem publicados. Uma cigarra canta muito alto agora pela manhã na minha janela. Meus olhos estão vermelhos. E tenho consulta médica daqui a pouco, as 11. E há uma rede preguiçosa e camuflada no meio de minha sala… É pra lá que eu vou agora.

E assim, parece nada, mas é muito… As tardes têm sido boas. Há papos sérios e  brincadeiras bem divertidas, leituras e artes e traquinagens… até praticamos as instruções para chorar (segundo julio cortázar) com izabel (8) e luiza (7)… E há a prosa e o mate com a dona maria, senhora minha avó tão pequenina…

e os afazeres… pintar a casa, limpar a casa, ler, ir ao dentista, marcar médico, pagar contas, ver tv, cortar a grama, cuidar dos pés… enfim. os dias são cheios e bons. e segunda agora volto a trabalhar.

isso aqui voltou para o ar http://boni.wordpress.com/.

e nem sei mais… só sei que o facebook me bloqueou por vinte e quatro horas. mas há dias que nem chego a ligar o pc ou a tv.

até voltei a escrever (são quase poemas… é preciso exercitá-los mais, lapidá-los, mas a inspiração é boa).

e que bom que a viola alegra os dias.

Abaixo, extraído daqui ó: http://carlostonet.wordpress.com/2010/07/10/instrucoes-para-chorar-cortazar-1-de-7/

Instruções para Chorar – Cortázar (1 de 7)

  • Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.
  • Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas e nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.
  • Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco. Na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.

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Extraído do conto Manual de Instruções, do livro Histórias de Cronópios e Famas, de Julio Cortázar. Tradução de Gloria Rodrigues em Os 100 Melhores Contos de Humor da Literatura Universal, organizado por Flávio Moreira da Costa, Ediouro, 7ª Edição, 2001.

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