Archive for abril, 2013

regras básicas de convivência

[dom] 28 de abril de 2013

mei me ajudou a pensar. paulo me ajudou a pensar. josé e pilar me ajudaram a pensar hoje. izabel e luiza me ajudaram a pensar. e pensei bastante… e tudo deve ser mais ou menos assim, levante a bunda da cadeira e vá fazer coisas… coisas incríveis. coisas mágicas… coisas de gente como tu assim boni-tá!

porque esse caminhão de coisas te pressionando estão só ai na tua imaginação.

e a cada dia tente poemas…

referências:

«Mas não celebremos apenas o sábio
Cujo nome resplandece no livro!
Pois primeiro é preciso arrancar do sábio a sua sabedoria.
Por isso, agradecimento também se deve ao aduaneiro:
Ele a extraiu daquele.»

bertold brecht

«Água mole em pedra dura: sobre um motivo taoísta na lírica de Brecht», por Marcus V. Mazzari

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Uma razão a mais para ser anticapitalista

“Te amo
e odeio tudo que te deixa triste.
Se o mundo com seus horários e famílias
e fábricas e latifúndios e missas
e classes sociais, dores e mais-valia
e meninas com hematomas
no lugar de sua alegria

insistir em te deixar triste,
apertando tua alma
com suas garras geladas,
teremos, então, que mudar o mundo.

Nenhum sistema que não é capaz
de abraçar com carinho a mulher que amo
e acolher generosamente minha amada classe
é digno de existir.

Está, então, decidido:
Vamos mudar o mundo,
transformá-lo de pedra em espelho
para que cada um, enfim, se reconheça.

Para que o trabalho não seja um meio de vida
para que a morte não seja o que mais a vida abriga
Para que o amor não seja uma exceção,
façamos agora uma grande e apaixonada revolução.”

Mauro Iasi

minha camarada do mpla

[sáb] 27 de abril de 2013

ontem, sexta, ir na escola da filha, fazer deveres, brincar. hoje, sábado, ser pai e tio. fiz castelo de areia enorme, brinquei. foi um puta dia hoje. os sábados de izabel têm sido bons! temos passeado, temos lido, estamos a escrever um livrinho, ensino-lhe(s) sobre minha ateisse, sobre ser elefante ou borboleta, sobre como chorar ou rir até doer a barriga, a peidar, a ser ogrete, e aprendo tudo isto e mais – aprende a perder o medo.

sei que minha vida no quesito relacionamento está meio fechado para balanço, e tenho dedicado todos os meus esforços nessa relação de ser pai. as vezes bate um sozinhez, e questionamentos porque estar só, nesse auto-exílio, longe de todos os movimentos políticos e amorosos. mas sei de minhas dificuldades, de minhas limitações, e há um dois anos tomei a decisão de estar só por um tempo. esperar ela, a filha, e nossa relação, sempre tão delicada e tumultuosa, crescer um pouco, e nesta linha dar uma ordem nas coisas da casa, já que nesse caminho decidi fixar pouso, e depois de tanta terapia aceitei ser filho de quem sou e ser como sou, agora é arrumar a casa, cuidar de minha saúde, no meu amadurecimento profissional… foquei nestes pontos, fechar todo o resto para balanço e lidar com o mínimo para ver se dou conta.

mas talvez seja só medo de mergulhar profundo e embaralhar tudo – como era bom mergulhar e embaralhar tudo, e como doía, às vezes – entregar-se e partir-se, desaprender, voltar a dar-se e fugir, e mergulhar e perder-se. momentos belos vividos… momentos de amadurecimento, que me permitem ser o homem bom, que tenho aprendido a ser, sempre nesse devir cotidiano.

e aprender a ser pai tem sido tão profundo quanto aprender a ser militante/amante foi anos antes! mas que bom seria aprender a ser aprendendo sendo ser tudo isto e mais! poeta, artista, militante, amado-amante, pai, filho, irmão, educador, humano.

e hoje ouvi isto: «morena, bichinha danada, minha camarada do MPLA», com clara e chico.

«Morena de Angola, por Clara Nunes. Composição de Chico Buarque»

el pueblo unido

[qui] 25 de abril de 2013

Paralisado! Em greve!

 

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xiva

[qua] 24 de abril de 2013

era para briga. assim eu precisava… brigar, discutir, atacar… destruir. destruir e ser shiva de mim. mas esse sangue quente, esse pavio curto, esse destempero alheio manipulo, doso, trabalho – mas a que custo?

se não respiro, se não medito… me destruo.

mas o que é aqui de dentro é mais arduo, é mais profundo… é desconhecer propriamente como se instala e como se destempera. no fundo… há muita dor.

e eu não sei lidar tão facilmente com esses sentimentos todos, tão contraditórios, tão complexos… e tudo o que é certo não é tão certo assim – mudamos, como as mudas que crescem insuspeitamente na inércia, no movimento, no equilíbrio imperceptível.

e eu nem quero explicar realmente. eu fico ali até pararem de berrar, em silêncio. até vencermos e o transtorno evaporar. o outro abrir a guarda, as gavetas do medo e ouvir o que seria tão simples se todos soubessem. mas nem eu sei. desculpo-me e pondero profundamente acerca disto tudo. e de tudo mais que não entrou [aparentemente] nisto tudo.

