Archive for agosto, 2013

querido velho oeste

[sáb] 31 de agosto de 2013

«Que ilusão desconfiar das flores Fugir da sorte pra não se arranhar. Você que quis inventar o tédio Como um remédio pro mundo rodar.” ou “Você tinha razão em quase tudo Eu estava cego, eu estava mudo Você tinha razão em quase tudo Eu era um cara de mal com o mundo». Paulo de Nadal, banda MORDIDA.

som no máximo, e repetindo sem parar na vitrola.

sei lá. Antes que eu esqueça, quinta foi um dia gostoso, daqueles que a gente não esquece. o sorriso daquela pequena que ‘cê nunca viu, e só por ter trocado três minutos de conversa, ela atravessa a rua para te dar um abraço [ que tu sem jeito transforma num simples aperto de mão ], animada por ter te conhecido. [ crianças tem disto, destes gestos inesperados, espontâneos, que nós adultos aprendemos a reprimir. dela esqueci o nome, e acho que devia ter seus 7 anos ].

guerra e universo

[qua] 28 de agosto de 2013

tive uma “sacada”. amenizei a dor de não ser o que eu insisto. ser não ser.

passei o “pois agora” e delirei sobre memórias vivas… [afinal, o blábláblá histórico-filosófico é importante, mas sem um exerciciozinho prático, um pouco de poises na história toda… fica meio sem graça]. que o conhecer seja um processo de apropriação e resignificação do concreto, que seja [auto]criação.

e ai faltou luz – e tudo virou um caos. ai pensei… um dia [tudo e todos] vamos nos desfazer. e ai… tanto fez, e nem as cicatrizes na minha face restarão. ossos e códigos.

voltei e li mais um tanto de Maiakóvski: O Poeta da Revolução sob a luz de velas.

***

Prólogo

Tenéis suerte.
La vergüenza no alcanza a los muertos.
Apaga pues
tu odio por los difuntos asesinos.
El líquido más puro
ha lavado el pecado del alma emigrada.
¡Tenéis suerte! Pero yo,
a través de las líneas del frente,
a través del estrépito,
¿cómo sostendré mi amor de ser vivo?
Un paso en falso
y la migaja del más insignificante
de los amores rodará para siempre
al abismo del humo.
¿Qué es
para los que vuelven tu pena? ¿Qué es
para ellos la línea de los poemas?
¡Parados con piernas de madera
ellos ya no querrán otra cosa
que seguir cojeando hasta
el fin de sus días!
¿Tienes miedo?
¡Cobarde!
¡Te matarán!
Tú podrías vivir,
aunque esclavo,
una buena cincuentena de años.

¡Mentira! Sé
que bajo la lava de los ataques seré
el más corajudo el más arrogado.
¡Ah!
¿Qué valiente se negaría a responder
a la llamada del clarín de los tiempos futuros?
Y yo soy en esta tierra
el único heraldo de las verdades en marcha.
¡Hoy exulto!
Sin beber ni una gota
he llegado a la meta de mi alma.
Mi solitaria voz humana
se eleva
entre gritos
entre llantos
en el día naciente.
¡A ver! ¡Vamos, animaos!
Fusiladme, ponedme contra el paredón!
¡No seré yo quien cambie de colores!
¿Queréis
que me pegue un as en la frente para que brille más la meta?

daqui ó: http://gatopistola.blogspot.com.br/2011/02/la-guerra-y-el-universo-por-vladimir.html

***

outros links sobre volodia maiak

http://paxprofundis.org/livros/vladimir/mayakovsky.htm

http://www.culturapara.art.br/opoema/maiakovski/maiakovski.htm

http://www.mauxhomepage.net/desenterrandoversos/desenterrandoversos/maiakovski.htm

http://um-buraco-na-sombra.netsigma.pt/p_mundo/index.asp?op=4&p=2244

https://garapuvu.wordpress.com/dossiemayakovski/

mordida

[ter] 27 de agosto de 2013

15:12 acordei com uma puta vontade de ficar deitado. não olhar ninguém. é, talvez essa certeza de não estar sendo certo, de furar com milhares de balas cada palavra lançada… mudar os planos sem aviso, sem placa de retorno ou saída… ir desgovernado penhasco abaixo – eu agora, fica o aviso, eu não pensei nos desdobramentos das palavras, apenas deixei elas deslizarem umas sobre as outras seguindo o seu fluxo, seu ritmo…

acordei com uma puta vontade de ficar fazendo qualquer coisas que não fizesse sentido. o horóscopo diz que há nuvens, eu seria a nuvem?! eu usaria calças?!

estou com um nó.
vontades desencontradas.

