Archive for maio, 2013

gênero, patriarcado e violência

[qui] 30 de maio de 2013

«Ora, a democracia exige igualdade social. Isto não significa que todos os membros da sociedade devam ser iguais. Há uma grande confusão entre conceitos como: igualdade, diferença, desigualdade, identidade. Habitualmente, à diferença contrapõe-se a igualdade. Considera-se, aqui, errônea esta concepção. O par da diferença é a identidade. Já a igualdade, conceito de ordem política, faz par com a desigualdade. As identidades, como também as diferenças, são bem vindas. Numa sociedade Multicultural, nem deveria ser de outra forma. Lamentavelmente, porém, em função de não se haver alcançado o desejável grau de democracia, há uma intolerância muito grande em relação às diferenças. O mais preocupante são as gerações mais jovens, cujos atos de crueldade para com índios, sem teto, homossexuais revelam mais do que intolerância; demonstram rejeição profunda dos não-idênticos. As desigualdades constituem fontes de conflitos, em especial quando tão abissais como no Brasil. Em casos como este, e eles existem também em outras sociedades, as desigualdades traduzem verdadeiras contradições, cuja superação só é possível quando a sociedade alcança um outro estado, negando, de facto e de jure, o status quo. […] Numa sociedade como a brasileira, com clivagens de gênero, de distintas raças/etnias em interação e de classes sociais, o pensamento, refletindo estas subestruturas antagônicas, é sempre parcial»  (pp. 37-38, do livro Gênero, patriarcado e violência” de Heleieth Saffioti)

E para registro final, hoje foi dia de ir al cine: Somos tão jovens, de Antonio Carlos da Fontoura – Drama, 2013; e Faroeste Caboclo, de René Sampaio – Drama, 2013. Ambos brasileiros.

o que é um autor?

[qua] 29 de maio de 2013

tarde: #1. o rato erra o alvo e assim fica difícil selecionar as coisas! #2. depois de quinze dias salvei o facão de ficar enterrado na raiz daquela árvore – lá na trilha. lá no meio do mato. #3. otto e mezzo de fellini acabou de acabar. #4. meu tédio é absurdo. minha vontade, se é que é minha, se é que é vontade, de não fazer nada é absurda. não faço nada. #5. e só escrevo isto porque li isto: “Levando em conta o que Michel Foucault relata em seu livro O que é um autor?:

a relevância de uma entidade a quem se titula a posse e criação do texto só surgiu no século XVII, quando houve a necessidade de vigiar e punir o criador de obras tidas como transgressoras. Como antes disso não dava-se importância a esta questão, não há certeza sequer se os primeiros grandes poemas épicos – Ilíada e Odisseia – eram de criação de um único ser (Homero) ou de um conjunto de pessoas que formavam esta entidade.

Os Contos da Cantuária, de Chaucer, nada mais eram do que uma reunião de textos que já circulavam na oralidade. E como esquecer de Marcel Duchamp e de sua obra A fonte, que, para um cético realista, nada mais é do que um mictório posto sobre um pedestal. Quem será o autor da obra: Duchamp ou o artesão/operário que fez o mictório em si?”. tirei daqui ó: literatortura.com. o texto é de isadora fernandes.

#6. o salário entrou. as contas já podem ser pagas. #7. toma anti-inflamatório para sentir a dor passar – vida dolorosa. #8… sei lá. vou tomar sol porque já são quatro e lá pelas seis tenho que dar cinco aulas.

exercício de cinemar

[qui] 23 de maio de 2013

[incompleto e sujeito a edição – mas é melhor publicar e depois editar do que deixar aqui nos rascunhos e logo mais jogar no lixo. tem algo interessante no movimento abaixo, basta lapidar. cansado. dormir preciso. fim]

cinesilêncio
cinesilêncio
cinesilêncio
cinesilêncio
cinesilêncio

marulho bravio
abismo prateado
olhos nos olhos

cio
riso
silêncio

sufoco
sufoco sufoco
oco
ânsia
pranto

respira fundo

silêncio
abismo
ânsia
pranto
erra
não há fundo
é claro-escuro
mergulha
espuma
encontro

partem-se
as ondas na beira
do mar

silêncio
cinesilêncio
cinemar

———–

Al cine: Abismo Prateado de Karim Ainouz.