mas sou minha, só minha e não de quem quiser

[seg] 22 de abril de 2013

no ponto de ônibus, repensando as aulas da noite. remexo na memória as primeiras reflexões sobre o tema e me vem forte esta canção que curtia muito cantar:

Já que não me entendes, não me julgues (…) Ninguém sabia e ninguém viu Que eu estava a teu lado então… Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulherSou minha mãe e minha filha, Minha irmã, minha meninaMas sou minha, só minha e não de quem quiserSou Deus, tua Deusa, meu amor“. Trecho da canção 1º de julho da Legião Urbana.

depois de uma aula discutindo isto aqui: http://concursonigs.paginas.ufsc.br/

 

 

[qui] 18 de abril de 2013

“Eu tô te explicando pra te confundir, 
Eu tô te confundindo pra te esclarecer”

maratona de trinta e oito horas acordado. as aulas foram um barato. e eu me diverti. quase tudo certinho neste final de bimestre e sexta vou dormir bastante. livre, leve e solto.

e a clareza repentina de estar na solidão…

[qua] 17 de abril de 2013

“Cada passo
Cada mágoa
Cada lágrima somada
Cada ponto do tricô
Seu silêncio de aranha
Vomitando paciência
Prá tecer o seu destino

Cada beijo irresponsável
Cada marca do ciúme
Cada noite de perdão
O futuro na esquina
E a clareza repentina
De estar na solidão

Os vizinhos e parentes
A sociedade atenta
A moral com suas lentes
Com desesperada calma
Sua dor calada e muda
Cada ânsia foi juntando

Preparando a armadilha
Teias, linhas e agulhas
Tudo contra a solidão
Prá poder trazer um filho
Cuja mãe são seus pavores
E o pai sua coragem

Dorme dorme
Meu pecado
Minha culpa
Minha salvação”

Letra da canção “Mãe (Mãe Solteira)” de Élton Medeiros e Tom Zé. Gravada no álbum Estudando o Samba [1976] de Tom Zé.

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E das coisas aqui do cotidiano… A cabeça anda pesada demais, é pra mais de cinco quilos. E se o esqueleto não encontrar o equilíbrio ela vai levando o corpo todo pr’o chão.

É fácil se perder nessa pressão toda de horários, notas, prazos, projetos, planos, orientações, acompanhamentos… Ser engolido pela alienação de todo santo dia!

E as coisas divertidas e prazerosas? Aquelas que dão sentido?

Mas é assim… Se deparando com algo que não é como imaginará que você precisa de adaptar, se refazer… [Aqui, não no sentido de se conformar ao sistema – coisa difícil pra dedéu, mas sim de se reinventar como consciência e postura crítica] e isto é lento e doloroso, ou melhor… é angustiante e exaustivo. Mas assim se cresce, assim se nasce… Afinal é morrendo trigo que nasce pão. Mas eu bem que queria trabalhar um tiquinho menos, para poder lidar melhor com toda essa pressão, mas então falta grana e dai o buraco é do outro lado… sobra tempo para o ócio, para poesia, mas falta para o pão, para o concreto da casa.

Mas porra, chega de reclamar, vou curtir tom zé e pensar nas aulas que preciso desenvolver.

épico

[ter] 16 de abril de 2013

tédio meu amor, tédio.

sem sono e cansado – co’os olhos vermelhos e sem lágrimas.

falta grana, e tudo parece ser tão complicado.

são os projetos da casa que devem esperar. é a saúde que tu tem que administrar, teus dentes, teu peso, teu colesterol, tua preguiça, tua idade chegando e com ela todas essas dores pequenas e insuspeitas. são as contas tuas e dos teus que tu controla e organiza agora, afinal chegou tua hora de administrar as coisas complicadas da família e teu pai te deixou tanto pepino para tu arrumar – e falta tanta grana nessa vida subproleta e não é de um dia para o’utro p’ra pagar tudo e deixar nos conformes. é, a vida leva tempo – nos vários sentidos.

é tua filha crescendo e tudo que tu dá ainda é pouco… sempre fica aquela sensação que tu não dá o bastante, que tu poderia mais… tu queria tanto para ela. é, tu não pensou, tu não planejou… tu nem queria, mas ‘tá ai – e é gente, não tem como fugir. se não amar vai ficar um buraco e um medo danado deste que tu carrega no peito. assim num sobra outro jeito que este: reinventar-te.

e são as aulas… e essa tua bagunça mental, tuas digressões que mais complicam do que possibilitam a claridade. tu é um cara estranho. e muitos estão nem ai que as vezes dá uma impotência danada.

e é essa preguiça toda de viver amor, de viver amor. mantendo tudo quietinho, sem mexer, porque pode tudo desandar e ai… ai, será que há algo além?

mas também há o outro lado.. das coisas que se fazem no cotidiano, no cuidado dos próximos, gentes ou coisas, flores, plantas, palavras… bichos, borboletas, caracóis, minhocas, mosquitos, pássaros… a vida é tão cotidiano.

