Archive for março, 2013

frases feitas são reféns da pulsação

2013, março 20, quarta-feira

Abro os olhos e adormeço
Sem a mente fraquejar
Saio pela manhã
De passagem, coisa vã
Derrapagem
Que a viagem tem princípio, meio e fim

Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo

Não me venham buzinar
Vou tão bem na minha mão
Então vou para lá
Ver o que dá
Pé atrás na engrenagem
Altruísta até mais não

Enquanto vergo, não parto
Enquanto choro, não seco
Enquanto vivo, não corro
À procura do que é certo

Presa por um fio
Na vertigem do vazio
Que escorrega entre os dedos
Preso em duas mãos
Que o futuro é mais
O presente coerente na razão
Frases feitas são reféns da pulsação

Susana Félix

podes crer

2013, março 18, segunda-feira

“o que é, meu irmão
eu sei o que te agrada
e o que te dói, e o que te dói
é preciso estar tranqüilo
pra se olhar dentro do espelho
refletir”
o que é?

Segunda, 18.

apaguei o texto. quinta-feira foi um dia difícil emocionalmente… sexta, sábado, domingo e hoje sinto-me numa ressaca emocional, ainda sem clareza de como tocar o barco. mas a conclusão parcial é que há um elemento repressivo muito forte internamente que sem perceber nestes começos de anos letivos com toda a ansiedade e cobrança interna e externa eu sou engolido por isto, por esta repressão a mim mesmo e aos outros. não quero isto… e a pegunta é…. Qual é a realidade deles? Quem são eles? O que eles fazem? O que eles gostam? O que dói… O que faz sentido… E o que podemos cambiar.

uma reflexão, um jornal, um coletivo, um movimento, uma vida…

cosmos e caos

2013, março 11, segunda-feira

O que caracteriza as sociedades tradicionais é a oposição que elas subentendem entre o seu território habitado e o espaço desconhecido e indeterminado que o cerca: o primeiro é o “mundo”, mais precisamente, “o nosso mundo”, o Cosmos; o restante já não é um Cosmos, mas uma espécie de “outro mundo”, um espaço estrangeiro, caótico, povoado de espectros, demônios, “estranhos” (equiparados, aliás, aos demônios e às almas dos mortos). À primeira vista, essa rotura no espaço parece consequência da oposição entre um território habitado e organizado, portanto “cosmizado”, e o espaço desconhecido que se estende para além de suas fronteiras: tem-se de um lado um “Cosmos” e de outro um “Caos”. Mas é preciso observar que, se todo território habitado é um “Cosmos”, é justamente porque foi consagrado previamente, porque, de um modo ou outro, esse território é obra dos deuses ou está em comunicação com o mundo deles. O “Mundo” (quer dizer, “o nosso mundo”) é um universo no interior do qual o sagrado já se manifestou e onde, por consequência, a rotura dos níveis tornou-se possível e se pode repetir. É fácil compreender por que o momento religioso implica o “momento cosmogônico”: o sagrado revela a realidade absoluta e, os mesmo tempo, torna possível a orientação – portanto, fundo o mundo, no sentido de que fixa os limites e, assim, estabelece a ordem cósmica. pp. 32-33

O espaço sagrado e a sacralização do mundo. O Sagrado e o Profano. A essência das religiões. Mircea Eliade. Tradução Rogério Fernandes, Martins Fontes. 1999. SP.

 

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‘tá tudo confuso nessa semana. o corpo estranhamente exausto e a cabeça… distante, avoada, com pensamentos tristes. são os ciclos, as euforias e os desalentos. meus olhos estão verdes e minha barba gigantesca. estou sem grana e preciso ir ao dentista. a casa espera uma arrumada e só consigo ir de lá para cá deixando um monte de coisas por acabar… queria ficar dormindo, mas sei que isto é a última coisa que devo fazer nesta hora. não seria saudável. não é o remédio. e o que tenho nem sono é. respirar fundo e ir… hoje tem aula.