https://www.youtube.com/watch?v=nHPLfci-mEY

é complicar as coisas para você mesmo…

[seg] 20 de maio de 2013

16:21 “é fazer oito coisas de uma vez e não terminar nada”

é mais ou menos isso… uma crise. sei que é uma crise. mas não identifiquei claramente as ações que desencadeia[ra]m esta reação de estar sentido uma vontade irresistível de não sair, e de deixar o tempo passar e passar, e dormir. não há animo para escrever ou ler ou estudar ou até ir trabalhar. como isto se processa, o que desencadeia, o que faria interromper… poderiam ser questões, problematizações, cousas que me ajudariam a dar fim, mas não… o tempo escorre, circulo daqui pra lá e de lá pra cá sem uma ordem, apenas enrolando o tempo, e sempre adiando as coisas inevitáveis.

16:27 “é não saber quando terminar algo

 

#13/40

[qua] 15 de maio de 2013

há dias em que tudo rola numa boa, flui. há dias em que nem tudo rola tão bem… é um engasgar. e há dias assim… no limbo. o ânimo evaporou. e o máximo que consigo é deixar o tempo escorrer, e só no último instante, às vezes já perdendo a hora da saída, eu limpo o rosto e mergulho no que é necessário. #13/40.

mas não sei explicar… é um clima meio tenso pelos arredores – quando você percebe que é o único que tem renda (+-) fixa no final do mês – e apertou para todos. você percebe que precisa guardar, porque se a corda estourar… é você que vai ter que segurar as pontas de todos.

tenso.

mas é mais do que isto… é esse esperar que tudo seja intenso e agitado, mas tu não mexe um pelo para modificar. e mais… o plano é o inverso, é conservar o minimo movimento para guardar. mas sei lá… as vezes não há sentido.

—-

os poemas, assim como as fontes, estão secos. / os poemas, assim como as fontes, estão congelados. / os poemas, assim como as fontes, estão correndo. / os poemas, assim como as fontes, evaporaram // os poemas, assim como as fontes, são de outra estação.

 

sufixos

[ter] 14 de maio de 2013

ouvi isto outro dia e gostei: esperança, estado de quem espera; criança, estado de quem cria; confiança, estado de quem confia…

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porque estou bagunçando demais as coisas e ‘tá na hora de tentar organizar alguma coisa. essa vida de esperança as vezes cansa. ser mais cronópio e menos esperanza.

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preciso beber mais água. preciso ir mais ao ar livre… preciso pintar a casa. preciso escrever poemas na parede da casa e mostra-los por ai. preciso organizar meu tempo de forma que eu pare de apenas imaginar e faça –  faça sentido. essa mania de ler 8 livros ao mesmo tempo e não terminar nunca nenhum tem que parar… essa mania de deixar para planejar a aula horas antes de ir… essa mania de deixar tudo para amanhã e não fazer nada hoje tem que parar. sabe, porque se ficar assim essa vontade que tenho sentido nestes últimos dois meses de ficar só em casa aumentará…

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fontes: «estudo diacrônico da função e dos valores semânticos dos sufixos -ança/-ença, -ância/-ência no português» dissertação de Andréa Lacotiz

todo vagão tem um pouco de navio negreiro

[seg] 13 de maio de 2013

pelos dois sentidos: #1 – operário. trabalhador. aquele que faz. “vagão” foi um dos tantos apelidos carinhos que tive na vida. é sou um vagner grande. e na origem do sobrenome há uma relação já que wagner, aquele que faz vagões ou carroças. mas o meu vagão não era por isto não.