MAS HOJE ME IRRITA ESSA MINHA BAGUNÇA, ESSA DIFICULDADE ABSURDA DE AGIR OU AO MENOS PENSAR MAIS LINEARmente… TUDO É TÃO ALEATÓRIO… COMEÇO AQUI E NÃO TERMINO E JÁ VOU PARA LÁ E DEIXO TUDO MEIO ABERTO OU FECHADO E JÁ ESTOU NOUTRO PONTO FAZENDO OUTRA COISAS QUE NEM SEI COMO CHEGUEI E AQUELA QUE FICOU ANTES DA PRIMEIRA NEM SEI… NEM SEI… PAREÇO BARATA TONTA PRESA NO MESMO PONTO. Neste de não ter certeza e sentir cansaço. É essa bosta do capitalismo… E não resta outra coisa além da cova, mas no meio do caminho ou luta e nisto há sentidos e braços ou … essa alternativa não é viável [não é alter]. 

“Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!”

sala de recepção

[qua] 10 de abril de 2013

e de repente há febre e dor, e de repente há comprimidos, e de repente há provas, e de repente há um milhão de coisas por fazer, e de repente… a sei lá. sirvo pra isto não. quero um porta para o mundo da fantasia e lá… quem sabe nunca mais voltar.

cansei.

cartas ao mar

[qua] 3 de abril de 2013

Chove muito.

 

Diz assim na agenda. 02 de abril, terça.
é um doce nome de filha, é um belo nome de amada, lembra um pedaço de ilha, surgindo de madrugada.” Vinicius de Moraes.

E na vitrola toca cartola, 70 anos.
Eu iria escrever ontem, mas o tempo passou e ficou só o rascunho, que dizia assim…

Seg. 1/4. Indo para aula, ouvindo Karina Buhr. Dia medicado ainda.

“E a falta de imaginação me fez lembrar de você
De tarde, se anoitecer, tudo se acaba
E aí crio asas
E aí elas querem voar

Aqui é assim
O que a gente inventa a gente tem

E aí crio asas e aí elas querem voar”

Dom. 31/3. Dia dormido, e depois ouvindo Cartola, Calle 13, Buena Vista Social Club… A medicação me deixa sonolento. A canção tema do texto que comecei a escrever e não envie… nem terminei, seria “Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre

Não me ame tanto
não posso suportar um amor que é mais do que
o que eu sinto por dentro
penso”

O poema é confuso, mas tem o rosto da história brasileira: tisnado de sol, cavado de aflições, e no fundo do olhar, guarda um lampejo – um diamante duro como um homem e isso que obriga o exército a se manter de prontidão.” Ferreira Gullar.

Sab. 30/3. Dia de dona Izabel. Estudamos juntos, brincamos juntos e como é bonito vê-la crescer. A canção que tocou na vitrolinha como um mantra foi… (Com direito a Izabel imitando o sotaque delicioso de Karina)  Eu sou uma pessoa má. Eu menti pra você. 

Sex. 29/3. Cinema sozinho.  e a. Foi dia de ficar só. Trilha do dia… a boa e profunda levada de Karina… 

Qui. 28/3. Ufa, feriado. . Cinema para fazer companhia ao Japonês, que ‘tá meio na fossa com seu amor que não dá certo pela moça gaucha. E fazer valer a carterinha de sócio do cineclube. Trilha do dia foi  A pessoa morre depois de tanto verbo
A pessoa morre de fome
Depois de tanto verbo a pessoa morre
A pessoa morre
A pessoa morre

Qua. 27/3. “Há o homem no ar! Suspenso por fio transparente, pendendo entre o amor e o ódio, querendo a chave de si próprio.” Carla Dias.

Tive aulas boas. Estou trabalhando com os estudantes a questão de gênero dentro do sistema capitalista e movimentos sociais no terceiro ano; Poder, estado e capitalismo nos segundos anos; e a imaginação sociológica nos primeiros… Aulas boas. O rosto ainda está inchado, dolorido e estou bem cansado.

Ter. 26/3. Zero grana. Cirurgia. Colirio nos olhos e ao fundo, na via cortando o deserto ao meio, um balão laranja – a visão ‘tá perfeita, mas a boca meio desdentada ainda. Um pouco de dor e bem cansativo o dia. Devia ter pego um atestado e ter ido descançar.

Seg. 25/3. Dia mexendo na terra, podando, fazendo caminhos, plantando grama. e lá pelas 20h dar aula lá no centro.

Dom. 24/3. Dia de maratona, de ver arte, de mergulhar nos sonhos.

Sáb. 23/3. Seu baldecir, Edgar e Karina, Pi, Velha guarda da sociais, Murilo… Tantos abraços, tanta sensação boa. Dia bom – é bom saber que se é querido por tanta gente, mesmo quando ‘cê some e se esconde no meio do mato e não dá sinal de vida, do que sente por dentro, do que espera da vida. O que você espera da vida?

Sex. 22/3… Fica para uma outra vida.

 

Trilha sonora deste posto: CARTOLA 70 ANOS.

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