16:54 mordida é a trilha. tenho aula logo mais e eu furei meu planejamento… e agora, o que farei hoje?! o que inventarei?!

17:15 tive uma ideia. Pois agora…

olha a minha cara de clint eastwood

[seg] 26 de agosto de 2013

Você não está indo para lugar nenhum. Você está perdido! Você está indo embora! …Você não está vendo que está entre a vida e a morte?! Acorda para dentro!”.

.>’

Chuva Interior

Quando saia de casa
percebeu que a chuva
soletrava
uma palavra sem nexo
na pedra da calçada.

Não percebeu
que percebia
que a chuva que chovia
não chovia
na rua por onde
andava.

Era a chuva
que trazia
de dentro de sua casa;
era a chuva
que molhava
o seu silêncio
molhado
na pedra que carregava.

Um silêncio
feito mina,
explosivo sem palavra,
quase um fio de conversa
no seu nexo de rotina
em cada esquina
que dobrava.

Fora de casa,
seco na calçada,
percebeu que percebia
no auge de sua raiva
que a chuva não mais chovia
nas águas que imaginava.

Mário Chamie

direto do filme via lactea

***

se eu entendesse tudo que sinto, viver seria tão previsível” (MORDIDA). a frase não é minha, mas traduz-me tanto nestes tempos. e a sacada acima, do título, também não é minha… é do mesmo filme Surf Surf (Wellington Sari, 2012).

***

hoje dediquei um tempo à leitura das coisas de Volodia. [ps: uma tarefa após finalizar essa biografia: reler toda obra poética, ao menos].

um trecho de “A nuvem de calças”:

Silêncio.
O universo dorme colocando sobre a pata,
com garra de estrelas,
a enorme orelha.

***

chego em casa e minha porta está escancarada, totalmente aberta. ninguém lá. não há mais a separação entre interior e exterior, é tudo um grande espaço vazio. nesse tempo que passou eu perdi algo… e acordo-me de uma canção de dias atrás… “acontece que já não sei mais amar (…) acontece que meu coração ficou frio”¹. e eu nem sei por quê me sinto assim…

¹Cartola Interpreta: “Acontece

***

e obrigado por pensar em mim. «a via lactea, por legião urbana»

silentium universi

[dom] 25 de agosto de 2013

coisas do dia: paradoxo de Fermi, e a equação de Drake, em star trek: segredos do universo. que descobri por acaso, zapeando a tv. N = R* x fp x ne x fl x fi x fc x L

Carl Sagan Explains the Drake Equation

PitágorasEratóstenes, Renascença, Carl Friedrich Gauss, e relatividade geral…

e no mais o dia foi chuvoso.

não arrumei o que iria arrumar, não estudei o que iria estudar. e o dia passou…

 

 

oblivion

[sáb] 24 de agosto de 2013

XXVII {Barão Thomas Babington Macaulay – Lays of Ancient Rome}

«Then out spake brave Horatius,
The Captain of the Gate:
“To every man upon this earth
Death cometh soon or late.
And how can man die better
Than facing fearful odds,
For the ashes of his fathers,
And the temples of his Gods»

***
***
nessa semana:

Não fosse isso
e era menos
Não fosse tanto 
e era quase

Paulo Leminski

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meu nome deriva do indo-europeu wegh (ir, transportar), passando pelo alemão wagen (carroça, vagão); e finaliza com o plural de bonus (bom).
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hoje foi um dia de discussões políticas, brincadeiras infantis, filmes distópicos pela madrugada, chuva.
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sexta-feira, foi um dia de fazer exercícios matemáticos com izabel, descansar e recarregar baterias e solar
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quinta-feira, foi intenso, tenso e senti aquela sensação da impotência por não poder ser mais e melhor, por não poder sanar o sofrimento alheio… professor devia ser superhomem.
***
quarta-feira, fiz 31.
***
terça, editei o zinedosalunos.

a condição humana – total

[seg] 19 de agosto de 2013

as coisas morrem. as pessoas morrem. alguém de casa morreu.  há um lamento no ar e uma mancha rubra nos olhares. a dor no peito é imensurável, tal qual a distância que de um instante para outro se fez.