#2 – operários, trabalhadores, aqueles que lutam! porque carrego consciência dos que foram humilhados, explorados e dominados e resistem, lutam, pelo fim de toda injustiça. 125 anos de abolição e ainda hoje estamos nesta nau…

todo vagão tem um pouco de navio negreiro” – Bruno Perê, por sua vez, adiciona em seu grafite a frase “todo vagão tem um pouco de navio negreiro” em clara referência ao escritor baiano, Castro Alves, e também a uma canção do Rapa, “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”. A crítica de Perê é bastante clara e aguda, referindo-se ao perfil de passageiros transportados diariamente pelas linhas de trens e metrô de São Paulo e às condições de seu transporte. Em uma só frase o grafite nos coloca a refletir sobre a exploração dos indivíduos que se deslocam dezenas de quilômetros diariamente através destes vagões, nas condições deploráveis características deste transporte público, apenas porque não lhes resta outra opção para sobreviver a não ser se deixarem explorar pelos novos feitores do século XXI: os capitalistas. texto extraído de http://umhistoriador.wordpress.com/. ler aqui e aqui.

pedaço de mim

[sáb] 4 de maio de 2013

os cães ladram… e os carros noturnos passam – faltei ao cine varilux.

mas num era isto, não foi este o fato que motivou abrir essa página agora e começar a datilografar estes caracteres. tão pouco foi o fato de ter rido bastante ontem, sexta-feira. e ter brincado um pouco, tido conversas sociológicas, e ter feito passeios… é, o tempo passou tranquilo, leve – como se eu fosse criança em dia de férias.

até ouvi antigas palavras de sérgio ferro.

e por acaso, agora, zapeando… caio nisto aqui: http://www.ascaniommm.com/. e ouço essas palavras que me encantam… quais são:

consciência arquitetônica” e “consciência de abrigo” – pesquisa-las preciso, pois a ideia que veio com elas, de o arquiteto, e todos nós, termos uma consciência arquitetônica vinculada a esta consciência do que é abrigo.

PROJETO: “disciplina é liberdade” – organizar meus horários livres para estudar coisas necessárias à docência [para ir pouco-a-pouco deixando de ser professor e tornar-me um educador] e coisas necessárias à existência deste poeta [que anda tão afastado me mim].

PÓSPROJETOoucousasqueanotoaaquiparanãoesquecerqueprecisofazeroucontinuarfazendo. voltar à acadêmica para alguma letra ou arte é algo vital que preciso fazer. literatura, como disse o escritor, exige disciplina – preciso treinar isto. e para atingir esse plano de voo é necessário paciência e as pessoas me escreveram bastante nesta última semana e eu não respondi quase ninguém, será que respondo?

e ouço chico.

inti illimani e quilapayun

[qua] 1 de maio de 2013

INTI ILLIMANI + QUILAPAYUN MUSICA EN LA MEMORIA.  Invitados especiales: Los Bunkers / Chancho en Piedra / Mecánica Popular / Pancho Sazo de Congreso // Trabajo, que recoge en 19 temas lo que fueron las intensas e históricas jornadas de música en el Estadio Víctor Jara el 20, 21 y 22 de Agosto de 2004. // setlist: 1. Palimpsesto. Huelga deciros que yo os quiero más / en la profunda pulpa de antesueño, /  cuando el glacial se reconvierte en sol  / y se nos va la esperma en el empeño,   / y se nos cuaja el ceño de cenizas  / ávidas de hendir el cavilar de leño.  // Huelga deciros, libertad os una,   / que os sueño arando en hierro y sabio azote,  / volviendo a errar y a errar sin miramientos   / sobre un caballo y sobre un brioso brote,  / que es una forma de entender amar  / y otra jornada que vencéis al trote  / con ansia de echar la tierra a mugir, la luz a rodar.// Huelga dudar que libertad amando  / me vuelva a herir  / la gana regresando.// Qué hambre tener qué libertad os una  / os una en la memoria del ultraje,  / os rememore y os despierte al vuelo,  / os calce el corazón con los corajes,  / os arremeta, sin parar, la estancia  / oscura en que bebéis  / la injuria y su brebaje.// Qué hombre volver para que os una libre  / libre su nombre y su veloz corpiño,  / su vientre cuarzo y su agonía historia,  / y sus cadenas, su reloj, su niño.  / Y os avecine, os una, y os ausculte  / con sus dos manos y sus tres cariños,  / y su refulgir  / su oficio de herir  / la luz por venir. // Si nos va a arder la gana en toda luna  / y hemos de andarla junto tierra a tierra  / que en las raíces libertad nos una /// 2. El tinku. Sisi machai cuni ñañitai / Machai cuya nila / Sisi machai cuni ñañitai / Machai cuya nila  // Machai cuna nila ñañitai / Matayahuan quita / Machai cuna nila ñañitai / Matayahuan quita // Sisi tusi situ ñañitai / Matusiki situ / Sisi tusi situ ñañitai / Matusiki situ // Matusiki situ ñañitai / Eso si axi tu / Matusiki situ ñañitai / Eso si axi tu // Ay tunitai tuna ñañitai / Tucu yucui tuna / Ay tunitai tuna ñañitai / Tucu yucui tuna // Tucu yucui tuna ñañitai / Amke tuyai tuna / Tucu yucui tuna ñañitai / Amke tuyai tuna  /// 3. Tatati (instrumental)///4. Simón Bolívar. Simón Bolívar, Simón, / caraqueño americano, / el suelo venezolano / le dio la fuerza a tu voz. / Simón Bolívar, Simón, / nació de tu Venezuela / y por todo el tiempo vuela / como candela tu voz. / Como candela que va / señalando un rumbo cierto / en este suelo cubierto / de muertos con dignidad // Simón bolívar, Simón, / revivido en las memorias / que abrió otro tiempo la historia, / te espera el tiempo Simón. / Simón Bolívar, razón, / razón del pueblo profunda, / antes que todo se hunda / vamos de nuevo Simón. / Simón Bolívar, Simón, / en el sur la voz amiga, / es la voz de José Artigas / que también tenía razón /// 5. Cándidos. Rompió el ávido su cántaro / Y no hay médico en lo póstumo, / Impondrán célebre los cándidos, / Su vorágine más poética, / Su vorágine. // Vive esta plebe autóctona / Como un desolado páramo, / ´Viéndose tan mísera y decrépita / Sin un santo fiel en la cúspide, / Sin un santo fiel. / Sufriendo leyes maléficas / No hay más que subir los ánimos / Al compás de un danzar telúrico, / Al cielo gritar nuestros cánticos, / Al cielo gritar: / Presiento que por lo empírico / Se ha enloquecido la brújula, / El clamor que tuerce los estómagos / Va azuzando al fin los espíritus / Va azuzando al fin. // Cándido, libera tu rabia, cándido, / Tu vieja ternura o, úsala / Para revertir tu lóbrega vida de / Lázaro. / Cándidos, con tanta esperanza / cósmica, / Venid porque al fin / El ávido rompe su cántaro. // Antes que morir famélico / Mártir de un destino trágico, / Más valdrá reconquistar por último / El honor de ser pueblo intrépido, / El honor de ser: // Cándido, libera tu rabia… /// 6. Danza di calaluna. (instrumental)/// 7. Medianoche. Ven a beber conmigo en doce copas / doce campanas esta medianoche / escucharás el bronce congelado / tañendo nuestro adiós en doce copas. // Ven a besar conmigo en doce copos / la nieve amarga que fundió el invierno / sobre la altura de mis sienes y este / desamparado corazón que tengo. // Ven a morder conmigo en doce gritos / los labios de un dolor ya redoblado / será la última boca que tú beses / cuando vayas