morte e vida. instantes do mesmo processo. cessa-se o sofrimento, os dilemas… as contradições. o que se perde é distinto do que se foi. o que se perde é uma certa certeza do outro ali, não importando se são centenas de quilômetros que nos separam… o outro está ali, dentro de nós – e ele se reafirma em cada vão contato, em cada efêmera relação. o outro continua ali, dentro de nós. mas o contato não há. apenas nossa solidão, nossa absurda e imutável solidão. e ida do outro trás à pele a flor das impotências, do cessar das possibilidades, o não dito ou feito, o não comunicado. e pouco a pouco tudo borra-se. o mundo fica distinto. o que se foi, foi, só. o que se perde, perde, nó não mais desatado.

e cada um carrega sua dor, tão sua, que ser e doer são instantes do mesmo processo. da mesma condição humana, mutante, total.

se houvessem mundos outros, haveria um reencontro. mas creio que nada foi perdido, da matéria nada se perde, da lembrança há  ad infinita relembrança, de nós, apenas a condição mais humana.

que fiquemos em paz, tio.

a embriaguez do futuro-passado

[dom] 18 de agosto de 2013

Impressões de um dia de ressaca. referências. Haviam outras, mas se perderam no dia baleado. O livro não anda. O vômito era violáceo e espesso. As garrafas de vinho vazias, os amigos-velhos, as risadas… coisas tão raras. 99% dos convites eu digo não, talvez… Mas as vezes, vamos lá. Reencontros são assim: 50% sessão revival, 50% sessão novidades, e vai girando de grupinho em grupinho no mesmo movimento. Eu mudei, e foi bárbaro o que vivi entre 2005-2010. Mas eu mudei. Agora ando mudo.

citações:

“A pele endureceu e fendeu-se, gretada como couro velho, mas o sorriso da boca e dos olhos guardou sua luz. Apesar dos desmentidos do álbum de fotografias, sua jovem figura se curva ante seu rosto de hoje: meu olhar não lhe reconheceu idade. Uma longa vida com risos, lágrimas, cóleras, abraços, confissões, silêncios, impulsos, e parece, às vezes, que o tempo não passou. O futuro se esconde, ainda até o infinito.” {p. 10}
TRECHO DA OBRA A MULHER DESILUDIDA DE SIMONE BEAUVOIR.

{01:16:15,943 –> 01:17:02,208}
– Não é o único motivo de estar aqui.
– Eu quero lembrar.
– Por quê?
– Para poder ser eu mesmo. Ser quem eu era.
– A busca de todo homem é descobrir quem ele de fato é, mas a resposta está no presente, não no passado. Isso vale para todos nós.
– Mas o passado diz quem nos tornamos.
– O passado é uma construção da mente. Nos cega e nos engana a acreditar nele. Mas o coração quer viver no presente. Procure nele. Encontrará sua resposta.
TRECHO FILME TOTAL RECALL

“porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,
e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão
que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena que paga por ser homem,
mas o modo de amar – e de ajudar
o mundo a ser melhor. ”
TRECHO DO POEMA CANÇÃO PARA OS FONEMAS DA ALEGRIA DE THIAGO DE MELLO

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CANÇÃO PARA OS FONEMAS DA ALEGRIA DE THIAGO DE MELLO

De Thiago de Mello a Paulo Freire
Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraldar
este canto de amor publicamente.

Sucede que só sei dizer amor
quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce de menino.

Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,
e poder ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas
são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis girando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.

Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:

porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,
e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão
que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena que paga por ser homem,
mas o modo de amar – e de ajudar
o mundo a ser melhor.
Peço licença
para avisar que, ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:

ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo, fronte a fronte
contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.

Peço licença para terminar
soletrando a canção de rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:

canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.

MELLO, Thiago de. Faz escuro mas eu canto: porque a manhã vai chegar. 23. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009. p. 35-36