camino del ocaso. // No bien bebas conmigo el sorbo amargo / en la voz gris de los metales ciegos / vendrá esta medianoche repicando / la eternidad de nuestros dos destierros /// 8. La exiliada del sur. Un ojo dejé en los lagos / por un descuido casual, / el otro quedó en parral / en un boliche de tragos, / recuerdo que mucho estrago / de niña vio el alma mía, / miserias y alevosías / anudan mis pensamientos, / entre las aguas y el viento / me pierdo en la lejanía. / Mi brazo derecho en buín / quedó, señores oyentes, / el otro en san vicente / quedó, no sé con qué fin; / mi pecho en curacautín / lo veo en un jardincillo, / mis manos en maitencillo / saludan en pelequén, / mi falda en perilauquén / recoge unos pececillos. / Se m’enredó en san rosendo / un pie el cruzar una esquina, / el otro en la quiriquina / se me hunde mares adentro, / mi corazón descontento / latió con pena en temuco / y me ha llorado en calchuco, / de frío por una escarcha, / voy y enderezo mi marcha / a la cuesta ‘e chacabuco. / Mis nervios dejo en granero, / la sangr’en san sebastián, / y en la ciudad de chillán / la calma me bajó a cero, / mi riñonada en cabrero / destruye una caminata / y en una calle de itata / se me rompió el estrumento, / y endilgo pa nacimiento / una mañana de plata. / Desembarcando en riñihue / se vio a la violeta parra, / sin cuerdas en la guitarra, / sin hojas en el colihue; / una banda de chirigües / le vino a dar un concierto; / con su hermanito roberto / y cochepe forman un trío / que cant’al orilla del río / y en el vaivén de los puertos. /// 9. El arado. Aprieto firme mi mano / Y hundo el arado en la tierra / Hace años que llevo en ella / ¿cómo no estar agotado? // Vuelan mariposas, cantan grillos, / La piel se me pone negra / Y el sol brilla, brilla, brilla. / El sudor me hace surcos, / Yo hago surcos a la tierra / Sin parar. // Afirmo bien la esperanza / Cuando pienso en la otra estrella; / Nunca es tarde me dice ella / La paloma volará. // Vuelan mariposas, cantan grillos, / La piel se me pone negra / Y el sol brilla, brilla, brilla. / Y en la tarde cuando vuelvo / En el cielo apareciendo / Una estrella. // Nunca es tarde, me dice ella, / La paloma volará, volará, volará, / Como el yugo de apretado / Tengo el puño esperanzado / Porque todo / Cambiará. /// 10. Canto negro. Ooooooo / o yambambó yambambó yambambé. // Repica el congo solongo / repica el negro bien negro / congo solongo del songo / baila yambó sobre un pie. // Mamatomba mamatomba / serembe cuseremba. // Ooooooo / o yambambó yambambó yambambé. // El negro canta y se ajuma / el negro se ajuma y canta / el negro canta y se ajuma / el negro canta y se va. // Acuememe serembó / ae / acuememe serembó / aé / yambó ae, yambó ae, yambó. // Tamba tamba tamba tamba / tamba del negro que tumba / tumba del negro caramba / carba que el negro tumba / yamba yambó yambambé / ae / yamba yambó yambambé / ae yamba ae yambó ae / yambambó ae yambambé ae… /// 11. Premonición a la muerte de Murieta. (Pablo Neruda – Eduardo Carrasco)  Escucha la arena  / que mueve el desierto  / escucha el reloj  / que entierra a los muertos.  / Atrás bandolero  / la muerte te aguarda,  / llegaron los galgos,  / murió una guitarra,  / tu sangre invisible  / será derramada.  / ¿Oíste Murieta? // Ya no montarás,  / ya no correrás,  / ya no vengarás,  / ya no vivirás. // La tierra te advierte  / se cumple el destino,  / los galgos te acechan,  / termina tu suerte,  / te siguen las huellas,  / no traigas la rosa,  / el llanto en la luna  / la lluvia prepara,  / se acerca la muerte  /  te aguarda la fosa.  / ¡Murieta deténte! /// 12. Oguere. Oguere Oguere. / La campana a la sei’ / ta’ resona’ batei. / Y lo’negro’ e dotacio’ / va’ a reza’ la oracio’. / Oguere Oguere. / Oguere drume ri’ / que yo’ tie’ que surci’ / y ripue’ hacer eco’ / pa’ compra’ barraco’. /// 13. Entre morir y no morir.Entre morir y no morir   / me decidí por la guitarra   / y en esta intensa profesión   / mi corazón no tiene tregua.  // Porque donde menos me esperan   / yo llegaré con mi equipaje   / a cosechar el primer vino   / en los sombreros del otoño.  // Entre mourir, ne pas mourir,   / j’ai pris parti pour la guitare   / et cette intense profession   / m’a fait battre le coeur sans cesse.  // Car là où m’attend le moins   / j’arrive avec mon équipage   / pour récolter le premier vin   / dans le grand chapeau de l’automne. /// 14. Ventolera.  (instrumental) /// 15. La vida total. La vida es un espacio entre dos muertes  / La muerte es un silencio del amor  / El amor es un orgasmo entre dos lágrimas  / La lágrima es un lago sin su canto  / El canto es un misterio de la boca  / La boca es un abismo antes del pecho  / El pecho es otro abismo entre dos sangres  / La sangre es el motor que nutre el acto  / El acto es una danza contra el tiempo  / Y el tiempo es lo que mide los espacios  / hasta aquí enumerados. // La selva es el ancestro del desierto  / El desierto es un cuerpo ya bebido  / Beber no amaga el fuego en la conciencia  / La conciencia es un reloj de arena antiguo  / Lo antiguo nos modela como a un niño  / Un niño es el pasado de los cuerpos  / El cuerpo es un combate que se pierde  / Se pierde sin retorno a lo increíble  / Lo increíble será lo que no podemos  /  Y lo que no podemos será lo que siempre queramos. /// 16. El canto de la cúculi.  (instrumental) /// 17. La muralla. Para hacer esta muralla,   / tráiganme todas las manos   / los negros, sus manos negras   / los blancos, sus blancas manos.  // Una muralla que vaya   / desde la playa hasta el monte   / desde el monte hasta la playa,   / allá sobre el horizonte.  // —¡Tun, tun!   / —¿Quién es?   / —Una rosa y un clavel…   / —¡Abre la muralla!   / —¡Tun, tun!   / —¿Quién es?   / —El sable del coronel…   / —¡Cierra la muralla!   / —¡Tun, tun!   / —¿Quién es?   / —La paloma y el laurel…   / —¡Abre la muralla!   / —¡Tun, tun!   / —¿Quién es?   / —El gusano y el ciempiés…   / —¡Cierra la muralla!  // Al corazón del amigo:   / abre la muralla;   / al veneno y al puñal:   / cierra la muralla;   / al mirto y la yerbabuena:   / abre la muralla;   / al diente de la serpiente:   / cierra la muralla;   / al corazón del amigo:   / abre la muralla;   / al ruiseñor en la flor…  // Alcemos esta muralla   / juntando todas las manos;   / los negros, sus manos negras   / los blancos, sus blancas manos.  // Una muralla que vaya   / desde la playa hasta el monte   / desde el monte hasta la playa,   / allá sobre el horizonte.  // Al corazón del amigo:   / abre la muralla;   / al veneno y al puñal:   / cierra la muralla;   / al mirto y la yerbabuena:   / abre la muralla;   / al diente de la serpiente:   / cierra la muralla;   / al corazón del amigo:   / abre la muralla;   / al ruiseñor en la flor…ABRE LA MURALLA! /// 18. El aparecido. Abre sendas por los cerros,   / Deja su huella en el viento,   / El águila le da el vuelo   / Y lo cobija el silencio.  // Nunca se quejó del frío,   / Nunca se quejó del sueño,   / El pobre siente su paso   / Y lo sigue como ciego.  // Correlé, correlé, correlá   / Por aquí, por allí, por allá,   / Correlé, correlé, correlá,   / Correlé que te van a matar,   / Correlé, correlé, correlá.  // Su cabeza es rematada   / Por cuervos con garra de oro   / Como lo ha crucificado   / La furia del poderoso.  // Hijo de la rebeldía   / Lo siguen veinte más veinte,   / Porque regala su vida   / Ellos le quieren dar muerte. /// 19. Canción final. Me falta la compresión  / para explicar el grandioso  / momento tan venturoso  / que dentra por mi razón.  / Se embarga mi corazón  / en este siglo moderno  / veo que aflojan los cuernos,  / los toros quedan sin astas  / y el pueblo diciendo basta  / pa’l pobre ya los infiernos. // América aquí presente  / con sus hermanos de clase  / que empiece la fiesta grande  / de corazones ardientes.  / Se abracen los continentes  / por este momento cumbre  / que surja una perdidumbre  / de lágrimas de alegría.  / Se baile y cante a porfía  / se acaben las pesadumbres. // Entremos en la columna  / humana de este desfile.  / Miles y miles de miles  / de voces fundida en una.  / De todas partes los hurra,  / aquí todos son hermanos  / y así estarán: de la mano  / como formando cadena  / porque la sangre en las venas  / fluirá de amor sobrehumano. // Todo estará en armonía  / el pan con el instrumento  / el beso y el pensamiento  / la pena con la alegría  / la música se desliza  / como cariño de madre  / que se embelezcan los aires  / desparramando esperanzas.  / El pueblo tendrá mudanza  / lo digo con gran donaire. /// Faltou tempo de cada canção, e autoria de cada letra. Outro dia coloco. Show monumental. Salve Inti e Quilapayun!

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