alziraônaruadohospício

[sex] 16 de agosto de 2013

acordei… cedo. uau! bom dia. hoje é sexta-feira…. e 10 milhões de carros…. milhões de câmeras… e eu aqui faltando/resistindo. enquanto o telejornal faz a chamada ali na sala, e eu bebo meu mate aqui diante do computador, vou escrevendo o que brota na mente [lembrar de enlaçar com o poema sobre o brotar já feito e publicado aqui]. comecemos pelo acordar cedo, enfim, acordei cansado, e até cogitei, como plano inicial, ir ao curso que me inscrevi. mas o cansaço e a motivação foram pouco a pouco esvaecendo quando pensei que eu chegaria no mínimo meia hora atrasado, e depois de ler o email confirmando o dia e horário e programa do curso, e só havia meia dúzia de pessoas inscritas, o sendo que o mais interessante para mim é a segunda parte do curso que será na próxima sexta-feira. enfim, atrasado, e cheio de programas interessantíssimos aqui mesmo, tais como: a louça me esperando desde a última postagem, o jornal necessitando ser finalizado, o comprovante do pagamento do iptu que necessito para ir ao pro-cidadão e assim regularizar a situação do terro perdido na montanha de papéis com mais de metro [está parecendo aqueles programas da discovery h&h – é, antes de começar a digressão, adoro uma. eu sempre guardei papéis… quando mudei-me para esta casa tinha caixas e caixas com todos os cadernos, folhas, pilhas de jornais, que acumulei ao longo da minha vida estudantil… e foram vários os momentos de filtro, até chegar na situação que estou hoje, poucos textos da época da graduação e livros que li ou lerei ainda. caderno velho, jornal velho, revistas velhas, textos velhos não lidos são todos materiais para reciclagem ou colagem – é a meta de hoje, só levar o peso do corpo, levemente deformado], e ainda tem o curso online. se me inscrevi nos cursos para obter horas, esse já me proporcionará 100 horas e é online, aqui, em casa, quentinho, de pijama, na hora que eu quero, mas vá lá… os cursos do lefis são interessantes porque me possibilitam o reencontro com velhos conhecidos, e conhecer outros professores da rede e trocar ideias [que vontade de por acento nesse troço, coloco, apago, reescrevo, e ainda assim fico com a vontade]. enfim, um a menos hoje. e tenho muito trabalho cá, e o tempo já vai passando, o mate acabando. e acordei cedo.

ps: {a falta de maiúsculas, é uma mania, é proposital, é estético, é meu tic aqui neste blogue… já que na grafia manual, a letra é em caixa-alta}

editado: agora tenho 952 postagens neste blogue, 5.596 visualizações, e continuo em fuga, mudando de ideia sempre, dando bolo em quase todo mundo… errando. sou humano assim, transitório e falível, precário e previsível na caoticidade.

frase do dia de hoje e de ontem: a vida é uma questão de acasos trágicos e felizes…  (ian macewan). não, eu ainda não li nada dele. é uma citação destas de revista [que li ontem, na escola]. mas eu concordo com ele, porque ele concorda comigo. meu lema é: a vida é mais caótica do que imaginamos.

lágrimas pretas de piche

[qua] 14 de agosto de 2013

Amiúdes: Não editei o Jornalzine Sociológico #1 ainda. Lavei roupa. Não lavei a louça. Terminei a leitura de Graciliano Ramos. Não organizei os papéis. Limpei a sala. Não marquei médico. Estou cá a escrever…

Angústia – Graciliano Ramos. [o primeiro livro finalizado do ano]

“Preciso da condescendência dos outros? Sou alguma criança? Porque tinha ele suspendido a leitura e esbugalhava para mim aqueles olhos de mal-assombrado? Seria melhor destampar logo e declarar francamente que as paredes não necessitavam limpeza. De qualquer modo seria fácil um rompimento entre nós. Cada qual para o seu lado, cada qual com as suas idéias. Moisés levantava-se, despedia-se. Eu escondia as mãos nas cobertas, enrolava o pano debaixo do queixo e tremia, pedia-lhe com os olhos que não me deixasse só entre aquelas paredes horríveis. Agora Moisés me havia abandonado, e eu batia os dentes como um caititu. As paredes cobriam-se de letreiros incendiários, de lágrimas pretas de piche. As letras moviam-se deixavam espaços que eram preenchidos. Estava ali um tipógrafo emendando composição. E o piche corria, derramava-se no tijolo. Ameaças de greves, pedaços da Internacional. Um, dois… Impossível contar as legendas subversivas. Havia umas enormes, que iam de um ao outro lado do quarto; umas pequeninas, que se torciam como cobras, arregaçavam os olhinhos de cobras mostravam a língua e chocalhavam a cauda. As letras tinham cara de gente e arregaçavam os beiços com ferocidade. A mulher que lava garrafas e o homem que enche dornas agitavam-se na parede como borboletas espetadas e formavam letreiros com outras pessoas que lavavam garrafas, enchiam dornas e faziam coisas diferentes.” p. 220

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